sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Luiz Carlos Lacerda, o Bigode, 50 anos de Cinema. Exposição na Sala de Cultura Leila Diniz e Mostra especial no Cine Arte UFF e Cinemateca do MAM

Luiz Carlos Lacerda, o querido Bigode, é um dos mais importantes cineastas do planeta e está celebrando 50 anos de Cinema em áriuos eventos pelo país. Niterói faz arte.
 A Sala de Cultura Leila Diniz, em parceria com a Universidade Federal Fluminense (UFF) abre espaço para a exposição "Luiz Carlos Lacerda, 50 anos de cinema". O evento oficial de abertura da exposição acontecerá no dia 3 de novembro, às 18h, e entre os dias 3 e 12 de novembro, materiais como negativos de imagem e som, cartazes, fotos de cena e filmagens, críticas da imprensa, além de itens pessoais como poemas, desenhos e fotografias de família, poderão ser vistos no espaço cultural niteroiense.
    Ao longo de cinco décadas, Bigode construiu sua carreira com o Rio de Janeiro como cenário. Começou a trabalhar aos 19 anos com Rui Santos, no filme "Onde a Terra começa". Também esteve ao lado de novos como Nelson Pereira dos Santos e Cacá Diegues, até começar a filmar sozinho. Um de seus trabalhos mais memoráveis é "Leila Diniz",  de 1987 - uma homenagem a uma das maiores estrelas do cinema brasileiro e que foi dirigida pelo amigo Bigode no filme "Mãos Vazias". 
    "Não por acaso, é uma coincidência das mais felizes. Quando pensamos na mostra de filmes organizada pelo Centro de Artes da UFF, imediatamente pensamos na Sala de Cultura Leila Diniz para abrigar uma exposição que, ao mesmo tempo em que celebra o trabalho e a vida de um cineasta brasileiro, o faz também, diretamente, através de uma de suas principais musas", conta João Luiz Vieira, professor de cinema da UFF e coordenador da exposição. 
    Ele destaca o que não pode deixar de ser visto na mostra, como fotos dos bastidores e os materiais pessoais como desenhos da juventude, que, para ele, já demonstram um apuro visual do diretor. "As fotos que mostram filmagens são sempre reveladoras do que está por trás das câmeras e do modo de produção e feitura dos filmes. Um lado informativo que sempre desmonta um certo glamour que muita gente associa ao cinema. As dificuldades que envolvem a realização de um filme ficam transparentes quando vemos parte desse material. E isso valoriza ainda mais o trabalho final. Além disso, também considero bastante importante conhecermos mais sobre a vida de realizadores, suas motivações, suas influências. E perceber um artista em formação quando nos deparamos com belíssimos desenhos de juventude (e mesmo da época de criança) que já indicam um apuro visual, um cuidado com a composição do filme, seus enquadramentos. Também me impressionou muito, ao tomar um contato maior com todos esses materiais, a veia literária e poética do Bigode que parece, desde criança, se expressar em termos de imagens, mesmo através da palavra escrita. Há uma redação da época do curso primário onde isso fica bastante evidente. Esse original estará lá na exposição", conta o curador. 


Complementando a exposição, acontecerá no Centro de Artes da UFF, entre os 20 a 25 de novembro, a mostra de filmes de Luiz Carlos Lacerda. Em seguida, exposição e mostra de filmes irão para o Museu de Arte Moderna (MAM). 


    "O ideal mesmo será ver a exposição e depois acompanhar os filmes no Cine Arte UFF. Acredito que muita coisa fará mais sentido nessa dupla viagem aos filmes e à exposição, um caminho de mão dupla", convida João Luiz Vieira.  

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Esclarecimento sobre “Porque detesto disco de vinil...”

Colecionar ventiladores alivia a bacurinha
Anteontem publiquei aqui o artigo “Porque detesto disco de vinil, aquele porco redondoexplicando o que me fez romper com esse tipo de mídia. Várias pessoas se manifestaram, a maioria equivocadamente.

Para começar publicaram mensagens anônimas ali nos Comentários o que me impediu de publicá-las. Muitos fizeram comparações entre a qualidade do som dos discos de vinil em relação ao CD tema que não foi incluído em meu artigo, que vocês podem reler em http://colunadolam.blogspot.com.br/2015/10/porque-detesto-disco-de-vinil-aquele.html

As questões que levantei são referentes a arranhões, estalos, complicações operacionais em emissoras de rádio mas em momento algum comparei o som das chamadas bolachas com o do CD. Mesmo porque acho que quando os primeiros compac discs saíram em formato AAD e ADD havia, sim, uma enorme diferença de som, principalmente a ausência de graves. Mas quando começaram a lançar em DDD tudo ficou igual.

Por isso grandes produtores só permitem que obras originalmente lançadas em vinil sejam transformadas em CD através de um processo de remixem (digital) extremamente bem feito. Quando a gravadora Atlantic lançou os primeiros CDs do Led Zeppelin, Jimmy Page ficou furioso, foi lá e embargou tudo. Os CDs foram recolhidos e ele mesmo, Page, fez uma nova edição específica que foi (e ainda é) um sucesso.

Quando escrevi que aprecio os colecionadores de vinil e fiz comparações com quem gosta de comprar leques e por na parede não estava debochando. Tenho uma amiga que adora, sua casa tem leques chineses, vietnamitas, paraguaios espalhados pela casa e eu achava o maior barato. Inclusive numa noite, sem que ela visse, retirei um (afegão), abri e cocei as costas. Adorei.

Coleção de carros? Adoraria ter uma. Se fosse um trilhardário teria uma casa em Santa Mônica, Califórnia, maior terrenão gramado e ao fundo um mega galpão. De manhã ia tomar café lá fora e mandava tirar da garagem, quem sabe, um Porsche 911 1970, um Mustang 1965, vários Volvos, três ou quatro Karmann Ghia, Ferraris, Land Rovers só para ficar contemplando. No dia seguinte, uma nova leva já que, neste caso, eu teria uns 300 carros. Por que? Porque adoro carros.

Guitarras e contrabaixos? Dezenas. Minha coleção ficaria numa parede imensa, num lugar com equipamentos de museu para preservar as Gibson, Fender, Rickenbacker, Daneletro etc, num salão próximo a coleção de galos de briga, canários belga e roller, peixes Betta (de luta) e, lógico, cachorros. Sim, a casa seria a maior de Santa Monica.

Basicamente minha opinião continua a mesa: disco de vinil é uma bosta. Mas peço que leiam minhas razões no artigo anterior. Sim, adoro o CD e, como Neil Young, execro o MP3, que achata o som, capa graves, agudos, médios, capa tudo. Espero que o player Ponomusic desenvolvido por Young seja popularizado e espero mais ainda que as webradios dêem um jeito de substituir o MP3 por algo semelhante ao Wave que, todo mundo sabe, por ser 50000000000% melhor oupa 50000000000000000000% mais espaço.

É isso aí.








terça-feira, 27 de outubro de 2015

Porque detesto disco de vinil, aquele porco redondo

Em novembro vai rolar a 15a. Feira de Discos de Vinil do Rio de Janeiro. Dizem os apaixonados que é a maior e melhor do gênero. Recebi o convite de uma amiga logo de manhã e educadamente respondi dizendo que não vou. Ponto.

