sábado, 27 de junho de 2015

Raul Seixas 70 anos: “não quero ser famoso e duro; não quero ser um mito depois de morto”



Raul Seixas faria 70 anos neste domingo. Muitas homenagens por todo o Brasil, lembrando o homem que, a meu ver, foi um dos inventores do rock brasileiro ao misturar o som nativo dos Estados Unidos com ingredientes, fazendo uma mágica que o celebrou. Neste domingo, as 22 horas, o jornalista Jamari França vai apresentar uma edição especial de seu programa Jam Sessions na Radio Cult FM Ponto Com, que fica em http://www.radiocultfm.com/

Entrevistei o Raul umas três ou quatro vezes, mas um dos momentos mais marcantes foi em meados 1981. Eu trabalhava como jornalista da consagrada Rádio Jornal do Brasil AM e bati um papo com ele lá mesmo num dos estúdios da rádio no sétimo andar do prédio do Jornal do Brasil na avenida Brasil, hoje sede do Into.

Raul estava muito down depois de ter tido seu contrato sido rompido pela gravadora CBS (hoje Sony Music) e falou abertamente, a maneira dele, do tema “fama e dureza”. Ele me disse “não quero ser famoso e duro, não quero ser um mito depois de morto. Cara, eu estou duro e as pessoas não entendem que aplausos, gritos, autógrafos não pagam a conta de luz, o condomínio, o médico”.

Sugeri que gravássemos a conversa para transformar numa matéria mas ele disse que não. Que era um desabafo, coisas pessoais. E voltou a dar risadas, falar absurdos, enfim, reincorporou o “Maluca Beleza” e fizemos uma entrevista formal sobre discos, shows e música. Encontrei com ele só de “raspão” a partir daí e, naturalmente, no dia de sua morte em 21 de agosto de 1989 lembrei da nossa conversa na Rádio JB; “não quero ser famoso e duro, não quero ser um mito depois de morto”.

E foi justamente o que aconteceu. Depois de morto Raul enriqueceu, virou mito, lenda. Ficou ainda mais famoso do que no auge de sua carreira e é cultuado, inclusive, por adolescentes que nem sonhavam em ser nascido quando o criador de “Mosca na Sopa” estava por aqui. Uma história que a biografia formal evita contar. Aqui, trechos da Wikipédia:


Raul Santos Seixas nasceu em 28 de Junho de 1945 numa família de classe média baiana que vivia na Avenida Sete de Setembro, Salvador.  Em julho de 1957 fundou o Elvis Rock Club com o amigo Waldir Serrão. O clube era como uma gangue que procurava brigas na rua, fazia arruaça, roubava bugigangas e quebrava vidraças. Embora Raul não gostasse muito disso, "ia na onda, pois o rock (pelo menos a meu ver) tinha toda uma maneira de ser", disse uma vez.

A família resolveu matricular Raul num colégio de padres, o Colégio Interno Marista, onde ele alcançou a terceira série em 1960, mas acabou repetindo o estágio em 1961. Ao que tudo indica, nessa época Raul Seixas começou a se interessar pela leitura. O pai de Raul Seixas amava os livros e possuía uma vasta biblioteca em casa. Tão logo decifrou o mistério das letras, o garoto pôs-se a ler os volumes que encontrava na biblioteca do pai Raul.

As histórias que lia na biblioteca fermentavam sua imaginação e, com os cadernos do colégio, fazia desenhos, criava personagens, enredos, para depois vender ao irmão quatro anos mais novo, que acabava ficando interessado e comprava os esboços. Segundo Raul, um dos personagens principais dessas histórias era um cientista maluco chamado "Mêlo" (algo como "amalucado"), que viajava para diversos lugares imáginarios como o Nada, o Tudo, Vírgula Xis Ao Cubo, Oceanos de Cores. Segundo ele Melô era sua "outra parte, a que buscava as respostas, o eu fantástico, viajando fora da lógica em uma maquinazinha em que só cabia um só passageiro... Melô-eu."

