quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Saudade do hoje? Como Assim?




Caramba, por mais que eu divulgue em todas as mídias disponíveis que voltei ao rádio via dois programas na Cult FM Rock & Blues (conheça em www.radiocultfm.com), ainda tem gente me escrevendo lamentando o fim da Fluminense FM, a minha amada Maldita.

Tudo bem, luto é luto. Mas, acima de tudo, luta é luta! Estamos no presente, em pleno 2015, meus programas são o “EXPRESSO DA MADRUGADA” (de domingo a domingo, de meia noite as seis) e CAFOFO DO LAM (domingos as 23 horas), muita gente está curtindo; os programas tocam o clássico do rock/blues, o inusitado, a vanguarda, o creme do creme e, é lógico, o meu DNA que, não coincidentemente,é o mesmo da Maldita.

Que tal ouvir, opinar, divulgar? Que tal dar SEQUÊNCIA e deixar um pouco de lamber feridas? Que tal valorizar o hoje, o agora, o real e não as brumas do passado e ou possibilidades do futuro?

É só uma observação.


Viva as referências e não só as reverências.

domingo, 27 de setembro de 2015

O Homem que Amava as Mulheres

                                                                                                                             
Não há dúvida alguma de que François Truffaut (1932-1984) era um gênio e deixou nesse planetinha suburbano, moralista e cafajeste uma montanha de obras primas, entre elas “O Homem que Amava as Mulheres”, filme de 1977.

O filme conta a história de Bertrand Morane, um cara de meia idade que tem obsessão por mulheres. No entanto, confirmando a tese de que os canalhas não sofrem, Bertrand conquista, conquista, conquista compulsivamente mas vive afogado num oceano de sofreguidão, angústia, culpa e solidão.

Bertrand é interpretado pelo polonês Charles Denner, morto em 1995 com apenas 67 anos. Truffaut nos deixou com apenas 52. Denner trabalha muito em “O Homem que Amava as Mulheres” e não foi à toa que ao longo de 30 anos foi requisitado também por  Louis MalleClaude ChabrolJean-Luc GodardCosta-GavrasClaude Lelouch

Capaz de atirar de propósito o carro num poste e andar 300 quilômetros para conquistar uma mulher, Bertrand é neurótico radical sim, mas traz os traços muito comuns nos homens de meia idade que vivem saudavelmente, nadando contra as correntes da sociedade calhorda, babaca e inútil que formam as classes média e rica. Os pobres? São muito mais livres, basta olhar.

Um dia desses vi uma malabarista de uns 20 e poucos anos num sinal de trânsito, batizado por São Paulo de semáforo. Shortinho enterrado, braços levemente tatuados, pearcing no nariz, em troca de uns trocados dos motoristas ela jogava três bastões de fogo para cima, para baixo, entre as virilhas e os manipulava com a intimidade das cortesãs do século XX manuseando um robusto bacamarte.

Se Bertrand Morane estivesse ali daria um jeito de conseguir nome, telefone, endereço, CPF da malabarista, ia caçá-la, abatê-la para depois ser mais uma vez acachapado pela ansiedade infinita dos infelizes e seus teoremas existenciais indecifráveis e irrealizáveis.

Como Nelson Rodrigues, Bertrand Morane era um doente, mas faz falta. O Bertrand que nos habita, asfixiado pelo torpe moralismo gerenciado pelos carrascos da liberdade comezinha, caiu em desuso no crepúsculo do século 20 quando o lema “é permitido proibir” ganhou as calçadas, avenidas, viadutos, lojas de calcinhas e sutiãs, bordéis.

O auto batizado “garanhão” de Bertrand, na verdade um paquerador radical, inconsequente e (repito) sofredor até a medula hoje é rotulado de “assediador” “impertinente”, “pervertido”, “tarado”, digno de ser “retirado do meio social em nome da moral e dos bons costumes”.

Da mesma forma que não existem mais Truffauts e cada vez mais assistimos a cinema com cê cedilha, “O Homem que Amava as Mulheres” poderia ser exibido em escolas para mostrar a face oculta da opressão e, de lambuja, que Sigmund Freud até teve razão quando falou da projeção feminina esculpida pela figura da mãe. A mãe de Bertrand era puta profissional e quando ele era adolescente a via desfilando de calcinha e sutiã pela casa, causando uma dor atroz. Mais: ele abriu suas gavetas e leu sua troca de correspondências com os machos, dezenas deles, e sempre o mandava levar cartas (para eles) ao correio. Bertrand jogava fora.

Minha faculdade exibiu o filme em 1978, em pleno pátio, para quem quisesse assistir. Me disseram que lotou, mas eu não estava lá. Se a TV Brasil (estatal) fosse do Estado e não do PT passaria esse filme em horário nobre, mas não é da índole governante atual estimular o que agrega e sim o que racha, divide, mutila. Povo mutilado perde força e poder e, assim, o governo rouba mais à vontade.

