sábado, 19 de dezembro de 2015

O Brasil é o único lugar no mundo onde o fundo do poço tem sub-solo. Ou, overdose de tecnologia faz bem ou mal?

Eu tinha uma agenda no computador onde registrava todos, absolutamente todos os meus compromissos. Não sei por que, numa manhã, a tal agenda deu pau. Não queria abrir de jeito nenhum. Procurei me acalmar (tecnologia e pânico não combinam), reiniciei o computador e tentei abrir de novo. Nada. Em suma, a agenda de última geração foi para o espaço por razões que até hoje ignoro.
Mais. Meu computador tem mouse, teclado e monitor sem fio. No início foi uma maravilha, máquina super prática, ótima mobilidade, enfim, os gênios acertaram na mosca. Era o que pensava até as 3 horas da madrugada de um dia de semana quando a pilha do mouse descarregou e eu tive que interromper uma matéria que escrevia, com prazo.
Peguei o carro e parti para as lojas de conveniência de postos de gasolina atrás de uma pilha. Para não ter dúvida, levei o mouse comigo e, ufa!, no terceiro posto encontrei a pilha. Comprei duas (o teclado tem pilha também) e retornei para casa. Consegui terminar o trabalho. Mas, no dia seguinte, comprei um mouse convencional e um teclado ídem. Ou seja, no final voltei a ter um desktop convencional. Problema? Nenhum. O negócio é ficar tranquilo, dormir bem, sem estresse.
O episódio da agenda no computador serviu para que eu simplificasse mais a minha vida tecnológica, que já não era exagerada. Eu poderia simplesmente baixar a instalar outra agenda, ou usar a do Google, mas optei por usar um antigo telefone celular que comprei em 2005 (isso mesmo, lá em 2005!) cujo código de segurança tornou-se indecifrável. Em outras palavras o telefone não aceita chip de nenhuma operadora. Pois, desde o episódio da agenda que “morreu” na minha máquina ele se tornou a minha nova ferramenta para marcar compromissos. Simples, fácil e, sobretudo, tranquila.
Um dia desses peguei um táxi que parecia camelô vietnamita. A bordo, um smartphone que berrava “taxi!” de 15 em 15 segundos (do serviço Easy Taxi), GPS, um monitor que checava corridas on line da cooperativa dele), mais uma central de multimídia com previsão do tempo, temperatura externa, interna, mais o rádio de comunicação, e um sistema de som compatível com pendrive. Estava tocando Anitta (para meu desespero) e depois dela uma cordilheira de baixarias já que, dependendo da capacidade, um pendrive pode armazenar meses de música sem repetir. Ah, sim, no meio desse cipoal tecnológico estava o taxista, orgulhoso de seus brinquedos. Eu pensei: “se eu fico seis horas aqui dentro, jogo esse carro num abismo”.
Esse sentimento de overdose de tecnologia é um problema meu ou todo mundo sente? Meu irmão, é o cara que conheço que mais entende de computadores e afins. Ele já tinha um portátil chamado CP-500 se não me engano na segunda metade dos anos 70. Seu telefone é de última geração, o GPS do celular está OK, do carro também, e cada vez mais ele estuda e dá aulas de tecnologia.
Para ele, tenho certeza, a overdose de tecnologia não faz mal algum. Para mim? Por displicência de raciocínio, preguiça mental, sei lá mais o que essas coisas não funcionam direito. Não tenho paciência para insistir, não gosto de ler manuais e pago para não me aborrecer.
Mas a questão é: estou sozinho nisso? Fora meu irmão, alguém mais é vidrado nas novas tecnologias que, quando bem tratadas, funcionam perfeitamente? Ou tem muita gente de saco cheio disso tudo também? Aguardo opiniões.