sábado, 15 de agosto de 2015

O espelho nada diz. O espelho não diz se desculpa ou não. Porque o espelho é o espelho

Olhar para o espelho, mesmo invertido, e perguntar “e então, meu chapa, como fui, como está sendo, como será?”. Que mal há nisso? Pensei em fazer umas experiências com poesia aqui nesta Coluna mas não gostei do que andei escrevendo. Por que? Não sou poeta. Um dos rascunhos falava do presente, passado e futuro como uma bola uniforme de energia rumo...rumo... rumo ao desconhecido que é a proposta de vida básica de quem cisma em pensar demais.
Pensar demais dói, por isso os poemas muitas vezes fluem melhor do que um conto, uma crônica e, logicamente uma reportagem, mas eu não vejo nada que preste nos meus poemas que muitas vezes parecem conversas falsamente reservadas em lugares falsamente protegidos por paredes de papel, sem sabermos que lá fora todo mundo ouve, ri, rola de rir. Mesmo que a razão nos estapeie e grite que de papel não é só a parede mas sobretudo o interlocutor.
Peço desculpas ao espelho pelos mal entendidos que por acaso posso ter gerado nas últimas 18 horas. Sei que não aconteceu nada de grave, apenas algum “confusionismo”, digamos assim, que pode ter gerado mal estar, constrangimento, coisa de quem espera pato cacarejar na alvorada. O espelho nada diz. O espelho não diz se desculpa ou não. Porque o espelho é o espelho.
Placidamente aceito os pedidos de desculpas que, arrivistas, chegam, invadem a cozinha, servem café, deitam no sofá da sala, ligam a TV em programas mundo cão e ficam por ali morcegando. Ficam porque apesar do fastio, do cheiro de mofo, eventualmente eles me emocionam, sinalizam humanidade, afeto, sinceridade e generosidade. Mas, querem saber (?), eu tenho a convicção de que tudo o que faço, certo e errado, foi na intenção de acertar. Mas o espelho continua calado.
Estive com um amigo e falamos dessa história do tempo, passado, futuro, presente. Ele disse que em algumas épocas fica tudo embolado e que é melhor deixar assim mesmo; é um erro grave interferir no que é natural, espontâneo, nato. Para que? Por que? Deixa rolar. É difícil? É.
E daí?