Não sei onde encontrar “O Homem que Amava as Mulheres”, mas vale a pena correr atrás via Google, Bing e similares porque é preciso deixar claro para todo mundo que houve, sim, uma era onde a vida era mostrada, exibida, arreganhada sem pudores, censores, réguas, compassos, não-libidinagem explícita.

Viva François Truffaut! Viva Charles Denner!


P.S. -
                        

A propósito, quem inventou o shortinho jeans esfarrapado merece o Premio Nobel na inexistente categoria "Erotismo Amplo, Geral e Irrestrito".





sábado, 26 de setembro de 2015

Meliante (webnovela quase longa) Esse conto é uma quase ficção, protegida por Copyright porque vai virar filme

Tomo I
Melhor do que um chefe só o próximo”. A placa de bronze na lápide de Meliante encerrava um ciclo, mas não extinguia uma raça. O elo perdido entre o réptil e o mamífero que Charles Darwin esqueceu de catalogar.
Meliante ganhou o apelido, que mais tarde virou nome registrado em cartório quando a partir dos 11 anos passou a delatar colegas no colégio em troca de notas maiores. Não satisfeito, era coroinha na instituição católica fundamentalista ligada a TFP, Tradição, Família e Propriedade, uma espécie de Ku Klux Klan tropical.

O maior desejo de Meliante era ganhar um troféu de Literatura, banhado em ouro, que repousava na mesa do padre diretor. Mas, admitia para si mesmo, não sabia escrever direito e a única maneira de conquistar aquele troféu seria, mais uma vez, acionar a sua patifaria endêmica.
                                   
Tomo II

Meliante era sonso. Não conhecia a palavra, mas o sentimento. Seu jogo duplo conciliava a função de gandula do time de futebol dos colegas, tarefa que exercia com mentirosa servidão, com a de delator.
Gostava tanto de delatar que seu primeiro orgasmo aconteceu enquanto contava para o diretor do colégio como havia flagrado um grupo de colegas bebendo o vinho da missa das sete atrás de um barracão de obra. Ele disse “estavam Fulano, Beltrano com um copo de geléia...Si...crano...com uma re...re...re...vista..” e veio a onda de orgasmo que só não foi maior do que a que ocorreu no dia em que conseguiu roubar do quadro de avisos a circular com os nomes dos alunos expulsos graças a sua delação.
Mas, faltava o troféu.
 Tomo III

Meliante nasceu num bairro de classe média baixa da periferia e aos oito anos viu um vizinho atirar num garrafeiro aos gritos de “toma, seu meliante safado! Toma!”. Foram três tiros na cabeça. Motivo: o garrafeiro cobrava uma dívida e teria dito “você pode ter deixado Tramóia das Trevas, mas Tramóia das Trevas não deixou você.” Tramóia das Trevas era uma cidade que, diz a lenda, existiu em Minas Gerais.
Todo mundo correu para acudir o garrafeiro, menos Meliante que voou para o dicionário. Meliante queria saber o que significava meliante. Descobriu, eufórico. Aos 10 anos constatou que era um meliante autêntico. Chantageou um primo forçando-o a chamá-lo de Meliante numa festa. O primo chamou, apanhou muito dos pais por isso, mas o apelido vingou.
Vida a fora.

Tomo III
Mas faltava o troféu. “Falta o troféu!”. “Falta o troféu!”. Os gritos de “falta o troféu!” despertaram Meliante no meio da noite. Estava suado. Acendeu a luz, o poster de Hitler continuava na parede. Um poster que ele obrigou, sob tortura, um colega a manipular no photoshop. Meliante aparecia ao lado do ditador, com a mesma farda, o mesmo gestual, a mesma patologia. Mas faltava o troféu.
No dia seguinte acordou disposto. Bem cedo, foi no pequeno canil adaptado perto da garagem do ônibus do colégio. Lá estava o chimpanzé de Padre Ângelo, melhor amigo de Meliante. O símio não confiava nele e todas as vezes que se aproximava da jaula o macaco sacudia a grade e gritava.

Chamava-se Anselmo em homenagem ao lendário cabo da Marinha, cuja “vida e obra” Meliante leu na enciclopédia.

