quinta-feira, 30 de abril de 2015

Feriadão - uma pensata para primeiro de maio

                                                    

O dicionário explica: “Feriado - dia de descanso, instituído pelo poder civil ou religioso, em que são suspensas as atividades públicas e particulares”. Já escrevi sobre feriados. Um artigo meio marrento, sentando o pau nos feriados, especialmente nos feriadões, que atrapalham...atrapalham...atrapalham quem? O que? Hoje, com a devida distância, digamos, histórica, confesso que foi um texto egoísta.

Sentei o pau nos feriados porque nós, jornalistas, vivemos um dilema. Se por um lado parte da Redação fica de folga, a outra rala dobrado para compensar já que imprensa não para. Mais: os jornais tem seu cronograma todo alterado por causa das gráficas e outros prazos. Não foi um texto reclamão, mas agressivo porque naquela semana um feriadão tinha me obrigado a virar noites escrevendo, antecipando trabalhos para que o cronograma não fosse para o espaço.

Com o passar do tempo fui mudando de opinião. Aliás, acho que mudar de opinião faz bem a saúde. Manter a mesma opinião por mera teimosia me cheira a burrice, o que Raul Seixas chamou, muito bem, de metamorfose ambulante. Fundamental. Mas, como eu ia dizendo, com o passar do tempo fui começando a gostar dos feriados. Mais: comecei a adorar trabalhar nos feriados porque fico de folga em dias em que as cidades ditas turísticas não estão insuportavelmente cheias. Já dei zaralhadas de plantões em viradas de ano, Natal, carnaval e adorei. Trabalhar, não me aporrinhar com multidões de paruaras e, ainda por cima, ganhar por isso.

É evidente que não costumo viajar em feriados, ou feriadões, porque meu nível de masoquismo é baixo. E já cansei de passar feriados engarrafado nas sub-estradas do Estado ou largado como uma mochila nos aeroportos lotados. Pelo que observo, muita gente tem desistido de viajar nos feriadões porque percebeu que padece nas estradas e quando chega ao destino está tudo lotado, cheio de filas,  engarrafamento humano e o de automóveis pioram, praias superlotadas, blá blá blá.

Repensando tudo temos o direito de homenagear nossos heróis, santos e afins. Temos sim! Mas o que me fez realmente mudar de idéia em relação aos feriados foi uma matéria que li sobre um relatório da Organização Internacional do Trabalho, OIT, que informava que nós, brasileiros, estamos entre os povos que mais trabalham no mundo. Claro que os chineses batem recorde, mas, muito entre nós, aquilo roça no regime de escravidão.

Os que menos trabalham (medição em horas por semana), pasmem, são os alemães. Fiquei impressionado com a quantidade de feriados na Europa, com a quantidade de horas/semana que os franceses, ingleses e italianos trabalham que é muito menor do que a nossa. Ou seja, nós que trabalhamos pra caramba merecemos dar uma descansada-extra de vez em quando.

Não importa se viro noites, não importa se os prazos ficam apertados. O que importa é que, ao contrário do que muita gente pensa (com exceção dos números da OIT) nós, brasileiros, trabalhamos muito, desde que haja emprego. Você sabe disso porque sente na carne. Além disso, os feriados desorganizam a vida de muitos outros profissionais que são submetidos a plantões, emergências, enfim, nem todo mundo bota o boi na sombra.


E começamos mais um feriadão. Ao invés de despejar ira, desejo a todos muito, mas muito descanso. Que, como já disse, é mais do que merecido.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

“Porque você é corrupto. E como corrupto é alcoólatra e como alcoólatra é viciado em cocaína e como viciado em cocaína é brocha e como brocha...e por aí vai, ladeira abaixo até a cela onde você mora hoje, seu canalha”

- Você deixou recado no meu celular e eu não gostei. Não gostei porque desde que a sua cara imunda apareceu em todos os jornais como corrupto, safado, moleque, salafrário, minha libido foi a zero e meu celular foi grampeado. Estou falando de um orelhão, raro orelhão, mas exijo que você não dê um pio. Se falar, desligo na sua cara, seu canalha.