Respeito muitíssimo os apaixonados pelo vinil e também os que cultuam leques na parede, coleção de corujas de porcelana, carros antigos, revistinhas de sacanagem, enfim, não me meto na vida de ninguém. No entanto, confesso aqui o hediondo e absoluto horror que nutro pelo vinil desde que comecei a ouvir música. Tanto que quando saiu o CD (para mim a melhor de todas as mídias), dois anos depois doei todos os meus dois mil e varada LPs para uma instituição de caridade. Me livrei de um fardo que me perseguia. Os poucos que sobraram derreti e transformei em cinzeiro, que dei de presente aos amigos.

Como princesa Isabel, o CD me libertou da senzala. Senzala que me obrigava a ouvir música ao som de “clac, clac, clac” ou faixas que agarravam ou pulavam, agulhas que acabavam no meio da madrugada me deixando na mão, mofo, fedor. Os importados, mais pesados, eram menos problemáticos, mas muitos nacionais pareciam tampa de privada. Lembro de um disco do Nektar que simplesmente veio sem os graves. O primeiro lote chegou a ser recolhido porque deu um problema no azimute (toc, toc, toc na madeira) e a tal leva saiu bichada.

Quando comecei a trabalhar em rádio aos 16 anos de idade vi que não estava só. Os operadores de áudio odiavam o vinil porque ele “derrubava” os profissionais no ar. Faixas agarravam, ou o braço do toca discos sem mais nem menos saia voando sobre o disco causando aquele “vruuuuummm”, músicas pulavam, problemas que, em geral, causavam punições aos operadores.

Um dos programas mais importantes e sisudos da história do rádio foi o de música clássica na radio Jornal do Brasil FM. Só musicais de altíssimo nível, utilizando vinis importados tratados a pão de ló. Numa noite, um desses discos estava com uma pequena falha de fabricação e no final de um movimento agarrou. Já vivíamos a era do locutor-operador e ele tinha ido ao banheiro. O vinil fez o estrago, ficou mais de cinco minutos repetindo o mesmo trecho e, dias depois, o locutor recebeu a primeira advertência profissional de sua carreira.

Na Rádio Fluminense FM um disco durava, no máximo, 100 execuções. Depois a introdução das músicas saia com chiado porque para colocar no ponto as locutoras-operadoras tinham que rodar com a mão o início, para frente e para trás. Caos. Sem saída, inventei a expressão “reprodução a prego” para justificar o injustificável. Mais: vi locutoras colocarem moedinhas no braço do toca discos, sobrar a agulha, enfim, faziam feitiçarias para que aquela bosta tocasse direito.



E foi assim, derrubando profissionais, enchendo o meu saco que o vinil, aquele porco redondo saiu de cena (viva!) lá por 1985, dando lugar ao CD, isso sim uma mídia decente na minha modesta opinião. Desejo a todos uma ótima feira, desejo que curtam, cultuem, enfim, desejo tudo menos que me convidem.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Cabeça na parede

Perambulando na internet li alguma coisa sobre o Muro das Lamentações, em Jerusalém. Conheço algumas pessoas que foram lá e ficaram levemente horrorizadas vendo gente ululando e batendo com a cabeça no Muro. Não conheço a fundo a história do Muro, mas sei que é sagrado. E respeito tudo o que é sagrado porque sou cristão e mantenho com o desconhecido a mesma relação que mantenho com o mar: temor reverencial. Não me meto com o desconhecido porque não quero que ele se meta comigo.
Um frequentador de meu extinto fotolog estava se lamuriando com a falta disso, falta daquilo, que esse é o país do descaso, enfim, usou de suas prerrogativas tecnológicas para encher e chutar o saco da pequena multidão que frequentava o fotolog, que por sinal não era meu. Fiz para a banda The Who e a seu criador Pete Townshend até hoje na ativa, cuspindo fogo pelo mundo com sua adolescente energia dos 70 anos e a seus fãs, a quem chamava de whozers.
A lamúria mata. Mata vaca, galinha, peixe-boi, mata piranha. Aliás, sugiro ao Ibama que a piranha seja promovida logo a condição de mamífero. Basta de hipocrisia. Bem, a lamentação compulsiva mata até o próprio pelo pubiano humano que trepa no chororô como cavalo de batalha e sai pela humanidade como um forno de microondas torrando a paciência alheia.
Independente da sua conotação histórica, o Muro das Lamentações é de extrema utilidade pública/emocional/existencial. Se o cara encosta, bate com a cabeça, soca, chuta, se roça nas pedras, fica todo escalavrado e depois taca álcool no corpo está no lugar certo. O que não suporto é lamentação crônica numa padaria, num ônibus, numa van, infernizando o nosso complexo auditivo.
É por essas e por outras que defendo a criação de réplicas reduzidas do Muro para serem espalhadas pelas cidades. Pequenos lugares onde o cidadão pare e descarregue toda a sua mágoa, o seu beicinho, o seu suposto fracasso existencial, cornofobia, enfim, descabele o palhaço. Essas réplicas poderiam ser acolchoadas para o usuário bater com a cabeça, com a glande, dar chicotadas no próprio lombo, um vale tudo em prol da saúde pública.
O que não pode é encher o saco alheio impunemente.
Imagino o cara saindo de casa dizendo “benzinho, vou até ali no Muro dar uma autoflagelada rápida e já”, em vez de tostar, grelhar o seu entorno que somos nós. Ah, sim, os Muros públicos deveriam ter revestimento acústico para o usuário poder uivar, mugir, rugir, gralhar, gritar nomes livremente. Como palpiteiro, penso que iria fazer bem não somente a nós como ao próprio chafurdador de derrotas. Li num manual de carro que esbofetear metaforicamente melhora a pressão arterial, a pele fica mais lisa, enfim, como diria Lulu Santos, “tudo azul/todo mundo nu”.



domingo, 25 de outubro de 2015

Não esquecerei de Neil Armstrong, que ao pisar na lua descobriu a solidão abissal que o Homem não conhecia