Tomo IV
A biografia do cabo era projetada como um filme saudoso nos vasos e artérias de Meliante, mas justiçar era preciso. Naquela madrugada, a banana com mel e chumbinho silenciou o chimpanzé. Para sempre. Mais: Meliante, de luvas, entrou no canil adaptado e degolou o símio com uma faca Kabar. Mais: escalpelou levemente o mamífero. Mais: levou pedaços nos bolsos, cuidadosamente embrulhados em plástico industrial.
Voltou para casa, tomou banho e se tivesse barba teria feito. Vestiu o uniforme e rumou para o colégio. Total comoção. Polícia, legistas, veterinários. Meliante passou cristal japonês nos olhos e se atirou aos pés de Padre Ângelo balbuciando “quanta covardia...quanta covardia”. Sabia que padre Angelo seria o próximo diretor graças a sua íntima relação junto ao arcebispo e com militares da reserva e civis que torturaram muitos brasileiros durante a ditadura de Costa e Silva e Médici.  
Tomo V
Em vez de revistas com mulheres nuas, Meliante usava fotos de Costa e Silva, Médici e do facínora delegado Sergio Fleury para se masturbar. Achava que tinha nascido em época errada. Queria servir aquela ditadura que não existia mais. Por isso, tornara-se cúmplice de um uruguaio que dava aulas de História no colégio e que teria sido um agente da temida Operação Condor, outra paixão de Meliante que ficou 18 horas seguidas lendo sobre o assunto em sites indicados pelo Google. Ah, como ele queria participar daquele espetáculo sul-americano.
O colégio abrigou o uruguaio, codinome “Professor G”. Ele teria ajudado aqueles padres radicais a se livrarem de dois pais de alunos ligados a Dom Helder Câmara, odiado por seu hálito liberal e democrata.

Tomo VI
Enterro do chimpanzé. Todos foram sepultar o símio perto dali, num cemitério de cachorros. Como Meliante previra, padre Ângelo não quis ir. Como Meliante previra, padre Ângelo ficaria em sua clausura...bebendo “Fogo Paulista”. Era alcoólatra, mas só Meliante sabia. E como Meliante previra, não foi difícil seduzi-lo. Tomado pelo álcool, pela morte de Anselmo e provavelmente sem saber o que estava fazendo, Padre Ângelo caiu na cilada e sodomizou Meliante. Em seguida tombou na compacta cama de solteiro, cansado, bêbado. Meliante tinha posicionado sua câmera digital que gravou tudo.  
Tomo VII
No final do dia troféu era seu graças a uma trêmula carta-súplica de Padre Ângelo ao diretor; o mesmo padre Ângelo se enforcou no quarto, sem deixar bilhete. Só Meliante sabia o motivo que pairava muito além do jardim onde sepultaram o chimpanzé.
 Tomo VIII
No dia de seu 25º. aniversário, Meliante foi comemorar com uma família que alugara num classificado de jornal. A esposa (detestava que a chamassem de “sua mulher”) era um transexual de programa que ele mandou o síndico do seu prédio arregimentar nos classificados de jornais. Os dois filhos adolescentes, Meliante tirou ainda bebês de um desafeto, na base do que mais sabia fazer: chantagem.
A falta de talento o incomodava. Muito. Meliante era vaidoso e mantinha em casa, uma cobertura tríplex nos Jardins, São Paulo, uma gigantesca biblioteca. Mas, dos livros, só as capas. Não havia miolo. Para Meliante conteúdo era detalhe.
Na faculdade, mediante negociatas com colegas e professores do tipo “você cheira cocaína à vontade que eu não conto aos meus amigos delegados desde que...”. E o “desde que” eram provas feitas por terceiros, além de trabalhos, teses, defesas orais. Meliante exigia: “se fizerem serviço porco e eu tirar menos de nove, jogo no calabouço”. Sua vaidade foi aos píncaros quando foi homenageado no final do curso como aluno número um. Palco, luzes, microfones. O habitat natural de Meliante. Sua falsa família, claro, sentada na primeira fila.
Tomo IX
Rico? Sim, Meliante estava muito rico. Achacando, dedurando, coagindo trabalhando também para a alta cúpula do PT e, sobretudo, babando ovos dos poderosos ganhou seu primeiro bilhão de reais num mês de julho. Foi comemorar com dois falsos amigos num restaurante quase popular do centro de São Paulo. Lá, brindaram ao milhão.
Além das manobras escusas, Meliante obteve uma espécie de bolsa “cala boca” do colégio onde estudou. Graças a módicos e vitalícios um milhão de reais por mês não enviaria para os jornais o dossiê que montara, ao longo de anos, denunciando todas as falcatruas financeiras, pedofilia e até tráfico de drogas que a cúpula do colégio praticava. Dossiê com vídeos, fotos, provas.

