sábado, 12 de dezembro de 2015

Livro definitivo sobre Jimi Hendrix sinaliza que o músico pode ter se matado

A jornalista Sharon Lawrence é conceituada e bastante confiável, segundo as melhores publicações dos EUA e Europa. Quando o amigo Caíque Fellows me indicou o livro “Jimi Hendrix - a dramática história de uma lenda do rock” pesquisei a vida de Sharon e só encontrei excelentes avaliações. Só não consegui saber a sua idade mas suponho que ela regule com Jimi: 73 anos.

Ela foi a pessoa mais próxima do músico que tenho notícia. Por isso, seu livro é cheio de relatos íntimos, reflexões e apresenta um Jimi Hendrix genial, bem humorado, depressivo, angustiado, perseguido. Graças a um tenso, denso e intenso trabalho de pesquisa junto a fontes primárias, Sharon faz um passo a passo desde o dia em que Hendrix nasceu até o ano de 2005, quando uma arrivista chamada Janie Hendrix surrupiou o que interessava dos restos mortais do músico: dinheiro e poder.

Branca, Janie tem Hendrix no sobrenome, mas foi adotada. O pai de Jimi, um interesseiro que só via cifrões cintilando em volta do filho estava casado com uma caçadora de dotes chamada June e ambos adotaram a garota, com idade entre cinco e sete anos. Janie só viu Jimi Hendrix, muito rapidamente, quatro vezes, mas depois que ele morreu chegou a pagar um grupo de psicólogos para “ensiná-la” a se comportar como irmã natural de Jimi e com isso faturar mais.

Ela e seu pai Al (que surrou o músico ao longo de toda a infância) formaram uma quadrilha assim que Jimi morreu em 18 de setembro de 1970. Além de um séquito de gananciosos advogados, o bando contava ainda com a cumplicidade do produtor Alan Douglas, que fingia ser amigo do músico mas que segundo apurou a autora do livro, chegou a falsificar discos de Hendrix. Entre eles o álbum “Crash Landing” (de 1975) onde segundo Sharon ouviu de músicos da Califórnia e de um jornalista da revista Billboard, Alan Douglas usou músicos para imitarem Jimi Hendrix em várias faixas. Não satisfeito, Douglas colocou seu nome como parceiro de Jimi em várias canções de outros álbuns.

É um livro forte mas todas as informações foram exaustivamente apuradas, checadas e comprovadas. Auto nomeada presidente da empresa Hendrix Experience de onde tira um salário mensal de seis dígitos a falsa irmã de Jimi faz de tudo para faturar mais. Até ventiladores marca Jimi Hendrix ela lançou.

Articulada com o pai, Janie conseguiu anular o contrato dos músicos Noel Redding (baixo) e Mitch Mitchell (bateria) que começaram com Jimi o vitorioso trio Experience, a partir de 1967. Eles perderam os direitos autorais e a participação nas vendas de discos. Noel Redding foi apoiado pela autora do livro que diz com todas as letras que o baixista morreu em 2003 sozinho em sua casa na Irlanda, praticamente na miséria.

Pior: no ano 2000, quando a falsa irma de Hendrix lançou uma caixa de CDs com as obras do músico, Noel pediu uma (ele tocou em todos os discos do Experience) e Janie mandou. Mas cobrou pela caixa e até pelo frete com o objetivo único de humilhar e deixar claro para Noel que ele era “um fã como outro qualquer” e não músico e amigo do falso irmão Jimi.

Sobre a morte de Hendrix, Sharon foi fundo. Ele passou a noite de 17 de setembro de 1970 numa casa com vários homens (ameaça? coação? chantagem?, até hoje um enigma) e na madrugada de 18 de setembro de 1970 chegou em casa passando mal. Ele andava namorando uma alienada alemã chamada Monika Dannemann que estava em sua casa. Jimi chegou, deitou passou mal e morreu ao ingerir o próprio vômito.

No dia seguinte a morte, Sharon e o amigo visceral de Jimi, Eric Burdon, conseguiram atrair Dannemann para uma conversa. A alemã contou que achou uma cartela do potente tranquilizante Vesperax no chão do banheiro. Jimi havia tomado nove comprimidos (ele tinha mania, obsessão pelo número nove) de uma cartela que continha 10. Desmaiou, mas Monika nada fez a não ser empurrar vinho tinto pela boca do músico. Meia hora depois, ligou para Eric Burdon que mandou, aos berros, que ela chamasse uma ambulância. Ela só chamou vários e preciosos minutos depois. Não adiantou.

Enfim, não resta quase nada a ser apurado depois desse livro, repito,, escrito com muita sobriedade, elegância e APURAÇÃO DE FATOS. Um trabalho de jornalismo de primeira.

Um livro fundamental.



