sábado, 1 de agosto de 2015

“Jimi Hendrix foi quase um Garrincha do rock and roll” (Caíque Fellows) - artigo reeditado

Um grande livro: “Jimi Hendrix por ele mesmo”, organizado por Alan Douglas e Peter Neal, com brilhante tradução de Ivan Weisz Kuck. Foi lançado no Brasil pela Editora Zahar e, felizmente, é um best seller nas melhores livrarias. Um livro que as pessoas que gostam de música precisam ler.

O livro foi feito a partir de cartas, bilhetes, trechos de depoimentos em filmes, gravações de entrevistas, enfim, centenas de horas, milhares de documentos que Jimi Hendrix deixou. Não foi pouca coisa.

Peter Neil explica no prefácio que a ideia surgiu quando ele e Alan Douglas (competente ex-produtor de Hendrix, mas visto por muitos como um larápio) estavam reunindo material para fazerem um documentário para o cinema. Diante da fartura de falas, observações, desabafos, decidiram editar tudo e transformar neste livro narrado pela primeira pessoa por Jimi Hendrix. Considero uma autobiografia de um dos maiores e mais importantes músicos de todos os tempos.

Jimi deixou devaneios falando desde o dia em que nasceu, 27 de novembro de 1942, Seattle, Washington, EUA, até as vésperas da morte, 18 de setembro de 1970, Notting Hill, Londres, Reino Unido. Esse material foi trabalhado e transformado nessa obra magistral, que mostra o verdadeiro Jimi Hendrix, sem exageros, adjetivos, vitimologia. Já li três biografias dele e a irritante vitimologia, que só falta chama-lo de coitadinho, é uma constante.

O que Hendrix mais queria era ser orgulho de seu pai, James Al Hendrix, herói confesso nessa autobiografia (vou chamar assim) e que, em contrapartida, também se orgulhava muito do filho. Quando foi para o exército servir como paraquedista, mandava cartas para o pai (muitas estão no livro) falando de saudade da família, do objetivo de ser o melhor paraquedista para “honrar o sobrenome Hendrix”, mas ao mesmo tempo não escondia que detestava a vida militar.

No quartel já tocava guitarra (fez até uma banda com o baixista Billy Cox), que aprendeu sozinho ouvindo discos de Muddy Waters e outros que o pai dava. Apaixonou-se pelo instrumento e quando deixou a farda (“dei sorte de não pegar o Vietnã”) foi direto para os clubes, bares, muquifos em geral para tentar a vida como músico. Passou fome, frio, dormiu atrás de palcos, mas sempre escrevia para o pai muito otimista, afirmando que tudo iria mudar.

Dos artistas de rock que conheci em biografias, três foram os mais ligados a família: Pete Townshend, Neil Young e Jimi Hendrix. Hendrix confessa que chorava de saudade do pai e dos irmãos, já que sua mãe (índia cherokee) tinha morrido (álcool) quando ele tinha 16 anos. Ela já estava divorciada do pai do músico.
Mal sabia que, fora o pai (James Al Hendrix morreu em 2002, aos 82 anos), sua família ia virar um bando de urubus. Uma horda de vagabundos que vive mamando do bom e do melhor graças a herança milionária de Jimi Hendrix, fora as incontáveis horas de shows que ele deixou gravadas e que continuam virando discos. 

Voltando, o que mais provocava indignação em Hendrix não era a fome, mas a falta de oportunidade. “Quando começava um trabalho era sempre para tocar atrás de alguém, nunca na frente”, ele conta.
Em 1965, envolvido pela baba sedutora de um estelionatário chamado Ed Chaplin, Hendrix assinou um inacreditável contrato onde concordou receber apenas um por centro (isso mesmo, um!) dos direitos autorais e de gravação. Esse contrato causou problemas sérios ao músico durante toda a sua vida.

Mas nada tirava o guitarrista de sua obsessão de vencer fazendo música não comercial em volume estupidamente alto. Foi tocar com Little Richard, que o roubou também. Hendrix viajou de ônibus tocando com Richard pelos Estados Unidos e depois de cinco semanas sem receber foi cobrar. O afetado roqueiro, na maior cara de pau, disparou uma espécie de “ou dá ou desce”. Jimi desceu e foi embora, junto com os outros músicos que também não foram pagos.

