segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Quadrophenia: ópera-rock sobre a dilacerante rejeição (e baixa estima) ganhou versão sinfônica

Como parte das comemorações do aniversário de 50 anos do The Who, a gravadora Deutsche Grammophon lançou a versão sinfônica da ópera-rock Quadrophenia, escrita por Pete Townshend, gravada pelo Who e lançada em 1973.
Na década de 1960, Pete Townshend e The Who definiram o conceito de "ópera rock" com Tommy (de 1969), dando um passo à frente com Quadrophenia. Concebida e escrita por Townshend, Quadrophenia acabou se tornando um ícone.
Townshend tornou públicos os seus traumas em Tommy (1969) e Quadrophenia (1973), para mim o melhor disco da história do Who. Acho que para o criador da banda, guitarrista, cantor, compositor, poeta, romancista, teatrólogo, cineasta Peter Dennis Blanford Townshend, londrino de 70 anos, é a obra-prima do Who.
Álbum duplo conceitual, essencialmente ópera-rock, Quadrophenia foi lançado no mesmo ano de The Dark Side of The Moon, do Pink Floyd, outro genial poema. Mas, o que Townhend escreveu fez com que vários críticos, biógrafos e fãs começassem a chamar o disco de “álbum da minha vida” porque, de ponta a ponta, ele aborda todos os tipos, formas e conseqüências do hediondo e deformador sentimento de rejeição (e baixa estima), tão ou mais grave e dilacerador quanto a culpa.
Em 1979 o diretor Franc Roddam lançou o filme que, evidentemente, contou com a consultoria de Pete Townshend que numa dessas pisadas na jaca que eventualmente dá, entregou a direção musical a John Entwistle, baixista do Who, que deve a delicadeza de destruir a obra original. Até flauta doce o saudoso baixista (morto de cocaína com vinho em 2002) meteu na trilha sonora que, comprei, ouvi uma única vez e derreti em seguida, transformando o vinil em cinzeiro, como já havia feito com uma série de outros discos, para mim, execráveis.
Assisti ao filme Quadrophenia em 1981, mas sem legenda. Até os ingleses tem dificuldade de entender o dialeto mod (grupo de pós-adolescentes que formavam quadrilhas de lambretas em Londres no inicio dos anos 60) mas um dia, para a minha surpresa, o filme passou no Corujão da Rede Globo, tipo três horas da madrugada de uma quinta para sexta-feira, dublado. Há coisas nesse mundo que desisti de entender, como, por exemplo, Quadrophenia na Rede Globo.
O filme é ambientado em 1963 e conta a história de um garoto chamado Jimmy Cooper (vivido pelo ator Phil Daniels) que, com a sua lambreta, vive rodando com os outros colegas mods (expressão de que vem de moderns), filhos de operários, que são molestados e perseguidos pelos rockers, de classe média, montados em potentes motocicletas.
Jimmy briga em casa e é expulso com tapas na cara, chamado de vagabundo. Vai trabalhar, se defende de uma injustiça, manda o chefe tomar no rabo e é demitido. Se apaixona por uma garota, mas durante uma viagem do bando a Brighton, litoral onde rolou de fato uma batalha campal com os rockers, dezenas de presos e feridos, ele flagra a namorada com um cara dando amassos num beco.
E as rejeições vão se acumulando, Jimmy ingerindo cada vez mais doses cavalares de anfetaminas, até perceber que o único sentido de sua vida é o bando, a ideologia mod. Bando este que tinha um líder, rebelde radical que no filme é vivido por Sting, admirado, cultuado por Jimmy Cooper. A lambreta do personagem de Sting é cromada, cheia de espelhos, enfim, “cavalo” de um verdadeiro líder.
Até que um dia, atravessando mais uma crise de angústia, Jimmy vê a lambreta do líder encostada em frente a um hotel. Pior: flagra o próprio líder anarquista trabalhando como carregador de malas (“Bell Boy”), dizendo “sim, senhor”, “sim, senhora”, recebendo gorjetas, enfim, um capacho social. Indignado, Jimmy espera Sting entrar e rouba a lambreta dele. Sem família, sem mulher, sem trabalho, sem grupo de amigos, decide se atirar de uma escarpa britânica. Com a lambreta do personagem de Sting. Mas, há sempre um mas, Townshend deixa em aberto se Jimmy Cooper morreu pois a lambreta cai no abismo vazia.
Os danos das rejeições são profundamente tratados nesse filme que a crítica mundial classificou como “drama”. Aos que perguntam se é uma autobiografia de Townshend, a resposta é não. Aos que perguntam se retrata a adolescência de mais de 80% dos fãs do Who, com certeza a resposta é sim.





sábado, 28 de novembro de 2015

Quando a avenida Brasil elegeu Nebraska, obra prima de Bruce Springsteen


A avenida Brasil parece íntima, mas não é. Nos anos 1970, 80, 90, 2000, subi e desci suas pistas literalmente milhares de vezes. Em busca de notícias, de mulheres que me incendiaram, casa de amigos. Conheço cada pista, cada palmo, cada faixa, mureta da avenida Brasil, mas ainda a estranho. Por que? Porque ela sempre me estranhou e vai me estranhar sempre.
Se eu fosse Bruce Springsteen teria composto Nebraska, obra prima, em algum ponto daquela torta avenida e seu asfalto roto que liga a tristeza a esperança, o sorriso ao nó na garganta, o nada ao lugar nenhum, nervos nublados a euforia existencial. Façam os jogos, senhores. A avenida Brasil é o pano verde de cada dia, onde milhares de pessoas jogam todas as suas fichas, dia sim o outro também.
Nebraska, canção que abre o álbum, fala de um degenerado executado na cadeira elétrica. A avenida Brasil também olha, prende, julga, condena e mata. E não é preciso ser o degenerado descrito por Springsteen. Basta ser gente. Gente que vai e não volta. Gente que volta e não vai. Os sulcos da avenida, volta e meia salpicados de sangue, jogam na vala. Vala comum. Vala incomum.
Avenida Brasil, Nebraska nosso de cada dia. Sem gaita, sem voz, sem violão. Um som ermo apenas, brusco, surdo, como os baques, os beijos, o soco, a bruma, a fumaça. Nebraska, sim.
Sempre.