A lua jamais deixará de ser a musa encantada dos poetas, mesmo depois que Neil Armstrong desceu do módulo lunar da missão Apolo 11 em 20 de julho de 1969 e pisou o solo lunar com sua bota prateada. 1969 foi um ano de muitas mudanças, entre elas o maior protesto contra a guerra do Vietnã reunindo meio milhão de pessoas em Woodstock, no mês seguinte. Esse ano foi tão significativo que, inspirado nele, Paul Auster escreveu o magistral “Palácio da Lua”, livro que devorei em dias noites.
Sempre fui um apaixonado pelo céu e os astrólogos dizem ser uma característica de meu signo. Lembro bem do dia em que o homem pisou na lua. Morava em Icarai (Niterói), onde o nosso bando tinha o hábito de jogar taco (uma espécie de baseball tupiniquim) no meio da rua. Atento a propaganda sobre a hora em que Armstrong pisaria na lua, fui cedo para casa para assistir pela TV.
Não lembro se foi uma transmissão ao vivo, mas sei que a narração era de Hilton Gomes, um célebre locutor. A imagem em preto e branco cheia de imperfeições me hipnotizou e quase não ouvi o pipocar dos fogos que algumas pessoas soltaram celebrando aquele momento. Um momento crucial na história de todos nós que algumas pessoas insistem em dizer que foi uma fraude, que o homem pisando na lua teria sido uma gravação simulada em estúdios. Que bobagem.
Algumas pessoas diziam que o fato do homem pisar na lua anularia seu poder poético. Não acho. A lua continua comovendo, mesmo depois de Neil Armstrong pisou na sua pele e revelou que o homem não conhecia a versão maior da solidão. Ele disse depois que “a solidão na lua é abissal...indescritível..absolutamente angustiante”.
E se a humanidade evoluiu, pelo menos cientificamente, devemos muito a desbravadores heroicos como Armstrong. Aliás, sugiro a todos que peguem nas locadoras o filme “Os Eleitos”, de Philip Kaufman que conta a história da corrida espacial de um jeito completamente diferente. O filme é baseado no livro de Tom Wolfe.
Neil Armstrong morreu em agosto de 2012 triste com o corte de verbas para o programa espacial e até se reuniu com Barack Obama para tratar do assunto. Obama explicou que é uma questão temporária mas, ainda assim, Armstrong não engoliu. Discreto, nunca transformou a sua grande viagem numa egotrip pessoal e, só eventualmente, dava uma ou outra palestra. Por tudo que representa e simboliza, por tudo que fez, Neil Armstrong, um ícone dos anos 60, deixa sempre muita saudade.
E já que existe lua, vai-se para a rua. (Gilberto Gil).




sábado, 24 de outubro de 2015

Quando um doidão é chato pra cacete

Soube de manhã na padaria que Gangorra estava internado num hospital em Saracuruna (Baixada Fluminense) todo escalavrado. Levou uma surra numa roda de samba porque o agressor não se comoveu com o argumento de que Gangorra estava doidão quando passou a mão na bunda da garota dele.

O cara que me contou a história disse que Gangorra gemia feito ema, chorava, balbuciava que estava bêbado, que não sabia o que estava fazendo, mas não teve clemência. Como Carlos, o Chacal, o macho da garota molestada meteu-lhe a porrada por mais de 20 minutos e como manda o protocolo da boemia ninguém se meteu. Desacordado, Gangorra foi jogado numa caçamba de lixo onde uns mendigos viram e avisaram a polícia.

Conheço o Gangorra há muitos anos. Ganhou esse apelido porque, chato pra cacete, quando sentava todo mundo levantava. Começava a beber de manhã cedo num botequim que hoje é padaria na rua Moreira Cesar esquina com Miguel de Frias. Só parava de entornar quando, chato, cricri, pentelho, começava a falar bobagens e apanhava. Apanhava de todo mundo: médicos, dentistas, pedreiros, oficiais de justiça. Além de chato era inconveniente porque, calcado no álibi do álcool, molestava mulheres alheias e por isso vivia cheio de curativos pelo corpo.

Sumiu de Niterói em meados dos anos 80 quando, na fila da barca, doidão de éter (ele acabou se viciando nisso também), bolinou os mamilos de uma mulher cujo marido estava comprando a passagem. Gangorra não viu o cara se aproximar, levou um soco no queixo e desabou no asfalto. O marido puxou uma arma (diz o falatório local, uma Colt 9 milímetros cromada) e na frente de todo mundo sentenciou sem gritar: “se você não sumir eu te mato”. Gangorra sumiu.

Dei a má sorte de encontrá-lo no ônibus no dia da partida. Linha Santa-Rosa Vila Isabel, mais conhecido como Vila Isabel-Santa Rosa. De manhã cedo. Eu ia para o trabalho e Gangorra para a rodoviária Novo Rio. Sentou ao meu lado e quase levantei. Além de chato pra cacete, bafo de cana misturado com éter e esmalte de unha, começou a falar o de sempre: desonrou uma meia dúzias de pessoas do bem, falou mal de outras 30 pessoas e alegando estar doidão me pediu dinheiro. Confesso que fiz um acordo sórdido. Disse que daria o equivalente a 20 reais para que ele mudasse de lugar e, textualmente (ouvido de doidão é privada mesmo) expliquei que “a sua presença me faz mal, toma esse dinheiro e vá sentar pra put......”. E nunca mais o vi, mas na época disseram que ele foi morar nas imediações de Bicas (MG).

Desde sempre tive e tenho amigos conhecidos como “doidões”, mas todos sem exceção são “profissionais”. Ficam na deles, na boa, na paz. Gangorra representa uma exceção, mesmo porque nunca foi meu amigo e nem amigo de ninguém. Sua vida é um enigma, mas sabe-se que é um incurável cornofóbico e que a sua entrega ao álcool e a simular taras para provar que é macho foi consequência de uma corneada que levou no colégio. A namorada, primeiro amor da vida dele, teria se jogado nos braços de um inspetor de disciplina. Em vez de sentar na calçada, chorar, engolir e partir para outra, Gangorra bebeu. E fumou. E cheirou. E virou um difamador. Partiu para o assédio em público e a partir de então foi surrado incontáveis vezes, até esse dia da barca, quando viu uma Colt nove milímetros enfiada na boca.

Achei que ele tinha morrido em Bicas (MG) porque foi o boato que correu. De novo uma festa, de novo a mão na bunda de uma mulher, de novo surra do macho dela, de novo...não, não teria havido caçamba de lixo mas um tiro na cara.

Gangorra vive e a pergunta que fica é “até quando”?