O melhor emprego que conseguiu foi no “Cafe Wha?” de Nova Iorque. Lá ele conheceu um cara que iria lhe apresentar ao pedal "wah-wah", um gênio chamado Frank Zappa. Boquiaberto ao assistir Hendrix tocar, depois do show Zappa foi lá atrás e deu o seu pedal "wah-wah" de presente para Jimi que, em pouco tempo, tornou-se um mestre dos efeitos com o equipamento.

Uma noite, o então baixista do The Animals, o inglês Chas Chandler, foi vê-lo e depois do show o convidou para ir para Londres. Jimi não pensou duas vezes. Com a roupa do corpo (literalmente) voou para a Inglaterra.

Ele conta que foi reconhecido por músicos como Paul McCartney, Eric Clapton, Brian Jones. Chas Chandler (com certeza o melhor amigo de toda a vida de Hendrix) providenciou tudo o que músico queria. Seu sonho era fazer um trio: ele na guitarra, um baixista e um baterista. Chandler providenciou anúncios e apareceram mais de 70 candidatos. Jimi testou 32 bateristas até aprovar Mitch Mitchell. Na leva dos baixistas, partiu de uma ideia sua de que “os melhores baixistas são os que sabem tocar guitarra”. Noel Redding, guitarrista de primeira linha, aceitou pegar o baixo que (como podemos ouvir) em muitos momentos serve de segunda guitarra para Hendrix.

Felicidade plena. Ele escreve que a Inglaterra o recebeu de cabeça aberta e, só em 1967, ele Noel e Mitch fizeram quase 100 shows pela Europa. Também em 1967 gravaram o primeiro disco, que imediatamente estourou na parada britânica e também Suécia e França. No livro, Jimi diz que pretendia viver eternamente no Reino Unido.

Conta que graças a Paul McCartney (ele era e é fã de Jimi) que ligou para John Phillips (ex-Mamas & Papas, organizador do festival Monterey Pop) falando de Hendrix, o guitarrista foi tocar no festival onde fez o melhor show. Disparado. No livro ele diz que tacou fogo na guitarra no final porque estava muito feliz com a receptividade da plateia, a extraordinária performance da banda (Mitch Mitchell e Noel Redding deram tudo) e por isso “sacrifiquei a guitarra num gesto de amor e ela”.

A repercussão de sua participação no festival foi tamanha que ele correu todos os Estados Unidos numa turnê, mas os reacionários que o achavam pornográfico no palco continuavam a persegui-lo. Muitas meninas não podiam ir aos seus shows porque os pais achavam Jimi Hendrix um pervertido sexual. Ele até que era, mas não nesse aspecto. Aliás, acima da música e da guitarra, sua maior paixão era a mulher, ou melhor, as mulheres. Ele não confirma mas também não desmente que fazia orgias diárias com, pelo menos, cinco mulheres.
A primeira turnê americana de Jimi (vejam vocês) foi abrindo para os Monkees, que no livro Hendrix chama de “Beatles de plástico”. Ele foi teria sido expulso da turnê devido a reclamações de que sua conduta no palco chamada de "lasciva e indecente" pela organização conservadora de mulheres Daughters of the American Revolution. No livro, Hendrix dá a entender que essas mulheres não podiam conviver com “desejo” que sua banda acendia, mas a história oficial diz que não foi bem assim. 
A expulsão foi falsa. A fofoca foi inventada pela jornalista (???) australiana Lillian Roxon, que acompanhava a turnê junto com o namorado e cantor Lynne Randell. O mais incrível é que a calúnia foi publicada na famosa Rock Encyclopedia de Lillian Roxton em 1969. Mais tarde ela confessou que inventou tudo.
Bem de vida com o que conseguiu ganhar em Londres (escreveu para o pai “cheguei em Londres com a roupa do corpo, mas volto para a América com as melhores roupas de Oxford Street”) ele começou a estourar nos Estados Unidos. Aos trancos e barrancos, tocando 360 dias por ano (para alimentar o estelionatário do contrato de 1% lá em 1965), Jimi conseguiu realizar um grande sonho, construir seu estúdio em Nova Iorque, o cultuado Electric Lady Studios, na 52 West 8th Street, no bairro de Greenwich Village.
Foi inaugurado três semanas antes dele morrer e segundo David Fricke, da edição norte-americana da revista Rolling Stone, Jimi havia supervisionado pessoalmente muitos de seus detalhes psicodélicos, como o mural de uma mulher diabólica no console de uma nave espacial. Nessa noite de 26 de agosto de 1970 houve a festa oficial de inauguração. Convidados como o guitarrista Johnny Winter, Yoko Ono e Mick Fleetwood (baterista do Fleetwood Mac) comeram pratos japoneses no Estúdio A, onde Hendrix normalmente tinha pilhas de amplificadores.