“Porque você é corrupto. E como corrupto é alcoólatra e como alcoólatra é viciado em cocaína e como viciado em cocaína é brocha e como brocha...e por aí vai, ladeira abaixo até a cela onde você mora hoje, seu canalha”

- Você deixou recado no meu celular e eu não gostei. Não gostei porque desde que a sua cara imunda apareceu em todos os jornais como corrupto, safado, moleque, salafrário, minha libido foi a zero e meu celular foi grampeado. Estou falando de um orelhão, raro orelhão, mas exijo que você não dê um pio. Se falar, desligo na sua cara, seu canalha.
É nessa época do ano que fico mais encharcada e você sabe disso. Quando eu, você e Telinha fomos para aquele resort em 2011, você mentiu. Disse que o dinheiro da estadia era seu, mas uma semana depois me ligaram (ligação anônima, lembra?), denunciando que nossos loucos dias de hedonismo tropical foram bancados pela estatal. Não gostei. Sou vadia? Sou. Sou vagabunda? Sou. Sou insaciável, ninfomaníaca? Sou. Mas quem me chamar de corrupta eu mato.
Estou ligando pela última vez. Telinha nem sabe que estou no orelhão. Ligo para te dizer que não fosse por ela, seu porco, não havia existido nada entre nós. Eu só te encontrava, simulava ser sua amante, amásia, sei lá o que, para justificar a presença de Telinha, ela sim, ela sim, ela sim...um ser que me sacia justamente por ser insaciável. Isso você não vai entender nunca porque enquanto eu e ela virávamos as noites trocando nossas seivas, nutrindo nossas línguas, sangrando nossas costas, você roncava bêbado, virado para o lado, sonhando com propinas, caixa 2, lambanças.
Nem pense em me responder agora...Se disser “alô” desligo o telefone. Claro que é uma despedida, seu animal. A possibilidade de eu me tornar zoófila não é tão remota assim, mas com porcos da sua laia eu não me deitarei jamais. Por que? Porque você é corrupto. E como corrupto é alcoólatra e como alcoólatra é viciado em cocaína e como viciado em cocaína é brocha e como brocha...e por aí vai, ladeira abaixo até a cela onde você mora hoje. Está gostoso aí? Tem pó? Tem grana suja? Tem falsas gargalhadas? Tem carreirismo?
Você nunca mais vai me ver porque a minha suposta imoralidade foi drenada para a libido, libido que você nunca teve, escondido atrás de ternos importados cafonas, famílias formatadas por revistas de pequenos burgueses, enfim, um moralista típico como todos os salafrários são. Desafio, moleque...desafio que cite um corrupto que não seja moralista. Um só. Não agora porque, já disse, não quero ouvir sua voz. Telinha deve estar acordando e hoje nós vamos transar a noite inteira. Ela não sabe, mas será em homenagem a sua prisão, seu velhaco, biltre, bisbórria, celerado, patife, tratante.

Não diga nada! Quem diz adeus aqui sou eu. 

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

"Jimi Hendrix: A Dramática História de Uma lenda do Rock ", a biografia definitiva de Jimi Hendrix

O amigo Caíque Fellows indicou, comprei e estou devorando o livro ""Jimi Hendrix: A Dramática História de Uma lenda do Rock "", de Sharon Lawrence. É a biografia definitiva de Jimi. Leia o que A Tarde Online publicou em 2007:


Jimi Hendrix ganha biografia escrita por amiga íntima
A Tarde On Line

14 nov. / 2007 - Três anos de carreira foram suficientes para o guitarrista norte-americano Jimi Hendrix virar mito. Até hoje, 37 anos após sua morte, o músico é lembrado como um visionário que antecipou basicamente tudo o que viria a acontecer na música pop na era pós-Beatles. O interesse de ouvintes jovens, que nem eram nascidos quando Hendrix morreu de overdose, em setembro de 1970, é grande o bastante para deixar brechas à indústria cultural, que não costuma desperdiçar produtos com potencial de venda. Uma nova biografia do ídolo, Jimi Hendrix: A Dramática História de Uma lenda do Rock (Jorge Zahar Editor, 356 págs., R$ 39,90), da jornalista americana Sharon Lawrence, é lançada para concorrer com outras já no mercado, entre elas a escrita há dois anos pelo jornalista Charles R. Cross (Rool Full of Mirrors), também biógrafo de Kurt Cobain.
Os fatos são inalteráveis, mas não sua interpretação. Se Cross concedia mais atenção à infância de Hendrix em Seattle, revelando sua luta contra a segregação, um pai ausente e uma mãe alcoólatra, Sharon Lawrence concentra seus esforços na carreira do guitarrista, que conheceu em 1968, um ano após sua apresentação no histórico Festival de Monterrey. Ele já era, então, relativamente conhecido nos EUA. Ao ler o capítulo em que a jornalista, ex-repórter da UPI, dá carona ao agente do guitarrista e atende a seu pedido para assistir a um show do músico, a impressão que fica nos leitores mais novos é a de que, graças a pessoas como ela, Hendrix chegou ao topo. Evidentemente, trata-se de um exagero.
Em outros capítulos a jornalista é menos subjetiva e esquece que escreveu a biografia por ter sido amiga íntima do músico - tão íntima que leiloou dois maços de cigarros Salem fumados por Hendrix, servindo ainda como testemunha de defesa no processo que o músico enfrentou por entrar com heroína e haxixe no Canadá, em dezembro de 1969. Nesse episódio, a biógrafa garante que Hendrix estava limpo. Alega que a droga foi plantada em sua bagagem. Ela faz outras acusações sérias nessa biografia que não poupa a meia-irmã do guitarrista, Janie, nem a mulher que estava com ele na hora da morte, Monika Dannemann. A groupie, ou amante, teria demorado para avisar a polícia e chamar o hospital. Hendrix morreu de uma superdosagem de barbitúricos, sufocado no próprio vômito.
Teorias conspiratórias não são desconsideradas nessa como em outras biografias anteriormente lançadas. No entanto, o modelo do livro de Sharon Lawrence é mais convencional e menos policialesco: quer mostrar, como se diz, o homem por trás do mito. A jornalista é do tipo que ajuda os amigos a escolher roupas e atende a pedidos de socorro às três da madrugada - e Hendrix, em ambos os casos, sempre recorreu a ela, a considerar o relato da autora. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo

