sexta-feira, 29 de abril de 2016

O Programa do Jô vai fazer muita falta

Como se sabe, esse é o último ano do Programa do Jô. pelo menos na Rede Globo. Todos os dias por volta de uma da madrugada, o programa entra no ar e o apresentador, jornalista, teatrólogo, escritor, humorista, diretor de teatro e tudo mais Jô Soares comunica que nesse estranho 2016 seu programa ira para os ares. No mau sentido.

Vai fazer muita falta. Em tempos de altíssima imbecilização e molambalização quase generalizada, o programa do Jô vai fazer muita falta. Seus detratores comemoram, o chamam de chato de vaidoso, de egocêntrico, onipotente, mas, queiram ou não, é um programa inteligente, bem humorado, agradável e muito bem feito. Onde assistir entrevistas com gente de teatro, musica, ciência, literatura, esoterismo, com uma pegada forte e bem resolvida?

Quando sair do ar o que vai entrar no lugar? Um enlatado de quinta? Um programa com o novo quindim da sub-mídia, a cantora entre aspas Anitta que decidiu cometer televisão num canal pago? Ou quem sabe aqueles programetes esportivos insuportáveis apresentados por atores-marombas da vigésima nona divisão que tentam fazer da madrugada uma escada para o sub-estrelato?

Jô Soares é um patrimônio da cultura brasileira. Há décadas faz revoluções e mais revoluções por onde passa, seja na TV, Teatro, Cinema, Literatura. Seu programa de entrevistas, chamado de talk show, é o primeiro no país e é muito melhor do que, por exemplo, o Jimmy Fallon que apresenta a sétima encarnação do Tonight Show, na norte-americana NBC, o mais antigo talk show do mundo. Fallon é um coice nos ovos, chato pra cacete.

Entre roscas de bíceps e imbecilidades em geral, fico com a conversa boa do Jô que, com o Jornal da Globo, são os únicos programas que assisto na TV aberta. É uma sensação minha, mas acho que o Jô não está feliz com o fato de sair do ar. Ontem, quando começou o programa e a platéia fez "ohhhhh!!!" quando ele lembrou que é o seu último ano por ali, ele disse "pois é, eu também acho".

É difícil, eu sei. A decisão está tomada. Mas adoraria que o Programa do Jô continuasse no ar em nome da leveza, da informação de qualidade sem sotaques de mundo cão, enfim, pelo conjunto da obra. Ou então que vá para outra emissora. Na minha opinião, o Brasil não pode abrir mão de uma grande figura como Jô Soares no ar, especialmente agora com o país atirado na lama.






Todo mundo tem um chato no pé

A voz muda das ruas sussurra que 90% dos chatos não sabem que são chatos. Já os 10% tem certeza absoluta de que são pessoas sensacionais, raras, necessárias e, claro, pouco modestas.

Na noite de terça-feira encontrei um chato que não sabe que é chato e conversei sobre um outro chato que se julga o belo, o tesouro, o garanhão, mas que não passa de um larápio mal sucedido (se fosse um "bom" larápio ninguém saberia), metido a tradição, família e propriedade mas que pouca gente atura.

Já ouvi dizer que ele é uma espécie Amaury Junior dos submergentes sociais. Não é raro vê-lo “chorando” em ocasiões de seu interesse. Não é raro ouvirmos que ele é usuário de “cristal japonês”, substância usada por alguns artistas e que faz os olhos lacrimejarem abundantemente. É derivado do mentol e no Google há boas definições.

O chato que não sabe que é chato que encontrei é uma pessoa extremamente bem intencionada. Só que quando ele chega perto, sempre falando muito e alto, eu rosno, xingo em pensamento, mas, sinceramente, fico com o coração partido. Por que? O cara é gente boa, se dedica as pessoas, torce por um mundo melhor, mas, coitado, é chato pra cacete.

Ao contrário do molambão do Amaury Junior paraguaio (também conhecido como  G.B.O. – Grande, Bobo e Otário), o chato do bem não tira onda, não se acha, nem se coloca acima do bem e do mal. Já me disseram que ele divide tudo o que tem com todo mundo, não tolera a pobreza de espírito e nem a material, é um democrata, mas, coitado, é chato pra cacete.

O que fazer? Afinal todos nós temos pelo menos um chato em nosso pé e, diz o povo, eles não sabem disso. E quem teria a coragem de chegar para o sujeito, pegar carinhosamente pelo braço, levar para um canto e, com a voz baixa, dizer “desculpe a minha franqueza, meu caro. Mas você está se excedendo...com o passar do tempo tornou-se quase inconveniente, provavelmente um pouco chato”.

Eu não teria coragem de ter uma atitude dessas, desumana e grosseira. Deixem o chato chatear, finjam que não ouviram e toquem a vida porque em algum momento de sua existência ele saberá que é chato. Através de terceiros ou, o que é raro, graças a um insight, um mergulho interior, sonhos, sei lá.

Chato. Definição que nasceu (des) graças aquele primo do piolho que habita os pelos pubianos de quem é fraco no quesito higiene. O chato, inseto, é chato, porque coça, coça, coça, coça e a aflição é tamanha que há relatos de pessoas que chegaram a jogar álcool para arder bem. Por isso, o chato é chato.

Matá-los é constrangedor já que a substância mais eficiente é o Neocid em pó. Aquele que vem numa latinha que faz “plém, plém, plém” quando o usuário aperta para o pó sair. Logo, quando se houve  “plém, plém plém” nas imediações de algum banheiro o grito anônimo do tipo “eita, chatoooo!” é comum.

Mas, e o chato humano? O que fazer? Não há Neocid em pó para ele. Fugir, fingir que não viu, abrir o verbo? Pois é, está aí uma questão que parece não ter solução.

terça-feira, 26 de abril de 2016

O direito de acreditar numa ficção

                                                                               



Depois de uma longa, profunda e (por que não?) sofrida pesquisa, comecei a escrever "5 e 15 - Rock Romance". O livro é uma ficção, mas desde que comecei a pensar nele acreditei em Crimson, psiquiatra e cientista obcecado em descobrir uma substância capaz de livrar os seres humanos da dependência química de drogas pesadas. Em especial cocaína e heroína.

