sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Luiz Carlos Lacerda, o Bigode, 50 anos de Cinema. Exposição na Sala de Cultura Leila Diniz e Mostra especial no Cine Arte UFF e Cinemateca do MAM

Luiz Carlos Lacerda, o querido Bigode, é um dos mais importantes cineastas do planeta e está celebrando 50 anos de Cinema em áriuos eventos pelo país. Niterói faz arte.
 A Sala de Cultura Leila Diniz, em parceria com a Universidade Federal Fluminense (UFF) abre espaço para a exposição "Luiz Carlos Lacerda, 50 anos de cinema". O evento oficial de abertura da exposição acontecerá no dia 3 de novembro, às 18h, e entre os dias 3 e 12 de novembro, materiais como negativos de imagem e som, cartazes, fotos de cena e filmagens, críticas da imprensa, além de itens pessoais como poemas, desenhos e fotografias de família, poderão ser vistos no espaço cultural niteroiense.
    Ao longo de cinco décadas, Bigode construiu sua carreira com o Rio de Janeiro como cenário. Começou a trabalhar aos 19 anos com Rui Santos, no filme "Onde a Terra começa". Também esteve ao lado de novos como Nelson Pereira dos Santos e Cacá Diegues, até começar a filmar sozinho. Um de seus trabalhos mais memoráveis é "Leila Diniz",  de 1987 - uma homenagem a uma das maiores estrelas do cinema brasileiro e que foi dirigida pelo amigo Bigode no filme "Mãos Vazias". 
    "Não por acaso, é uma coincidência das mais felizes. Quando pensamos na mostra de filmes organizada pelo Centro de Artes da UFF, imediatamente pensamos na Sala de Cultura Leila Diniz para abrigar uma exposição que, ao mesmo tempo em que celebra o trabalho e a vida de um cineasta brasileiro, o faz também, diretamente, através de uma de suas principais musas", conta João Luiz Vieira, professor de cinema da UFF e coordenador da exposição. 
    Ele destaca o que não pode deixar de ser visto na mostra, como fotos dos bastidores e os materiais pessoais como desenhos da juventude, que, para ele, já demonstram um apuro visual do diretor. "As fotos que mostram filmagens são sempre reveladoras do que está por trás das câmeras e do modo de produção e feitura dos filmes. Um lado informativo que sempre desmonta um certo glamour que muita gente associa ao cinema. As dificuldades que envolvem a realização de um filme ficam transparentes quando vemos parte desse material. E isso valoriza ainda mais o trabalho final. Além disso, também considero bastante importante conhecermos mais sobre a vida de realizadores, suas motivações, suas influências. E perceber um artista em formação quando nos deparamos com belíssimos desenhos de juventude (e mesmo da época de criança) que já indicam um apuro visual, um cuidado com a composição do filme, seus enquadramentos. Também me impressionou muito, ao tomar um contato maior com todos esses materiais, a veia literária e poética do Bigode que parece, desde criança, se expressar em termos de imagens, mesmo através da palavra escrita. Há uma redação da época do curso primário onde isso fica bastante evidente. Esse original estará lá na exposição", conta o curador. 


Complementando a exposição, acontecerá no Centro de Artes da UFF, entre os 20 a 25 de novembro, a mostra de filmes de Luiz Carlos Lacerda. Em seguida, exposição e mostra de filmes irão para o Museu de Arte Moderna (MAM). 


    "O ideal mesmo será ver a exposição e depois acompanhar os filmes no Cine Arte UFF. Acredito que muita coisa fará mais sentido nessa dupla viagem aos filmes e à exposição, um caminho de mão dupla", convida João Luiz Vieira.