                      

Os bandidos não chegaram ao poder via golpe de estado. Foram eleitos pela maioria que voltará as urnas, de novo, ano que vem

                                  

O Brasil sempre foi um chiqueiro ético, principalmente a partir de 1808 quando, se borrando de cagaço de Napoleão (que, de fato, iria carcá-lo) D. João VI e tod a Corte se mandou de Portugal para o Rio de Janeiro. Foi quando começou a esculhambação macunaímica que teve como marco a criaçãõ do Banco do Brasil, em 12 de outubro deste mesmo 1808, para dar mesadas para o D. João. Só para isso.

O mar de lama e o estado brasileiro sempre andaram de mãos dadas, se beijaram na boca (com língua), bagunçaram bordéis. Mas por mais que larápios históricos tenham sapateado sobre a decência, nunca o estado brasileiro foi assaltando com tanta desfaçatez, virulência e apetite como desde 2005, sob o jugo do PT, uma quadrilha de proporções épicas conseguiu devorar até a Petrobrás.

Na última quarta-feira, quando um senador e um banqueiro foram em cana também por roubalheira, a ministra do STF, Carmem Lúcia, disparou com muita lucidez, precisão e sabedoria. Lembro que a Ação Penal 470 é aquela do Mensalão, quando o esgoto começou a vazar:

"Na história recente da nossa pátria, houve um momento em que a maioria de nós, brasileiros, acreditou no mote segundo o qual uma esperança tinha vencido o medo. Depois, nos deparamos com a Ação Penal 470 e descobrimos que o cinismo tinha vencido aquela esperança.

Agora parece se constatar que o escárnio venceu o cinismo. O crime não vencerá a Justiça. Aviso aos navegantes dessas águas turvas de corrupção e das iniquidades: criminosos não passarão a navalha da desfaçatez e da confusão entre imunidade, impunidade e corrupção.

Não passarão sobre os juízes e as juízas do Brasil. Não passarão sobre novas esperanças do povo brasileiro, porque a decepção não pode estancar a vontade de acertar no espaço público. Não passarão sobre a Constituição do Brasil” ", disse a ministra.

Aqueles que esperam o Brasil se endireitar para atingir seus objetivos existenciais estão fritos. Desde sempre parte desse país se mostra viciada em podridão, calote, banho, corrupção. Repito: nunca o estado foi assaltado como atualmente, mas a história do país registra mar de lama o tempo todo. Foi assim com o pai do trabalhismo (logo, do PT), Getúlio Vargas, foi assim no Império, foi assim sempre.

Hoje nas ruas o que mais ouvi foi “o Brasil está parado”. Sim, está parado. Não porque o PT deu um golpe de estado e assumiu em janeiro de 2003. Ele chegou ao Palácio do Planalto vencendo uma eleição no segundo turno. Lula foi eleito pela maioria da população e depois reeleito. Mais tarde fez Dilma presidente que, ano passado também foi reeleita em segundo turno (polêmicos 51,64% dos votos contra 48,35% de Aécio Neves) e tomou posse em 1 de janeiro.

Todos os bandidos do Congresso foram eleitos pelo voto popular, bem como governadores, prefeitos, deputados estaduais, vereadores. Se o Brasil se transformou numa bandidolândia (colocando no Senado até ex-presidente da república que foi chutado de Brasília por corrupção) é porque a maioria da população votou nos bandidos. Mais uma vez.


Logo, caros leitores, só nos resta torcer para que no ano que vem (eleições municipais) a maioria da população não repita o erro, ou o vício de votar em salafrários. E que em 2018 (caso o mandado da presidente siga até lá) a maioria, por obséquio, não vote em quem votou.

Por favor.



quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Faxina afetiva de final de ano

Estou fazendo uma faxina afetiva neste final de 2015, especialmente em relação a um episódio de injúria e difamação (único em minha existência) que me atingiu uns anos atrás e que já cremei e joguei as cinzas no esgoto.
O episódio me custou um amigo entre aspas (o cara acreditou em quem me difamou) e alguns colegas. A maioria caiu em si, me pediu desculpas e eu, claro, relevei. Mas esse meu amigo permaneceu mudo, sonso, omisso.
Ano passado dei a última chance: enviei um torpedo (SMS) para o celular que acho que ainda é o dele. Mensagem extremamente sincera. Desejei Feliz Natal e um 2015 com muita Saúde e Sucesso. Mandei a mensagem e, se o celular ainda for o dele, recebeu. Se não for ficarei sem saber.
Dizem que zerar o nosso “odômetro afetivo” faz bem a saúde e essa época do ano é muito propícia para isso. Felizmente, não há mais casos graves a serem resolvidos e relevados mas, ainda assim, prossigo na faxina. Quero entrar em 2016 totalmente certo de que fiz a minha parte.
Não vou aconselhar ninguém a fazer o mesmo porque cada um é cada um e a vida não é cabeça de porco do governo com seus regulamentos estéreis. Minha vontade, somente ela, me fez mandar o tal SMS. Espero que o destinatário tenha lido e caído em si. Se não caiu, lamento. Muito. Na certeza de que seguem a vida, os rumos e, sobretudo, a Justiça Divina.