Fricke conta que “Hendrix evitou a badalação. Um dos artistas mais extravagantes do rock - mas um homem reservado e incrivelmente tímido fora dos palcos -, ele estava distante e triste, passando boa parte da festa sentado em uma cadeira de barbeiro, em um canto, quieto. Seria sua última noite no Electric Lady. Hendrix morreu três semanas depois, em Londres, aos 27 anos. 

O estúdio que deveria ter sido o santuário de Hendrix também era uma fonte de estresse e frustração. Apesar das vendas recordes, o músico lutava por dinheiro para custear a construção do Electric Lady, mudava as formações da banda e brigava com seu empresário. Mas, mesmo durante a maré baixa, ele olhava para a frente, como afirmou em uma música da época, "Straight Ahead".”

Leio no Wikipédia sobre o ano de 1968. Por volta dessa época, desavenças pessoais com o baixista Noel Redding, combinadas com a influência das drogas, álcool e fadiga, conduziram a uma problemática confusão na Escandinávia. Em 4 de janeiro de 1968, Hendrix foi preso pela polícia de Estocolmo, após ter destruído completamente um quarto de hotel num ataque de fúria devido à bebedeira.

O terceiro disco do trio, o álbum duplo Electric Ladyland, de 1968, era mais eclético e experimental, incluindo uma longa sessão de blues ("Voodoo Child"), a "jazzística" "Rainy Day, Dream Away"/"Still Raining, Still Dreaming" e aquela que é provavelmente a versão mais conhecida da música de Bob Dylan "All Along the Watchtower".

O trabalho antes disciplinado de Hendrix tornou-se uma baderna. Suas intermináveis sessões de gravação repletas de aproveitadores, baba-ovos e vadios no estúdio finalmente levaram Chas Chandler a pedir demissão em 1 de dezembro de 1968. Chandler posteriormente se queixou da insistência de Hendrix em repetir tomadas de gravação a cada música (a música “Gypsy Eyes” teve 43 tomadas, e ainda assim Hendrix não ficou satisfeito com o resultado) combinado com o que Chas viu com uma incoerência causada por drogas, fez com que ele vendesse sua parte no negócio a seu parceiro Michael Jeffery. 

O perfeccionismo de Hendrix no estúdio era uma marca - comenta-se que ele fez o guitarrista Dave Mason tocar 20 vezes o acompanhamento de guitarra de “All Along The Watchtower” - e ainda assim ele sempre estava inseguro quanto a sua voz, e muitas vezes gravava seus vocais escondido no estúdio.

Comenta-se que Jeffery (que foi anteriormente empresário da banda The Animals) desviou boa parte do dinheiro que Hendrix ganhou durante a vida, depositando secretamente em contas no exterior. Jeffery tinha fortes ligações com os serviços de inteligência (ele se dizia agente secreto) e com a máfia.

Apesar das dificuldades na sua gravação, muitas das faixas do álbum mostram a visão de Hendrix se expandindo para além do trio original (o disco teria inspirado o som de Miles Davis em “Bitches Brew”) e convidando um grupo de artistas ainda desconhecidos, incluindo Dave Mason, Chris Wood e Steve Winwood (da banda Traffic), ou o baterista Buddy Miles e o ex-organista de Bob Dylan, Al Kooper.

Ainda no Wikipédia, a pesquisa aponta que a expansão dos horizontes musicais de Jimi Hendrix foi acompanhada de uma deterioração no seu relacionamento com os colegas de banda (particularmente com Noel Redding), e o Experience se desfez durante 1969. 

