terça-feira, 28 de julho de 2015

Vida de roqueiro

Volta e meia me perguntam “você ainda é roqueiro?”. Fico meio sem saber o que responder porque o rock, em mim, é um tipo de essência que envolve, também, a música. Não, não sei explicar quando ou como o rock me pegou e não me importo com isso. Fato é que nasci um ano depois da data oficial de nascimento do rock: 5 de julho de 1954 quando Elvis Presley gravou “That's All Right”.
Está nas pesquisas:
A gravação de “That's All Right, Mama” aconteceu quase que por acaso. Sam Philips colocou Elvis em um estúdio acompanhado pelo guitarrista Scotty Moore e pelo baixista Bill Black. O trio estava ensaiando uma versão de “Love You Because” de Leon Payne.
Frustrado por não conseguir um resultado satisfatório, o trio liderado por Presley resolveu descansar. Foi então que Elvis arriscou alguns acordes de “That's All Right, Mama” de Arthur Crudup.
Acelerando a cadência da gravação original, Moore e Black começaram a acompanhar Elvis. Surpreso, Sam Philips pediu que o trio repetisse a nova versão. Algumas horas depois nascia o rock and roll.
Apesar do sucesso da faixa, Presley só foi estourar na revista Billboard quase dois anos depois, com o clássico Heartbreak Hotel, que figurou absoluto no primeiro lugar da parada por oito semanas.”
Voltando ao início, continuo roqueiro por uma simples razão: sou roqueiro. Sempre fui, desde pequeno. Lembro de meu pai chegando em casa no início dos anos 1960 com bolachas de vinil, 78 rotações, com nomes do twist, uma dança que era movida pelo rock primitivo e pelo R&B. Eu tinha uns sete anos, morávamos em Angra dos Reis e eu ouvia tudo. Em especial twist, rumba e cha cha cha. Mudando para Niterói, quando tinha uns 10 anos, comecei a ouvir Beatles, Stones, The Troggs, The Kinks, e a partir de 1967, The Who. Aí, arrombou a festa: veio todo mundo, especialmente Jimi Hendrix e Led Zeppelin. Beatles? Sempre.
Mas, ao contrário do que muita gente pensa, meu gosto musical não é tão radical, tanto que a rádio Fluminense FM era Maldita mais por causa de Egberto Gismonti, Arrigo Barnabé, grupo Rumo e outros do que pelos nomes de rock propriamente. Só que eu duvido que alguém suspeite que Egberto, Arrigo, Hermeto Paschoal não tenham uma pegada roqueira. Pegada é o modo de pensar o mundo, a vida, a música.
Mas, como eu ia dizendo, respondendo a quem me pergunta, sim continuo roqueiro. Visceral. E este ano voltei ao rádio (Radio Cult FM em www.radiocultfm.com) surfando no rock (ou será o rock surfando em mim?) que me faz acordar de manhã e encarar os rinocerontes do dia a dia com disposição, amplificação, over drive.

É assim e sempre será, porque não penso, em momento algum, em deixar o rock. Já tentei, tempos atrás e não deu porque o rock não me largou. Ainda bem!