Em minha pesquisa, entrevistei grandes psiquiatras, visitei clínicas e muitos fatos narrados no livro aconteceram. O caso do homem que transformou o corte de suas unhas sua linha do tempo, o outro que se achava um pássaro. Algumas situações afetivas também, como o caso uma das mulheres-chave do livro.

Por que o carro, com marca e modelo? Porque tive um e foi nele que viajei para alguns lugares para caçar subsídios para o livro. Livro que é uma homenagem aos amigos, conhecidos e vários ídolos que as drogas pesadas mataram a partir de 1980. Por isso, 1980 é o marco zero de "5 e 15", quando, diz a gíria, começou a "chover branco" no Brasil, ou seja, a cocaína imperou.

Liliana de La Torre, André Valle e Raquel Medeiros foram as primeiras pessoas a acreditarem no livro. Ao André, amigaço, meu forte abraço, a Raquel, também escritora e jornalista, muito obrigado pelo monitoramento, em 2006 e a Liliana minha eterna gratidão. Através da sua Tech & Mídia ela editou a primeira versão (impressa) em 2006. A nova edição, que foi lançada ontem em versão digital na Amazon (conheça clicando aqui: http://j.mp/lam_5_15  está muito, muito diferente e conta com o suporte de Philippe Mello, sobrinho e afilhado, craque em gestão e ideias atípicas.

Continuo acreditando no sonho de Crimson, na potência da ciência associada ao amor e na honestidade de muitas pessoas. Caso contrário, não investiria 12 anos de vida neste trabalho.

P.S. - Doctor Jimmy existiu. Foi um amigo e saudoso terapeuta que revolucionou todos os conceitos da psicologia, mas não deixou registro de sua proposta.

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Finalmente lançada a nova versão de meu livro "5 e 15 - Rock Romance"

É com lasciva alegria que comunico o nascimento da nova e definitiva edição de meu livro "5 e 15" - Rock Romance. O livro está disponível em formato digital na Amazon e pode ser lido em smartphone, tablet, notebook, desktop e, lógico, no Kindle e outros e-readers.

Conheça "5 e 15" clicando neste link: http://ww.gazetanit.com.br/5e15.htm

Ou neste:  http://www.amazon.com.br/5-15-Luiz-Antonio-Mello-ebook/dp/B01EP11OW2?ie=UTF8&redirect=true&ref_=cm_cr_ryp_prd_ttl_sol_0

Se preferir, acesse www.amazon.com.br e no campo de busca digite 5 e 15 ou Luiz Antonio Mello.

A primeira edição do livro, experimental,  Beta, foi lançada em 2006, em versão impressa, pela Tech & Mídia Comunicação, de Liliana de La Torre. Rapidamente esgotou.

Foi um longo e caótico desafio que  levou mais de 10 anos para nascer. Afinal, foi implacável a luta obsessiva do médico/cientista Crimson na busca de uma substância para frear a dependência química de drogas pesadas, passa pelo sexo, pelo amor, pela política limpa e suja, terrorismo, espionagem e muito rock autêntico.

Para fazer essa nova edição, contei com o imensurável apoio de Philippe Mello, diretor do "Projeto 5 e 15", que vai promover várias ações na área de Comunicação e Gestão.

De você peço, humildemente, o que há de mais precioso: sua opinião.

Forte abraço,

Luiz Antonio Mello

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It is with a lascivious joy that communicate the birth of the new and definitive edition of my book "5:15" - Rock Romance. The book is available in digital format on Amazon and can be read on your smartphone, tablet, laptop, desktop and, of course, the Kindle and other e-readers.

Meet "5:15" by clicking this link:http://www.amazon.com.br/5-15-Luiz-Antonio-Mello-ebook/dp/B01EP11OW2?ie=UTF8&redirect=true&ref_=cm_cr_ryp_prd_ttl_sol_0

Alternatively, visit www.amazon.com and in the search field type 5 e 15 or Luiz Antonio Mello.

The first edition of the book, experimental, beta, was launched in 2006, in print, by Tech & Media Communication, Liliana de La Torre. Quickly sold out.

It was a long and chaotic challenge that took over 10 years to be born. After all, the obsessive fight Crimson medical scientist in search of a substance to stop the addiction to hard drugs, goes for sex, for love, for clean and dirty politics, terrorism, espionage and authentic rock.

To make this new edition contains with the immeasurable support of Philippe Mello, director of "Project 5:15" that will promote various actions in the area of ​​Communication and Management.

From you I ask humbly, what is most precious: your opinion.

Important: the book is in Portuguese

Hugs,


Luiz Antonio Mello

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Il est avec joie que obscène communiquer la naissance de la nouvelle et définitive édition de mon livre "5h15" - Rock Romance. Le livre est disponible en format numérique sur Amazon et peut être lu sur votre smartphone, tablette, ordinateur portable, ordinateur de bureau et, bien sûr, le Kindle et autres e-lecteurs.

Rencontrez "5:15" en cliquant sur ce lien:http://www.amazon.com.br/5-15-Luiz-Antonio-Mello-ebook/dp/B01EP11OW2?ie=UTF8&redirect=true&ref_=cm_cr_ryp_prd_ttl_sol_0

Sinon, visitez www.amazon.fr et dans le type de champ de recherche 5 e 15 ou Luiz Antonio Mello.

La première édition du livre, expérimental, bêta, a été lancé en 2006, dans la presse, par Tech & Media Communication, Liliana de La Torre. vendu rapidement.