quarta-feira, 25 de novembro de 2015

A ditadura do politicamente correto quer brochar o planeta, enfiando uma burca na essência da mulher

Os nazistas se consideravam os politicamente corretos da Alemanha” - Leandro Narloch no livro “Guia Politicamente Incorreto da História do Mundo”
Um programa de TV de grande audiência, metido a politicamente correto, mostrou, dias atrás, várias mulheres (algumas muito interessantes) e uns caras se dizendo horrorizados com as cantadas, piadas e “olhares mal intencionados” que “oportunistas” disparam contra as “mulheres de bem” que perambulam pelas ruas. O que está entre aspas foi dito pelos participantes do tal debate.
Para provarem o tal “crime”, copiaram o que eu já tinha assistido num canal de TV norte-americano. Instalam uma câmera nas costas de uma mulher de shortinho jeans gostosíssima e as imagens “flagravam” os “meliantes”, “tarados”, “pervertidos” e afins olhando, contemplando, curtindo. Na sequência, cortaram para o estúdio onde os debatedores só faltaram pedir pena de morte para os supostos pervertidos e suas “ofensas” contra as mulheres.
Não estou entendendo nada. Nada. A mulher procura uma alimentação equilibrada, faz ginástica, vai ao cabeleireiro, se maquia, se depila, adora roupas sensuais (viva!), na medida do possível lê bons livros eróticos, quem sabe um filme mais ousado de vez em quando, em muitos casos busca terapias para se relacionar melhor com a sua liberdade interior, está cada vez mais culta e bem informada, enfim, tudo bem? Não.
Depois da revolução social do pós II Guerra que culminou com o início da libertação da mulher nos anos 1960, que acabou se consagrando nos anos 1980, mergulhamos no século 21 sob o signo do atraso. E mais uma vez a mulher paga a conta.
Esse papo na TV que mostrei lá em cima é uma amostra de que realmente vivemos tempos que clamam mulheres vestindo pijamas de flanela brancos de bolinhas pretas, calções brochantes, sutiãs coador de café e a criminalização radical dos prazeres “ocultos”, logo nefastos, bem como fantasias “imersas em devassidão” da mulher, eterna condenada a ser “profissional do lar”, mãe, esposa, rainha do papai-mamãe e das novelas boçais.
Estou convencido desde a adolescência de que essa mulher carola, submissa, espetada nas cruzadas dos regulamentos moralóides não existe porque, queiram ou não os machistas mais primitivos, as fantasias da mulher estarão sempre a dois milhões de anos luz a frente das dos homens. Não foram poucas as mulheres que me concederam o privilégio de falar sobre repressão, ação, reação, liberdade, libertinagem, etc. etc. etc. E muitas me disseram que gostam de ser admiradas na rua, na livraria, no mercado, na praia, na padaria, no avião, na vida. Logo, esse moralismo do terceiro milênio, com um jeitão de Idade Média (ou seria Idade Mídia?) não encontra espaço na mulher que conseguiu romper com o machismo, com o atraso, com conceitos que fedem a naftalina enquanto apodrecem nos armários de vime dos conceitos e preconceitos.
Sei que é incorreto, mas quando cruzo com uma mulher gostosa na rua, paro, viro o pescoço e olho. Meu inconsciente deve tramar algum macete pois nunca fui flagrado por uma delas. Nunca. Lembrando que mulher gostosa não tem cor, altura, idade, peso, nada. Mulher gostosa é como música boa. Bate e fica. Não tem explicação. Por respeito jamais emiti qualquer som. Ainda assim, para evitar um desatino perante uma cavala bem assombrada, boto a mão na boca.
Ah, Drummond. Ah, grande Carlos Drummond de Andrade que em vez de assobiar “fiu fiu” escreveu o belo poema “A bunda, que engraçada” que lá pelas tantas se desmancha: “(...) A bunda basta-se/ Existe algo mais?/ Talvez os seios/ Ora - murmura a bunda - esses garotos/ ainda lhes falta muito que estudar/ A bunda são duas luas gêmeas em rotundo meneio/ Anda por si na cadência mimosa, no milagre de ser duas em uma, plenamente(...)”
Falo com a certeza de que jamais em tempo algum molestei, cantei, encoxei em ônibus/barca/metrô/avião, enfim, só contemplei o que (não nego) é o maior patrimônio da Natureza, razão de viver, centro do Universo: a mulher. Olhar, sorver, contemplar sem atacar é um direito. Por isso, olho. Dos 18 aos 100 anos, mulher gostosa é mulher gostosa. Luis Buñuel não acreditava em “mulher sem bunda”. Muito menos eu, mestre. Existem belas bundas retas, retinhas.
Catherine Deneuve, que mesmo arfando, suando, passando mal mesmo, consegui entrevistar nos anos 1990, é proprietária de uma. Belíssima.
Meu único acidente de trânsito foi uma varada na traseira de um caminhão que freou numa rua aqui da cidade. Uma diva saía de uma galeria como as lavas do Vesúvio inundando Pompéia. Zonzo, bati. Zonzo, confessei minha culpa. Zonzo, parti sem telefonar para o seguro, porque as companhias de seguro não toleram a luxúria.
Certa vez escrevi que o brasileiro, elegantemente, cede a frente as damas em entradas de elevador, escadas de ônibus, portas de restaurantes não por educação, mas pela oportunidade de contemplar o dorso por três segundos. Já filosofava a extinta Rádio Relógio que o segundo é um milagre que não se repete e esses três segundos podem gerar euforia por horas.
Dias. Anos.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Esse replay, não!