sexta-feira, 23 de outubro de 2015

O bolinador de Tel Aviv e a bandeirinha de Magé

Para quem não conhece, Magé é a capital fluminense do absurdo. Calor absurdo, buracos absurdos, humor absurdo, falta d´água absurda, mulheres maravilhosamente absurdas. Fica no calcanhar da Serra de Teresópolis e nos anos 1970 um vereador de lá protestou enlouquecidamente nos jornais.
Indignado com uma publicidade de Teresópolis utilizando a imagem do Dedo de Deus, o vereador berrava que a bela montanha não pertencia a Teresópolis e sim a Magé. Um político teresopolitano, notório apreciador de aguardentes em geral, estava na pastelaria do China, que na verdade era filipino, fincada na Várzea (centro da cidade) e disparou: “Ah, o Dedo é de Magé? Então bota numa Kombi e leva, vereador!”.
A partir daí, lenda, pura lenda. O povo diz que o vereador mageense apareceu na pastelaria com uma arma na cintura procurando o político para “meter uma bala nos cornos daquele viado campeiro, porque se é de Teresópolis é viado campeiro sim”. Diante do calibre da arma do político, ninguém questionou e, segue a lenda, teve gente de terno rebolando e urinando de cagaço cantando “eu sou neguinha”.
Magé, cidade onde, também nos anos 1970, um amigo míope, desviou de uma vaca que atravessava a rua, bateu com a roda do carro no meio fio e capotou. Quase desmaiado ao volante, Bidú ouviu o comentário “vamos ter que operar a cabeça dele”. Meu amigo voltou ao ar. Berrou “ninguém mete a porra da mão em mim”. Foi salvo por uma ambulância que, fora da rota (o motorista foi levar a amante em casa), passava por Magé. Recolheu meu amigo e o levou para o Hospital Antonio Pedro, em Niterói, que já foi uma referência nacional em emergência (fechada há anos) e os médicos o salvaram operando, de fato, a sua cabeça.
Bidú teve um tórrido e proibido romance com uma mageense que era recepcionista de um jornal onde ele trabalhava. Ela estava estudando para ser bandeirinha de futebol, mas não direi mais nada porque os meus amigos e colegas já estão sabendo de quem estou falando. Ela saiu do jornal quando o Bolinador de Tel Aviv saiu do elevador, não conteve uma crise de alta libido e se atirou sobre a recepcionista, agarrando seus belos seios balbuciando frases desconexas do gênero “ahhhh, mamilos rosados como as colinas de Golã”. Foi um escândalo que resultou na demissão de todas as recepcionistas do jornal, substituídas por homens. 99,9% dos jornalistas romperam relações com o Bolinador de Tel Aviv (ele continuou lá) e 0,1% restante era gay.
Uma hora após o ataque (que ocorreu por volta das duas da tarde), ela ligou para Bidú pelo interno. “Já soube, paixão?”. Ele disse que sim, que estava preocupado, indignado, injuriado. Ela prosseguiu dizendo que “querem que eu processe aquele senhor, mas eu não vou processar não...dá muito trabalho...mas eu não liguei para isso, não”. Enquanto terminava de editar uma entrevista, Bidú perguntou “ligou para que?”. Ela pediu que a levasse a Magé a noite. “Hoje não vai dar para dormir no nosso cafofo, paixão. Vou ter que ir a Magé porque parece que esse ataque do tarado deu até no rádio. Tenho que ver mamãe, papai, sabe como é?”.
Bidú concordou em levá-la a Magé, pois adorava concordar com os desejos dela. Ligou para o hotelzinho em Benfica, perto da rua Capitão Abdalla Chama, vulgo rua dos Lustres, onde só havia lojas de luminárias, lâmpadas, lustres em geral e falou com Jonas, gerente, camareiro, garçom e vigia, cancelando a reserva do cafofo aquela noite.
As sete e meia da noite ele a pegou num ponto de ônibus perto do jornal e rumaram para Magé, no Chevette preto dele, segundo dono, quase zero km. Chateada, preocupada, visivelmente tensa, ela rapidamente acendeu um cigarro e jogou a cabeça no colo de Bidú pagando um boquete digno de Oscar+ Grammy+Mega Sena+Bingo clandestino.
Embolados como duas capivaras no cio ouvindo Nação Zumbi, singraram a avenida Brasil como os protagonistas de “Black Emanuelle”, o filme erótico menos hipócrita já feito. Quando chegaram na altura da Reduc Bidú já estava completamente nu. Não é simbolismo. Estava nu mesmo, da cabeça aos pés e mirou o carro na porta do Motel Pisca Pisca que, ele sabia, aceitava cheque pré-datado.
Atravessaram a noite engatados como Rin Tin Tin e a fada Sininho. Só pararam no Corujão, televisãozinha Philco caindo aos pedaços, mostrando o que ele achou se tratar de um filme de terror. Não se conteve e fez o que mais gostava de fazer: acendeu a luz do teto e brincou de galeto na brasa, sabe como é? Não sabe? Você pede para ela ficar girando e você contempla aquela obra de arte murmurando para si mesmo “coisa linda...coisa linda, isso é bossa nova, isso é muito natural”.
Cinco da manhã. Ela entrava no jornal as nove e ele uma e meia da tarde. Acabou que Magé dançou, mas ela conseguiu convencer a telefonista do motel a ligar para lá dizendo que estava na casa de Fulaninha, que de manhã cedo ia a Casa das Linhas trocar um presente e de lá direto para o jornal.
Bidú pegou o Chevette e fez uma manobra absurda, boçal, inglória mas conseguiu chegar no posto do Alemão onde tomaram o café da manhã. Saíram e, a poucos metros do posto, puf puf puf, acabou a gasolina. Ele desceu, pegou um galão no posto, pôs dois litros, pagou um menor abandonado para tirar o filtro de ar e despejar a gasolina, o carro pegou, deu marcha a ré no acostamento, pôs mais um quarto de gasolina (estava duro), saiu e as oito e quarenta deixou a sua bandeirinha perto do jornal. De lá, Bidú foi para um hotel meia estrela perto da rodoviária Novo Rio (que também aceitava cheque pré-datado) e dormiu até meio dia e meia.
Quando chegou ao jornal, uma da tarde em ponto, a notícia. O Bolinador de Tel Aviv fora mantido e todas as recepcionistas demitidas. Luto no prédio. Luto total. Bidú foi falar com ela. Estava de olheiras, tadinha. Pediu para ficar com ele. Claro. Saiu do jornal as três da tarde e foi esperá-lo no cafofo em Benfica, onde ficaram internados quatro dias e cinco noites. Era semana santa. Foi quando ele descobriu que estava apaixonado pela bandeirinha de Magé que, pena, casou 15 dias depois e ainda foi capa da Playboy meses depois.



quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Os petelecos anacrônicos de um salta pocinhas

Publicado em 2014
Prefiro levar um soco no queixo do que ficar tomando petelecos desses salta pocinhas (quem inventou essa foi o Paulo Francis) franguinhas aflitas que ficam perambulando por aí, exibindo o fastio dos lortos tristes, famintos e anêmicos, apesar da nova série de “Malhação” já ter começado.
Recebi uma mensagem sinuosa como as curvas de judas (escrevo com j minúsculo mesmo) e não me enquadrei entre as pessoas que ele, como Monalisa (aquela que não sabemos se ri ou chora, se é macho ou fêmea, se é Bangu ou Flamengo) estava difamando, usando como mote fofoquinhas de salão de depilação de virilha. Ahhh, a indiscreta decadência dos salta pocinhas, que fingem que perderam a chave do armário, apesar da porta estar aberta por fora.
Uma vez aconteceu lá Facebook. O cara (não conheço, nunca vi), que um outro fofoqueirA me disse se chamar Pheido resolveu escrever (muito mal por sinal) uma série de atrocidades sobre gente que vive com o boi na sombra, surfando uma suposta onipotência, enfim, não cheguei a ler a mensagem toda porque respeito minhas calejadas décadas de jornalismo e tem texto que não desce goela abaixo, mesmo insinuando serem calcinhas de algodão puro, minúsculas, com lacinhos nas laterais.
Mas, na boa, muito entre nós, detesto mensagens cifradas. Pior: cifradas por um imbecil. O imbecil, o tal do Pheido, quando está doidona, cabeça rodando, deitada na cama, consegue se imbecilizar ainda mais. E a sagrada ligação meio-mensagem se transforma num pau de enchente doido, varada na margem direita, varada na margem esquerda, confusão, gritos de “para, moço!”, e ninguém entende nada.
Não sei se já aconteceu com vocês, mas fico furioso quando, por exemplo, leio um fofoqueirA que insinua, insinua, insinua e nada diz. Meus instintos básicos (mandril? babuíno? bonobo?) pegam um elevador e vão para o subsolo, desejando surrar Pheido e similares até virarem patê. Não resolve porque é disso que elas gostam.
Por isso, a minha crescente admiração por mestres como Élio Gaspari que atiram de escopeta 12, sem receio disso ou daquilo. Agora, antes de atirar ele apura tudo com precisão, checa e recheca informações para não pagar mico e tomar um processo na cara.
A internet é uma dádiva tecnológica, mas como tudo que é genial também tem seu lado podre. Por exemplo, abrigar amadores que acham que escrevem, acham que apuram, acham que existe notícia com uma versão só e não duas, no mínimo. Pheido, divina louca, é um desses protozoários que habitam esse chamado cybermundo, tentando defecar (sempre anacronicamente) na biografia alheia já que, por falta de cabeça, tronco e membros, não construiu a sua.
Todo jornalista sabe que devemos apurar uma notícia ouvindo todas as partes envolvidas no fato, e não sair disparando petelecos, mensagenzinhas cifradas, enfim, fazendo fofoquinha, como a dona Pheido faz. Volto ao Francis. Isso não é gente trabalhando com Comunicação. Isso é salta pocinhas cavalgando em intrigas, biquinhos, linguinhas e fricotes atonais diante do espelho.