Ce fut un défi à long et chaotique qui a pris plus de 10 ans à naître. Après tout, était implacable lutte obsessionnelle médecin / chercheur Crimson dans la recherche d'une substance pour arrêter la dépendance aux drogues dures, va pour le sexe, pour l'amour, pour la politique propre et sale, le terrorisme, l'espionnage et le rock authentique.

Pour cette nouvelle édition, dit avec le soutien incommensurable de Philippe Mello, directeur du "Projet 05:15" qui favorisera diverses actions dans le domaine de la communication et de la gestion.

Je vous demande humblement, ce qui est le plus précieux: votre opinion.

Important: Le livre est en portugais. 

Meilleures salutations,

 Luiz Antonio Mello



quinta-feira, 21 de abril de 2016

Reflexão sobre cachorros em apartamento

Andando pelas ruas do bairro onde moro vejo dezenas de pessoas com cachorros na coleira, algumas levando nas mãos um saquinho plástico para por as fezes. Noto que a maioria dos cães é obesa por motivos óbvios. Vivem trancados em apartamento, vida sedentária, e por mais que seus donos os ame não conseguem dar ao cão a necessária, fundamental vida ao ar livre. Sofrem os cachorros (que também tem muitas doenças de pele por causa da falta de sol, de rolar na grama, etc), sofrem os donos.

Decidi nunca mais ter cachorro em apartamento por causa do meu melhor amigo, um basset (razão social dachshund) quase idêntico a esse da foto, que morava comigo num apartamento no Ingá, bairro de Niterói. Comprei o cão porque o sol da manhã entrava pela sala. Para melhorar, havia uma varanda onde, imaginei, Titã (esse era o nome dele) poderia curtir o calor (bassets sentem muito frio) do sol, o vento e um pedaço de céu.

Mas eu nunca imaginei que as três necessidades do melhor amigo do homem (desde pequeno sou convencido disso) são: 1 - o dono; 2 - o dono; 3 - o dono. Não importa se não há sol, não há céu, não há chuva, não há comida. Titã só queria saber de mim, numa postura devocional comovente e quase inacreditável. Claro que eu o amava, muito, e fingia que não via, na calada da noite, ele saltar devagarinho para cima da cama e se aninhar no edredon, perto de meus pés.

Eu tinha um jipe com capota de lona, uma Toyota amarela e todos os sábados, domingos e feriados, lá íamos eu e Titã (em pé na porta do carona- lógico que com a coleira amarrada- olheiras voando ao vento) para Itaipu, a minha eterna praia. Soltava o Titã no estacionamento ele ia voando para a areia e me esperava no bar do Neno (razão social Sabino´s Bar). Quando se certificava que eu realmente ia ficar por ali, ele saia para ver os seus amigos, vira-latas da praia (tinha reforço de vacina por causa disso) e também namoradas com quem nunca conseguia cruzar por causa das penas curtas. Seu veterinário era o Hilton (da Veterinária Piratininga) que conhecia bem a peça.

Itaipu toda conhecia Titã, e meus amigos adoravam ficar com ele Titã pegou horror ao mar por culpa da espuma de uma onda que o pegou quando ele tinha quatro meses. Traumatizou. A noite (sempre a noite), voltávamos para casa e ele, cansado, ia deitado no chão do carro. Em casa, banho, comida e ele ia para a cama. Eu voltava para a rua, retornando lá pelas cinco da manhã.

O problema era de segunda a sexta. Eu tinha que trabalhar e por mais que a saudosa diarista Marilza levasse Titã à rua de manhã e a tarde, ele queria o dono. Por isso, quando eu saia (sempre com o coração na mão) não resistia ao seu olhar triste, orelhas e rabos caídos como se perguntasse "você vai me deixar aqui por que?". Aquilo me matava.

Com o tempo achei que era extremo de egoismo manter o Titã naquele regime de solidão. Marilza também ia embora e ele...ficava em casa só. Tinha brinquedos, tinha varanda, mas não tinha o dono. E quando eu chegava a noite era uma festa, ela voava pela casa, parecia um passarinho saltando de um sofá para o outro e logo íamos para a rua. Ele também gostava da noite e num canto lá eu o soltava da coleira.

Mas no dia seguinte, mais sofrimento: dele e meu. Foi quando racionalmente (caramba, como me custou) eu entreguei Titã a Marilza, que morava numa casa com quintal, tinha netos pequenos, enfim, o terror da solidão não iria mais assolar o Titã. Mas e eu? E Itaipu? E...orientado por especialistas, dei o Titã e não o procurei mais. Como ele já gostava muito da Marilza podia fazer melhor a tal da "transferência" e parece que foi isso que aconteceu porque ele durou quase 15 anos, segundo ela, feliz.

Hoje, vendo os cachorros de apartamento encoleirados pelas ruas,  pergunto. É justo isso? 

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Com o parasita Axl Rose, o AC/DC deixa a história do rock pela lata do lixo

Não entendi porque o líder do AC/DC, guitarrista Angus Young, escolheu o lamentável Axl Rose para substituir Brian Johnson no vocal da banda. Johnson, como se sabe, foi proibido pelos médicos de continuar cantando em shows sob o risco de ficar 100% surdo.

A notícia interrompeu a turnê norte-americana do AC/DC que agora vai seguir com o lastimável Axl Rose no lugar de Brian Johnson. Além de cantar pessimamente, o frontman do extinto Guns and Roses não tem qualquer afinidade vocal com o som do AC/DC. Coerente, firme, desde 1973 a banda australiana apresenta aos seus milhões de fãs um dos melhores exemplos do que é hard rock puro e, nos vocais, teve a lenda Bon Scott (morto em 19 de fevereiro de 1980 por overdose de bebida, em Londres) que foi substituído por Johnson.

