sexta-feira, 26 de junho de 2015

Domingo as 23h30m na Cult FM Ponto Com voltarei ao rádio depois de uma longa ausência

                                                                             
Luck Veloso
André Luiz Costa
Logo do aplicativo Tune in Radio
Há muitos anos estou fora do rádio musical, mas não fui eu quem o tirou da minha cena existencial. O rádio me excluiu ao ser submetido a uma impiedosa asfixia cultural, artística, a um processo cruel de banalização que substituiu a criatividade, a ousadia, a coragem, o bom gosto, a vontade de alimentar a cultura e se alimentar dela. Foi acometido de “mesmose”, rabo entre as pernas, pobreza de espírito, corrupção (conhecida carinhosamente como jabá), enfim, o que um amigo muito bem definiu como “molambalização ampla, geral e irrestrita”.

Atirado nos braços da ignorância, falta de criatividade, tédio, o rádio empacou. Parou no tempo, no espaço, num armário velho cheio de mofo e infestado de traças e cupins. Os bons colegas que ainda resistem não escondem a decepção, a falta de tesão, de impulso para fazer alguma coisa porque quem está no andar de cima não deixa. Não deixa porque não quer. Não quer porque não entende de rádio, de música, de arte, de cultura, de vida. Entende de dinheiro fácil e de politicagem barata.

Isso tudo depois da histórica Radio Nacional lá atrás (e ainda hoje, graças a  resistência de colegas que lá estão e tentam fazer direito), da Mundial que Big Boy inventou em 1966 (fora do ar), da Eldo Pop que o mesmo Big Boy criou em 1971 (fora do ar), da Federal, roqueira de Niterói, inventada por Carlos Siegelman, Marcos Kilzer e Jorge Davidson em 1972 (fora do ar), da Cidade FM em 1977, da Antena 1 de 1981, com Romilson Luiz e Eládio Sandoval à frente (fora do ar) a Fluminense FM de 1982 (fora do ar) e depois.............o que? O que aconteceu depois? Alguém tem algo a dizer?

No ano 2000, 15 anos atrás, eu os amigos André Valle e Aline Rios fundamos a primeira rádio de rock do mundo na internet. Chamou-se Rocknet e funcionava no estúdio El Sonoro (um marco na história cultural do Estado do Rio) do super músico Felipe Melo, o maior intérprete de Jimi Hendrix que ouvi até hoje.

A internet ainda tinha conexão discada. Você acessava por uma linha telefônica. Conexão fraca, vivia caindo, travando e, ainda por cima, quem usava pagava a conta do telefone, que subia mil, dois mil por cento. Mesmo assim a Rocknet surpreendeu registrando uma grande audiência de todo o Brasil (e exterior), em especial do Rio, São Paulo e Porto Alegre. Eu e Aline gravávamos todos os módulos musicais (média de 12 músicas por hora) e fazíamos sozinhos a programação e a locução das 24 horas do dia. Com o maior prazer.

Enquanto isso, o André, roqueiro dos bons e uma das maiores autoridades em Tecnologia da Informação, alugava provedores e servidores nos Estados Unidos. Na época, custavam 10% do valor do mesmo serviço no Brasil, país que  não tem infraestrutura decente desde 1.500 por culpa de macro-corrupção galopante e crescente em todos os níveis de poder. Notadamente a partir de 1808 quando, todo borrado, D. João VI desembarcou no Rio esbaforido (trazendo toda a Corte) fugindo de Napoleão e implantou aqui a roubalheira institucional. Detalhes nos livros “1808” e “1822”, de Laurentino Gomes.

A Rocknet durou três meses. Para cada mil ouvintes, pagávamos uma nota de streaming, que é o equivalente a onda de rádio só que gerada por engenhocas digitais “carregando” o áudio até os computadores. Por causa da conexão discada, mais o custo que cada grupo de ouvintes exigia (a cada 100 ouvintes pagávamos mais e mais) e a falta de anunciantes adiamos o projeto. Batemos em quatro mil ouvintes e não tínhamos como crescer, continuar. Faltou um profissional da área comercial para vender anúncios, fechar patrocínios, cuidar do marketing, etc. 

Não jogamos a toalha, apenas sentamos e avaliamos a situação com a certeza de que um dia a banda larga ia tomar conta do país, não por vontade dos governos mas por necessidade de sobrevivência do país dentro de uma economia globalizada, já que o Brasil não fica em Plutão. Veio a globalização e o país teve que se arreganhar, privatizar aqueles monstrengos estatais e hoje, bem ou mal, estamos com um serviço de internet bem mais decente. Pelo menos, mais decente do que no ano 2000. Mas lembro, sempre lembro, que a Rocknet foi adiada e não enterrada viva.