Cai dentro, Pheido.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Aí o Jamari França falou “o LAM não vai a lugar nenhum” e eu...eu...eu...fiquei sem saber o que falar

    Peneira
Jamari França
Banda La Guerra
     Banda Kapitu
Jamari França é o decano maior do Rock Brasil, por sinal uma expressão que ele inventou. Pois na tarde desta terça-feira nos reunimos num descacetado bunker. Eu, ele, o Luck Veloso e o André Luiz Costa da Rádio Cult, mais Liliana de La Torre (produtora), Andrea Andion (multitudo que faz o programa Andion Stage na Cult) e as bandas Kapitu e seu letrista Benito Corbal e La Guerra. Uma reunião conspiratória para cuidarmos dos detalhes do show que vai mandar a Lapa pros ares no dia 4 de novembro, uma quarta-feira. Papo divertido com direito a La Guerra e Kapitu tocando Hendrix para nossos ouvidos e olhos esbugalhados.

Lá pelas tantas lembrei de 18 de fevereiro de 2006. Eu e Jamari estávamos a menos de três metros dos Rolling Stones na praia de Copacabana, no cercadinho VIP da imprensa. De sacanagem disse que Keith Richards deu uma arriada reverencial com uma de suas 135 Fenders Telecaster cor de madeira na frente do Jamari e ainda deu um sorrisinho pra ele. Risada geral.

O Jama foi falando de shows que ele foi, eu disse que ele era o ombro amigo de Renato Russo, Raul Seixas, Cazuza, enfim, todo o Rock Brasil tem o Jamari como amigo e confidente. Aí, o bardo virou pra tudo mundo e disparou “o LAM não vai a lugar nenhum, show de ninguém, todo mundo sabe disso”. Fiquei sem saber o que dizer porque...porque...porque é quase verdade.

Na verdade não é verdade absoluta. Já fui a centenas de shows e fiquei lá atrás na coxia do palco sem aparecer, sei lá por que. Mas faz sentindo essa lenda que circula entre os meus colegas jornalistas há décadas. Um deles, que atende pela alcunha de Biluco, chegou a espalhar nas festas da Asa Norte (Brasília) que eu não existia, era uma invenção de jornalistas bêbados. A onda pegou e até esporro de chefes levei por causa disso.

Vamos lá. Não sofro de fobia social e nunca fui peneira, vulgo furão. Quando não dá para ir aviso antes. Meu problema é o tríssílabo a-gen-da. Não sei mexer nisso, boto um compromisso em cima do outro e por isso passei, há anos, a não dizer nem sim nem não. Me convidam eu digo talvez, vamos ver, adoraria (quando é verdade). Certa vez, num violento rompante de paixão, um amigo meu (esse sim, peneira de garimpo, daquelas brabas) resolveu casar. Me chamou para padrinho. A cerimônia foi marcada num cartório ali no Centro do Rio, quatro horas da tarde. Preciso contar o fim da história? Preciso. Peneira não foi. A noiva deu o maior pití (com razão) e quase arrancou um orelhão do chão de tanta fúria e queria bater em mim (????). O cara foi morar fora do Brasil.

Portanto, o que o Jamari falou em nome do inconsciente coletivo faz sentido, mas é diferente. Eu aviso que não vou. Adoraria que, em vez de me escalavrar publicamente (bonito isso rsrsrs), Jamari lembrasse que nos encontramos pelo menos 500 vezes no Circo Voador, inclusive na antológica noite em que Médici (o ditador cachorro) morreu. E o Renato Russo, amigo do Jama, descabelou o palhaço no palco conclamando o povo a celebrar o fim do patife fardado. Lembra, Jama? Lembra que depois fomos ao camarim falar com a Legião Urbana e só deixaram você entrar porque o Russo queria falar com você? E naquela festinha do bar Let it Be que ficava (ou fica) em frente a casa da saudosa Emilinha Borba, em Copacabana? Você lembra de mim? Não? Mas eu lembro de você lá, mas fique tranquilo que não vou falar nada. (rsrsrsrs).

No mais já escrevi, sim, que Odayr José era o Bob Dylan da Central do Brasil.








segunda-feira, 19 de outubro de 2015

O cinza de uma nação desonrada

A amiga Aida Beranger compartilhou este banner no Facebook. Há tempos noto que as cores vivas estão sumindo da paisagem urbana. Nas ruas, só carros nas cores pretos, prata, branco, azul marinho, raramente um vermelho (lembram do Mustang cor de sangue?), um amarelo manga. As roupas também estão em tons formais e fora os maravilhosos shortinhos jeans esfarrapados, noto que as mulheres estão contidas, travadas, usando longas saias largas, vestidões que lembram batas das virgens da Indonésia Oriental.

Claro que só um boçal não percebe que o Brasil está de luto diante desse caos todo que a patifaria fez e faz com a sua honra. Uma nação desonrada não vai as ruas dirigindo carros multicoloridos, vestindo biquinis de lacinho vermelho com shorts amarelos, motocicletas em tons tropicalistas. Esse ar cinzento parece espelhar o inconsciente coletivo do Brasil. Ou não?

Não sou exemplo de nada, absolutamente nada, mas gosto de carros de cores vivas. Amarelo, vermelho. Mas ultimamente, só cores formais porque todo mundo diz que “amarelo é muito over”. Traduzindo “amarelo é muito alegre para perambular por esse cenário que está ai”.

Além da desonra, vivemos o auge da ditadura do politicamente correto que é cinzenta da cabeça aos pés. Seu lema de ordem é “proibido permitir” e isso vale para batons “ousados”, fio dental tipo cipozinho baiano, abajur lilás, vadiagem da boa, chamar de “minha nega” ou “meu nego”, tapinhas etc. Tudo proibido. Passando uma leve sensação de que o Brasil onde havia araras, berimbal, praia, bundas e alegria hoje lembra a Alemanha Oriental dos anos 30, comandada por Adolf Hitler que decretou o fim da felicidade coletiva.