Fútil, vazio, alienado, o parasita Axl Rose conseguiu jogar os fãs do AC/DC contra a banda. Com razão. Se eu tivesse comprado um ingresso antecipado ia pedir devolução no ato. Axl Rose represernta o que há de pior na escória do entretenimento.

domingo, 17 de abril de 2016

Brasil, não tenho mais tempo para você

Brasil, não tenho mais tempo. O meu tempo passa cada vez mais veloz entre os ponteiros de segundos. Meus impostos, taxas, tarifas, contribuições, óbulos, encargos, ônus estão rigorosamente em dia, bem como todas (TODAS) as minhas obrigações morais e cívicas para contigo.

Mame à vontade, Brasil. O sangue é teu.

Brasil, o meu tempo voa e não pode se dar ao luxo de contemplar o seu, lento, reundante, atolado, preguiçoso, corrupto, venal. Meu tempo é para o trabalho, para a minha saúde, para o amor, já que não tive tempo de pular fora antes. Se fosse antes, estaria longe, em outro lugar, sorvendo outros tempos. Mas você não me deu tempo, Brasil. Tive que ficar.

Brasil, nas ruas há sempre carnavais e micaretas. Na semana que hoje começa, haverá mais, no interior e nas capitais, mas não irei ver porque não quero. Não quero e não tenho tempo. Tenho muito trabalho a fazer, apesar de você, tenho muita história para contar, apesar de você, tenho muito mar para abraçar e beijar, apesar de você.


Brasil, divirta-se, mas não me convide. Você tentou, mas não roubou o meu tempo. Pelo menos ele, não. E não me chame para apartar briga de ratos. Não me presto a isso. Enquanto houver tempo, não.

sexta-feira, 15 de abril de 2016

A nefasta covardia contra os aposentados do Estado do Rio

Dentro do seu programa de chacina generalizada, criada à luz do esbanjamento e da luxúria com o dinheiro público em passado recentíssimo, o governo do Estado do Rio decidiu não pagar os aposentados, inativos e afins.

Indigno, cruel, nefasto, escroque, o ato de deixar milhares e milhares de idosos à míngua é o mais grave capítulo da trágica e imunda trajetória do governo do Estado. Não pagar a quem já não mais consegue trabalhar é estuprar o mais indefeso dos mortais. Os idosos não tem mais tempo, sua força não é como a de antes, mas a maioria absoluta honra seus compromissos do dia a dia como pagar o hiper inflacionado mercado, a farmácia (que está um assalto), o condomínio, os impostos. Mas o deslavado governo do Estado decidiu transformar os idosos em inadimplentes - como ele -, governo do Estado. É muita patifaria.

Uma situação digna de intervenção federal, mas para que isso ocorra é fundamental que exista um governo federal. E todos sabemos que o governo federal está parado, estagnado, anêmico. Como imaginar uma intervenção federal no RJ se o governo federal é incapaz de intervir em si mesmo?

Os atores desse teatro mórbido que assistimos no Estado do Rio vão entrar para a História. É certo. Pela sarjeta. É mais certo ainda. Qualquer governante com o mínimo de dignidade, antes de atirar idosos na miséria, deferia oferecer o próprio pescoço ao sacrifício e renunciar. 

Pelo bem da humanidade.

Mas seria exigir muita grandeza de parasitas tão mesquinhos.

quarta-feira, 13 de abril de 2016

O Led Zeppelin sempre plagiou, mas continua genial. Ouça aqui 27 minutos de supostas músicas chupadas por Jimmy Page

No dia 10 de maio, Jimmy Page e Robert Plant vão sentar no banco dos réus no Fórum de Los Angeles. São acusados de plágio. Advogados da banda norte-americana Spirit vão tentar convencer a Corte que Jimmy Page chupou a introdução do clássico "Stairway To Heaven" da obscura canção Taurus. Aqui, as duas músicas para você comparar:
                                                                                       Não é segredo para ninguém que o Led Zeppelin sempre plagiou, em especial de seus mestres do blues. Jimmy Page, fundador da banda, guitarrista e produtor, perdeu vários processos e acabou tendo que pagar e acrescentar nomes como o do magistral Willie Dixon como parceiro. Aqui, um certo Gom faz uma boa análise dos plágios do Led Zeppelin e mostra vários momentos. Vale a pena ouvir:

Como Gom diz, o blues teve muitas canções propagadas por aí, sem um autor definido. Mas, acho que em vários momentos Page foi lá e crau! O que não tira a sua genialidade, já que estamos falando de um dos mais extraordinários e completos músicos populares do século 20. No caso de "Stairway To Heaven", há uma certa semelhança, mas não enxergo ali um plágio.

E você?

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Elementar, meu caro. Eleição não tem Procon

A diferença é que o Brasil foi descoberto e não conquistado. Há quem diga que foi por acaso e que Cristóvão Colombo já havia avistado nosso litoral antes, mas passou batido. Ninguém sabe porque.

Conquista é uma coisa, descoberta é outra. Aí, em 1808, movida pelo cagaço irrestrito, a Corte portuguesa fez as malas e, se borrando toda, veio parar no Rio de Janeiro fugindo de Napoleão Bonaparte. Dom João VI, imperador, preferiu o calor inclemente do Rio e a fedentina da cidade onde cães, bosta e gente degradada se misturavam em grotescos rituais, a ter que enfrentar as tropas francesas.

A História conta que um dos primeiros atos de D. João foi criar o Banco do Brasil para seu uso pessoal, transformado em cofre particular de onde arrancava milhões e milhões todos os meses. A bordo das naus que partiram de Lisboa, escoltadas por navios ingleses (ingleses que, como pagamento, levaram toneladas - literalmente - de ouro das Minas Gerais), a fina flor da escrotália da elite portuguesa que veio desaguar no Brasil, criado como lupanar. Jamais como nação.

Um país descoberto por acaso, um imperador encagaçado que veio parar aqui nas coxas, uma rainha que se chamava de "Louca", enfim, o Brasil deu no que deu, ou não deu no que deveria ter dado, tem o DNA da lambança.

