quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Os petelecos anacrônicos de um salta pocinhas

Publicado em 2014
Prefiro levar um soco no queixo do que ficar tomando petelecos desses salta pocinhas (quem inventou essa foi o Paulo Francis) franguinhas aflitas que ficam perambulando por aí, exibindo o fastio dos lortos tristes, famintos e anêmicos, apesar da nova série de “Malhação” já ter começado.
Recebi uma mensagem sinuosa como as curvas de judas (escrevo com j minúsculo mesmo) e não me enquadrei entre as pessoas que ele, como Monalisa (aquela que não sabemos se ri ou chora, se é macho ou fêmea, se é Bangu ou Flamengo) estava difamando, usando como mote fofoquinhas de salão de depilação de virilha. Ahhh, a indiscreta decadência dos salta pocinhas, que fingem que perderam a chave do armário, apesar da porta estar aberta por fora.
Uma vez aconteceu lá Facebook. O cara (não conheço, nunca vi), que um outro fofoqueirA me disse se chamar Pheido resolveu escrever (muito mal por sinal) uma série de atrocidades sobre gente que vive com o boi na sombra, surfando uma suposta onipotência, enfim, não cheguei a ler a mensagem toda porque respeito minhas calejadas décadas de jornalismo e tem texto que não desce goela abaixo, mesmo insinuando serem calcinhas de algodão puro, minúsculas, com lacinhos nas laterais.
Mas, na boa, muito entre nós, detesto mensagens cifradas. Pior: cifradas por um imbecil. O imbecil, o tal do Pheido, quando está doidona, cabeça rodando, deitada na cama, consegue se imbecilizar ainda mais. E a sagrada ligação meio-mensagem se transforma num pau de enchente doido, varada na margem direita, varada na margem esquerda, confusão, gritos de “para, moço!”, e ninguém entende nada.
Não sei se já aconteceu com vocês, mas fico furioso quando, por exemplo, leio um fofoqueirA que insinua, insinua, insinua e nada diz. Meus instintos básicos (mandril? babuíno? bonobo?) pegam um elevador e vão para o subsolo, desejando surrar Pheido e similares até virarem patê. Não resolve porque é disso que elas gostam.
Por isso, a minha crescente admiração por mestres como Élio Gaspari que atiram de escopeta 12, sem receio disso ou daquilo. Agora, antes de atirar ele apura tudo com precisão, checa e recheca informações para não pagar mico e tomar um processo na cara.
A internet é uma dádiva tecnológica, mas como tudo que é genial também tem seu lado podre. Por exemplo, abrigar amadores que acham que escrevem, acham que apuram, acham que existe notícia com uma versão só e não duas, no mínimo. Pheido, divina louca, é um desses protozoários que habitam esse chamado cybermundo, tentando defecar (sempre anacronicamente) na biografia alheia já que, por falta de cabeça, tronco e membros, não construiu a sua.
Todo jornalista sabe que devemos apurar uma notícia ouvindo todas as partes envolvidas no fato, e não sair disparando petelecos, mensagenzinhas cifradas, enfim, fazendo fofoquinha, como a dona Pheido faz. Volto ao Francis. Isso não é gente trabalhando com Comunicação. Isso é salta pocinhas cavalgando em intrigas, biquinhos, linguinhas e fricotes atonais diante do espelho.

Cai dentro, Pheido.