Embora Raul mantivesse um gosto muito sincero pela música, seu sonho maior era ser escritor como Jorge Amado. Na sua cidade, escutavam Luiz Gonzaga todos os dias, nas praças, nas casas, em todos os estabelecimentos. Enquanto isso, Raul junta-se a cena do Rock que se formava em Salvador. "Em 54/55, ninguém sabia o que era rock. Eu tocava e me atirava no chão imitando Little Richard."

Com o passar do tempo, a banda que chegou a ter diversos nomes, como Relâmpagos do Rock, formadas então pelos irmãos Délcio e Thildo Gama,21 passa por várias formações e em 1963, passa a se chamar The Panters, banda que agora já se tornara sensação de Salvador. A fama se espalha, e a banda é rebatizada pelo nome Os Panteras, tendo em sua formação definitiva além de Raulzito, os integrantes Mariano Lanat, Eládio Gilbraz e Carleba.

Em1967, Raul Seixas começou a namorar Edith Wisner, filha de um pastor protestante americano. O pai de Edith não aceita o namoro da filha. Em seis meses, completa o segundo grau, faz cursinho pré-vestibular e passa em Direito, Psicologia e Filosofia. Com isso, casa-se com Edith. Logo em seguida, abandona os estudos, volta a reunir os Panteras e aceita o convite de Jerry Adriani para ir para o Rio de Janeiro. 

Em 1968, Raulzito e Os Panteras gravam seu primeiro e único disco na gravadora EMI-Odeon, após encontrarem Chico Anysio e Roberto Carlos, que os reconheceu nos corredores. O disco no entanto não teria sucesso de critica nem de público. Eládio Gilbraz, um dos panteras, disse: "De um lado havia a inexperiência de quatro rapazes, recém-chegados da Bahia, falando em qualidade musical, agnosticismo, mudança de conceitos e sonhos. Do outro lado, uma multinacional que só falava em "comercial".

A partir daí, Raulzito e Os Panteras passariam sérias dificuldades no Rio de Janeiro. Raul morava em Ipanema e ia a pé até o centro da cidade para tentar divulgar suas músicas, não obtendo sucesso. Algumas vezes os Panteras recebiam ajuda de Jerry Adriani, tocando como banda de apoio, o que, segundo o próprio Raul, lhe deu muita experiência e lhe ajudou a descobrir como se comunicar, pois suas "músicas eram muito herméticas". Raulzito passaria então fome no Rio de Janeiro  como mais tarde escreveria em “Ouro de Tolo”.

Raul Seixas estava arrasado com o fracasso de Os Panteras, e a sua volta a Salvador. Escreveu: "Passava o dia inteiro trancado no quarto lendo filosofia, só com uma luz bem fraquinha, o que acabou me estragando a vista [...] Eu comprei uma motocicleta e fazia loucuras pela rua." No entanto a sorte começou a mudar quando um dia conheceu na Bahia um diretor da  gravadora CBS, hoje Sony. Mais tarde ele convidaria Raul para ser produtor da gravadora.

Sem pensar duas vezes, ele faz as malas junto a mulher Edith e voltou para o Rio para usar seus enciclopédicos conhecimentos de música como produtor fonográfico. Na CBS fez grandes aliados e amigos. Ainda em 1968, a dupla Os Jovens e a banda The Sunshines apostaram em suas letras. No entanto, Raul faria um grande amigo e parceiro: Leno, da dupla Leno e Lilian.

 Jerry Adriani decidiu convocar Raulzito para ser o produtor de seus discos. No álbum de 1969, aproveitou para gravar uma de suas músicas, “Tudo Que É Bom Dura Pouco”. Naquela mesma época, outros ídolos da Jovem Guarda também apadrinharam Raulzito gravando suas letras como Ed Wilson, Renato e seus Blue Caps, Jerry Adriani, Odair José. O ano de 1970marcou o início de uma fase muito ativa na carreira de Raul como produtor da CBS.