Nova Friburgo, janeiro de 2011
Nada, absolutamente nada foi feito para que outras catástrofes climáticas não transformem, DE NOVO, a vida de quem vive, por exemplo, em Teresópolis, Petrópolis e Friburgo numa tragédia, como em janeiro de 2011. Pior: leio nos jornais que os candidatos a prefeitos dessas cidades já gastaram muito mais comprando eleitores do que as prefeituras na reconstrução dessas cidades.
Estamos na primavera e com ela o início do ciclo das chuvas pesadas. Se (isola!) acontecer uma nova tragédia será culpa das condições meteorológicas? Não, absolutamente não. A culpa será desses moleques, safados que fazem politicagem jogando todas as fichas no cassino do esquecimento. Acham que o eleitor já esqueceu que 900 pessoas morreram soterradas/afogadas em janeiro de 2011. Não, não esqueceram! Ou esqueceram? Sinceramente, não sei.
Já nos anos 70 era rotina: entrar num carro de reportagem para cobrir inundações em cidades serranas e, também, no norte e noroeste do Estado do Rio. O mesmo drama, a mesma lama, as mesmas lágrimas, o mesmo sofrimento, as mesmas promessas e, lamentavelmente (dou a mão a palmatória) o esquecimento.
Na época, colegas veteranos diziam que já tinham feito o mesmo trabalho nos anos 50 e 60, ou seja, o drama dos flagelados pela chuva é mais do que crônico, é uma vergonha. Numa cidade do norte fluminense quase apanhei porque quis o destino que eu ouvisse o comentário de um graduado funcionário de uma prefeitura com um colega. Ele disse “estado de calamidade pública é bom porque dispensa licitações”. Ouvi e, inexperiente, reagi ligando o gravador solicitando que o cidadão repetisse o que tinha acabado de falar. Quanta ingenuidade. Por pouco não levei um tiro na cara.
Levei algum tempo para me convencer que para os corruptos desgraça é lucro, flagelo é celebração, tragédia é dinheiro no bolso, ou na cueca, ou sabe-se lá onde e tome barcos navegando em ruas e avenidas, gente humilde acuada nos telhados e eles, os corruptos, manipulando verbas, estados de calamidade pública, enfim, chutando a nossa cara.

Quando veio a tona a roubalheira do dinheiro que arrasou Friburgo e Teresópolis, onde centenas morreram, além de fúria senti vergonha. Vergonha de ser da mesma espécie desses répteis. Fazer o que? Escrever. Escrever sempre porque o silêncio só gera dúvidas.
Sensação de arrego.

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Apaixonado por si mesmo, o ególatra é viciado em seus próprios problemas e vampiriza ideias alheias

Original publicado em julho de 2013
Ególatra, segundo o Michaelis: “aquele que cultua o próprio eu; praticante da egolatria”.
Tempos atrás encontrei um ególatra na rua. Estava andando rápido pelo centro do Rio em direção a uma livraria (esqueci dois livros no balcão) e o ególatra vinha no sentido contrário. Sozinho, é claro, porque ególatras são seres socialmente insulares, consagrados como malas, cricris, chatos pra cacete que, também viciados em seus problemas (de quem mais?), tem sempre um na ponta da agulha para estragar o nosso dia.
Você não sabe o que me aconteceu...”, eles começam a cacarejar antes de destilar seus draminhas cotidianos que burbulham as dúzias, centenas, milhares. Tanto que os conhecidos desses mamíferos, que vivem fugindo (deles) por aí, quando são flagrados, por exemplo, ao telefone ao invés de “alô” perguntam “qual é o problema?”.
Tentei escapar, mas quase fui atropelado por um táxi. Caí no alçapão que separava a calçada da rua, obra do VLT. O cara me encheu o saco por exatos 53 minutos de monólogo, já que ególatras não conversam, eles ditam regras, procedimentos, normas, dias, horas, minutos, enfim, montam seu diálogo interno e exportam de qualquer jeito. Só se calam quando se sentem saciados.
O sujeito contou uma longa história que na verdade pertencia a outra pessoa. Disse que fez um vitorioso projeto na área florestal que todo mundo (ou quase todo mundo) sabe que é de autoria de outro. Só que essa outra pessoa morreu e o ególatra simplesmente vampirizou o projeto.
Assumiu como dele, patologicamente convencido que é mesmo dele e até andou tentando vender para algumas empresas que, alertadas, não fecharam o negócio. Continua andando por aí, sempre babando ovos, puxando sacos dos poderosos, milionários, de preferência corruptos. Como diz um amigo meu “essa laia é como tatu. É só ver um buraco que entra”.
Ele se convidou para tomar um café e já que eu estava junto acabei indo. Estávamos na rua do Ouvidor onde gosto de tomar café em silêncio, imaginando Machado de Assis, sempre muito discreto e tímido, sussurrando com seus contemporâneos: Artur de Azevedo, João do Rio e, quem sabe, Euclides da Cunha. Mas o ególatra não permite que façamos silêncio.
Falando (de si) sem parar (problemas, problemas, problemas) e papos envolvendo delirantes milhões de dólares, ele pediu o café, pediu o adoçante, pingou na minha xícara, mas eu estava tão absorto diante daquele espetáculo imbecil e calhorda que deixei rolar. Para o ególatra não existe tu-eles-nós-vós-eles. Só existe o EU.
Eu fui ver Roger Waters no Morumbi”, ele disse. “Fiquei na área VIP e durante vários minutos percebi que Roger tocava olhando para mim. Já aconteceu isso com você?”, perguntou misturando o cafezinho. Eu disse que não. Ele fez uma cara de “só comigo porque sou f*$@#&*%oda, isso não é para qualquer um”.
O pior da história foi quando ele me confidenciou: “muito entre nós porque, você sabe, sou low profile, mas Roger Waters me procurou e pediu que eu ajudasse na escolha do repertório do show”. Doença? Não. Transtorno mental? Não. É mau caratismo mesmo.
Eu, eu, eu. “Eu fiz, eu comi, eu fui, eu voltei, eu decidi, eu...cof! cof! cof!”. O ególatra engasgou com o café quente, teve uma crise de tosse e golfou na calçada. O dono do bar, grosseiro, não fez por menos: “porra, isso aqui não é lugar de bêbado”. O ególatra não reagiu. Estava transtornado com o vexame. O vexame de ser gente. Gente comum, que teve uma crise de refluxo, sei lá.
Determinou que eu pagasse os cafés e saiu correndo, literalmente. O dono do bar olhou pra mim com uma cara esquisita, resmungou, eu disse “o cara passou mal, mas não estava bêbado”, o homem deu de ombros e iniciei o caminho de volta a praça 15 para embarcar no catamarã.
Pensei no ególatra. O que é pior? Sofrer de baixa estima, se achar um cocô, um réptil e mesmo assim brilhar, fazer coisas, acontecer ou se achar um Nero, um clone dos outros, um estelionatário existencial, uma versão bípede de Zeus e não fazer coisa alguma? Afinal, 100% dos ególatras que conheço estão existencialmente falidos. Mulher/homem nenhuma atura e, no trabalho, são logo despachados porque rapidamente assumem a postura de “donos do estabelecimento”, quando na verdade são empregados. Ahhhh, pobre de ti se “xingar” um ególatra de empregado. Ele vai quebrar o espelho. Na sua cara.
Atravessando a Baía de Guanabara pensei no sujeito. Não, nada de “coitado, é uma vítima de si mesmo”. Ao longo da vida prejudicou muita gente. Roubou propriedades intelectuais, surrou mulheres, bateu em homens velhos, fez qualquer negócio (em especial os mais imundos) para chegar onde acha que chegou.
Naquele momento, em algum lugar do Rio de Janeiro, aquele homem perigoso, alma perigosa, apaixonado crônico por si mesmo, procurava a próxima vítima, para desfiar seus draminhas, delírios, seu nazismo existencial e, de repente, voar na sua jugular e sequestrar o seu cotidiano.
Cuidado.


