sexta-feira, 7 de agosto de 2015

O direito de viajar no planeta da ficção

Mergulhei fundo no mundo da ficção quando escrevi meu primeiro romance, “5 e 15”, que foi lançado em 2007. Como o livro esgotou, resolvi disponibilizar para a leitura aqui: http://5e15lam.blogspot.com.br/
Não foram poucas as pessoas que leram e depois mandaram e-mails com perguntas do gênero “como nasceu a ideia que você colocou no capítulo tal?”. Sempre respondi “não sei” porque de fato não tenho noção de onde vem as ideias.
Todo ser humano tem suas ficções. Isso é fato comprovado até por revistas de fofocas. Existem as ficções do bem, que se transformam em livros, filmes, peças de teatro, poesias, letras de música ou simplesmente em nada e as do mal, muito chegadas a paranoias, medos inexplicáveis, fofocas e dezenas de outras conseqüências. Fato é que há muitos anos li num livro que botar pra fora as boas ficções faz bem a saúde.
Eventualmente me aventuro a escrever devaneios totalmente ficcionais mas, ainda assim, alguns leitores perguntam se o que escrevi aconteceu ou não. Ou então, se aquela história foi inspirada em alguma experiência pessoal que vivi, enfim, parece que alguns leitores precisam ver um pouco de realidade nas ficções.
Tenho colegas jornalistas que se dão muito bem com a ficção, mas eles sempre dizem que o pavio é aceso por algum elemento factual, alguma coisa que aconteceu ou que eles achavam que iria acontecer. Outros não conseguem. No máximo produzem uns ensaios, sempre baseados em fatos, dados, comprovações.
Um de meus primeiros textos de ficção brotou da história que foi contada numa rodinha por um lendário cascateiro de Niterói. Ele disse que certa vez estava numa boia de pneu de caminhão na Praia de Icaraí, pegou no sono e acordou em Copacabana. Sem ter o que fazer, dormiu de novo e acordou em Icaraí. E ai daquele que o questionasse porque além de truculento ele brigava bem pra cacete. Tanto que, anos mais tarde quando publiquei a história num jornal local (totalmente maquiada, disfarçada, cheia de artifícios, mas não adiantou porque ele reconheceu) o cara andou me procurando. Diziam que queria me dar uma surra.
Até que o acaso me fez encontrá-lo na fila do cinema e ele me tratou amavelmente, ofereceu pipoca e o falecido (eu acho) Chucola, drops de Coca Cola. Entendi. No fundo, ele adorou ver sua história publicada, apesar de todas as deformações que cometi para ocultá-lo. Vai entender. Aliás, entender pra que? Por que temos essa cisma de querer entender muitas coisas que nos são totalmente inexplicáveis, entre elas a ficção?
Escrevi esse texto para informar que o conto aí de baixo “The Dark Side of the Moon” é mera invenção. Ponto.