É nessa época do ano que fico mais encharcada e você sabe disso. Quando eu, você e Telinha fomos para aquele resort em 2012, você mentiu. Disse que o dinheiro da estadia era seu, mas uma semana depois me ligaram (ligação anônima, lembra?), denunciando que nossos loucos dias de hedonismo tropical foram bancados pela estatal. Não gostei. Sou vadia? Sou. Sou vagabunda? Sou. Sou insaciável, ninfomaníaca? Sou. Mas quem me chamar de corrupta eu mato.

Estou ligando pela última vez. Telinha nem sabe que estou no orelhão. Ligo para te dizer que não fosse por ela, seu porco, não havia existido nada entre nós. Eu só te encontrava, simulava ser sua amante, amásia, sei lá o que, para justificar a presença de Telinha, ela sim, ela sim, ela sim...um ser que me sacia justamente por ser insaciável. Isso você não vai entender nunca porque enquanto eu e ela virávamos as noites trocando nossas seivas, nutrindo nossas línguas, sangrando nossas costas, você roncava bêbado, virado para o lado, sonhando com propinas, caixa 2, lambanças.

Nem pense em me responder agora...Se disser “alô” desligo o telefone. Claro que é uma despedida, seu animal. A possibilidade de eu me tornar zoófila não é tão remota assim, mas com porcos da sua laia eu não me deitarei jamais. Por que? Porque você é corrupto. E como corrupto é alcoólatra e como alcoólatra é viciado em cocaína e como viciado em cocaína é brocha e como brocha...e por aí vai, ladeira abaixo até a cela onde você mora hoje. Está gostoso aí? Tem pó? 
Tem grana suja? Tem falsas gargalhadas? Tem carreirismo?

Você nunca mais vai me ver porque a minha suposta imoralidade foi drenada para a libido, libido que você nunca teve, escondido atrás de ternos importados cafonas, famílias formatadas por revistas de pequenos burgueses, enfim, um moralista típico como todos os salafrários são. Desafio, moleque...desafio que cite um corrupto que não seja moralista. Um só. Não agora porque, já disse, não quero ouvir sua voz. Telinha deve estar acordando e hoje nós vamos transar a noite inteira. Ela não sabe, mas será em homenagem a sua prisão, seu velhaco, biltre, bisbórria, celerado, patife, tratante.


Não diga nada! Quem diz adeus aqui sou eu. 

segunda-feira, 27 de abril de 2015

“Refratações”*: a pancadaria entre Freud e Jung e uma questão: as guerras amadurecem?

* Palavra inexistente                                                

Jung (a esquerda, sentado na escada), Freud (calção quadriculado 
a direita) e dois amigos numa casa de banho turco
Prólogo – “Minha ideia sobre Deus está formada pela profunda convicção emocional da presença de uma força racional superior, que se revela no incompreensível do universo” (Albert Einstein); “Não posso dizer “eu creio”. Eu sei! Tive a experiência de ter sido capturado por algo mais forte do que eu, algo a que as pessoas chamam Deus” (Carl Gustav Jung).  

A partir dessa experiência abissal, Jung descobriu o poder do espírito e a sua relação com o mentor Sigmund Freud, que já vinha se despedaçando ruiu de vez. Contam os livros que os dois estavam numa cabine de trem, em 1914, indo para Hamburgo. Jung já não suportava mais o que teria chamado de “reducionismo materialista” de Freud. Esse, por sua vez, também sentia náuseas quando o discípulo falava de inconsciente coletivo, Anima, Animus, espíritos... Foi aí  que um destemperado Freud, na cabine do trem, teria gritado “fique então com esse lixo, essa lama que são os seus espíritos”.

De acordo com Felipe Luis Melo de Souza, “com o rompimento definitivo em 1914, quando Jung deixa a presidência da recém criada Associação Psicanalítica Internacional, inicia-se a querela de atribuição de epítetos depreciadores de ambos os lados. (...) A crítica da exacerbação da sexualidade na obra do pai da psicanálise - que é feita frequentemente - esquece-se de que Freud e Jung possuíam o mesmo sonho inicial, o Falo.”

Fiz psicanálise freudiana (até a alta), existencialista (interrompida porque o terapeuta desistiu desse caminho e viramos amigos) junguiana (me dei alta), voltei para a freudiana (nova alta) e hoje estou conhecendo a Gestalt (conhecendo e gostando da ausência de teorias pouco úteis), até descobrir que avalanches inconscientes, caos, angústias, memórias, sonhos e reflexões não tem alta. Por que? Porque a alta da vida é a morte.