domingo, 22 de novembro de 2015

O nojo do povo brasileiro

Nós brasileiros nunca tivemos vocação nacionalista. Simples, essa vocação é consequência da contraprestação de serviços do Estado e o Estado no Brasil sempre foi inimigo declarado do cidadão. Prefeituras, governos estaduais, governo federal desde sempre exploram, ofendem, multam, dão facadas e a reação popular não podia ser outra.

Nos anos 1990 a pipa brasileira estava finalmente subindo. Ia tudo muito bem, inacreditavelmente bem até que, eleito pelo povo, o PT acabou com tudo, um processo de molecagem misturado a corrosão iniciado em 2005 com o escândalo do mensalão que culminou com a quebradeira da Petrobrás por corrupção e incompetência generalizada que levaram o país a uma “estagflação”, mistura de estagnação provocada pela recessão somada a inflação. Mais: desemprego, miséria, vergonha por toda a parte.

Soma-se a isso o deboche deslavado do presidente da câmara dos deputados (assim mesmo, em letras minúsculas) que diariamente cospe na nossa cara o seu cinismo, cara de pau, deboche, negociando com o governo arreganhado, capaz de fazer qualquer negociata para continuar nas nossas tetas.

Nós brasileiros que nunca tivemos vocação para o nacionalismo estamos com nojo. É o que ouvimos nas ruas (onde essa gente que manda no Estado não tem coragem de pisar) é puro ódio, vergonha. Nos ônibus, trens, barcas, táxis, nas rodas de conversa de classe média, classe alta, rodas de samba, enfim onde tem brasileiro tem o ódio ao governo, ódio ao que nos habituamos chamar de “isso tudo que está aí”.

Amigos meus que vivem há anos fora do Brasil, que começavam a planejar um retorno, abortaram os planos. Também estão enojados, envergonhados e alguns se sentem até prejudicados moralmente falando já que , no exterior, a imagem do Brasil (de latrina corrupta) mistura-se a imagem dos deles, brasileiros, que muitas vezes ouvem coisas extremamente desagradáveis.

E tudo isso sob o mando do silêncio. Ódio silencioso. Ouço gente desejando a morte de A, B e C, vejo aquela famigerada “boa índole do brasileiro” descer ralo abaixo. Com seu futuro sequestrado, o presente difícil, o cheiro nas ruas é de sangue. Sangue pisado de quem não aguenta mais tanta molecagem, tanto despudor, tanta orgia.


É isso aí.

sábado, 21 de novembro de 2015

Pré-estréia de “Introdução a Música do Sangue” abre a sensacional Mostra Luiz Carlos Lacerda no Cine Arte UFF

                                                                           


                                                                           
Luiz Carlos Lacerda, o Bigode
Nesta sexta-feira fui a pré-estreia do novo filme de Luiz Carlos Lacerda, o Bigode, no Cine Arte UFF, em Niterói. Chama-se “Introdução a Música do Sangue” e abriu a Mostra Luiz Carlos Lacerda que vai exibir parte da obra do genial diretor, que neste 2015 celebra 50 anos de Cinema, com C maiúsculo.
Fundamental comparecer já que, além da genialidade do Bigode, o novo Cine Arte UFF está espetacular, com equipamentos de vídeo e áudio de última geração, novas cadeiras, novo ar condicionado, enfim, é um orgulho para o país.
Programação:

Hoje, sábado, 21 de novembro - “Leila Diniz”, biografia da revolucionária Leila.

Amanhã – 19h30m - “O princípio do prazer” - Dois casais arrendam uma fazenda no interior e se entregam a uma vida de ócio e prazeres sexuais até a chegada de um novo empregado.

21h30m - “Fora all: o trampolim da vitória” - Em 1943, os EUA constroem em Natal a maior base militar fora de seu território e uma família local tem a sua vida abalada.

Terça – 19h30m - “Casa 9” - documentário sobre a casa onde Bigode morou nos anos 1970 e que se tornou ponto de referência do movimento cultural de resistência.