Tomo X
Um dia, singrando a avenida Paulista em sua Corvette, a caminho de casa nos Jardins, Meliante suspirou e pensou “é, estou com o boi na sombra”. E estava. Apesar da falta de talento, se meteu em política, pagando 10 milhões ao PT que, como Hitler, ele venerava pela perversidade, imoralidade, inteligência em meter a mão em dinheiro público. Mas não se filiou ao PT para que suas traições ganhassem mais, digamos, dinâmica. Traindo aqui, ali, usando seus métodos tradicionais acabou se tornando destaque no partido, apesar de não ser filiado. O fundador chegou a encomendá-lo a morte de um juiz federal. Meliante estava fazendo o orçamento do serviço. 
 Tomo XI
Ao mesmo tempo vendia informações sigilosas do partido para outros, especialmente quando essas informações revelavam escândalos sexuais, financeiros e afins. Meliante adorava um escândalo. A cúpula do “seu” partido o endeusava. Meliante lambia botas, sapatos, sandálias, estava sempre a disposição para qualquer missão espúria, era o primeiro a chegar nas reuniões e sempre o último a sair. Seja em São Paulo, Minas, Rio ou Brasília.
Seu pai, comunista histórico, sabia o filho que tinha mas temia romper relações. Meliante fingia sentir saudade, o pai simulava o mesmo. Mas, numa noite de Ano Novo, Meliante, a esposa, os filhos, que decidiram passar juntos o Reveillon, o pai de Meliante se excedeu na bebida e começou a dizer algumas verdades. Meliante, sorriso sonso sempre a postos, cochichou no ouvido do pai: “Tudo, menos verdades, tá bom?”. Dois dias depois, o velho comunista jazia morto na piscina. Afogamento.
Tomo XII
Sua mãe? Um dogma para Meliante que só o pai conhecia. Ele foi parido na margem do rio Paraíba do Sul e jogado ali mesmo. Foi encontrado boiando por um grupo de escoteiros que foi ao Juizado que acabou localizando o pai. Da mãe não se tem notícias, até hoje.
Graças ao PT o patrimônio de Meliante bateu a cifra de 10 bilhões de reais quando ele fez 31 anos. Resultado de sua escroque movimentação de informações que envolvia até dois presidentes sul-americanos, que, sonso, tratava de “meus caros amigos”. E tudo ia muito bem. A vida de Meliante ia de vento em popa.
Um dia, ele pegou seu jatinho e decolou sem rumo. Ao piloto disse apenas “vá pro Nordeste, meu querido”. Mandou que descessem numa cidade do interior da Bahia. Meliante, sorriso sonso, mandou a tripulação aguardar. Pegou um táxi. “Meu querido, me leve a um parque de diversões”. O parque, mambembe, pobre, ficava a 10 minutos do pequeno aeroporto. Meliante pagou, “obrigado meu querido” comprou algodão doce e sentou na roda gigante. Quando sua cadeira atingiu o ápice, Meliante se jogou. Morte instantânea.
O médico-legista sentiu desejou atestar “morte por overdose de si mesmo”, mas não há respaldo científico. No velório, um mar de falsidades. Todos os amigos-vítimas passaram por lá, mas só acreditaram que Meliante estava realmente morto (podia ser mais uma rasteira) quando o corpo desceu e a esposa, herdeira trilhardária, fingindo choro, beijou a placa-lápide:
Melhor do que um chefe só o próximo”.
Discretamente sorriu.















sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Como um beduíno alucinado de calor

Como um beduíno debaixo de um sol que parecia um fogareiro Jacaré (vintage) aceso nos ombros, semanas atrás passei parte de uma tarde perambulando por repartições públicas num safari, caçando documentos. "Não é aqui, o senhor por favor vá até..." foi a informação que mais ouvi, perdido naquela macarronada de papel, com os bolsos da calça cheio de protocolos.

Em uma das filas, uma moça pacientemente esperava. Fila média. Nem longa, nem curta. Calor, muito calor. Para não perder mais tempo, perguntei "a senhora poderia me informar se é aqui que...". Ela sequer se moveu. Parecia o monolito do filme “2001, uma Odisseia no Espaço”, do genial e saudoso Stanley Kubrick.
Será que ela achou que era uma azaração barata? Insisti. Cutuquei o ombro, ela levou um susto. Foi quando percebi que estava com aquelas duas minicarrapetas enterradas nos ouvidos e ouvia música em seu smartphone. Ela se desculpou e tal, disse que eu estava na repartição errada e já na calçada lembrei que a música tem a capacidade de nos arrancar dos mais tediosos ambientes.
Lembrei também que já tentei usar um aparelhinho desses, mas não me entendi com aqueles fones minúsculos. Ia insistir, mas graças a anos de rock, blues e arredores, meu ouvido esquerdo está meio detonado. Minha médica disse para eu não usar essas carrapetas e evitar shows. Ok doutora, as carrapetas eu enterro, mas shows de jeito nenhum. Como viver sem ouvir um milhão de decibéis de boa música eventualmente?