Primeiramente, suas composições passaram a ser gravadas pelos artistas do cast da gravadora. Passou o ano produzindo discos para Tony & Frankye, Osvaldo Nunes, Jerry Adriani, Edy Star e Diana, além de escrever uma quantidade enorme de músicas para os colegas da gravadora. Algumas de muito sucesso, como “Doce doce amor” (Jerry Adriani), “Ainda Queima a Esperança” (Diana) e “Se ainda existe amor” (Balthazar).

Bem sucedido e conceituado produtor e compositor, Raul não se conformava apenas com isso, especialmente quando conheceu o amigo e parceiro Sérgio Sampaio, passando cada vez mais a realimentar os sonhos de quando ainda morava em Salvador, que era ser um cantor.

Um projeto mal sucedido seria o LP , lSociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das 10 lançado em 1971, com a parceria de Sérgio Sampaio, Miriam Batucada e Edy Star, onde Raul Seixas deu inicio a produção de um projeto de ópera-rock, tendo as letras mutiladas pela censura do regime militar.

O Sociedade Grã Ordem Kavernista era um disco Anarquico, inspirado em Frank Zappa e no célebre  dos Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band misturado a elementos brasileiros como samba, chorinho, baião. Quando lançado, o disco não obteve sucesso de público e nem de crítica. Foi abandonado à própria sorte até mesmo pela gravadora, cujos executivos tanto no Brasil como na matriz, nos Estados Unidos não gostaram do resultado final.

Com isso, não houve investimento em divulgação do trabalho nas rádios e programas musicais da época. Muitas lendas cercam esse disco que traz 11 faixas intercaladas por vinhetas. A principal delas diz que Raul, Sérgio, Edy e Míriam gravaram as músicas às escondidas, à noite, sem que ninguém na CBS soubesse e que por esse motivo, Raul Seixas, então um bem-sucedido produtor da gravadora, teria sido demitido.

No entanto, segundo Edy Star, único sobrevivente dos quatro artistas, o trabalho foi profissional e feito com o conhecimento da gravadora. E Raul não foi demitido. Tanto que no ano seguinte, em 1972, produziu o compacto Diabo no Corpo, de Míriam Batucada, e o LP de estreia da cantora Diana, na própria CBS. Raul só saiu da gravadora meses depois desse último trabalho, sendo contratado pela RCA Victor.

Em 1972, Raul Seixas decide participar do Festival Internacional da Canção, sendo convencido por Sérgio Sampaio. O cantor compõe duas músicas, "Let Me Sing, Let Me Sing", defendida pelo próprio Raul e "Eu Sou Eu e Nicuri é o Diabo", defendida por Lena Rios & Os Lobos. Ambas chegam a final, obtendo sucesso de critica e de público. Rapidamente, Raul foi contratado pela gravadora Philips. Na época, ele também se interessa por um artigo sobre extraterrestres publicado na revista A Pomba e tem o seu primeiro contato com o escritor Paulo Coelho, que mais tarde, se tornaria seu parceiro musical.

No ano de 1973, Raul faz grande sucesso com a música "Ouro de Tolo" no álbum Krig-ha, Bandolo!. A música debocha da ditadura e do "milagre econômico". No mesmo LP outras músicas que se tornaram grandes sucessos, como "Metamorfose Ambulante", "Mosca na Sopa" e "Al Capone". Raul Seixas finalmente alcançou grande repercussão nacional, virou ícone popular. Porém, logo a imprensa e os fãs da época, foram aos poucos percebendo que Raul não era apenas um cantor e compositor.

Ainda em 1973, Raul resolve homenagear algumas músicas clássicas do rock americano e brasileiro no disco Os 24 Maiores Sucessos da Era do Rock. No entanto foi proibido pela gravadora de assinar seu nome no disco de covers, pois ela achou que o álbum poderia prejudicar as vendas de . Krig-ha, Bandolo!A solução foi creditar o álbum a uma certa banda fictícia chamada Rock Generation, com o nome de Raul presente apenas na contracapa, como diretor de produção. O álbum não teve qualquer tipo de divulgação e acabou inicialmente sendo esquecido nas lojas, mas com os sucessos posteriores de Raul alcançando grandes vendagens, a gravadora Philips acabou por divulgar melhor o trabalho.