Quarta – 19h30m - “Viva Sapato” - Uma dançarina cubana abandona o casamento e vem para o Brasil abrir um restaurante coma tia.
O telefone do Cine Arte UFF é 3674-7512.
Antes da exibição do filme (cinema cheio), Bigode foi convidado a falar para a platéia; Emocionado, disse que sua ligação com Niterói é histórica, “uma cidade que a Leila Diniz me disse uma vez: ´vou te levar para conhecer a minha terra`. 
De lá para cá meus laços com Niterói se aprofundaram especialmente a partir da inauguração deste cinema, em 1969.
Íamos ali para a pracinha em frente que chamávamos de “quadrilátero da cultura” e falávamos de tudo. 
No início dos anos 90, o então prefeito Jorge Roberto Silveira cedeu a Sala Carlos Couto do Teatro Municipal onde fiz uma oficina de Cinema e Vídeo durante dois anos, formando muita gente que mais tarde foi premiada e reconhecida”.

Introdução a Música do Sangue” é uma trama que se passa na Zona da Mata de Minas Gerais e aborda com lirismo o dramático cotidiano de um casal de idosos (vivido por Ney Latorraca e Bete Mendes), o tédio da vida no campo, a enigmática presença de Maria Isabel (Greta Antoine) e Chico (Armando Babaioff), desejo reprimido, frustrações, enfim, em tempos de cinema brasileiro levemente imbecil (as famigeradas comedias românticas), o filme do Bigode é um estranho no ninho. Ainda bem!

Há 50 anos ele recebeu de Lúcio Cardoso o argumento do filme. Bigode”, como Lacerda é conhecido, contou ao site Divirta-se Uai que “Lúcio me entregou um papel, mas não entendi nada do que falou”, relembra enquanto passeia pela plataforma da antiga estação de trem de Abaíba, lugarejo entre Cataguases e Leopoldina, na Zona da Mata, a 340 quilômetros de BH. O cineasta descreve a cena de 50 anos atrás, quando o escritor mineiro Lúcio Cardoso lhe deu o argumento de Introdução à música do sangue.

“Foi Lelena Cardoso, a irmã de Lúcio, quem ajudou o jovem aspirante a diretor a entender o recado, pois a fala do escritor ficara comprometida depois de ele sofrer um acidente vascular cerebral (AVC). “Isto aqui é para você filmar um dia”, traduziu ela.
Não é exagero afirmar que Luiz Carlos Lacerda é genial. 

De acordo com o conceituado site Filme B, ele tem como realização muito marcante o filme Leila Diniz (1987), retrato de um dos maiores ícones femininos do país, de quem foi grande amigo.

Aos 19 anos, começou a trabalhar como assistente de direção de Onde a Terra começa, (1965) de Ruy Santos. Mas sua "escola" no cinema foi o set dos filmes de Nelson Pereira dos Santos, de quem foi assistente de direção em diversos filmes, entre eles, Azyllo muito louco(1969) e Como era gostoso o meu francês (1970).

Na área da produção, participou de Chuvas de verão (1978), de Carlos Diegues, Eu te amo (1981), de Arnaldo Jabor, e O homem da capa preta (1986), de Sérgio Rezende, entre outros. 

Estreou na direção com uma adaptação do romance homônimo de Lúcio Cardoso, Mãos vazias (1971). Também fez filmes publicitários, produziu seriados e novelas para a Rede Globo.

Roteirizou e dirigiu cerca de 30 curtas-metragens e vídeos, todos sobre temas ou personalidades da cultura brasileira, como Lúcio Cardoso, Cecília Meirelles, Antonio Parreiras, Barão de Itararé, entre outros. Entre 1992 e 1993, foi professor da Escuela Internacional de Cine e TV de San Antonio de Los Baños (Cuba), em 1999, passou a dar aulas de cinema da Universidade Estácio de Sá.

Filmografia selecionada:

Diretor

  • A mulher de longe (2012)
  • Casa 9 (2011)
  • Viva sapato! (2004)
  • For all – O trampolim da vitória (1997). Codirigido com Buza Ferraz.
  • Leila Diniz (1987)
  • O princípio do prazer (1978)
  • Mãos vazias (1971)

Roteirista

  • Viva sapato! (2004)
  • For all – O trampolim da vitória (1997). Codirigido com Buza Ferraz.
  • Leila Diniz (1987)
  • O princípio do prazer (1978)
  • Mãos vazias (1971)


Produtor

  • For all – O trampolim da vitória (1997). Codirigido com Buza Ferraz.
  • Leila Diniz (1987)
  • O rei do Rio (1978), de Fábio Barreto
  • O princípio do prazer (1978)

Diretor de produção

  • O homem da capa preta (1986), de Sérgio Rezende
  • Bar Esperança: o último que fecha (1982), de Hugo Carvana
  • Tensão no Rio (1982), de Gustavo Dahl
  • Eu te amo (1981), de Arnaldo Jabor
  • Amor bandido (1978), de Bruno Barreto
  • Chuvas de verão (1978), de Carlos Diegues

Assistente de direção

  • Amuleto de Ogum (1973), de Nelson Pereira dos Santos
  • Quem é Beta? (1972), de Nelson Pereira dos Santos
  • Como era gostoso o meu francês (1970), de Nelson Pereira dos Santos
  • Azyllo muito louco (1969), de Nelson Pereira dos Santos
  • Fome de amor (1967), de Nelson Pereira dos Santos
  • El justicero (1966), de Nelson Pereira dos Santos

  • Onde a Terra começa, (1965) de Ruy Santos

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Quando o grupo Renaissance bateu recorde de audiência no Expresso da Madrugada