Em suma, em 2014, 514 anos após a chegada de Cabral e 206 após o desembarque do cagão D. João VI e sua Corte larápia, o povo brasileiro foi as urnas e reelegeu (re!) o governo que aí está. Só que o Brasil quebrou. Se alguém conseguir achar, por exemplo, uma ambulância do Samu verá nela a cara da saúde pública: faróis quebrados, sem sirene, maçanetas amarradas com barbante. Vi uma assim ontem à tarde, e o funcionário no banco do carona batia com a mão na porta para abrir caminho porque a sirene estava pifada e a buzina também.

A educação, o transporte, a segurança, o emprego, a esperança, o sonho, foi tudo ralo abaixo. Absolutamente tudo. Só que eleição não tem Procon. A maioria elegeu o que está aí e, democraticamente, teremos que aturar até 2018 quando, espero!!!, o país já tenha chegado ao fundo do poço. Por que? Elementar. Até agora o Brasil continua em queda livre, sem bater no fundo e, ensina a física, só poderá voltar à tona o que já chegou ao fundo. Física, mecânica, a elementar cinética.

Impeachment? Não vai rolar por várias razões. Várias. Não vou aqui enumerar porque não tenho mais saco, mas não vai rolar. Como D. João VI trouxe à bordo a máxima "os incomodados que se mudem", a opção de viver no Paraguai (opção de um conhecido que está muito bem lá) torna-se cada vez mais interessante.

Em 2018? Pelo desandar da carruagem (1.500, 1808...) vai dar.....................................(preencha você mesmo) na cabeça.

sábado, 9 de abril de 2016

Desconsideração generalizada

Um grande e secular amigo não está entendendo nada. Muito menos eu. No auge da era da tecnologia da informação e seus tentáculos que permitem a comunicação instantânea entre pessoas, poucas vezes vi tanta falta de consideração cacarejando por aí.

Esse meu grande amigo estava fazendo as coisas dele e alguém ligou de uma empresa. Uma proposta de trabalho, a princípio bem legal para ambos. O cara que ligou pediu urgência, muita urgência, para que meu amigo fosse a uma reunião discutir o projeto, datas, grana e tudo mais. E assim foi. Digo, e assim não foi. Meu amigo tentou falar com ele umas três vezes para marcar a reunião que o outro pediu, mas o sujeito sumiu. Ele, sua urgência e a sua consideração.

Comigo coisas parecidas vem acontecendo há tempos. Por e-mail me encomendam trabalhos e depois...somem. Como se vivêssemos no tempo do rádio galena, sinal de fumaça ou coisa parecida. Também no terreno pessoal, eventualmente acontecem coisas bizarras e semelhantes. É o caso do lastimável, insuportável, chato pra cacete, inconveniente e boçal whatsapp, mas ruim com ele, pior sem ele. De vez em quando alguém bota lá "você sumiu!". Pergunto a mim mesmo: eu sumi? Que nada. É caô.

Meses atrás e estava de carro no bairro de São Francisco, em Niterói, à noite.  Não gosto de conectar o celular ao 3G porque, além de ser uma bosta tenho o direito a ficar quieto de vez em quando, ouvindo minhas músicas. Horas depois, quando cheguei em casa (onde o wifi vive ligado) o whatsapp apitou. Um cara me dizia "não sei onde você está agora, mas não passe de jeito nenhum por São Francisco porque está havendo um tiroteio em Charitas e até já tacaram fogo em ônibus". Caramba, eu estava lá, só que do outro lado do bairro. Por que o cara não pegou o telefone me ligou e alertou? Porque na cabeça dele, meteu no tal do whatsapp é missão cumprida e o resto que se explôda (sei que não tem circunflexo no O). Nem imaginou que o meu whatsapp estava desligado.

A falta de consideração é hoje um elemento imperativo e generalizado. Sub-produto do egoismo atroz, da egolatria patológica, faz de muitas pessoas ilhas, cercadas de tecnologia de comunicação por todos os lados, mas afogada em apatia egocentrada. Se você não toma a iniciativa tudo some e tudo bem. Tudo bem?  Tudo bem é o cacete! Aí você nota que ninguém comenta nada em lugar nenhum: site, bog, rádios on line. Estão conectados? Estão. Não comentam por que? Não sei.

Uso uma plataforma de e-mails para informar sobre atualizações de minhas colunas, programa de rádio, etc. A plataforma vai informando quantos por cento abriram o e-mail, quem abriu, quando abriu, os que recusaram para você se aprimorar. Em média, sabe quantos abrem? 12%. Só isso. Ponho lá a mensagem "caso não queira mais receber essa mensagem me avise que tirou seu e-mail da lista", mas nem isso fazem. Um colega que enviava 3 mil e- mails a cada 15 dias comunicando sua ações tinha o índice de 14% de mensagens abertas. E também no caso dele, ninguém respondeu que queria o nome fora. Ele decidiu não mandar mais nada.

A boa notícia é que estou atento a desconsideração dos tempos modernos. A má notícia é que não vou desistir.

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quinta-feira, 7 de abril de 2016

Um grande amigo chamado André Valle

André Valle é um gênio. Quando o conheci no final da década de 90 logo percebi, tanto que quando ele teve a ideia de fazermos uma rádio na internet quando a rede ainda era um galinheiro, acessada pelo telefone (não existia banda larga!) eu topei. Muita gente me disse que era coisa de louco, coisa de irresponsável, enfim, tentaram jogar água, mas apostei todos os meus dados no caráter, honradez, na generosidade, amizade, genialidade do André. Repito, com todas as letras: André Valle é um gênio.

Foi assim que no ano 2000, no tapa, cara, coragem, pusemos a Rádio Rocknet no ar, a primeira emissora de rock DO MUNDO a entrar na internet. Com o André e comigo estava a brilhante Aline Rios, jornalista, locutora, produtora.

A rádio funcionou no estúdio El Sonoro, de Felipe Melo e seu som era gerado do Texas. O André ficou chocado com os preços de streaming brasileiros na época (muitos milhares de dólares por mês) e, com a sua genialidade, deu um jeito de gerarmos nos Estados Unidos pagando 400 dólares por mês para cada grupo de 100 ouvintes.