Apesar de analisado desde a adolescência, jamais em tempo algum abrir mão da minha visceral, radical, inquestionável fé em Deus. Jamais! E os meus analistas nunca me questionaram a respeito. Ninguém me ensinou a crer em Deus. Ninguém. Simplesmente aconteceu, como um vendaval, uma chuva de outono, enfim, Deus está em meu cotidiano como a água, o sono, a comida, o afeto.

Sobre Deus, quando estou batendo papo e meus interlocutores começam a detona-Lo, fico quieto. É automático. Quando reparo, estou olhando para uma bela mulher, lembrando de uma música, enfim, me abstraio como se queimasse um fusível interno.

Tempos atrás dois amigos (um religioso o outro ateu) batiam boca no Velho Armazém, antigo bar da orla de São Francisco (Niterói, não Califórnia), que infelizmente fechou, por causa do tema “por que Deus deixa acontecer as guerras?”. Aquilo não ia prestar e, de fato, vários chopes depois tive que intervir antes que rolasse grossa pancadaria ali mesmo.

Eles se desculparam, sugeri que mudássemos de assunto mas, na boa, minha noite deu uma amargada, tanto que fui o primeiro a pedir a conta e voltar para casa. No caminho de volta pensei que até os livrotes vagabundos tricotam freneticamente sobre o renascimento de nações que foram dizimadas por guerras. Inglaterra, Alemanha, Itália, China, Japão. A Coréia do Sul, depois de ser destruída nos anos 50/60, passou todo mundo e hoje é o país-modelo em educação. Isso sem falar em tecnologia, distribuição de renda, etc.

Já aqui no Brasil...bom na Câmara dos Deputados, que nós elegemos, a prioridade máxima continua sendo aumentar o faturamento. Deles. Li também que, além da podóloga e da consulta médica, subiu tudo. Normal, não é?
Apelo aos antropólogos e outros ólogos. Se o Brasil tivesse encarado guerras tudo mudaria ou nada mudaria? Sabe aquela antiga teoria de que o ser humano só cresce com dor, sob tensa, densa, intensa crise?? Ela se aplica a nações? O Vietnã viveu em guerra de 1910 a 1975. Japão invadiu, França invadiu, Estados Unidos invadiram. Só na guerra contra os Estados Unidos morreram 1 milhão e 500 mil vietnamitas que, em nenhum momento, largaram o osso. Foram até o fim e botaram os americanos pra fora com memoráveis chutes na bunda. Hoje o Vietnã já é quase um “tigre asiático”, com índices econômicos invejáveis, educação, saúde, etc.                                                

Parto de um princípio de que a culpa não é de quem faz, mas de quem deixa fazer. Exemplo: se puserem um caixa eletrônico em cima da Pedra do Arpoador a culpa será do banco ou da prefeitura? Com a passividade popular e eleição é a mesma coisa. A passividade popular homologa os desvios. As eleições sacramentam. Em outras palavras, qualquer pau de enchente que esteja no poder num regime democrático, o aval (culpa) é nosso.

Não vou citar exemplos de outros países que venceram o arbítrio/corrupção/canalhice porque todos (sem exceção) usaram a truculência. Mussolini foi pendurado num poste, americanos jogaram coquetéis molotov em postos de gasolina que aumentaram preços no crash de 1929, enfim, não encontro um exemplo de vitória popular que não passe pela luta. Física. Logo, como sou pacifista, fecharei a cisterna.                                     

Não estou defendendo ninguém e muito menos atacando. Estou apenas refratando diante do que vejo, sinto. E o que a História me conta, sussurrando de madrugada, é que por coincidência os povos regidos por fanatismos religiosos são os mais manipulados e miseráveis.

Os povos da Índia e África, em sua maioria, são hordas de mortos-vivos dopados por crenças fanáticas que não deixam enxergar que os seus governos roubam, matam, achacam, em nome desse mesmo fanatismo.

Para mim nada é possível sem Deus. Querem saber? Para mim tudo é impossível sem Deus. Não tenho lastro teológico algum para afirmar que Deus discorda do fanatismo religioso, mas tenho o direito de imaginar que Ele não concorda. Fanatismo paralisa, enlouquece, dopa. Fanatismo quando decreta que orelhão é sagrado os seguidores batem palmas quando o Estado não instala orelhão nenhum.