Em1974, Raul Seixas e Paulo Coelho criam a Sociedade Alternativa, uma sociedade baseada nos preceitos do bruxo inglês Aleister Crowley, praticamente repetindo o chamado Livro da Lei. O cantor foi levado pelo escritor a conhecer uma ordem filosófica baseada na Lei de Thelema, desenvolvida por Crowley. A Sociedade Alternativa, com sede alugada, papel timbrado e relatórios mensais, chegou a anunciar a aquisição de um terreno em Minas Gerais, para a construção da Cidade das Estrelas, uma comunidade onde a única lei era “Faz o que tu queres, há de ser tudo da lei.” Em todos os seus shows, Raul divulgava a Sociedade Alternativa com a música de mesmo nome.

A obsessão de Raul Seixas e Paulo Coelho em construir “uma verdadeira civilização thelêmica”, evidentemente, trouxe problemas com a censura. A letra da música "Como Vovó já Dizia" composta pelos dois, teve de ser mudada. Logo no show de lançamento, a polícia apreendeu o gibi/manifesto "A Fundação de Krig-Ha" e o queimou como material subversivo. A ditadura, prendeu Raul e Paulo, pensando que a Sociedade Alternativa fosse um movimento armado contra o governo.

"Veio uma ordem de prisão do Exército e me detiveram no Aterro do Flamengo. Me levaram para um lugar que não sei onde era. Imagine a situação: estava nu, com uma carapuça preta. E veio de lá mil barbaridades. Tudo para eu dizer os nomes de quem fazia parte da Sociedade Alternativa, que, segundo eles, era um movimento revolucionário contra o governo. O que não era. Era uma coisa mais espiritual. Preferiria dizer que tinha pacto com o demônio a dizer que tinha parte com a revolução. Então foi isso, me escoltaram até o aeroporto." (...)"
—Raul Seixas sobre o exílio ocorrido em1974, em uma entrevista publicada na revista Bizz, em março de 1987.

Depois de torturados, Raul e Paulo foram exilados para os Estados Unidos, com suas respectivas esposas, Edith Wisner e Adalgisa Rios. Muitas histórias são contadas sobre a estadia de Raul Seixas nos Estados Unidos, como seu encontro com John Lennon, mas ninguém sabe ao certo se são verdadeiras.
 No entanto, o LP Gita gravado poucos meses antes faz tanto sucesso, que forçou a ditadura a trazê-los de volta para o Brasil. O álbum Gita rendeu à Raul um disco de ouro, após vender 600 mil cópias, o LP de maior sucesso de sua carreira. Ainda neste ano, Raul separou-se de Edith, que vai para os Estados Unidos com a filha do casal, Simone.

Em 1975, Raul Seixas casou-se com Glória Vaquer, e grava o LP , Novo Aeon onde compôs junto com Paulo Coelho, uma de suas músicas mais conhecidas, "Tente Outra Vez", que seria creditada juntamente com Marcelo Motta, por quem eram discipulados na Astrum Argentum (AA). O LP, porém, vendeu menos de 60 mil cópias. Ainda em 1975, Raul lê um manifesto e canta a Sociedade Alternativa no documentário Ritmo Alucinante, que foi um festival de rock realizado no Rio de Janeiro, gravado no álbum Hollywood Rock, lançado no mesmo ano. Em 1976, Raul supera a má-vendagem do disco Novo Aeon com o álbum Há Dez Mil Anos Atrás. Neste mesmo ano, nasce sua segunda filha, Scarlet. Chega então ao fim o seu contrato com a gravadora Philips e sua parceria com Paulo Coelho, embora continuassem amigos.