Apesar de otimistas crônicos, achávamos que ficaríamos um bom tempo nos 100 ouvintes. Eu e Aline fizemos uma super rádio de rock, com locução 24 horas por dia (eu e ela gravávamos tudo), utilizando todos os meus discos que não eram poucos, mas a música era parte do projeto e a fala, o conteúdo, a presença humana que difere rádio de CD player foi primordial.

Assim que a Rocknet entrou no ar (caramba, também passava o som para os Estados Unidos por conexão discada!) duas grandes notícias: 1 - a cota de 100 ouvintes estourou em meia hora; 2 - teríamos que comprar um pacote para mais 100, ou seja, mais 400 dólares por mês.

Ficamos uns dois meses no ar, dando socos na limitação tecnológica desse país que nos obrigava a não crescer, não evoluir, estagnar. Paramos em 500 ouvintes e como não havia anunciantes (não tínhamos um profissional da área) o sonho da Rocknet foi adiado. Até hoje esbarroo na Web ouvintes que clamam pela sua volta.

Em nenhum momento André, Aline e eu lamentamos a decisão de ter que pausar a rádio. Afinal ela foi vítima do sucesso engolido da infraestrutura primitiva de um país que mora no quarto mundo desde 1.500 quando Cristovão Colombo passou por aqui, não quis estacionar a caravela. Optou pela América de cima.

Ontem a noite estive com o André no encontro do pessoal do Moto Clube "Bad To The Bone", onde fui recebido com extremo caminho por pessoas maravilhosas, amigas, solidárias. Meu amigo André me convidou e fui lá relaxar, ouvindo o melhor do classic rock, ouvindo e contando histórias. Uma noite mágica.

Escrevo para agradecer ao André pelo reencontro, pela energia, pelo alto astral e por todos os integrantes do "Back To The Bone". A motocicleta volta a surgir em meu caminho. Quem sabe monto em uma em breve?

Valeu, André! Valeu amigos do "Bad To The Bone"!

Ah, não! Bege não!


Me disseram que o Brasil está bege. Nem lá, nem cá. Nem marrom, nem amarelo. Nem preto, nem branco. Quem me disse acha que bege é o nada, o vazio, o "destesão", eu até concordo, mas dizer que o Brasil está bege já é demais.

O Karman Guia TC 1974 foi um de meus melhores carros. Maravilhoso, perfeito e eu era apaixonado por ele. O único problema é que era bege, igual ao que está lá em cima na foto. Uma vez quase pintei de vermelho, como o da foto de baixo, mas seria muito complicado e não ficaria bom. Uns dois anos depois tive que vender porque o fundo do carro começou a apodrecer.

Os fulminantes ventos da paixão são vermelhos vivos, ou amarelos, ou verdes. Bege, não. Biquínis, calcinhas e similares na cor bege também são tiro no pé. E a crise brasileira é muito grave e aguda para ser chamada de bege, fraca, anêmica.

Ou não?



terça-feira, 5 de abril de 2016

A morte provisória do futebol no Brasil

Minha suposta elegância não permitiu que eu chamasse esse artigo de "a degola definitiva do futebol no Brasil", mas quando a Alemanha enfiou sete gols na seleção brasileira no histórico 8 de julho de 2014, em plena Copa de 2014 do mundo, foi tudo para o espaço.

Muitos (será maioria?) brasileiros descobriram, mesmo que tardiamente, que não estavam sendo enganados não só pelo desgoverno em Brasília, mas pela máfia da CBF. Pior: calados (rabo entre as pernas?) os amantes do "esporte bretão", da "gorduchinha" souberam que as obras de todos os estádios que viraram arena foram super faturadas pela ganância daqueles que ainda por cima, locupletados com os governos, puseram os preços dos ingressos lá em cima e fecharam a porteira para o chamado "povão".

Parece que não só o engodo do governo caiu em desgraça popular. Por onde vou (e não vou a poucos lugares) o que vejo, observo, é um monte de gente calada ignorando o aparelho de TV que parece falar sozinho. Antes as dezenas de canais de futebol faturavam horrores com o pay per view. Hoje, me parece (informação totalmente subjetiva) que estão as moscas.

A "torcida canarinho" descobriu que seus trilhardários heróis dos gramados mal conhecem isso aqui. Não caíram no calote que nós caímos, se mandaram cedo do Brasil e fazem carreira lá fora, em Euros, dólar, etc. Fingem que se emocionam, alguns simulam até choro quando perdem uma jogada, mas na boa, querem que o Brasil se exploda.

Os tais "90 milhões em ação" viraram "200 milhões sem ação, correndo atrás de emprego, indignados com a bandalha nacional". Dificilmente entro num táxi com o futebol rolando no rádio e, semana passada, perguntei a um taxista e ele laconicamente respondeu que "não dou mole pra esses vagabundos". "Esses vagabundos", a meu ver, é toda a cadeia que envolve o futebol, da Fifa ao menor clube nos confins nacionais.

Na minha opinião só um legítimo babaca sofre, torce, chora por..."esses vagabundos". Será impressão minha? Ou o fato da seleção (como as olimpíadas) estar torridamente associada a politicagem em geral afasta (e vai afastar ainda mais) o povão do futebol?

Dizem que "isso vai passar". Vai. Tudo passa. Nós passamos. Mas quando passará o nojo pelo futebol?

domingo, 3 de abril de 2016

China, onde galo bota ovo, urubu fala mandarim e o calote é uma sustentável leveza do ser

Espumando pelas ventas, um conhecido xingava, dava socos na mesa, dizia que tinha vontade de invadir a China. Os descarrego foi num bar, depositário infiel dos suplícios etílicos da humanidade e o cara descrevia a trajetória que 8000000% do mundo já sabem. Entrou na internet, acessou um site de compras chinês, adquiriu um relógio e levou um banho.