Fanatismo quando determina que peixe é sagrado seus seguidores autorizam o Estado a não investir nada em indústria pesqueira. Mao Tse Tung radicalizou quando sentenciou que “a religião é o ópio do povo”. A religião não, mas o fanatismo, mais do que o ópio, é pior do que heroína.

Por que somos tão submissos? Faltou guerra? Faltou o olhar do invasor dentro da nossa casa citando Renato Russo : “eu sou a sua morte/ vim de fazer companhia”? De vez em quando vejo carros com adesivos “Basta isso”, “Basta aquilo”. Bastar como? Como se “basta” a lambança? Como se basta o arbítrio, a corrupção, tráfico de vidas?  Out-estima, digamos.

Fato é que a gemedeira e a vitimologia continuam por aí. Continuamos pagando a tal taxa de “assinatura” dos telefones, engolindo o “matematicalogismo” que aumenta planos de saúde, luz e salários de deputados. Qual é o critério? A submissão? Qual é a saída? Quem é o inimigo, quem é você?







domingo, 26 de abril de 2015

No passado a tecnologia aproximou as pessoas. Hoje, abre um abismo

Não tenho a menor pretensão de interferir em condutas, comportamentos, hábitos. É só uma opinião, e sempre digo que opinião não é palavrão.
Desde que o satélite russo Sputnik foi lançado, em 4 de outubro de 1957 a comunicação no planeta sofreu uma revolução. Nos anos 60, 70, 80, 90, 2000 as distâncias foram diminuindo, ligações telefônicas tornaram-se imediatas, as transmissões ao vivo pela TV e rádio viraram rotina.

Hoje, com nossos smartphones ligamos para a China de qualquer muquifo, em muitos casos sem pagar nada; acessamos a internet, e blá blá blá. A humanidade ficou mais próxima de si mesma. Ao mesmo tempo, muito mais distante. E olha que sou árduo defensor da tecnologia.

As redes sociais aliadas a programas de contato imediato como Whatsapp, Viber estão acabando com o contato pessoal. Um dia desses eu estava em casa de uns amigos e o filho, no quarto, mandou uma mensagem pelo Whatsapp para a mãe, que conversava conosco na varanda. Ela comentou que já pensou até em vender seu smartphone e comprar um celular comum, sem internet, só com voz. Motivo: “as vezes fico o dia todos sem vê-los (os dois filhos).” Comentei que de fato ainda não existe afeto digitalizado e tal, e o papo deu uma brochada. Todo mundo parou para pensar.

Meses atrás, quando o prefeito do Rio anunciou o tal dilúvio que não veio, passei o dia em reuniões em Botafogo, Leblon e Ipanema. Ninguém me ligou, mas recebi várias mensagens por Whatsapp alertando sobre o temporal. Nenhuma ligação do tipo "alô, meu chapa, tudo bem? Olha, vai cair o maior toró!". Só mensagens digitais. Nem SMS (antigo torpedo, que há quem diga que virou fóssil), só programas que exigem que o smartphone esteja conectado a internet. Se eu decidisse não usar o 3G Não receberia mensagem nenhuma.

Aliás, rompi com a internet em 3G. Motivo: calça de veludo ou bunda de fora. Ou uso WiFi ou nada porque 3G e nada são a mesma coisa e, além do mais, não estou aqui para sustentar marmanjos especuladores do mercadão das telecomunicações. Dizem que a 4G é melhor, mas ando numa fase trapista e só vou trocar meu smartphone que não tem um ano daqui a...

Está havendo um exagero no uso das novas tecnologias. Médicos se relacionam com pacientes por escrito, mexem em dosagens de remédios via WWW; bate boca de comerciantes e clientes também são uma realidade e sei de muitos casos de pessoas que, em vez de reclamar com o vendedor de uma loja sobre problemas com determinado produto, preferem acessar o site Reclame Aqui, muitas vezes transformando um fato que poderia ser resolvido olho no olho numa tragédia virtual; em dias de aniversário, no lugar daquele telefone amigo cheio de energia está valendo um texto padrão no Facebook. Muito esquisitos esses novos tempos.