Faz sentido? Esses carros de hoje comparados com os dos anos 80 (foto) tem a ver com isso tudo ou é delírio meu?



domingo, 18 de outubro de 2015

O nado noturno

Dez horas da noite. O homem estaciona o carro bem junto à praia deserta. Tira o paletó, gravata, sapatos, calça. Pega uma sacola no banco de trás e acha uma sunga. Veste. Fecha o carro e sai caminhando em direção ao mar.
Na areia, milhares de pegadas, cicatrizes de um dia agitado, superlotado. O homem finge que não sente a energia, o vai e vem das pessoas que estiveram ali, torrando ao sol, gargalhando, brincando, com amigos, parentes, muitas crianças.
O vento sopra de leste. Ninguém, absolutamente ninguém na vasta extensão de areia marcada pelas milhares de pessoas que abandonaram ali seus sonhos, memórias, abstrações. O homem não está cansado, nem extenuado, nem estressado. Voltava de algum lugar e decidiu dirigir mais 57 quilômetros para encontrar o mar.
Mar que agora está ali. Água morna. Sem ondas, parado, escuro, mistério. O homem mergulha e sente algo que não sabe descrever. Não sabe ou não quer. O prazer atingiu suas nuvens mais altas, quase inacessíveis.
A medida em que nada para o fundo, percebe que seus braços e pernas, quando movimentam a água, provocavam ondas de luz. Algas marinhas tem esse poder. Nadando calmamente, consegue ouvir tudo o que o mar tem a dizer naquela noite. Inclusive o nada quase absoluto. A 40 metros da areia, acha que um raio cai na ponta de uma ilha. Estrela cadente.
O homem fica de costas, boiando, enquanto o vento de leste sopra manso e o céu...bem o céu está absolutamente indescritível. Ele jamais vira a Via Láctea tão extensa e nítida a olho nu. As estrelas cadentes continuam cruzando o céu negro-azulado por onde, volta e meia, passa um satélite artificial, ou quem sabe um ônibus espacial.
O homem continua boiando, arrastado para a direita pela corrente leve e teme pegar no sono. Ri de si mesmo diante da absurda hipótese. Mexe com os braços e novas ondas de "luzes verdes" se formam a sua volta como se o convidassem para dançar. O homem está disposto a não pensar em nada, mas lembra que deixou na mala do carro o prêmio especial de Astrofísica que ganhou no início daquela noite em uma solenidade cheia de pompa. Sentiu orgulho. De si, mas sobretudo do céu. Ou seria dos céus?
Tudo bem. Céus, diante de tantas variáveis. "E eu não estou aqui como astrofísico e sim como um homem comum em busca do acalento que só a Natureza consegue passar", pensa. Pensa sim na espiritualidade quase palpável do mar, da brisa, do céu, da infinidade de luzes e da eterna gratidão que sente por tudo.
Desde pequeno o homem "tem" uma estrela só sua. Anos antes, comentou com um colega sobre a sua estrela e no dia seguinte, no computador, estava o recado. "Meu caro, a “sua” estrela morreu há pelo menos 300 mil anos-luz. Abraços". O homem agradeceu por e-mail a pesquisa involuntária do colega, mas optou por não se render as evidências científicas. Se havia luz, havia estrela. Ponto. E ela estava lá. Ponto. O homem lembra que desde os cinco anos de idade tem aquela estrela como sua e que a eternidade nada mais é do que o tempo em que permanecemos por aqui. Logo, sua estrela é eterna.
Uma tainha salta perto, bem perto. Tainhas são curiosas. Como os pinguins no inverno. Jogado nos braços do mar, no aconchego do mar, que o homem sempre temeu e respeitou, sente até medo quando pensa "a vida é bela".
Prefere não olhar o relógio. O homem não quer saber quanto tempo está nos braços do mar e no berço do céu. Como também não faz idéia dos motivos que o levaram a mudar de rota e seguir para o mar, apesar da palavra gratidão não sair de sua cabeça.
Atravessa a areia, onde um cachorro vira-latas dorme. Veste a calça por cima da sunga, coloca a camisa. Tudo muito devagar. Liga o carro e sai, ouvindo “Je Suis Désolé”, com Mark Knopfler.
A 60 quilômetros por hora o homem agradece por aquele pedaço de noite. Percebe que uma lágrima escorre de seu olho esquerdo e em poucos minutos faróis, luzes artificiais, gente. O homem, relaxado, suspira e nada diz. Talvez um leve "tudo bem".

O som das nuvens que destila a saudade

Havia um banco de cimento bem perto da praia. Pequena praia, sem ondas, estreita faixa de areia, água muito clara, transparente, mais para o verde do que para o azul. A canção parecia brotar das nuvens, duas, brancas, destacando o azul profundo do céu limpo, sem fumaça, sem mordaça.
Deitar no banco de cimento, sorver o som da saudade de si. Por que não? Por que não deixar que a melancolia sopre a nuvem e produza o som dos tempos, da travessia das eras, das lutas, da vida dura levada a ferro e fogo? Por que ele, somente ele, não teria direito a sua melancolia, ao silencio de seus ecos interiores, que ele não teve tempo de conhecer? Saudade e melancolia, velhas vizinhas, por mais novas que sejam as nuvens, por mais eterno que seja o céu.
Melancolia, um direito. Como folia, euforia, delírio. Saudade, dona de sons típicos, raros, que nascem de nuvens brancas e vadias, mapeando o céu como se nada mais existisse. Existe? Deitado no banco de cimento, olhos fechados, ouvindo o som das nuvens, uma lágrima escorre do olho direito dele.
O homem é amigo. Parceiro. Dá tudo de si desde o dia em que bateram em suas costas e disseram “é um menino”. Seria suficiente? Ele não sabe. O mundo não é espelho, o afeto não é reflexo, a saudade é mais que sensação. Livre sensação.
Ele tem tentado tudo. Deitado no banco de cimento, cansado muito cansado, reconhece o empenho, a luta, a solidariedade. Será suficiente? Não sabe, não pode e não quer perguntar. Impossível mensurar intenções.
Cansado, pede paz. Afeto. Cores. Nuvens. Saudade, muita saudade, de um tempo que não viu porque não tinha tempo para assistir ao tempo. As nuvens tem a resposta, mas ele só as contempla. Quieto. Como uma música. Música do acaso. Música do sonho, da vontade, música do afeto. Profundo, azul, marinho afeto.
Afeto que não se encerra.
Jamais.



sexta-feira, 16 de outubro de 2015

O prazer imensurável de fazer rádio, mexer com emoções, linha do tempo, saudade, futuro

                                                                               

Acabei de fechar o programa Expresso da Madrugada número 90. Para quem não sabe, há quase três meses mantenho o Expresso circulando na Rádio Cult Rock & Blues, que mora em www.radiocultfm.com, de meia noite as seis da manhã. Todos os dias, de domingo a domingo. Tenho um outro programa, mais jornalístico, o Cafofo do LAM que vai ao ar aos domingos 11 da noite.

Trabalhar em mídia eletrônica é visceral, emocional, dilacera, faz gozar, gera insônia, paz profunda, enfim é uma pauleira diária sem rotina, sem agenda, caminho aberto, livre, chuva na cara. No caso do Expresso da Madrugada é um desafio muito estimulante porque me faz sentir mais, pensar mais, diante de tantas possibilidades. Eu diria infinitas possibilidades.

