sábado, 16 de janeiro de 2016

David Bowie


Lazarus
David Bowie

Olhe para mim, estou no céu
Tenho cicatrizes que não podem ser vistas
Tenho drama, não pode ser roubado
Todo mundo me conhece agora

Olha aqui, cara, estou em perigo
E nada tenho a perder
Estou tão chapado que isso faz o meu cérebro girar
Deixei meu celular cair
Isso não é tão eu?

No momento em que cheguei a Nova Iorque
Eu estava vivendo como um rei
Então usei todo o meu dinheiro
Estava olhando para sua bunda
Desta ou de nenhuma maneira

Você sabe, eu serei livre
Assim como aquele pássaro azul
Oh, eu estarei livre
Assim como aquele pássaro azul
Oh, eu estarei livre
Não é que isso é tão eu?


Pouco a dizer.

Coragem. A coragem da chuva faz meus olhos marejarem como as mutações, as revoluções, o existir gigantesco dos raros, dos determinados, dos gênios. 

Você.

Existir 500, 900, 800 milênios. Existir a prova de vento, a prova de tempo, a prova de morte. Seus ecos, muitos, punhais de aço luminosos perpetuados na história da moderna civilização, amarga e azeda nesse hoje esquisito e trapaceiro.

Pouco a dizer.

A mesma que descobriu marte, amores, paixões, descobriu curas. A mesma que padece de pestes brutais batizadas de idade média e politicamente correto. Em seus silêncios, muitos, o seu sorriso quase sutil ironiza, debocha, cospe nas pestes, pragas, senzalas. Caça/caçador, céu/inferno, paz/tormento. Bipolar em via pública, sem constrangimentos, sem cerimônias, sem morais amorais.

Pouco a dizer.

Gigante. É um gigante. Maior do que a chuva, a música, o teatro, cinema, pincel, tela. Maior do que o seu mundo, o seu palco, o seu caos, o seu tudo. Maior do que espelhos, mitos, arquétipos, personas, egos. Lenda. Viva. Ziggy, Lazarus. Heaven, Heaven, Heaven.


Sempre.