Desde o início dos anos 1990 uso a internet, que Darcy Ribeiro (saudade desse cara) muito bem definiu quando disse que "depois da fala e da escrita a internet é a maior invenção do ser humano". Sem a internet minha vida ia se complicar porque trabalho arduamente com mídia e afins, logo, preciso me comunicar com agilidade. Mas, na vida pessoal prefiro encontrar meus amigos num bar, dar uma volta de carro ouvindo música, consultar médicos olho no olho, desejar feliz aniversário falando ao telefone, enfim, não sou exemplo para ninguém mas prefiro humanizar ao máximo a tecnologia.


Estou certo? Estou errado?

sábado, 25 de abril de 2015

Reencontrando 1982. A Cultura consegue fazer essa mágica

                                                                           

The Song is Over 


(Pete Townshend)

The song is over/It's all behind me/I should have known it/She tried to find me/Our love is over/They're all ahead now/I've got to learn it/I've got to sing out/chorus:I'll sing my song to the wide open spaces/I'll sing my heart out to the infinite sea/I'll sing my visions to the sky high mountains/I'll sing my song to the free, to the free/I'll sing my song to the wide open spaces/I'll sing my heart out to the infinite sea/I'll sing my visions to the sky high mountains/I'll sing my song to the free, to the free/When I walked in through the door/Thought it was me I was looking for/She was the first song I ever sang/But it stopped as soon as it began/Our love is over/It's all behind me/They're all ahead now/Can't hope to find me (chorus)/This song is over/I'm left with only tears/I must remember/Even if it takes a million years/The song is over/The song is over/Searchin' for a note, pure and easy/Playing so free, like a breath rippling by/                                       












   Com Alex Mariano 






    Alex Mariano
Tenho surfado ondas gigantes. Gigantes. Mas não chio porque fazem parte da alternância da vida, do caos, do Cosmos, do caos que fez-se Cosmos. 

A dor? Vem, vai, volta, parte, ronda essa montanha russa ensandecida chamada afeto em dias de tempestades, maremotos que exibem o barco à deriva, sem motor; e tudo pode acontecer com um barco à deriva, sem motor, no meio de um maremoto.

O Homem e seus Símbolos – Carl Gustav Jung, de quem já gostei. No passado.

Ontem, um amigo desde a adolescência, o Marcio, me chamou para irmos a exposição Maldita 3.0 sobre a Rádio Fluminense FM, no Espaço Cultural dos Correios, em Niterói. Eu já tinha estado lá há dias e até escrevi aqui a respeito, mas não tinha visto nem um quinto da exposição.

Voltei e mergulhei em 1982, 83, 84, 85. De cabeça, queda livre, com prazer. Vendo as fotos, os vídeos, os áudios, e, o mais importante, os meus amigos que formavam aquele incrível micro-exército de pessoas honradas, ousadas e apaixonadas que fizeram uma revolução na história do rádio. Estão todos lá.

De novo, não deu tempo de ver tudo e retornarei em breve, mas é claro que me emocionei vendo fotos históricas de meus amigos, em especial do Alex Mariano Franco, Samuel Wainer Filho e Carlos Lacombe que nos deixaram precocemente. Por isso entendi o que fez a amiga Claudia Cid se debulhar em lágrimas ontem, quando foi lá na exposição, como ela contou no Facebook. Não chorei porque ando nublado.

Os filhos de todos os amigos precisam ir lá conhecer esse planeta que seus pais construíram em plena ditadura militar (em 1982 a abertura ainda estava sendo desenhada) e porque eles entraram para a história e agora se tornaram mitos.

Agradeço publicamente ao criador curador da exposição, Alessandro ALR, por ter conseguido ir lá no fundo e colher no inconsciente coletivo tanta energia, tanta disposição, tanto amor de todos nós que, um dia, sonhamos em fazer uma boa rádio e, quis o destino (e, modéstia a parte, o nosso talento também) que se tornasse a melhor do Brasil nos anos 1980.

