domingo, 1 de novembro de 2015

O poder do reconhecimento

Sabe aquele quadro pequeno pendurado na parede com os dizeres “Funcionário do Mês” mais uma foto e um nome? Cada vez mais raro, vi um desses quando fui tomar um mate semana passada. Coincidentemente o tal funcionário do mês foi o que me atendeu. Dei parabéns, o cara ficou meio sem jeito e tal, agradeceu e seguiu trabalhando, sorriso estampado na cara.

A espécie humana não sobrevive sem reconhecimento. No início dos anos 70, um colega entrevistou o assaltante Lúcio Flávio Vilar Lirio na penitenciária e perguntou o que ele sentia ao ser considerado pela polícia o inimigo público número um. Lúcio Flávio respondeu que se sentia muito bem porque era mais uma demonstração do cagaço que a polícia tinha dele, o que “para mim é um grande reconhecimento”. E, segundo o colega, deu uma risada.

Vamos supor que o ser humano tenha 60% de defeitos e 40% de qualidades. Na melhor das hipóteses. Se pouca gente aceita a chamada “crítica construtiva” a coisa fica caótica quando se vê valorizados apenas os 60% podres.

A mulher veste uma bela e sensualíssima roupa, corta o cabelo, estreia um par de sapatos, usa um batom de cor ousada para encontrar o sujeito. Ele chega e comenta que detesta o perfume que ela usa. Só isso. Não diz mais nada, absolutamente nada e leva um pé na bunda tempos depois.

Cachorros adestrados quando fazem direito uma evolução ganham reconhecimento e biscoitos. Golfinhos e focas ganham reconhecimento e sardinhas. Por que com a raça humana seria diferente?

Medalhas, troféus, diplomas de “Honra ao Mérito” e dezenas de outros símbolos mostram que o ser humano quando reconhecido abertamente rende muito mais. Autoestima turbinada. Parece óbvio mas para muita gente não é. Você aí, leitor, há quanto tempo não recebe um reconhecido reconhecimento de uma pessoa signiticativa em sua vida? Pior: você nota que ao longo do tempo essa mesma pessoa só o critica, só vê os 60% citados lá em cima, só enxerga ônus e ignora os bônus? Dá vontade de deletar? Pois então, delete meu chapa.


- Eu não sou homem que recuse elogios. Amo-os; eles fazem bem à alma e até ao corpo. As melhores digestões da minha vida são as dos jantares em que sou brindado. Machado de Assis.

- Contra os ataques é possível nos defendermos: contra o elogio não se pode fazer nada. Sigmund Freud.

- O reconhecimento envelhece depressa. Aristóteles.