China é sinônimo de, rasteira, esculacho, calote. Essa mocinha da foto fabrica revólveres para crianças do mundo inteiro de manhã e a tarde faz iPhones na senzala que a Apple mantém em Xangai e que fabrica 100 milhões de iPhones por ano, inclusive TODOS os que são vendidos no Brasil. Lembram da notícia veiculada em maio do ano passado. Aqui, um pedaço do que saiu na revista Exame:


"São Paulo - Um operário de 26 anos morreu por excesso de trabalho numa fábrica da Apple nas proximidades de Xangai, na China.
Tian Fulei trabalhava na produção de iPhones e sofreu um colapso após trabalhar em turnos de 12 horas diárias, sete dias por semana, segundo informações do site Mail Online.
O jovem foi encontrado morto num dormitório que compartilhava com outros trabalhadores, no dia 3 de fevereiro. De acordo com a família, Tian trabalhava sem descanso em Pegatron, uma das maiores fábricas de produtos da Apple.
Segundo a irmã do operário, Tian Zhoumei, ele parecia saudável até o dia de sua morte e o excesso de trabalho foi o motivo decisivo para seu falecimento. A Pegatron, no entanto, nega que o ambiente de trabalho tenha contribuído para o ocorrido.
A fábrica prometeu aos familiares de Tian uma indenização de 15 mil yuans (cerca de 7.400 reais), que acabou subindo para 80 mil yuans (cerca de 39.800 reais) após negociações mediadas pela polícia."
Meu conhecido comprou um relógio inteligente num site chinês por $ 35,00. A "loja" dizia que ele receberia o produto entre 25 e 35 dias. Lá se vão quatro meses e nada. Pior, o cartão de crédito debitou o valor em euros. Enfurecido, foi reclamar no banco. Em vão. O babaca, digo, o conhecido não viu em que moeda estava o cifrão do relógio no site.

Expliquei que ano passado levei um rabo de arraia de uma loja virtual chamada Hiper Mais Barato. Vi um anúncio no Facebook, com cara de honesto e caí na cilada. Depois de dois meses as turras, apurando, apurando, apurando, um colega paulistano me disse que a tal loja era, na verdade, um lupanar sem mulheres de um chinês ilegal sócio de um brasileiro. Capitulei. Dois PhDs em trambiques que a essa altura devem estar no sul do mundo.

"Você também caiu, é?", perguntou o conhecido com ares de "não sou o único babaca na face da Terra" e eu disse que sim. Mais: expliquei o estranho caso de um cachorro nas imediações do Centro do Rio. O vira latas, gente boa, ficava zanzando, a espera de migalhas dos fregueses que comiam numa pastelaria de chineses. Um dia, ele sumiu. Reparei porque quando estava por lá sempre passava a mão na cabeça dele e ainda lembro de seu pelo cinza o dorso e marrom na barriga.

Reza a lenda que o canino virou pastel. Enojado fui indagar sobre o boato na pastelaria, onde os chineses fingiam que não estavam me entendendo e como eu não tinha prova alguma não ia ocupar a polícia com hipóteses.

Para fechar, uma típica de chinês. Quem viu sabe, mas a personagem M, do filmaço "M. Butterfly", uma chinesa, na verdade era homem. Baseado numa história real ocorrida em Beijin, China, anos 1960.

(...) Desqualificam as investigações. Acusam a imprensa de mentir, passando por cima do fato de que já foram localizados e bloqueados milhões de dólares no exterior, para não falar dos milhões de reais já recuperados. Repetem que impeachment é golpe — por mais que ministros e ex-ministros do STF já tenham negado essa interpretação, desde que os preceitos constitucionais sejam respeitados." Ana Maria Machado


Fundamental ler o brilhante artigo de Ana Maria Machado no Globo. Ana Maria é uma das mais brilhantes, lúcidas e geniais cabeças deste país e o seu texto resume, muito bem, a definição de bom senso. Vale muitíssimo a pena clicar aqui e ler: http://oglobo.globo.com/opiniao/para-ingles-ver-19006175

Nem de longe o Brasil respira o clima de uma crise institucional. Executivo, Legislativo e Judiciário funcionam plenamente, respeitando as fronteiras de sua independência. As forças armadas estão nos quartéis, mas o país está sim, largado abandonado chutado.

É muito mais fácil se reunir diariamente com plateias arrivistas, gritar que não vai ter golpe e ouvir, em orgasmo, os aplausos dos oportunistas regiamente pagos. É mais fácil inflar o próprio ego do que trabalhar, governar, agir para que a nação saia do brejo para onde foi empurrada justamente pela musa do não vai ter golpe.

Golpe não há. O que há é um calote, um engodo, turbinado por mais de 100 mil pessoas agarradas nas tetas do Estado a bordo de seus cargos comissionados, que dispensam concurso público. Não há mérito aí. O que há é puxa saquismo mesmo.

O que há é um país parado, desempregado, inflacionado, atirado a uma das mais cruéis recessões de sua história. Uma situação que se soma ao maior escândalo de corrupção de todos os tempos.

O resto é tentativa de manipulação. Vil tentativa.

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Dar referências ficou perigoso. Melhor acessar www.reclameaqui.com.br

Desde 1.500 vivemos momentos de crise nos serviços - praticamente todos eles - no Brasil. Isso atinge tanto as pessoas jurídicas como as físicas. Há tempos, uma senhora (leitora aqui da Coluna) perguntou qual é a minha TV por assinatura. Respondi. El emendou com uma segunda pergunta do tipo “você acha boa, recomentaria?”. Respondi, francamente, que não recomendo serviços a ninguém porque não quero queimar meu filme.

Ela compreendeu mas ficou meio encafifada, por isso insisti para que não pensasse que eu estava de má vontade. Mais: sugeri (como sugiro aos leitores) que ela acessasse o sitewww.reclameaqui.com.br que concentra boa parte das reclamações sobre empresas de todos os gêneros, de smartphones a lambanças de prefeituras, passando por supermercados, farmácias, TVs por assinatura, internet. 