E isso não é pouco.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Na galeria de hoje, Jimi Hendrix

                                   Monterey Pop Gestival, 1967
É a segunda vez que publico uma sessão de fotos variadas que busquei na internet, formando uma especie de galeria virtual. A primeira, semanas atrás, foi com Janis Joplin. Hoje, o convidado é Jimi Hendrix.
Por que? Não sei. Saudade do cara. Tenho pensado muito nele ultimamente, passei a semana ouvindo vários discos, enfim, felizmente não há explicação para o que sinto.
                               Hendrix era beatlemaníaco radical. Paul McCartney gosta                           de contar que o lendário álbum Sgt Pepper´s Lonely Hearts Club Band foi lançado numa sexta-feira. Domingo, os quatro Beatles foram assistir Hendrix no teatro Saville, em Londrese Hendrix tocou a f
faixa título do disco (video acima).                                                                                                       


Os Beatles, boquiabertos, assistem Jimi Hendrix tocar Sgt. Pepper´s em 3 de junho de 1967,
três dias depois do disco ser lançado.
                            Palco
                        Palco
                                    Havaí
                     Dinamarca
           Nova Iorque
                 Paris
     Nova Iorque
                                Suécia
San Francisco - CA
                                    Londres
    Nova Iorque
    Havaí
               Miami
                                          Havaí
                                         Ex-namorada hoje. Paris
                    Com Joan Baez, Los Angeles
Com as "Mamas" dos "The Papas" em San Francisco
                   Chicago
                     Copenhagen
Equipamento básico usado em Woodstock
                          Frankfurt
Londres
                     Londres
            Chicago
                   Dinamarca
                                  Seattle
    Últimas fotos, um dia antes de morrer (1) - Londres
    Últimas fotos (2)- Londres
Últimas fotos (3) - Londres
Hoje não é aniversário de nascimento, nem de morte. Não é nenhuma data especial para Jimi Hendrix, mas como disse lá em cima senti saudade dele ao longo dos últimos dias.
Para quem não sabe (e todo mundo tem o direito de não saber), James Marshall Hendrix nasceu em Seattle (EUA) em 27 de novembro de 1942 e morreu em  Londres em 18 de setembro de 1970. Tinha 27 anos.
Passou a adolescência como um garoto pobre de Seattle, praticando pequenos roubos em lojas mas sempre com a intenção de perturbar a ordem. Foi para o exército, serviu como paraquedista e saiu antes do apogeu da guerra do Vietnã.
Seu pai, Al Hendrix, deu de presente a sua primeira guitarra. Jimi aprendeu a tocar sozinho e saiu de casa aos 19 anos. Não voltou mais. Tocou em botequins, bordeis, pensões, estalagens. Passou fome, mas nunca perdeu o bom humor, a disposição e a esperança. Em 1965 entrou para a banda de Little Richard, onde levou um calote. Trabalhou 12 semanas e não recebeu nada. Foi embora, voltou para os bares, de cidade em cidade, até começar a ganhar uns trocados no "Cafe Whah?" de Nova Iorque, em 1966.
Seu genialidade começou a ganhar fama e o baixista do inglês The Animals, Chas Chandler, foi vê-lo no Cafe. Impressionado convidou Hendrix para se mudar para Londres. O músico topou e entrou num avião com a roupa do corpo. Em Londres, morou num hotel e Chas Chandler começou a procurar músicos para companharem Jimi, que ansiava por uma carreira solo. Não aguentava mais tocar "lá atrás". Testou mais de 50 músicos até selecionar os londrinos Noel Redding (baixo) e Mitch Mitchell (bateria) e formar o Experience.
Jimi Hendrix estourou na Inglaterra e em toda a Europa. Entre seus fãs estava Paul McCartney que ligou para John  Philips do The Mamas & The Papas e produtor do festival de Monterey, sugerindo o nome de Hendrix para participar do festival, em 1967. Hendrix tocou e virou estrela.
 Uma estrela cheia de prestígio e sem dinheiro. Apesar de Chas Chandler se virar (foi um grande amigo de Jimi) um contrato que o músico assinara lá atrás (1965) meio bêbado num balcão de bar o tornou escravo de um sujeito que era juridicamente dono de toda a sua obra.
Ainda assim, conseguiu construir seu sonho. O estúdio Electric Lady que fica na 52 West 8th Street, em Greenwich Village, Nova Iorque. O estúdio é um dos melhores da cidade e continua muito ativo.
Jimi mal chegou a usá-lo. Ao contrário do que muita gente pensa ele não usava heroína. Gostava de LSD e um pouco de bebiba, mas morreu em decorrência de traquilizantes que o fizeram vomitar dormindo. 
É isso aí. Valeu, Jimi!