segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Mesmo ladrão, incompetente e burro o Estado se mete onde não é chamado

            Com essa suburbana mania de querer dar uma de Estocolmo, Niterói virou fábrica de ciclofaixas as moscas                                                                      
Suécia, Dinamarca, Áustria são países onde o Estado faz questão de não se meter na vida dos cidadãos. Os Estados Unidos também. Os democratas que pensam grande se comportam assim: quanto menos Estado na vida das pessoas, melhor.

Desde 1.500, no Brasil o Estado não se satisfaz se metendo na vida de todo mundo. Além de se intrometer, atrapalha. No caso de Niterói, a situação chega a ser bizarra. 

Tempos atrás fui ao centro da cidade e, na volta, andei até a principal avenida da região (Amaral Peixoto) para pegar um táxi. Chovia, o que é bom.

Na calçada do lado esquerdo da avenida, ninguém conseguia chamar táxi algum porque a desprefeitura, em mais um surto de burrice inespecífica, encheu a primeira pista da esquerda de “tachões”, gelos baianos pós-modernos que cercam a mal parida ciclofaixa que atende...atende...atende a ninguém, cara pálida! Fiquei ali embaixo das decadentes marquises daquela avenida imunda esperando a bem vinda chuva aliviar (foram uns 25 minutos) e não vi uma mísera bicicleta passar.

Como a chuva não diminuiu, andei até a rua da Conceição onde, depois de fazer papel de palhaço chamando táxis lotados (você não vê porque os vidros são pretos), consegui pegar um. Comentei sobre a lambança da ciclovia (na verdade é ciclotacha) com o taxista que, indignado, disse com a sabedoria de quem roda o dia todo pela cidade: “Nunca vi um ciclista usando aquilo para ir trabalhar. Só uso recreativo. E são raras as bicicletas que passam pois os ciclistas preferem andar do outro lado da avenida”.

Transito pesado. Perguntei sobre a irmã caçula da lambança urbanística da Amaral Peixoto, a ciclotacha da avenida Roberto Silveira. O taxista desabafou: “aquilo é uma vergonha. Vivem trocando tachões porque os carros passam por cima. Vai morrer gente lá!”.

E tudo isso acontece numa cidade onde ruas e avenidas são estreitas, as calçadas são tomadas pelos prédios, enfim, em vez de melhorar a mobilidade urbana existente a desprefeitura prefere inventar outras.

Como se não tivesse nada para fazer numa cidade onde estudo está largado.