Jay Vaquer, músico e cunhado de Raul na época, coletou material para fazer um novo disco, Raul Rock Seixas, que diziam ser um álbum feito de resto de gravações, mas na verdade a história era outra. Raul escolheu as músicas, e Jay começou a fazer os arranjos. Porém, antes de Raul Seixas e Jay Vaquer terminarem de mixá-lo devido à suas ausências por causa dos shows, a Philips lançou o disco sem avisá-los, sob o selo da Fontana/Phonogram, mixando-o por conta própria. Segundo Jay Vaquer, isso prejudicou o trabalho que ambos haviam planejado anteriormente, destruindo o LP, porque finalmente seu nome estava num LP de Raul como produtor, arranjador, e guitarrista, e seu trabalho foi muito mal representado.

Em 1977, nasce no Brasil uma nova gravadora, a WEA, que se interessa em contratar Raul Seixas. Por volta deste período, intensifica-se a parceria com o amigo Cláudio Roberto, com quem Raul compôs várias de suas canções mais conhecidas. Juntos, fizeram o LP O Dia Em Que A Terra Parou. A crítica não gostou. Foi dito que não mantinha o mesmo nível dos trabalhos anteriores. Mas os fãs se deliciam com “Maluco Beleza”, “Sapato 36” e a faixa-título.

Naquele final de década as coisas começaram a ficar ruins para Raul. A partir do ano de 1978, começa a ter problemas de saúde devido ao alcoolismo lhe causando a perda de 1/3 do pâncreas. Ele passou alguns meses numa fazenda na Bahia para se recuperar da pancreatite. Separou-se de Glória, que, assim como Edith, também voltou aos Estados Unidos levando a filha Scarlet. Neste ano, conhece Tania Menna Barreto, com quem passa a viver. Lança o LP Mata Virgem que conta com a volta de Paulo Coelho mas ambos chegam a conclusão de que essa parceria já não tinha mais como dar certo. Além disso, a má divugação atrapalhou as vendas do disco e a crítica também não ajudou.

No ano de 1979, Raul separou-se de Tania. Raul Seixas entrou em depressão e foi internado para tratar do alcoolismo. Conhece Angela Affonso Costa, a Kika Seixas, sua quarta companheira. Lança seu último LP com a WEA, Por Quem os Sinos Dobram, em parceria com o amigo Oscar Rasmussen e logo após, rescinde o contrato com a gravadora.

Em 1980, assinou novo contrato com a CBS (desta vez como cantor) lançando mais um álbum, Abre-te Sésamo, que contém outros sucessos e têm as faixas "Rock das Aranha" e "Aluga-se" censuradas. Logo depois, o contrato é rescindido. Em 1981, nasce a terceira filha, Vivian, fruto de seu casamento com Kika. Em 1982, faz um show na praia do Gonzaga, em Santos, reunindo mais de 150 mil pessoas. No mesmo ano, Raul apresenta-se bêbado em Caieiras, São Paulo, e é quase linchado pela platéia que não acredita que Raul é o próprio, mas um impostor.

Desde 1980, Raul estava sem gravadora e perspectiva de um novo contrato. Mergulhado na depressão, Raul afunda-se nas drogas, mas em 1983, Raul é convidado para gravar um disco pelo Estúdio Eldorado. Logo depois, Raul é convidado para gravar o especial infantil Plunct, Plact, Zuuum da Rede Globo, onde canta a música "Carimbador Maluco". O álbum Raul Seixas (1983), que continha a canção, dá à Raul mais um disco de ouro. Em 1984, grava o LP "Metrô Linha 743" pela gravadora Som Livre, com a maior parte das composições em parceria com sua companheira Kika Seixas e uma das faixas, Mas I Love You (Pra Ser Feliz), em parceria com seu guitarrista Rick Ferreira, que teve participação em todos os discos de Raul, a partir de Gita. Mas depois, Raul teve as portas fechadas novamente, devido ao seu consumo excessivo de álcool e constantes internações para desintoxicação.

