quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Um país que é derrotado por um mosquito em pleno século 21 não merece o respeito de ninguém

Ontem estava no trânsito, engarrafado. Chuva mansa lá fora. Prevendo que o trânsito daria um nó, sai bem mais cedo para não atrasar. Não atrasar é uma das minhas boas neuras. Os carros se arrastavam como jiboias bêbadas. Ao volante rostos cansadas, pesados, naquele para e anda que desafia a lógica (?) da paciência.

Nessas horas gosto de ouvir a rádio CBN. Desde garoto sou viciado em notícias e a CBN tem experientes e bons profissionais (nessa ordem; bom jornalismo é sinônimo de vivência) e transmitia ao vivo uma entrevista com um funcionários do Ministério da Saúde sobre microcefalia e o vírus Zika.

Encostado na parede, o funcionário (coordenador de emergências epidêmicas......blá bla blá) revelou dados gravíssimos. Números descabelantes que mostram, mais uma vez, a região Nordeste na vanguarda da miséria, do descaso, da esculhambação. Lá a microcefalia, segundo o M.S. via zika, impera. Seguido da região Sudeste.

Quando cheguei onde tinha que chegar, estava lá no Globo online: Registrados 3.893 casos suspeitos de microcefalia relacionados ao zika”.
Apesar de deixar claro que a microcefalia via zika não é um fenômeno do Brasil mas da América Latina (tirando o governo da reta, sempre) o funcionário não conseguiu esconder a preocupação. Depois de ouvir quase uma hora de explanação ao vivo, desliguei o rádio.

Microcefalia, dengue e similares são o resultado direto do esculacho, da incompetência, do atraso, tudo isso ancorado pela roubalheira ampla, geral e irrestrita. Um país que é derrotado por um mosquito em pleno século 21 não merece o respeito de ninguém.

Fica a sensação é de que tudo o que Oswaldo Cruz fez a partir de 1.900 combatendo pestes no Brasil (quase foi linchado, mas venceu), tornando o país uma terra saneada, foi para o esgoto imundo da politicálha barata. E policalha barata, canalha, moleca, dá em qualquer partido, em qualquer aglomerado de ladrões e safados.

A imagem do Brasil de hoje é a cara do ex-ministro sem papas na língua que disse a um jornalista do Globo, em plena entrevista, que “eu tinha de tratar com todo mundo, com empresário, com jornalista, com puta, com viado... Era coisa absolutamente natural.” Disse depois que se arrependeu, mas já era tarde.

Meu receio é que já seja tarde também para o Brasil. A esculhambação não tem limite.