domingo, 3 de abril de 2016

China, onde galo bota ovo, urubu fala mandarim e o calote é uma sustentável leveza do ser

Espumando pelas ventas, um conhecido xingava, dava socos na mesa, dizia que tinha vontade de invadir a China. Os descarrego foi num bar, depositário infiel dos suplícios etílicos da humanidade e o cara descrevia a trajetória que 8000000% do mundo já sabem. Entrou na internet, acessou um site de compras chinês, adquiriu um relógio e levou um banho.

China é sinônimo de, rasteira, esculacho, calote. Essa mocinha da foto fabrica revólveres para crianças do mundo inteiro de manhã e a tarde faz iPhones na senzala que a Apple mantém em Xangai e que fabrica 100 milhões de iPhones por ano, inclusive TODOS os que são vendidos no Brasil. Lembram da notícia veiculada em maio do ano passado. Aqui, um pedaço do que saiu na revista Exame:


"São Paulo - Um operário de 26 anos morreu por excesso de trabalho numa fábrica da Apple nas proximidades de Xangai, na China.
Tian Fulei trabalhava na produção de iPhones e sofreu um colapso após trabalhar em turnos de 12 horas diárias, sete dias por semana, segundo informações do site Mail Online.
O jovem foi encontrado morto num dormitório que compartilhava com outros trabalhadores, no dia 3 de fevereiro. De acordo com a família, Tian trabalhava sem descanso em Pegatron, uma das maiores fábricas de produtos da Apple.
Segundo a irmã do operário, Tian Zhoumei, ele parecia saudável até o dia de sua morte e o excesso de trabalho foi o motivo decisivo para seu falecimento. A Pegatron, no entanto, nega que o ambiente de trabalho tenha contribuído para o ocorrido.
A fábrica prometeu aos familiares de Tian uma indenização de 15 mil yuans (cerca de 7.400 reais), que acabou subindo para 80 mil yuans (cerca de 39.800 reais) após negociações mediadas pela polícia."
Meu conhecido comprou um relógio inteligente num site chinês por $ 35,00. A "loja" dizia que ele receberia o produto entre 25 e 35 dias. Lá se vão quatro meses e nada. Pior, o cartão de crédito debitou o valor em euros. Enfurecido, foi reclamar no banco. Em vão. O babaca, digo, o conhecido não viu em que moeda estava o cifrão do relógio no site.

Expliquei que ano passado levei um rabo de arraia de uma loja virtual chamada Hiper Mais Barato. Vi um anúncio no Facebook, com cara de honesto e caí na cilada. Depois de dois meses as turras, apurando, apurando, apurando, um colega paulistano me disse que a tal loja era, na verdade, um lupanar sem mulheres de um chinês ilegal sócio de um brasileiro. Capitulei. Dois PhDs em trambiques que a essa altura devem estar no sul do mundo.

"Você também caiu, é?", perguntou o conhecido com ares de "não sou o único babaca na face da Terra" e eu disse que sim. Mais: expliquei o estranho caso de um cachorro nas imediações do Centro do Rio. O vira latas, gente boa, ficava zanzando, a espera de migalhas dos fregueses que comiam numa pastelaria de chineses. Um dia, ele sumiu. Reparei porque quando estava por lá sempre passava a mão na cabeça dele e ainda lembro de seu pelo cinza o dorso e marrom na barriga.

Reza a lenda que o canino virou pastel. Enojado fui indagar sobre o boato na pastelaria, onde os chineses fingiam que não estavam me entendendo e como eu não tinha prova alguma não ia ocupar a polícia com hipóteses.

Para fechar, uma típica de chinês. Quem viu sabe, mas a personagem M, do filmaço "M. Butterfly", uma chinesa, na verdade era homem. Baseado numa história real ocorrida em Beijin, China, anos 1960.