quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Um papo sobre meu romance “5 e 15” e os prisioneiros de sua própria indolência existencial

No blog www.5e15lam.blogspot.com está publicada a nova versão de meu primeiro romance, “5 e 15”. Na íntegra.

Por isso, convido: acesse, leia, opine, compartilhe: www.5e15lam.blogspot.com.

Aqui, uma entrevista que concedi ao portal Whiplash em 2006, quando lancei a primeira edição impressa, já esgotada, lançada pela Tech & Mídia Comunicação Integrada, de Liliana de La Torre.

– Por que o livro se chama “5 e 15”?

– Quando assisti ao filme “Cidade dos Anjos” e vi a personagem da Meg Ryan fazendo cirurgias ao som de Jimi Hendrix, percebi que só os reacionários acham que rock, blues, música atonal são “coisas de maluco”. “5 e 15” é uma referência/homenagem à ópera rock “Quadrophenia” do The Who e uma de suas músicas se chama “5 e 15”. Mais, “5 e 15” é hora de alvorada e de crepúsculo em muitos lugares. Hora do rush. Além do que, por razões que o personagem centra, o psiquiatra Crimson deixa óbvias, o número 15 tem uma importância crucial para ele.

– Por que você chama de “Ficção Atonal Beta” na capa do livro?

- Como o romance eventualmente esbarra em pessoas verídicas, usei a expressão ficção atonal porque a música atonal, ou seja, sem tom, livre, permite devaneios fora da partitura; quanto a Beta é um jargão da informática que representa programas, sistemas que ainda estão em fase experimental. Como é meu primeiro romance, achei que seria muita prepotência não chamá-lo de Beta.

– É um livro de rock?

–  O rock está presente na vida do Crimson como trilha sonora e objeto de reflexão. Quadrophenia significa também um tipo de esquizofrenia. Está bem explicado na orelha do livro. Acho normal que muita gente pergunte se o livro é de rock, pois a minha história orgulhosamente está muito vinculada a essa manifestação cultural. Mas “5 e 15” é uma constatação de que a Ciência pode derrubar o império do narcotráfico, como também ditaduras de Estado, ditaduras caseiras (o personagem Otacílio mostra bem isso), enfim, eu acho que a Ciência é um dos braços mais poderosos de Deus.

- Você é jornalista, cronista. Como se sentiu escrevendo um romance?

- Comecei a rabiscar “5 e 15” em 1998. Mas parei. Não me sentia com capacidade suficiente para me embrenhar no maior desafio da Literatura que é o romance. Ia deletar as 70 páginas iniciais, mas antes entrei em um grupo de discussão literária na internet e mandei esses “rabiscos” para desconhecidos opinarem. Gente que tem muita intimidade com livros e por não me conhecerem não teriam constrangimento em falar o que pensam. Eles deram OK. Ainda assim parei de novo várias vezes. Amigos me incentivaram a finalizar. E em 2004 com o monitoramento da jornalista Raquel Medeiros, concluí a primeira versão. Mexi mais de trinta vezes e estaria mexendo até hoje.

– “5 e 15” é o primeiro de uma série?

- Comecei trabalhar em Jornalismo aos 16 anos. Aos 18, fui repórter de uma rádio popular e passava os dias em favelas, tiroteios, uma experiência crucial na minha formação profissional. Saí dessa rádio popular e fui trabalhar na rádio JB AM, a melhor e mais respeitada emissora de jornalismo do país na época. “5 e 15” traz vivências minhas a bordo do Jornalismo com J maiúsculo que exerci na rádio e Jornal do Brasil naqueles tempos de ditadura. Esse tipo de Jornalismo mostrou que nada é possível sem esperança. Provou que ou você acaba com o baixo astral ou o baixo astral acaba com você. Logo, farei outros romances. Sempre em nome da perseverança e otimismo. Sem pieguices. Não me convidem para pagode de hiena. “5 e 15” é esperança e os outros que virão também. Detesto vitimologia.

Press Release

“5 e 15” é uma condição atual. Luiz Antonio Mello conta com a mão pesada de Crimson, personagem nascido a fórceps e que tem DNA semelhante ao de Jack Kerouac, Willian Burroughs e Alen Grinsberg.

Como o lobo que tanto sabe viver só como em bando, Crimson corre atrás de um ideal humanitário para sua “alcateia”: a cura para os males de uma sociedade atormentada pelas angústias do país, do mundo.

Crimson busca obsessivamente a fórmula que extirpe uma guerra química que corrói veias e detona cabeças em fuga patológica e de outras moléstias como corrupção e falta de ética.

Inspirado no título de uma das músicas de Pete Townshend na ópera rock “Quadrophenia” (de 1973), “5 e 15” tem vilões que como os britanicamente pontuais relógios das estações de trem, tentam jogar o mundo no fundo da lama com hora marcada. Mas Crimson luta. Utiliza miligramas líquidos, sólidos e gasosos e nos convida a conhecer desvios. Desvios necessários para chegar à fórmula libertadora. A fórmula quimicamente perfeita dos libertários e prisioneiros de sua própria indolência existencial.
Crimson não conhece a desistência. Só a resistência.

Ao acabar de ler “5 e 15” olhe para o céu. Lá está o relógio da verdade de cada um de nós. O que Carl Gustav Jung já chamou de individuação. Os ponteiros de relógios de muitas vidas que se foram e de outras salvas por “homens-Crimson”. Um relógio que tem uma máquina mais precisa que as suíças e que é eternamente grata aos que não desistem de seus sonhos.

Aos que enterram suas memórias ruins, não olham para trás e que acima de tudo, refletem a luz dos que não tem medo de andar na contramão. Na pista ao lado, os imbecis com seus relógios marcam um tempo que aprisiona e mata. Essa não é a estrada de Crimson e se você escolheu esse livro não é a sua também. Eu tenho a honra e o prazer de apresentar a você, Crimson e sua saga. 

Em dose única e vital.