sábado, 7 de novembro de 2015

Esculhambation e a bofetada que dei na criança

Não sou nacionalóide. Como o colega Ancelmo Góis, apenas acho palhaçada esse negócio de halloween (acho que não é assim que se escreve), manifestação vulgo-cultural levemente imbecil. Se uma bruxa aparecer na minha porta com a abóbora furada necessariamente não vou acender a vela. Se surgir trepada numa vassoura vou segerir que troque. De vassoura.
Ano passado, brincando de halloween, crianças de 50 anos estavam enfiando a mão nas velhinhas numa praça carioca e até arrastão na igreja dos Capuchinhos fizeram. Em prol da cidadania (palavrinha de bom tom), bom samaritano de honrada cepa, dei uma bofetada numa criança de uns 30 anos, 1 metro e 80 de altura, que molestava a bolsa de uma velhinha nas imediações da rua da Passagem, Botafogo.
A bofetada é uma manifestação cultural que está contextualizada em uma dialética social opaca (falar difícil justifica porque a gente desentende o que não é para ser entendido mesmo), difusa, mas que está no varal das demandas dos excluídos.
Ou como diria um amigo meu, filósofo, não diga SIM nem diga NÃO. Diga MÃO. Na cara.
Aviso aos novos navegantes, chamados internautas. Conversando com um PhD no assunto (segurança na internet), André Valle, ele ensina que quando for escolher o provedor a primeira pergunta deve ser “o IP é dinâmico?”. A segunda pergunta: a conexão é compartilhada? IP é Internet Protocol uma espécie de CPF da conexão.
Como rola muita fraude, gente que pega o seu IP usa e abusa, os provedores partiram para o dinâmico, ou seja, cada vez que você se conecta o IP muda. Complica a vida da bandidagem que gosta de invadir bancos on line, pegam seu IP como um cheque em branco e fazem misérias com ele.
Nada que um bom perito não possa resolver já que na internet não existe nada, absolutamente nada anônimo. Estão te chantageando, molestando, roubaram seu e-mail, um perito desses cobra 10 mil reais para revelar nome, endereço, CPF, tipo sanguíneo e os cacetes do malfeitor. Mas esses peritos estão baixando o preço desde que surgiram as eficientes (sim!) delegacias de crimes na internet.
Se o provedor que você for assinar tiver IP fixo recuse no ato e parta para outro porque aí já é dar milho as rolas. Ass at the window, meu chapa. Quanto a conexão compartilhada, o que é? É quando todos os assinantes usam a mesma conexão, o mesmo IP. Por exemplo, você está contemplando flores amazônicas na internet num provedor com 30 mil assinantes. Um “colega” de conexão pode estar traficando fêmur na mesma conexão. Na hora do vamos ver, polícia etc. você vai no bolo. Logo, pergunte “a conexão é compartilhada?”. Se a resposta for sim, pule fora. Esse tipo de conexão só compartilha problemas.
Aí você pergunta “como vou saber qual é meu IP?”. Simples. Acesse http://www.whatismyip.com. É um número de 11 dígitos. Quer saber se é fixo? Conecte, veja o IP. Desconecte. Volte a conectar e veja se mudou. Se não mudou é fixo. Perigo! Vale à pena não ser chafurdado por aí.
Minha sazonal ignorância não permite saber se é caso de executivo, legislativo, judiciário ou tapa na cara, mas não custa perguntar. Caso as lojas de conveniências dos postos de gasolina fossem proibidas de vender bebidas alcoólicas o índice de acidentes de carros e motos poderia cair? Recentemente, uma hora da madrugada de um feriado, entrei numa dessas lojas. O que vi? O que sempre vejo. Dezenas de pessoas comprando vodca, uísque vagabundo, vinho idem, cerveja, fora excitantes da linha Bull. Maioria dos consumidores na faixa dos 20 anos, mamados. Todos de carro e moto.

Quem poderia pensar nessa proibição? Einstein, Rui Barbosa, Pluto, Galinha Pintadinha ou um cidadão low profile chamado Bom Senso de Souza?