Nada resolvi em meu rali pelas repartições, mas não perdi a paciência. Peguei um táxi. O motorista estava sintonizado no rádio de comunicação com a sede da cooperativa. Ao mesmo tempo mantinha o rádio do carro sintonizado em uma FM, falava no celular e mexia no GPS instalado sobre o painel.
No cinto de segurança notei que estava pousado um pen drive, aquela sensacional engenhoca que o usuário espeta no computador chupa os dados que deseja e vai embora.
Imaginei Machado de Assis no mundo de hoje. Você anda pelas ruas e o que mais vê são os fones nos ouvidos da multidão, ou celulares, ou aqueles radinhos de comunicação (extremamente irritantes para quem está por perto), enfim, não sei o que seria de Bentinho e Capitu nesses tempos pós-modernos.
Ainda no táxi lembrei de uma pesquisa feita há alguns anos por uma rede de TV norte-americana que queria saber qual é o país mais curioso em se tratando de novas tecnologias. O Brasil ficou em segundo lugar, perdendo apenas para a Austrália. É essa curiosidade que faz do Brasil um país criativo e movido a esperança, mesmo com a tela da TV marrom de lava jato e similares. Somos íntimos das novidades e não resistimos, sequer, quando alguém aparece num sinal de trânsito vendendo uma espécie de raquete de tênis que na verdade é um mata-mosquitos elétrico ou coisa parecida.
Quando um sociólogo (cujo nome saiu para comprar uma minitevê que é computador ao mesmo tempo) disse que somos um povo "novidadeiro", inventou a palavra certa. Há quanto tempo o gás natural surgiu no mercado? Pronto: todo mundo está aderindo. 100% dos táxis rodam com GNV. É impressionante a velocidade com que as "coisas modernas" são absorvidas por nós graças a nossa curiosidade e enorme fome de informações.
Já repararam como as bancas de jornal se transformaram em shoppings? Compra-se pouco jornais (a internet mamou o público que era do papel) mas muitos, DVDs, CDs, incenso, flores e, naturalmente, as boas novidades disponíveis como carro em miniatura, lanterna alimentada a dínamo, figurinhas. É por essas e por outras que o Brasil fascina o planeta.

Com relação aos tais documentos que originaram o meu safari e esse texto, saíram sim. Depois de 10 dias úteis, mais três filas, 37 flanelinhas e muito, mas muito calor.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Por que leitores e ouvintes não opinam?

A pergunta foi de um colega meu das antigas que decidiu encerrar o seu blog porque os leitores não davam opinião sobre os temas por ele abordados. Perguntei se estava com uma boa quantidade de acessos, ele disse que sim, mas que sua “out estima” quase crônica não permitia resistir a “rejeição dos leitores”. Algo como se Anais Nin negasse em cartório que o seu tesão maior era casar com Henry Miller.

Expliquei que por motivos completamente alheios ao meu entendimento e conhecimento, os leitores/ouvintes/telespectadores brasileiros não tem como hábito escrever suas opiniões, comentários, reações (positivas ou não) ao que leem, ouvem, assistem, ao contrário dos europeus, americanos do norte e os japoneses, esses considerados os maiores missivistas para jornais em todos os tempos.

Não adiantou. O cara entrou no metrô e partiu me deixando na estação divagando. Caramba, em todas as redações de todas as mídias que trabalhei (e trabalho) o índice de opiniões dos leitores é quase zero. Foi assim na Radio Tupi (o telefone disparava quando havia sorteios e outras ações promocionais), na Rádio JB (o melhor radiojornalismo do país) raramente pingava uma carta com opiniões, observações. Na Radio Fluminense FM também. Só a rádio quando acabou é que as cartas apareceram.

Por que? Não sei.

Parece que não é da nossa cultura opinar publicamente. Antes achava que era o trabalhoso (sacal mesmo) ritual de escrever a carta, por no envelope, caminhar até os Correios….Mas hoje? Com e-mail, whatsapp e o escambau? O que explica a ausência de manifestações de leitores/ouvintes etc? Em meus programas de rádio resolvi ontem encher de chamadas do tipo “a sua opinião é fundamental. Aqui mesmo no site vá no campo “Contato” e diga o que está achando do programa...” Vou esperar para ver o que vai dar. Em tempo, os programas são “Cafofo do LAM” (domingos, 23 horas) e Expresso da Madrugada (todos os dias de meia noite as seis) na Rádio Cult FM Ponto Com que reside em www.radiocultfm.com.

Por volta de 1975 o Jornal do Brasil publicou um texto demolidor de Clarice Lispector. Eu já era fã da obra e passei a condição de tarado por ela depois que a vi numa pequena solenidade na Academia Brasileira de Letras. Lógico que o meu tesão era totalmente intelectual e o pavio acendeu quando acabei de ler “Felicidade Clandestina”. Bom, depois da solenidade da ABL fiquei desnorteado diante da possibilidade real de estar apaixonado por aquele impressionante mulher.

O que fiz? Como trabalhava na Rádio JB que funcionava no mesmo prédio (hoje posso confessar) fui lá no agendão da redação, peguei o endereço dela e mandei uma carta cínica, cabotina e quase moleque. Comecei falando do livro que me acachapou e depois citei o que chamei, lembro bem, de “visão, avistamento, aquela luz inexplicável que me deixou cego nos salões dourados da ABL, você mesma, Lispector”. A coisa ia bem até eu confessar meu tesão etc etc etc. Mesmo assim, ela respondeu a carta com uma outra, um seco coice no abdome: “obrigado pela leitura”. Mas pelo menos respondeu!
Se fosse hoje: 1 – provavelmente eu não escreveria nada; 2 – se escrevesse ela não responderia. Por que? Porque vivemos um tempo sem tempo. É errado mas digo, um tempo sem “tempos”.