The Washington Post:

JIMI HENDRIX: The Man, The Magic, The Truth (título original)

Harper Collins – em 15 de maio de 2005
Quem é Sharon Lawrence e por que ela esperou tanto tempo para escrever este novo livro de memórias / biografia de Jimi Hendrix, que morreu com a idade de 27 em 1970, mas ainda encabeçou a lista das "100 Maiores Guitarristas de Todos os Tempos da revista Rolling Stone em 2003 "? Um pouco de navegação na internet desperta a curiosidade. 
Dois anos atrás, em Londres, livro de endereços de Hendrix ", listando várias de suas inúmeras namoradas, como Linda Keith e Sharon Lawrence," foi apresentado para o leilão. Duas embalagens vazias de cigarros Salem fumados por Hendrix, feita "a partir da coleção de Sharon Lawrence," foi vendido por $ 331,51 em novembro passado. E um outro site mostra uma transcrição do depoimento de Lawrence em nome de Hendrix quando ele foi julgado por posse de heroína e haxixe em Toronto, Canadá, em dezembro de 1969.
Na verdade, Lawrence não era uma das namoradas de Hendrix. Pelo contrário, como um jovem repórter de entretenimento UPI, ela foi apresentada a nova estrela em 1968 por seu agente, Leslie Perrin, antes de um show esgotado no Centro de Convenções de Anaheim.
Familiarizado com a sua "imagem um pouco aterrorizante" da imprensa musical britânica, ficou surpresa ao encontrá-lo "um ser humano educado, tímido." Depois de conversar com ele por alguns minutos ela saiu da frente para ele fazer o seu show, e "o companheiro subjugado que eu tinha acabado de conhecer virou o mais lascivo, ultrajante, performer espetacular" que ela já vira. 
Hendrix telefonou para ela uma semana depois e Lawrence tornou-se "uma confidente, uma caixa de ressonância, um amigo real que não estava envolvido em sua carreira", alguém que "sentia que era importante lembrar tudo o que ele disse sobre seus anos de formação em dificuldades, suas decepções, seus sonhos, seus objetivos e sua alegria e paixão pela música.
" Ela esperou por anos para escrever este livro, pensando que o tempo e a experiência podiam fazê-la "ver Jimi a partir de um ponto de vista diferente", mas ele foi permaneceu o mesma.
O livro é o primeiro escrito por alguém em quem Hendrix confiava os seus mais profundos pensamentos e sentimentos - sobre sua música, família e carreira. Sua Hendrix ri, grita, chora, fuma, bebe, fala sobre problemas com sua família, passa uma camisa, arremessa mobília.  Lawrence, que mais tarde tornou-se um consultora para várias grandes gravadoras e estúdios de cinema, é a sua própria fonte de chave. 
Como tal, seu retrato de Hendrix é pouco objetivo, apesar de seu tom ser mais jornalístico. Ela também relata o que sabe ou aprendeu com mais de 250 outras fontes e tem muitas informações privilegiadas.
 Quando Monika Dannemann sugeriu reunião para em 1991, Lawrence escreveu: "Eu preferia ter enfiadi a cabeça no forno." Dannemann, afinal de contas, apedrejou Hendrix na noite em que morreu de asfixia em seu próprio vômito; ela parou em vez de chamar imediatamente uma ambulância e falsamente alegou ser sua noiva. 
Lawrence também revira a vida do gerente de Hendrix, Michael Jeffery, a quem ela considera sem escrúpulos. No livro ela é uma testemunha de defesa de Hendrix - como ela foi durante seu julgamento, em Toronto, quando seu testemunho ajudou a levar à sua absolvição. 
 Lawrence descreve com raiva que ela vê como a traição de Hendrix por sua meia-irmã adotada, Janie Hendrix. Jimi mal a conhecia, Lawrence relata, mas ela se apresentava como sua irmã e obteve o controle de sua propriedade quando seu pai adoeceu, mesmo tendo a audácia de afirmar que o irmão mais novo de Jimi, Leon, não era filho natural de seu pai.
Ela também informa sobre o filho de Hendrix sueco, Henrik Daniel James Sundquist, e sua filha, Tamika Laurice James, ambos dos quais nasceram fora do casamento - e foram reconhecidos por Hendrix, mas execrados por Janie. Ainda assim, talvez a parte mais surpreendente do livro é a condenação de Lawrence que a overdose de barbitúricos que levou à morte de Hendrix não foi intencional, mas um risco calculado.
Em um mundo justo, um artista tão amado e respeitado teria sido socorrido por um legado digno, não de ganância, discórdia e desonestidade. Jimi Hendrix não parece ter tido sorte na família ou nos negócios, e, embora ele tenha tido muitas amantes não teve sorte no amor. Mas com a amizade de Sharon Lawrence ele foi abençoado. ·