No ano passado, um vizinho perguntou qual é a minha internet em banda larga. Disse, mas também não recomendei porque está cada vez mais difícil darmos referências numa terra onde a qualidade dos serviços oscila como montanha russa. 

A coisa chegou num ponto que não recomendo, sequer, colegas para emprego porque o último que indiquei, recém-formado, que trabalhou como treiní numa empresa onde eu era sênior, e que eu julgava exemplar, foi para a companhia que indiquei e começou a faltar, chegar atrasado, vacilar no texto, sei lá o que deu no cara.

Esse caos nos serviços gerou uma situação incomoda, chata. Temos vontade de ajudar, indicar, mas depois corremos o risco de estarmos atrapalhando muito mais do que ajudando. Portanto, o negócio é ser franco e bater o pé: não indico, não nego.

Aderi ao Uber: cansei da lambança e da escrotália de muitos táxis comuns, filhos do fundamentalismo sindicalista nacional

Com a cumplicidade das (des) autoridades públicas, meliantes em seus táxis amarelos resolveram sitiar o Rio de Janeiro para protestar contra um serviço que dá certo, o Uber, que tenta atuar no Brasil, enfrentando uma gritaria generalizada. Uber nasceu em San Francisco, California, em 2008, atua em 66 países e nas principais cidades do mundo oferecendo: carros de luxo, motoristas extremamente educados, corridas mais baratas que as dos táxis comuns na bandeira dois, segurança e, sobretudo, paz.

Por causa dessa afronta ao direito (???) de ir e vir (ou isso também é raciocínio de coxinha?) proporcionada pelos marginais que sitiaram o Rio (com a cumplicidade pública e notória das autoridades, decidi pegar o meu celular e baixar o aplicativo deles. Por que? Porque além de não suportar os golpes do corporativismo fundamentalista e corrupto da república sindicalista  não aguento mais aturar os maus taxistas que estão invadindo até a 99 Táxis, Easy Táxi e serviços de aplicativos afins. Decidi hoje porque o desserviço atingiu o pico. Vamos lá:

1 – chamei um táxi pelo aplicativo; 2 – em vez de um carro em bom estado deparei com um velho Chevrolet que fedia a cigarro; 3 – quando entrei, o motorista fala com um amigo ao celular, combinando um churrasco que vão fazer sábado. Falava de picanha, maminha e, com isso, foi errando de rua, de trajeto. Ele não viu mas notei que um guarda o multou porque, como se sabe, é proibido falar ao celular dirigindo; 4 – na ponte, chovendo, trânsito pesado, perigoso, ele tirava finos dos outros carros (falando ao celular) até que perto do vão central a linha caiu. Ali celular não pega direito. O taxista parecia estar distraído mas não esqueceu de botar a bandeira dois; 5 – na falta de celular ele espetou um pendrive que tocava no mais alto volume a escória do sub-samba mundial. Aí eu não aguentei e, transtornado, mandei ele desligar aquilo. Acho que ele se assustou porque adivinhou que se não desligasse eu estava disposto a arrancar aquele pendrive e atirar pela janela ponte abaixo. Vejam o que um mau serviço faz conosco!

Sempre dando uma força aos taxistas (socialismo pessoal em terra de vara no lombo dá nisso) não queria entrar para o Uber. Mas ao longo desse mês notei: 1 – quando você pede um táxi pelos aplicativos, pode digitar o cartão de débito como forma de pagamento. Só que alguns taxistas metidos a malandrinhos chegavam no final da corrida e diziam que a máquina estava quebrada, ou com a bateria descarregada, ou...golpes em geral para forçar o passageiro pagar em dinheiro; 2 – apesar das empresas de aplicativo garantirem que só trabalham com táxis novos, na primeira quinzena de julho me chegou um Santana (aquilo mesmo, alguém lembra? O rei da escoliose porque tinha um problema crônico de chassis que deixava os banco do motorista e do carona tortos) com pelo menos 15 anos de uso. Não tive alternativa e entrei na joça, com o motorista fedendo a cecê; 3 – malandrinhos, muitos taxistas não ligam o ar condicionado a não ser que o passageiro peça. Carinha de má vontade, eles ligam; 4 – Hoje fui de Icaraí a Cidade Nova (Rio) numa bosta que me chegou (des) graças ao aplicativo 99 Táxis que cobrou 69 reais mais o pedágio. Fui a uma reunião, saí e decidi usar o Uber pela primeira vez. Um sedã preto zerado chegou, o motorista quis descer para abrir a porta eu disse que não precisava, insisti para viajar no banco da frente.

De terno e gravata (não precisava) perguntou se eu queria música. Eu disse que sim. “Temos os serviços do Spotify", ele ofereceu. Sim, o carro estava conectado a internet. Vim ouvindo, volume baixo, humano, super som, ar condicionado maravilhoso, carro suave, silencioso e...peguei no sono. Só acordei no pedágio da ponte.

Cheguei em casa. Preço da corrida: R$ 59,00, fora o pedágio. Ou seja, mais barato do que o coliforme fecal de aço (?) que peguei mais cedo. Peguei, mas não pego mais. Pensei “ótimo, agora só andarei de táxis da Uber que custa: tarifa básica - R$ 5,00; R$ 2,20 por quilômetro.” Mas Niterói não tem, o que muda tudo. Só vou usar táxis conhecidos (sorte que os bons tem cartões de visitas), abolir Easy Táxi, 99 Táxis, cooperativas e tudo mais. Do Rio? Volto de Uber.

Não é uma questão de ser mais elegante, coxinha, mauriçola, isso ou aquilo. É que não aguento mais pagar para ser desrespeitado num país que se transformou na capital da cusparada da cara, do dane-se você, do é pegar ou largar. Agora é táxi conhecido na ida, Uber na volta e ponto final.