Impressionante. Domingo último programei um clássico do grupo inglês Renaissance em meu programa Expresso da Madrugada, que vai ao ar de domingo a domingo, meia noite a seis da manahã com o que existe de mais incorreto, ilógico e absurdo do rock & blues. O programa vai para os ares na Radio Cult FM que mora em www.radiocultfm.com. Já ouviu?
A canção que programei foi “At The Harbour” do antológico álbum “Ashes are Burning”, de 1973, que conheci quando trabalhei na Rádio Federal AM, a primeira emissora totalmente rock (do bom) do Brasil, pilotada por Marcos Kilzer, Jorge Davidson e Carlos Siegelman. Pus a música na Coluna sugerindo que vocês ouvissem durante a leitura.
No post do You Tube escrevi: “Uma das mais belas introduções que já ouvi. Quase dois minutos com o piano de John Tout.” Mais tarde, Servio Tulio, músico e multitudo, acrescentou: “Este álbum é histórico. Esta introdução de piano e a parte central da música na verdade são trechos de um prelúdio de Debussy chamado "A Catedral Submersa" = La Cathedrale engloutie. Este disco tem diversas citações de peças clássicas.”
Não sabia que Claude Debussy estava nessa bela história, justamente ele que é um de meus compositores clássicos preferidos. Servio matou a charada sobre o astral altíssimo da música que ganhou uma outra e certeira definição do outro leitor chamado Guilherme B Cairo. Ele disse: “Renaissance é tão bom que chega a doer o coração!”
Pois é Guilherme, é essa a sensação que a introdução e os meandros de “At The Harbour” provocam em mim e em outras milhões de pessoas. Tenho um amigo que assistiu ao grupo no Royal Albert Hall, Londres, meados dos anos 1970 e quando chegou a hora e a vez de “At The Harbour” ele não aguentou e se afogou em lágrimas. Olhou para o lado e todos os que estavam em sua fila (a terceira, banda na cara) choravam copiosamente.
Ontem, quando postei a canção no Facebook um nó fechou a minha garganta. O piano de John Tout com o tema de Debussy me arrancou do computador e me atirou em telas, campos, mares, passado, presente, futuro, caramba eu girei pelo mundo, pelas civilizações e, sobretudo, fiz uma visita de cortesia a meu afeto, que me recebeu com um abraço apertado.
Essas músicas que geram sentimentos, agudos, profundos, intermináveis e à prova de tempo, não tem a menor explicação. Junte-se ao som a honestidade visível de Claude Debussy com a do Renaissance e não poderia desembocar algo diferente de água azul, aves coloridas, uma certa paz de espírito alternada com o torpor da saudade. Músicas assim carimbam a nossa alma e eu me vi, de novo, beijando uma linda e totalmente incorreta (que maravilha!)morena que namorava nesses tempos de Oceano Atlantico azul, céu lotado de estrelas ascendentes, luares transcendentais que os poetas costumam chamar de “eras que não voltam mais”.
Sim, não voltam, mas o Renaissance e outros nomes da música tem o poder de nos levar a uma visita guiada a nossos museus. Museu da Infância, da Adolescência, do Amor, da Paixão, enfim, museus que vamos abrindo ao longo da vida.
Vida que - essa música sugere - não deve ser corrida, ansiosa. Paz, a tal paz que desejamos em cartões de ano novo, certos de que não a encontraremos porque, irremediavelmente quando uma música dessa toca, a paz é quem nos procura, encontra e beija.

Na boca. Incorretamente.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Conexão Mariana-Paris: a Terra é o império das más notícias

Ontem me perguntaram se o jornalista acaba perdendo a sensibilidade ao longo do tempo, já que seu trabalho envolve, também, a cobertura de tragédias. Respondi que não. Há mais de 40 anos trabalhando em mídia fui obrigado a testemunhar muitas tragédias, dezenas e dezenas delas, mas não me tornei insensível. Trombas d´água que arrasaram cidades, chacinas, acidentes de avião, atentados terroristas, acidentes de carros e por aí vai. O curioso é que o vilão de todas as histórias é um só, o ser humano.

Nos últimos dias rolou uma discussão boçal no Facebook, um sórdido campeonato de tragédias. Algumas pessoas criticavam as que sofriam com a chacina em Paris dizendo que deveriam sofrer pelo drama de Mariana, Minas, porque fica no Brasil. Ou seja, querem estabelecer uma espécie de ditadura xenófoba do sentimento humano.

A maioria diz que a bruxa está solta mas o fluxo de más notícias sempre imperou. Ou seja, a bruxa sempre andou solta. A quantidade aumenta porque a tecnologia de informação avança. Fico imaginando se tivéssemos essa farta tecnologia nos tempos do império romano. O que assistiríamos? E a história de Jesus, a perseguição aos cristãos atirados aos leões no Coliseu? Será que a CNN entraria ao vivo ou já seria politicamente incorreto?

Hoje se alguém solta um estalinho no Vaticano, dois minutos depois tem alguém transmitindo ao vivo. Site, TV, rádio. Há 30 anos atrás era bem mais lento. A II Guerra Mundial praticamente não teve cobertura e os raros e heroicos correspondentes de jornais esperavam dias até suas reportagens serem publicadas. A guerra do Vietnã, que acabou em 1975, só foi “exibida” em toda a sua estupidez pelo cinema tempos depois. Mas a partir da revolução dos satélites de telecomunicações (meados da década de 1970) a coisa virou. E, logicamente, até problemas de flanelinhas na Praça Vermelha em Moscou podem ser vistos ao vivo em nossos celulares.

O ser humano é o principal agente do caos. Sempre foi. A mistura de ser humano com politicagem agrava as coisas, como no caso de Mariana cuja barragem sem fiscalização dos governos já estava condenada e em Paris onde a patologia do fundamentalismo religioso desgraçou mais uma vez. Como no início do ano na mesma Paris e também em vários outros lugares. Para saber basta ligar o celular, o tablet, olhar em volta.

A região metropolitana do Rio vive uma guerra civil. A de São Paulo também, a de Minas...bom, vou mudar o início do parágrafo. O Brasil vive uma guerra civil provocada pelo inchaço populacional eleitoreiro somado a densidade demográfica intolerável, governos ladrões e incompetentes e, lá na ponta, a mídia que narra a história. Por isso os regimes totalitários, nazi-fascistas tem tanto interesse em calar a boca dos jornalistas; não querem que o horror que provocam chegue à tona.

Ou seja, más notícias sempre deram o tom. O que aumentou – e muito – foi a quantidade (e qualidade) de tecnologia da informação.