Sua péssima relação com o público também veio à tona quando em 4 de janeiro de 1969 ele foi acusado por produtores de televisão de ser arrogante, após tocar uma versão improvisada e desleixada de "Sunshine of your Love" durante sua participação remunerada no show da BBC1, “Happening for Lulu”.

Em 3 de maio Hendrix foi preso no Aeroporto Internacional de Toronto após uma quantidade de heroína ter sido descoberta em sua bagagem. Ele foi mais tarde posto em liberdade depois de pagar uma fiança de 10 mil dólares. Quando o caso foi a julgamento Hendrix foi absolvido, afirmando com sucesso que as drogas foram postas em sua bolsa por um fã sem o seu conhecimento.

Em 29 de junho, Noel Redding formalmente anunciou à mídia que havia deixado o Jimi Hendrix Experience, embora ele efetivamente já tivesse deixado de trabalhar com Hendrix durante a maioria das gravações de Eletric Ladyland.

Em agosto de 1969, no entanto, Hendrix formou uma nova banda chamada Gypsy Suns and Rainbows, para tocar no Festival de Woodstock. Ela tinha Hendrix na guitarra, Billy Cox no baixo, Mitch Mitchell na bateria, Larry Lee na guitarra base e Jerry Velez e Juma Sultan na bateria e percussão. O show, apesar de notoriamente sem ensaio e desigual na performance (Hendrix estava, dizem, sob o efeito de uma dose potente de LSD tomada pouco antes de subir ao palco) e tocado para uma plateia que esvaziava lentamente, mostra a extraordinária versão instrumental improvisada do hino nacional norte-americano, The Star-Spangled Banner.

O Gypsy Suns and Rainbows teve vida curta e Hendrix formou um novo trio com velhos amigos, o Band of Gypsys, com seu antigo companheiro de exército, Billy Cox, no baixo e Buddy Miles na bateria, para quatro memoráveis concertos na véspera do Ano Novo de 1969/1970. Felizmente os concertos foram gravados, capturando várias peças memoráveis, incluindo o que muitos acham ser uma das maiores performances ao vivo de Hendrix, uma explosiva execução de 12 minutos do seu épico antiguerra 'Machine Gun'.

Em 28 de janeiro de 1970 acontecia no Madison Square Garden, em Nova Iorque, um dos maiores concertos já organizados em prol da paz no Vietnã, o Festival do Inverno para a Paz. Foram sete horas e meia de duração. O baterista, Mitch Mitchell e o baixista Noel Redding, estavam no backstage porque participariam do fim do show fazendo uma jam com a Band of Gypsys.

Michael Jeffrey, empresário de Hendrix, deu-lhe um ácido, pensando que isso levantaria o astral de Jimi e faria com que o show saísse melhor. Mas o resultado foi o contrário e Jimi terá ficado fora de si em pleno palco, dizendo para uma garota na plateia que “você está menstruada? Eu posso ver através das suas bermudas”. Aí Hendrix se tocou. Em seguida, ainda no palco, balbuciou “eu não estou bem” e abandonou o palco no meio da segunda música. Hendrix foi o mais ovacionado apesar do curto set. 

Em agosto de 1970 ele tocou no Festival da Ilha de Wight com Mitchell e Cox, irritado porque os fãs queriam ouvir seus antigos sucessos, em lugar de suas novas ideias, mesmo tendo momentos memoráveis. Em 6 de setembro, durante sua última turnê europeia, Hendrix foi recebido com vaias e insultos dos fãs, quanto se apresentou no Festival de Fehmarn, na Alemanha, em meio a uma atmosfera de baderna. O baixista Billy Cox deixou a turnê e retornou aos Estados Unidos depois de supostamente ter utilizado fenilciclidina, uma substância analgésica.

Antes da morte, mais tarde no mesmo ano, Hendrix iria começar um novo projeto, junto com o guitarrista e baixista Greg Lake (na época no grupo King Crimson) e o tecladista Keith Emerson. Greg, que acabava de deixar o King Crimson e Keith procuravam por um baterista e percussionista, e chegaram a conversar com Mitch Mitchell. O ex-baterista do Jimi Hendrix Experience recusou, mas passou a ideia para Hendrix, que aceitou. A banda, que iria então ser formada pelos três, iria incorporar também Carl Palmer, como baterista, e se chamaria HELP (Hendrix, Emerson, Lake & Palmer). 