Afinal, para montar esses 90 programas programei 540 horas. Faço uma verdadeira expedição enfiado numa selva de milhares de discos, de várias tendências, consultando o faro, o olhar, o conceito, a ousadia. Por volta de três, quatro horas da manhã, ouso mais, injeto muita música experimental e os ouvintes estão gostando. Rádio na internet tem disso, são três da manhã aqui, mas na Austrália são três da tarde, no Japão também e na Califórnia 11 da noite. Ou seja, temos que fazer a programação com a cabeça no planeta e não na cidade.

Fora isso, a música mexe absurdamente coma minha linha do tempo. Alguns clássicos do rock me trazem nó na garganta, vontade de chorar lembrando de momentos maravilhosos tragados pela implacável ampulheta enquanto outros me geram sentimentos não tão agradáveis.

Convido vocês para ouvirem meus programas, que faço com extrema dedicação e prazer. Se der, deixem uma opinião lá no site da Rádio Cult (no campo Contato) e tudo bem.

Espero vocês.

P.S. - A partir desta semana todas a edições do Expresso da Madrugada começam com o Módulo Blues. Ou seja, um blueszaço logo a meia noite.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

A falta que Johnny Winter faz



Em julho do ano passado, o albino Johnny Winter morreu aos 70 anos. Foi, é e será um dos mais importantes músicos de blues e blues-rock, acid blues (ou blues progressivo) como muitos se referem ao seu selvagem estilo. O albino de alma negra, que conheci no início dos anos 1970, já não estava bem de saúde. Chegou a cancelar uma vinda ao Brasil em 2014. Aliás, ele gostava de tocar aqui.
Nascido em Leland, Mississipi (EUA), Winter foi lançado pela gravadora CBS para concorrer com Jimi Hendrix. Babaquice, ele sabia, mas fingiu que topou para assinar o contrato. Virou amigaço de Hendrix e chegaram a fazer várias jams juntos. Além disso, qualquer boçal, mesmo aqueles que acreditam em estoque de vento, nota de cara profundas, agudas diferenças entre a sua pegada e a de Hendrix.
Em seu primeiro álbum, “Second Winter”, lançado em julho de 1969 Winter surpreendeu o mercado. A voz grave, quase rouca, alimentada por guitarras saturadas em altíssimo volume (ele nunca pegou leve) rapidamente impôs suas impressões digitais nessa tórrida fronteira que separa (separa?) o blues do rock. Como Gary Moore, Steve Mariott, Rory Gallagher, Eric Clapton, Mick Taylor e outros, formou um paredão de amplificadores Marshall vomitando uma nada delicada, porém genial, hecatombe do blues.
Irmão de Edgard Winter (cantor, multinstrumentista e também albino) Johnny Winter é um dos nomes mais respeitados em dois universos, o do blues e do rock. Sua antológica versão de “Jump Jack Flash” dos Stones, por exemplo, não deixa corda sobre corda.
Uma perda lamentável que faz muita falta nesse planetinha que anda cada vez mais imbecilizado. Mais um abismo que se abre entre tantas encruzilhadas. Estamos sem Hendrix, sem Gallagher, sem Mariott, sem Moore e há um ano sem o grande, o gigantesco Johnny Winter, que merece todas as nossas homenagens.
Todas.




terça-feira, 13 de outubro de 2015

Amizades, eleições e a seleção comendada por um espertalhão travestido de idiota

Foi na última eleição para prefeito. Vi dois sujeitos que são amigos baterem boca numa esquina. Motivo: discussão sobre politicagem. Barata. Acabei me metendo na confusão para tentar esfriar e lá pelas tantas disparei algo do tipo “eleições passam, amizades ficam”.
Não adiantou e a coisa caminhava para uma grossa pancadaria. Graças a outros bombeiros (vários) fomos, os três, tomar café numa padaria. Conversamos falamos do peso incomparável de uma amizade perante as coisas da vida. Coisas de uma maneira geral e, em particular, política, eleições.
O curioso é que ambos iam votar no mesmo candidato para prefeito mas a cobra fumou por causa dos vereadores. Um disse que o candidato do outro era um salafrário, as ofensas foram inflamando, viraram xingamento, quase tapas na cara. Coisas da paixão, do estresse, enfim, temas como política e futebol descabelam as pessoas. Alguns se tornam temporariamente insanos e partem para o desatino amplo, geral e irrestrito.
Hoje a política anda tão calhorda que só o mais otário dos otários é capaz de desperdiçar um mililitro de adrenalina defendendo ou atacando seja lá quem for. Afinal, está tudo aí, na cara. Roubalheira, mais indecência, mais loteamento do estado, mais canalhice e nenhuma alternativa, porta de emergência. Nada. O país está na mão de safados e não oferece uma lâmpada, uma vela acesa, uma brasa de sardinha. Sair na porrada por causa desse fétido chorume? 
Se esses dois (que conheço há algum tempo) quase se estapearam mas chegaram a um acordo, em outras eleições lembro que não foi bem assim. Já levei para o hospital gente atingida por bandeira no rosto, isso sem falar de bofetadas, socos, chutes, garrafadas, enfim, os temas apaixonantes (logo burros) tem o poder de nos fazer retornar a condição de primatas. Aí, passa o tempo (as vezes muito tempo) e concluímos que fomos ridículos e, por conta disso, perdemos um, dois, três preciosos amigos.
Nos braços da maturidade ando cada vez mais moderado. Quando você leva literalmente a bandeira de candidatos em quem confia corre o risco de ouvir piadinhas de militantes do outro lado. Felizmente nas campanhas em que participei fui respeitado por todos mas alguns amigos se envolveram em confusão por cair na velha cilada: aceitar provocações. Não, não aceito mais provocações sobre qualquer assunto. Dizem que com o passar do tempo vamos nos tornando mais plácidos. Que bom. Imaginem se fosse o contrário.
Tenho colegas, conhecidos e até amigos que ainda são petistas, mas isso é problema deles, não meu. Assim como ouvi falar que ainda há quem torça para a seleção brasileira de dunga com D minúsculo (de novo) que é a cara do Brasil atual. Dezenas de mercenários fingindo que jogam bola, comandados por um espertalhão travestido de imbecil. Mas isso é outro assunto que me recuso comentar.








segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Verão Pirata – por que Willis Carrier, inventor do ar condicionado, não ganhou o Premio Nobel?