Acho que por falta de tempo aliada a preguiça, leitores, internautas, ouvintes não se manifestam. Vejo aqui mesmo nessa Coluna, que já caminha para os 220 mil acessos. Se forem 10 e-mails por mês já é demais. O que fazer?


Não sei.

Série "A Trilha do Rock no Brasil" - em fase de pós produção - a história definitiva

                                      
                                                                               
Darcy Bürger
Rodrigo Sampaio, Paulo Miklos, Fernanda Flores e Isabela Saboia
Danielle Immendorff
Robertinho do Recife, Ney Matogrosso, Renato Barros (Renato & Seus Blue Caps) e Zeca Balero
    Cauby Peixoto

    Lobão
    Paulo Ricardo 
    Ronnie Von
Wanderléa
Está em fase de pós-produção a série “A Trilha do Rock no Brasil”, da B2 Filmes que será exibida pelo Canal Brasil. São 13 episódios com direção de Darcy Bürger. O roteiro e argumento são meus e a série conta a história do rock brasileiro de 1955 até hoje. Quase 100 entrevistados no Rio, São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte e é impressionante a empolgação das pessoas envolvidas, direta e indiretamente com o projeto.

Os entrevistados (músicos, cantores, jornalistas, produtores, pesquisadores, escritores etc) se mostraram muito dispostos a falar da situação da música, da cultura no Brasil, das crises e, logicamente, do nosso rock o que, obviamente, enriqueceu muito a série.

Uma história que começou em 1955 quando a cantora de samba canção Nora Ney gravou “Rock Around The Clock” e, um ano e pouco depois, Cauby Peixoto gravou o primeiro rock em português, composto por Miguel Gustavo, e que se chamou “Rock and Roll em Copacabana”.

Muita história, muita emoção e a certeza de que a série está sendo feita com muito profissionalismo, determinação e, é logico, rock and roll.

É lógico que quando for ao ar avisarei a todo mundo.

Equipe B2 Filmes:

Direção: Darcy Bürger

Argumento/Roteiro: Luiz Antonio Mello

Assistente de Direção: Isabela Saboia

Produção: Danielle Immendorff

Assistente de produção: Fernanda Flores

Direção de Fotografia: Rodrigo Sampaio

Operador de Câmera: Rudá Capriles 

Assistente de câmera: Ricardo Canário

Som Direto: Guilherme Lage

Still: Juliana Torres


domingo, 20 de setembro de 2015

Arrastões da primavera e o cagaço popular



Hoje, foto O Globo
Copacabana, hoje. Foto O Globo.
  Arpoador, ano passado
O verão sequer chegou, mas a barbárie já tomou conta. Hordas de marginais assaltam banhistas nas principais praias do Rio e a polícia pouco ou nada faz. E quando faz a Justiça diz que não pode. O cara anda com uma barra de ferro na mão direita, estilete na esquerda, vai invadir um ônibus mas...a PM não pode prender porque não rolou flagrante.
Fato é que, dia após dia, a máscara marqueteira das UPPs está caindo. A cidade paraíso que o (des) governador construiu está voltando a seu “jeitinho” carioca de ser.
Multidões de viciados em crack infestam a avenida Brasil, homicídios aumentam, a bandalha social é generalizada e até os famigerados criminosos profissionais mascarados (tratados carinhosamente pela imprensa como black blocs) no passado recente disseram a que vieram: tumultuar em prol de facções políticas profissionais que pagam seus salários. Isso sem falar de um outro “patrão”, o PCC paulista.
O que chama a atenção nesses arrastões é o cagaço da população. Basta vir um grupelho de cinco e até seis crianças (sim, as crianças estão no bolo) pela areia da praia e todo muno sai correndo. Na sexta-feira passada algumas mulheres reagiram, usando paus de barraca como armas. Deu certo. Por que pararam? E os homens? Se borrando, corriam gritando “socorro, polícia!”
Imaginem no verão quando entram em cena os marqueteiros do carnaval que ganham rios de dinheiro com seus blocos de alegria duvidosa e bêbada, mas de cofres forrados com a dinheirama espalhada pelas cervejarias.

