domingo, 22 de novembro de 2015

O nojo do povo brasileiro

Nós brasileiros nunca tivemos vocação nacionalista. Simples, essa vocação é consequência da contraprestação de serviços do Estado e o Estado no Brasil sempre foi inimigo declarado do cidadão. Prefeituras, governos estaduais, governo federal desde sempre exploram, ofendem, multam, dão facadas e a reação popular não podia ser outra.

Nos anos 1990 a pipa brasileira estava finalmente subindo. Ia tudo muito bem, inacreditavelmente bem até que, eleito pelo povo, o PT acabou com tudo, um processo de molecagem misturado a corrosão iniciado em 2005 com o escândalo do mensalão que culminou com a quebradeira da Petrobrás por corrupção e incompetência generalizada que levaram o país a uma “estagflação”, mistura de estagnação provocada pela recessão somada a inflação. Mais: desemprego, miséria, vergonha por toda a parte.

Soma-se a isso o deboche deslavado do presidente da câmara dos deputados (assim mesmo, em letras minúsculas) que diariamente cospe na nossa cara o seu cinismo, cara de pau, deboche, negociando com o governo arreganhado, capaz de fazer qualquer negociata para continuar nas nossas tetas.

Nós brasileiros que nunca tivemos vocação para o nacionalismo estamos com nojo. É o que ouvimos nas ruas (onde essa gente que manda no Estado não tem coragem de pisar) é puro ódio, vergonha. Nos ônibus, trens, barcas, táxis, nas rodas de conversa de classe média, classe alta, rodas de samba, enfim onde tem brasileiro tem o ódio ao governo, ódio ao que nos habituamos chamar de “isso tudo que está aí”.

Amigos meus que vivem há anos fora do Brasil, que começavam a planejar um retorno, abortaram os planos. Também estão enojados, envergonhados e alguns se sentem até prejudicados moralmente falando já que , no exterior, a imagem do Brasil (de latrina corrupta) mistura-se a imagem dos deles, brasileiros, que muitas vezes ouvem coisas extremamente desagradáveis.

E tudo isso sob o mando do silêncio. Ódio silencioso. Ouço gente desejando a morte de A, B e C, vejo aquela famigerada “boa índole do brasileiro” descer ralo abaixo. Com seu futuro sequestrado, o presente difícil, o cheiro nas ruas é de sangue. Sangue pisado de quem não aguenta mais tanta molecagem, tanto despudor, tanta orgia.


É isso aí.