De lá para cá recebi alguns convites para voltar ao rádio, em alguns casos como diretor e a primeira pergunta que fiz foi “quem vai cuidar da área comercial?”. Meus interlocutores titubiavam, diziam que iam cuidar disso depois, que o importante é o produto e eu, escaldado, afirmava que “produto e o comercial andam juntos desde o começo”. E educadamente recusava. Por que? Porque quando uma rádio quebra ou de repente em vez de tocar jazz, blues e bossa nova passa a tocar sertanejo de quinta e pagode de shopping, os ouvintes acham que a culpa é do executivo que cuida da programação musical e não incompetência (ou inexistência) do comercial que não soube vender. E essa culpa (que não seria minha) eu não quis carregar.

Até que recentemente conheci a rádio Cult FM Ponto Com (http://www.radiocultfm.com), através do programa Jam Sessions de meu milenar amigo e colega Jamari França (no ar aos domingos, 22 horas). Fui ouvindo, ouvindo e domingo passado, as 18 horas, Philippe Mello (meu sobrinho) estreou seu programa “Selva do Metal” .

Depois de conhecer melhor o Luck Veloso e o André Luiz Costa senti aquela inquietação boa, aquele desejo de compartilhar algumas coisas que acho que sei com algumas músicas que gosto e surgiu a ideia de fazer o programa “Cafofo do LAM”, que vai estrear neste domingo, as 23h30. O horário dele será as 23 horas, mas neste domingo o Jamari vai fazer um mega especial com o Raul Seixas que, se estivesse aqui, faria 70 anos. Pensamos até em adiar a estreia para o outro domingo mas a minha galopante ansiedade não deixou.

Meu programa deveria ter duas horas de duração mas, empolgado como um garoto iniciante, embalei e hoje o André me disse que ele está com três horas! Cacete! Claro, pedi para cortar uma hora, mas ele argumentou que como é estreia e tudo mais, vai deixar rolar. Bom! Bom porque cada música que programei foi milimetricamente sentida (muito sentida) e pensada. Escolhi durante duas noites que passei em claro (o que não é nenhuma novidade) ouvindo, sei lá, uns 200, 250 takes de música. Não sei se o resultado é o melhor programa de soft rock do planeta, mas com certeza eu me empenhei pesado para que seja.

Na Rádio estão o Luck Veloso, André Luiz Costa, Rogério Bezerra, Andréa Alves, Verônica Viana, Beta Accioli e Marcello Evangelista. Mais o Jamari, Philippe e eu. O bando é bom, gosta de uma boa guerrilha e começa a construir uma história bem interessante no meio deste deserto radiofônico deprimente, anêmico de ideias, conceitos, conteúdo e, SOBRETUDO, cultura e educação. O rádio nunca esteve tão alienado, ignorante e burro como atualmente. 

Por isso, acredito na internet, a mídia mais poderosa já inventada para transportar pelo planeta nossas ideias, conceitos, devaneios, representados por músicos e músicas que selecionamos. E a Radio Cult FM Ponto Com tem tudo para ser a cabeça de ponte que faltava para essa revolução acontecer. Como foi o sniper russo Vassili Zaitsev, que matou oficialmente 468 nazistas em Stalingrado em 1944 e deu início a virada da União Soviética sobre a Alemanha na II Guerra.

Para mim é muito bom estar a bordo da Cult FM Ponto Com.

Espero todo mundo domingo, 23h30m, em http://www.radiocultfm.com/ . Bote na agenda, vá até a rádio agora, dê uma ouvida na programação, ponha nos favoritos de seu Google Chrome, Safari, Firefox, Opera, Explorer, etc. Você pode ouvir a rádio (e o Cafofo do LAM) em desktop, tablet, notebook e em smartphones com o sistema operacional Android (Motorola, Samsung, Sony, Nexus, LG, Zefone, HTC, etc) ou iOS do iPhone. Para ouvir basta ir até a Play Store, ou Apple Store, e baixar (de graça) o aplicativo “Tune in Radio”, que tem um ícone verde com uma figura em branco. É só instalar, procurar e achar a Radio Cullt FM no menu. Qualquer dúvida acesse http://www.radiocultfm.com/#!contato/c21nl e pergunte.

Vamos lá. Para frente e para cima! Rock on!!!