A cidade maravilhosa está caindo em si, depois de uma lua de mel que durou mais de alguns anos. E agora?

sábado, 19 de setembro de 2015

A conexão Varginha, ou, é difícil ouvir boa música mas ela existe

Comprei por oito reais um par de protetores de ouvido Nexcare, da 3M. Só que foi antes de Dilma II, por isso deve estar custando 50 paus. Está disponível em farmácias e são muito úteis nesses tempos de música leviana, vadia, meliante e salafrária, além, é claro, de nos livrarem dos primatas que utilizam indevidamente, por exemplo, celulares que cacarejam no transporte público. Recomendo. São ótimos, minúsculos, imperceptíveis, confortáveis.
É lógico que respeito o direito das pessoas comprarem estrume sonoro, por isso prefiro não atirar pedras e sim buscar opções.
Historiadores dizem que desde que “inventaram” a música popular, as mais cultuadas pelos povos são de péssimo gosto. Aqui no Brasil, não há uma fase, um período de exceção. Primeiros lugares sempre foram ocupados por barangas, mas fazer o que? Nada? O que é isso? Podemos buscar socorro no chamado mercado alternativo que está sempre cheio de coisas valiosas.
Para se ouvir boa música no rádio, antes da invenção do streaming da internet, era uma luta. Hoje, você acessa www.radios.com.br e escolhe uma entre milhares que são oferecidas no maior cardápio de opções radiofônicas do mundo.
Radios.com.br é sensacional e fica na cidade de Varginha (MG), terra dos E.T.s. Tem radio de bossa nova, rock, blues, jazz, samba, chorinho, notícias, efeitos especiais, tudo da melhor qualidade. É só dar um clique. Tem de tudo, até transmissão ao vivo de sessões de chibatadas em países que usam o chicote como punição legal. Se fosse bno Brasil ia: 1 – faltar chicote; 2 – faltar carrasco.
Destaque também para a Rádio Cult FM Ponto Com – Rock & Blues – estacionada em www.radiocultfm.com onde tenho dois programas: Cafofo do LAM, domingos as 23 horas e Expresso da Madrugada, de domingo a domingo, da meia noite as seis da manhã. Confira a programação normal agora, entre no site, conheça os programas, a equipe, deixe um comentário/pedido de música em CONTATO e divulgue a Cult FM.
As cidades estão cheias de shows em circuitos alternativos que revelam ótimos artistas.Em outras palavras, da mesma forma que a música ruim, chula, de baixa qualidade impera no chamado esquemão, a música boa, limpa, gostosa, de todos os gêneros e estilos sempre arrebentou e vai continuar arrebentando nos circuitos e mídias periféricas.
É só correr atrás.



quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Quando a atividade física se mostra vital. Nem sempre a unanimidade é burra


Nelson Rodrigues rotulou que “toda unanimidade é burra”. Não é. Médicos, psicólogos, nutricionistas, dentistas, enfim, todo mundo (literalmente) afirma que praticar uma atividade física é mais do que fundamental. Talvez por isso, ruas, calçadas e academias estejam lotadas de gente buscando mais saúde, mais qualidade de vida.

A Aquavitae e o Fitcenter, em Niterói, estão entre as melhores do país em medicina desportiva. Na Aquavitae, os experientes profissionais (conheço há mais de 20 anos) Fábio Modesto e Ana Cristina Mattos coordenam uma equipe que vê a ginástica (e suas variações) como um ponto de convergência de benefícios para a saúde. Uma filosofia que há duas décadas é aplicada no Fitcenter dos médicos José Antonio e Suely Caldas. Também sou muito grato a eles.

Pessoas de todas as idades que frequentam a Aquavitae e o Fitcenter, conhecem a seriedade do trabalho que se estende, também, aos idosos. Fábio, Ana e equipe fazem um brilhante trabalho de prevenção e combate a Alzheimer (15 milhões de pessoas no Brasil tem a doença), demência, Parkinson, ansiedade, depressão, funcionando como uma importante linha auxiliar de grandes médicos que aprovam e recomendam o protocolo utilizado pela Aquavitae e o Fitcenter.

É preciso estar atento porque essa onda atraiu também muitos oportunistas, mega academias que abrigam centenas de alunos largados a própria sorte em esteiras e bicicletas ergométricas sem qualquer acompanhamento de profissionais. Eu mesmo fui uma única vez a um moedor de carne desses onde o cidadão sequer sabia aferir pressão arterial e sumiu naquele enxame de aparelhos coloridos, música alta insuportável, enfim, tudo à bangu. Ele sumiu por um lado e eu pelo outro para nunca mais voltar.

Fazer (bem!) uma atividade física é meio caminho andado para a solução de vários problemas, mas em lugares onde o assuno é tratado com profissionalismo e ética é natural que as soluções estejam mais próximas. Num mundo cada vez mais compartimentado, informações soltas no ar (boataria, rumores, lendas, picaretas que tratam alunos como gado) é crucial encontrarmos portos seguros como a Aquavitae e o Fitcenter.

Sou muito grato a eles. Sempre!

Serviço – Aquavitae – av. Sete de Setembro 22, quase esquina com Gavião Peixoto - Icaraí. Telefone 2705-7941

Fitcenter - rua Pres. João Pessoa, 248 – Icaraí. Telefone 2610-2439




terça-feira, 15 de setembro de 2015

O que pode salvar o Brasil?