Também em 1984, a Eldorado lança o disco .Ao Vivo - Único e Exclusivo
Em 1985 separou-se de Kika Seixas. Faz um show em 1 de dezembro 1985, no Estádio Lauro Gomes, na cidade de São Caetano do Sul e deixou a cena. Só voltaria a pisar no palco no ano de 1988, ao lado de Marcelo Nova. Com um contrato com a gravadora Copacabana, em 1986 ,de propriedade da EMI, grava um disco que foi lançado somente no ano seguinte, devido ao alcoolismo de Raul. O disco Uah-Bap-Lu-Bap-Lah-Béin-Bum! faz grande sucesso entre os fãs, chegando a ganhar disco de ouro e estando presente até em programas de televisão, como o Fantástico. Nesta época, conhece Lena Coutinho, que se torna sua companheira.

A partir desse ano, estreita relações com Marcelo Nova (fazendo uma participação no disco Duplo Sentido, da banda Camisa de Vênus). Um ano mais tarde, 1988, já separado de Lena, faz seu último álbum solo, A Pedra do Gênesis. A convite de Marcelo Nova, faz alguns shows em Salvador, após três anos sem pisar num palco. No ano de 1989, fez uma turnê com Marcelo Nova, agora parceiro musical, totalizando 50 apresentações pelo Brasil. Durante os shows, Raul mostra-se debilitado. Tanto que só participa de metade do show.

As 50 apresentações pelo Brasil resultaram naquele que seria o último disco lançado em vida por Raul Seixas. O disco foi intitulado de A Panela do Diabo, que foi lançado pela Warner Music Brasil no dia 22 de agosto de 1989. Na manhã do dia 21 de agosto, Raul Seixas foi encontrado morto sobre a cama , por volta das oito horas da manhã em seu apartamento em São Paulo, vítima de uma parada cardíaca: seu alcoolismo, agravado pelo fato de ser diabético, e por não ter tomado insulina na noite anterior, causaram-lhe uma pancreatite aguda fulminante.

O LP A Panela do Diabo vendeu 150 mil cópias, rendendo a Raul um disco de ouro póstumo, entregue à sua família e também a Marcelo Nova, tornando-se assim um dos discos de maior sucesso de sua carreira. Raul foi velado pelo resto do dia no Palácio das Convenções do Anhembi. No dia seguinte seu corpo foi levado por via aérea até Salvador e sepultado às 17 horas, no Cemitério Jardim da Saudade.

Depois de sua morte, Raul permaneceu entre as paradas de sucesso. Foram produzidos vários álbuns póstumos, como O Baú do Raul (1992), Raul Vivo (1993 - Eldorado), Se o Rádio não Toca... (1994 - Eldorado) e Documento (1998). Inúmeras coletâneas também foram lançadas, como Os Grandes Sucessos de Raul Seixas de (1993), a grande maioria sem novidades, mas algumas com músicas inéditas como As Profecias (com uma versão ao vivo de "Rock das Aranhas") de 1991 e Anarkilópolis (com "Cowboy Fora da Lei Nº2") de 2003.

Sua penúltima mulher, Kika, já produziu um livro do cantor (O Baú do Raul), baseado em escritos dos diários de Raul Seixas desde os seis anos de idade até a sua morte. Em 2004, o canal a cabo Multishow promoveu um show especial de tributo a Raul, intitulado O Baú do Raul: Uma Homenagem a Raul Seixas. O show, gravado na Fundição Progresso (Rio de Janeiro) e lançado em CD e DVD, contou com artistas como Toni Garrido,CPM 22, Marcelo D2, Gabriel o Pensador, Arnaldo Brandão, Raimundos, Nasi, Caetano Veloso, Pitty e Marcelo Nova (os três últimos baianos, como Raul). Mesmo depois de sua morte, Raul Seixas continua fazendo sucesso entre novas gerações.

Vinte anos depois de sua morte, o produtor musical Mazzola, amigo pessoal de Raul, divulgou a canção inédita "Gospel", censurada na década de 1970. A canção foi incluída na trilha sonora da telenovela Viver a Vida, da Rede Globo. Em 2013, o cantor americano Bruce Springsteen cantou "Sociedade Alternativa" na abertura de seu show no Rock in Rio 2013. Em junho de 2014, a Rede Record definiu a música "Tente outra vez", como tema de abertura da novela Vitória.