Estamos no verão pirata já que o Brasil só abriga duas estações: quente e muito quente. Eventualmente, no inverno, dá uma esfriada, o cheiro de naftalina dos casacos ganha as ruas, mas é muito breve e rápido. Esse ano nem isso. Nosso “acordo” é com o suor e ar condicionado e não com lareiras e cachecóis.
Todo mundo reclama do calor mas o verão é adorado. Sempre foi. Até os últimos, quando as temperaturas passaram de 40 graus e os meios de Comunicação importaram dos Estados Unidos uma baranga chamada sensação térmica. Cheguei a ler nos jornais que este ano a tal da sensação térmica bateu os 50 graus algumas vezes.
Verão tem a seu favor algumas datas cruciais: Natal, Ano Novo e Carnaval. Por isso inventaram a lenda de que o país entra em férias em dezembro e só volta a trabalhar na segunda-feira depois da quarta de cinzas. Mentira. Quer dizer (olha a elegância, rapá!), não é verdade. Brasileiro trabalha pra cacete. Em alguns países europeus como a Espanha, há 30% mais feriados (fora o ronco diário depois do almoço) do que aqui.
Verão é aeroporto de mitos. No topo da lista as praias do Rio. Durante séculos cariocas sacanearam paulistanos por causa de praias que, diziam, nós temos e os paulistanos não. Ouso informar que praia no verão carioca é virtual. Superlotadas, tomadas de flanelinhas, arrastões, camada de ozônio furada, cachorros largando barro na areia, poucos são loucos de se aventurarem a um mergulho em Ipanema, Leblon ou na eterna Princesinha do Mar, minha amada Copacabana e seu amante inseparável, o Leme.
Como hoje todo mundo tem carro, milhões se deslocam de todos os pontos do Rio e periferia rumo as praias. Estimulados pela propaganda maciça de cerveja na internet, TV, jornais, rádios, revistas, enchem a cara. Muitos brigam. Mal intencionados fazem arrastões e num domingo apenas 20% conseguem curtir a chamada “praiana” sem se aporrinhar.
Em suma, na boa, sem provocações, os paulistanos são veranistas mais felizes porque, na certeza de que não tem praias, inventam piscinas, vão as represas, partem para dentro dos cinemas. É hora da revanche. Quem já passou um fim de semana em São Paulo (capital) sabe do que falo. Passei vários e o que mais fiz foi me divertir, relaxar, ir a dezenas e dezenas de piscinas, cinemas, parques.
Em 2012, o verão foi palco de um horror na região serrana do Estado do Rio. Aos que dizem que “aquilo já era esperado por causa da profusão de favelas”, peço um humilde peraí. Conheço a fundo a Serra dos Órgãos e, subindo para Teresópolis ainda dá para ver dezenas de barreiras que formam línguas de barro em áreas de vegetação nativa. Mas, é claro que a favelização (de ricos também) das encostas agravou mais.
Fora isso, o péssimo hábito de construir em beira de riachinho romântico, saído de historinha tipo Alice no País das Maravilhas, que quando bate um toró de verão vira rio asfixiado que sai do leito detonando tudo e todos pela frente.
Verão lança modas. Nesse noto que o genial shortinho esfarrapado das mulheres vai se manter na crista. Como em todo verão, meus colegas de grosso calibre vão sair de férias. Sites, jornais e revistas infestados de interinos, o que irrita muita gente. É no verão que as concessionárias de luz gozam com as contas astronômicas (des) graças a roubalheira planaltina e o uso de ar condicionado. Cheguei a entrevistar um engenheiro que garantiu que quanto mais novo é o aparelho menos luz ele consome. Só que é no verão que o desgoverno autoriza os aumentos de tarifas e nós, talvez por estarmos trôpegos de calor, nada fazemos. A última manifestação saudável de protesto contra a má qualidade de serviços foi em Piratininga, Niterói, anos 90. Consumidores apedrejaram uma subestação de energia.
Espero que todos vocês estejam tendo um ótimo verão pirata. Quanto as centenas (literalmente falando) de leitores que vivem na Europa, Asia, Estados Unidos, espero que o outono não esteja tão complicado. E que surja um novo Albert Camus para escrever mais um “Núpcias, o Verão”, que releio ano sim, ano não. E você, nunca leu? Corra e compre.





domingo, 11 de outubro de 2015

Que vergonha! E a secretária de saúde de Niterói, Solange Oliveira, disse ao Globo que faltou "uma discussão prévia". Discutir o que, minha senhora?


É desesperador o estado do Hospital Universitário Antonio Pedro, que chegou ao fundo do poço. O governo Dilma sepultou o mais importante hospital da história de Niterói e também do Leste Fluminense.

Há pacientes nos corredores; falta remédios e material médico-hospitalar; segundo o diretor do Huap, Tarcísio Rivello, o Ministério da Saúde reduziu a verba. Com isso até o estoque de seringas está reduzido; o hospital deve R$ 3 milhões de luz e R$ 300 mil de água; O Getulinho está fechado, os hospitais Carlos Tortelly e Mário Monteiro com atendimento reduzido.

Ou seja, também na Saúde Niterói está jogada as traças.

Recebi por e-mail essa reportagem da Tribuna RJ:

Texto: Aline Balbino
(...) Desde janeiro que esses pagamentos não estão sendo feitos regularmente. Além disso, funcionários de empresas terceirizadas estão com os salários atrasados. A direção do hospital precisou “enxugar” o quadro de funcionários em 12%. E as demissões devem continuar. O número de leitos na unidade também caiu de 290 para 190.
“Esses insumos já vêm claudicando há muito tempo porque o nosso financiamento está aquém da nossa necessidade. Existe um subfinanciamento do hospital e ele vai se agravando à medida que não há o repasse também. Soma o subfinanciamento com mais essa dificuldade de repasse e atrasos, chega num ponto que o hospital fica desabastecido. A necessidade do hospital gira hoje em torno de R$ 3,3 milhões. Hoje o hospital recebe R$ 2,7 milhões. Existe um deficit. A conta não fecha. Esse dinheiro é para material médico-hospitalar, medicamentos, laboratório, serviço com mão de obra (limpeza, portaria, maqueiro, manutenção, T.I) e serviço sem mão de obra (firmas que temos que pagar como tomografia)”.
Tarcísio afirmou que o hospital está aceitando doações de instituição privadas, desde que as mesmas sejam documentadas. Ele disse que não irá desistir de lutar pelo Antônio Pedro e afirmou que desistir durante a crise seria um ato de “covardia” contra trabalhadores e pacientes.
“Desde que sejam lícitas podemos receber doações. Basta fazer o Guia de Recolhimento Único. Precisamos que eles se posicionem o mais rápido possível. Temos um hospital de alta complexidade. 

São tratamento caros e complexos. Me dói cancelar essas internações, mas preciso fazer isso. Quando cheguei aqui estavam devendo R$ 12 milhões e hoje o número não está diferente. Você vai no almoxarifado e o estado é degradante. Está vazio. Não tem estoque”.
O presidente do Sindicato dos Médicos de Niterói e São Gonçalo, Clóvis Cavalcanti, lamentou a suspensão das internações e atribuiu a decisão à má gestão dos Ministérios da Saúde e Educação.
“A primeira a ser prejudicada é a população. Alguns pacientes esperam há meses por uma cirurgia e acabam morrendo na fila. O segundo prejudicado é o estudante e o médico que se sentem prejudicados. Engraçado como nesse país se tem dinheiro para futebol, construção de estádios e não há para a educação e saúde”.
O Ministério da Saúde informa que o Hospital Universitário Antonio Pedro recebeu em 2015, até agosto, repasse na ordem de R$ 11,1 milhões a mais do que a produção informada de R$ 15,8 milhões. O Huap recebeu da pasta R$ 26,9 milhões este ano.
A nota diz ainda que os repasses são feitos pelos ministérios da Saúde e da Educação, sendo complementado por verbas estaduais e municipais. Para pleitear mais recursos federais, o gestor do hospital deve elaborar estudo junto ao gestor municipal que comprove aumento de produção, mas o Ministério informa que não recebeu pedido de aumento de recursos.