Fundo do poço? Não, o mergulho ainda não terminou. Destruíram o país? Sim, destruíram. O Brasil faliu economicamente, financeiramente, eticamente, moralmente, boçalmente. Quem foi? Todo mundo sabe quem foi. Já havia acontecido isso antes? Nada parecido. Nada. Desde 1808, ano em que D. João Sexto baixou por aqui fugindo de Napoleão, a roubalheira avança, avança, avança e a partir do mensalão até hoje atingiu uma escala absurda, cavalar, inominável, imensurável. Quem pode salvar o Brasil? Não é quem. É o que? Leia:

- Todos os protagonistas dessa história de nojo, bandalheira e lágrimas, foram eleitos pelo povo via voto direto. Da presidência ao congresso, via prefeituras e vereadores da esquina. Sem golpe de estado, sem revolução. Todos no voto: Collor, Renan, Cunha e toda aquela camarilha.

O que pode salvar o Brasil?

- golpe militar está descartado por razões óbvias. Marionetes de civis espertos, os militares não querem assumir de novo o papel de palhaços perversos.

- golpe civil menos ainda. Um golpe civil só é possível com apoio militar.

- parlamentarismo? Só rindo. Só gargalhando. O parlamento brasileiro hoje é a pior cloaca da história. E o parlamentarismo só se faz com o parlamento, é lógico.

- volta da monarquia? Só rindo (2). Roubaram menos? Roubaram menos, sim. Mas roubaram pra cacete.

- derrubar Dilma? Quem? Temer? Cunha? Renan?

- renúncia de Dilma? De jeito nenhum. Dilma não renuncia de forma alguma. Ela se acha no céu e Deus na Terra, acima de todas as coisas. Se cair leva o que restou do país junto, com o maior prazer.

- a crise pelo menos moralizou minimamente alguma coisa? Nada. O senado comprou há dias dezenas de carros zero KM para seus sultões, o Planalto comprou prataria nova para o Alvorada...é muita lambança.

- revolução popular? Não. 1 – somos cagões por natureza; 2 – como já foi dito, foi o povo quem elegeu tudo o que está aí.

Sendo assim, o que pode salvar o Brasil?


Ninguém sabe, ninguém viu.

domingo, 13 de setembro de 2015

Jimi Hendrix, 45 anos depois






























                                                       Fotos postadas no Facebook
                                                       pelo amigo Paulo Renato Rocha.
                                                       Jimi Hendrix em Fehman,
                                                       Alemanha, 12 dias antes de morrer.
Sexta-feira, dia 18, o mundo (ou parte dele) vai lembrar dos 45 anos da morte de Jimi Hendrix, o maior e mais genial guitarrista de todos os tempos. Curiosamente, no mesmo dia, o maior festival de música do Brasil, o Rock in Rio, vai começar e não fará qualquer homenagem ou menção a Hendrix. Há quem me garanta que o staff do festival não sabe de quem se trata, o que faz sentido.

Na sexta-feira da meia noite até sábado seis da manhã vou tocar Hendrix direto em meu programa “Expresso da Madrugada” na Rádio Cult FM (www.radiocultfm.com) e enquanto selecionava as músicas senti e pensei muito. Não contarei a história da vida dele, que faria 73 anos em 27 de novembro, mas tocarei a sua música, seus discos, sua guitarra, sua voz falam sozinhas.

Hendrix não gostava de polêmicas e irritava os politicóides quando dizia que não acreditava em esquerda e direita e sim em homens do bem. Também chutava os racistas que cobravam dele uma atitude “em prol da negritude”. Ele afirmava que “não acredito em negros, brancos e pardos, acredito em gente que presta”. Em 1968 andando na rua em Nova Iorque foi abordado por um militante do grupo radical “Panteras Negras” que distribuía um jornalzinho.

Jimi pegou jornal e seguiu em frente. O cara foi atrás, pediu um tempo e disse que os Panteras estavam precisando de dinheiro e queria muito que Hendrix fizesse um show para arrecadar fundos. Jimi disse “faço sim, desde que na divulgação não apareça nada dizendo que o show será para os Panteras Negras. Não quero me associar a nada, absolutamente nada, que não seja a música. E assim foi feito. O show rolou, mas no material de divulgação nada foi dito.

De vez em quando ouço umas imbecilidades do gênero “ele vivia tocando com a guitarra desafinada”. Sim, mas tinha o talento de afinar tocando, ou essas emas não ouviram a célebre versão de “Hey Joe” que abre o concerto do Miami Pop Festival (1968, saiu em CD ano passado), quando ele afina a guitarra com os amplificadores Marshall no volume máximo, fazendo o que muitos julgam impossível?


Esse texto é só um convite: ouçam o EXPRESSO DA MADRUGADA – Especial Jimi Hendrix, sexta a meia noite. Ouçam o cara em várias versões e até em momentos raros. Vocês vão entender o verdadeiro significado da palavra gênio.