Infelizmente, Jimi morreu, mas o projeto seguiu, formando a banda de rock progressivo Emerson, Lake & Palmer, que produziu grandes sucessos.

Jimi Hendrix morreu em Londres nas primeiras horas de 18 de setembro de 1970, em circunstâncias que nunca foram completamente explicadas. Jimi havia passado parte da noite anterior em uma festa, de onde seguiu juntamente com a sua namorada Monika Dannemann para o Hotel Samarkand, no número 22 da Lansdowne Crescent, em Notting Hill. Investigações indicam que ele teria morrido pouco tempo depois.

Dannemann alegou em seu depoimento original que Hendrix teria tomado sem que ela soubesse, na noite anterior, nove comprimidos de um remédio para dormir que ela utilizava. De acordo com o médico que o atendeu inicialmente, Hendrix tinha se asfixiado (literalmente afogado) em seu próprio vômito, composto principalmente de vinho tinto.

Por anos Dannemann alegou publicamente que Hendrix ainda estava vivo quando o colocaram na ambulância; seus comentários sobre aquela manhã, no entanto, foram frequentemente contraditórios, e variaram de entrevista para entrevista. Declarações de policiais e paramédicos revelam que não havia ninguém além de Hendrix no apartamento e que não apenas ele já estava morto quando chegaram à cena, mas também estava totalmente vestido.

As letras de uma canção composta por Jimi e encontradas no apartamento levaram Eric Burdon a fazer um anúncio precipitado no programa 24 Hours, da BBC, de que Hendrix teria cometido suicídio. Depois de um processo por difamação movido em 1996 pela namorada inglesa de Hendrix por anos, Kathy Etchingham, Monika Dannemann cometeu suicídio - embora seu último amante, o guitarrista Uli Jon Roth(ex-Scorpions), tenha feito acusações de que ela teria sido assassinada. 

John Bannister, médico que atendeu Jimi Hendrix na noite de sua morte, disse que é plausível que o guitarrista tenha sido assassinado. As informações são da revista New Musical Express. Bannister se refere às declarações publicadas por James "Tappy" Wright, ex-roadie de Hendrix, em seu livro "Rock Roadie". 

Segundo Wright, o empresário do guitarrista, Mike Jeffrey, confessou que contratou um grupo que teria invadido o quarto de hotel e forçado Jimi Hendrix a tomar vinho e soníferos.
Bannister disse que é possível que isso tenha acontecido por causa da quantidade de vinho encontrada nos pulmões e no corpo do guitarrista. De acordo com o médico, ele estava "realmente afogado em uma enorme quantidade de vinho tinto".

Wright afirma que Mike Jeffrey confessou tudo em 1971, um ano após a morte de Hendrix. O empresário, que tinha uma apólice de seguro no nome do guitarrista no valor de US$ 2 milhões, morreu em 1973 em um acidente de avião. 

Sobre o caráter do produtor Alan Douglas, consultei o arquiteto, fotógrafo e pesquisador de música Caíque Fellows (profundo conhecedor de Jimi Hendrix). Sua resposta:

“Na verdade não dava pra chamar o cara de safado, não. O Jimi é que na verdade não tinha o controle sobre o próprio trabalho, era praticamente "funcionário" do Ed Chaplin, que assinou um contrato leonino com ele, antes dele ser "achado" pelo Chas, dos Animals e conseguia manter ativo este contrato através de um batalhão de advogados de primeira linha.

O cara sacou que ali tinha grana.  Aliás, nem o Chas aguentou a porrada de moscas de padaria que viviam em volta do cara. E viviam, por conta de TUDO que envolvia ele, ser movido a grana, até a oportunidade de estar perto do astro... O Jimi Hendrix foi quase o Garrincha do rock'n'roll. Só não era alcoólatra, como o tristemente genial Mané.

Um dia o saco encheu e o cara - sempre cismado com o número 9 - pegou uma caixa de Vesperex daquela maluca da Monika (a caixa vinha com dez comprimidos), tomou nove e derrubou uma garrafa de vinho tinto. Passou mal pra cacete (claro!) e a maluca não chamou uma ambulância "com medo da repercussão". Resultado: o Jimi se foi.”