quinta-feira, 4 de junho de 2015

Um amigo vale mais do que zaralhadas de partidos e eleições

Ano que vem teremos nova campanha politica mas percebo que o tumulto já começou. Semana passada vi dois sujeitos que são amigos baterem boca numa esquina. Motivo: discussão sobre eleições. Acabei me metendo na confusão para esfriar o clima e, lá pelas tantas, disse sei lá porque algo do gênero $a politica não nos merece$. Ponto.

Quando os dois pararam de discutir (a coisa caminhava para uma grossa pancadaria) e fomos, os três, tomar um café numa padaria. Falamos do peso imensuravel de uma amizade perante as coisas da vida. Coisas de uma maneira geral e, em particular, política, eleições.

O curioso é que ambos são eleitores com o perfil muito parecido, mas um disse que um candidato do outro é um salafrário, as ofensas foram se amplificando e os dois acabaram se xingando mutuamente, chegando muito perto da bofetada. Coisas da paixão, do estresse, enfim, temas como política e futebol descabelam as pessoas. Alguns se tornam temporariamente insanos e partem para o desatino amplo, geral e irrestrito.

Se esses dois (que conheço há algum tempo) quase se estapearam, mas chegaram a um acordo. Em outras eleições lembro que não foi bem assim. Já levei para o hospital gente atingida por pau de bandeira no rosto, isso sem falar de tapas, socos, chutes, garrafadas, enfim, os temas apaixonantes tem o poder de nos fazer retornar a condição de primatas. Aí, passa o tempo (as vezes, muito tempo) e concluímos que fomos ridículos e, por conta disso, perdemos um, dois, três, vários preciosos amigos.

Ando cada vez mais moderado. Quando carregamos a bandeira de candidatos corremos o risco de ouvir piadinhas de militantes do outro lado. Na ultima campanha o pau comeu feio, muito feio. Dizem que com o passar do tempo vamos nos tornando mais plácidos. Que bom! Imaginem se fosse o contrário.
Daqui a pouco tudo de novo. “Santinhos” eleitorais no Facebook, alguém vai gritar “campanha política aqui, não!”, como se aquele espaço não fosse público e sim exclusivo de gênios olimpo da filosofia contemporânea, quando na verdade até ditados no estilo “o pluto é filho da pluta” eu já vi lá. E teve quem achou graça.

O Facebook pertence a uns norte-americanos espertos, inteligentes, nerds que o inventaram, encheram a rabiola de dinheiro e hoje também são donos da Califórnia. Nós somos inquilinos gratuitos dessa invenção onde, seguindo as regras lacerdistas (leia-se falso moralistas) deles, somos submetidos a uma série de normas de conduta que, fácil fácil, podemos chamar de censura. Mas, o espaço é privado.

Muitos vivenciaram, e a história confirmou, que o Brasil ficou anos e mais anos no limbo da democracia. Gente morrendo, gente sendo torturada, gente perseguida, exilada, lutando pela liberdade de um modo geral e, pela democracia de uma forma mais precisa. Em outras palavras, lutamos muito para poder ir até a urna e votar, um direito que se tornou sagrado.

Por isso, sou extremamente tolerante com aqueles que postam seus panfletos eleitorais no Facebook, apesar de achar que eles deveriam usar somente os seus murais e não o de todo mundo, como volta e meia vejo. As redes sociais nasceram da necessidade de comunicação instantânea entre os animais racionais que tem acesso a alta tecnologia. Por que as campanhas políticas ficariam de fora? No Facebook dos Estados Unidos o pau está comendo entre os candidatos de democratas e republicanos.

Defendo a propaganda política no Facebook, Twitter e Google +. Defendo e pratico porque sou um daqueles milhões que sentiu muita saudade da democracia quando ela foi banida do país e quase não voltou mais. Mas, como sou democrata, também defendo o direito de todos de deletarem o que quiserem do Facebook, do Twitter, da internet e da vida.


Menos a amizade.