terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Egoísmo e falta de ética

                                                Foto postada por Gilson Monteiro no Facebook

Em sua página no Facebook (https://www.facebook.com/Gilson-Monteiro-895296430550156/?fref=photo) o jornalista Gilson Monteiro postou nessa terça-feira a seguinte nota:

Ética é atropelada no dia-a-dia de Niterói
Ética, palavra que vem do grego ethos e significa aqulio que pertence ao “bom costume”, “costume superior”, ou “portador de caráter”, parece ser, para muitos, um velha senhora ranheta que cobra regras e preceitos morais. Por isso, ela é atropelada sem piedade no dia-a-dia de Niterói, seja por políticos ou por cidadãos.

A ética é negligenciada principalmente por aqueles que, em nome de seus direitos, cobram-na firmemente dos outros. Motoristas estacionam nas esquinas de ruas e em frente a rampas para deficientes (foto); idosos usam o cartão que lhes dá a prerrogativa da vaga gratuita e deixam o carro parado nela o dia inteiro; ciclistas desrespeitam as normas de trânsito; e tem, ainda, aqueles que estacionam em vagas para pessoas com deficiência e, “milagrosamente”, saem andando sem muletas ou cadeiras de roda de seus carros.

Por que quebramos regras e preceitos morais e cobramos dos outros que sejam éticos? Cartas para a redação.”

Também acho que o egocentrismo, irmão próximo do egoísmo, é um sintoma de mau caratismo, de canalhice. Uma pessoa (?) que ignora princípios básicos de humanismo, solidariedade e generosidade e, por exemplo, estaciona o carro em frente a uma rampa para uso de deficientes, obstruindo a passagem de cadeira de rodas, é tão ou mais canalha do que os que ignoram a dor e o sofrimento alheio e caem na gandaia apesar de terremotos, enchentes, tragédias, sejam coletivas, sejam pessoais.

Brilhante como sempre, Herbert Vianna deve ter se inspirado num canalha desses para escrever a letra de “Fui Eu”, canção antiga dos Paralamas do Sucesso:

“Você olhou, fez que não me viu
Virou de lado, acenou com a mão
Pegou um táxi, entrou, sumiu
Deixou o resto de mim no chão

Vai ver que a confusão
Fui eu que fiz, fui eu

Há algo errado no paraíso
É muito mais que contradição
Sou eu caindo num precipício
Você passando num avião”

O egoísmo/egocentrismo são patologias incuráveis que atingem bilhões de pessoas desde que o mundo é mundo, ou como dizem os pessimistas “desde que o mundo é imundo”. O cara que só pensa em si, tem no próprio espelho a voz da consciência e, por exemplo, deixa um carro impedir a passagem de quem já tem a vida quase impedida, não merece respeito algum. Só que os mesmos pessimistas alertam que os egocentrados são muito mais e muito mais robustos do que imaginamos.

Será?

Como o Gilson, também ando cheio da suposta elegância desses egocentrados, pessoas de trânsito social farto, fácil, gente fixada em dinheiro, status, mas incapaz de pegar o smartphone de ouro falso e ligar para uma meia dúzia só para saber quem está vivo, quem está morto. São risonhos, agradáveis, palatáveis, arroz de festa, espalham confete e serpentina mas na hora do vamos ver estacionam o carro e bloqueiam uma rampa de deficientes. Literal e simbolicamente. São os mestres do "diz que não estou", "estou em reunião"

Será que um dia a humanidade assistirá, aplaudindo de pé, o crepúsculo das relações utilitárias, esse dá-lá-toma-cá que infesta nosso cotidiano? Se a presidente é capaz de afundar o país só para preservar o seu cargo (leia-se poder), qual a diferença dela para os fulanões que cultuam grana, força, vaidade, status e que se dane o resto?

Qual a diferença?