sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Danem-se os taxistas existenciais. Numa boa.

Em plena era do Uber precisei pegar um táxi, longe da hora do rush para constatar que a tal da hora do rush agora começa as 6 da manhã e só acaba as 10 da noite. Não sei o que vão fazer com tantos carros e antas dirigindo. O táxi que peguei deveria ser arrancado de circulação. Caindo aos pedaços.
Entrei (não havia outra opção jáque não há Uber em Niterói) e o motorista ouvia uma rádio mundo cão aos berros, com as piores notícias até aquela hora do dia. Solicitei, visivelmente irritado, que o taxista desligasse o rádio. Ele diminuiu o volume, carinha feia. De novo pedi para desligar. Não sei que tipo de expressão facial me acometeu, mas o cara foi lá e clique, desligou o rádio.
Foi pior. No lugar do rádio, ele começou a falar. Falar mal. Do mundo, do Brasil, da vida, da mulher e do seu próprio carro. Perguntei, tentando cortar aquela tempestade de coliformes fecais despejada pela boca daquele cidadão, se o ar condicionado do carro estava funcionando. Ele disse que não porque “o ar desse carro é uma porcaria”. E continuou sentando o pau no carro, nas peças do carro, no vidro escuro que estava lascando, isso tudo com o transito se arrastando como uma lacraia bêbada.
Quando percebi que teria que aturar aquele ogro, olhei para o taxímetro (que marcava R$ 9,80), peguei uma nota de R$ 10,00, paguei e pedi para encostar. O taxista, surpreso, tentou saber “mas o senhor não vai até...”. Eu disse que tinha “esquecido de pegar a minha cachorra no veterinário” e desci daquele shitmóvel antes de chegar a metade do caminho.
Que alívio! Sem rádio mundo cão, sem vozes negativas, de gargantas negativas, cabeças negativas. Decidi ir andando até o destino providenciar um táxi decente. Uns 400 metros depois vi o tal taxi, sem vidros escuros, novinho, livre! Entrei e tocava a Radio MEC FM, o motorista tranqüilo, enfim, cheguei ao final da corrida bem, sem aquela sensação de chute no saco que estava sentindo.
Acho que na vida também é assim. Se estamos num “táxi” que não presta é crucial descer e trocar. Pode? Claro que pode. A arte da felicidade passa pela renovação, pela ousadia. E dane-se se os taxistas existenciais vão ou não entender porque descemos no meio do caminho. O caminho é nosso e ponto final.