sábado, 14 de maio de 2016

O homem que entrou de sunga na igrejinha da empáfia

Quer entender essa animada pândega chamada Brasil? Leia a trilogia desse grande sujeito: Laurentino Gomes. A trilogia: “1808”, "1822” e  "889”. Gomes é um jornalista e pesquisador escritor best seller que está prestes a atingir a marca de dois milhões e meio de livros vendidos. Não escreve difícil e nem usa fantasias inventadas pela cronicamente decadente aristocracia que baixou no Brasil quando a corte portuguesa (encagaçada) fugiu de Napoleão (milhares de pessoas) e veio se esconder no Rio, em 1808.
Seu livro campeão de vendas chamado “1808” trata dessa vexatória fuga da corte, uma desventura que acabou criando formalmente o Estado brasileiro, também conhecido como “isso que está aí”. Sob o título do livro, a frase: “Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a História de Portugal e do Brasil”.
Laurentino pertence a nova geração de historiadores, escritores e educadores que chutaram o corporativismo da empáfia para o lixo. Ele usa linguagem informal, não constrói frases rebuscadas inventadas por trás da balaustrada que esconde os intelectualóides.
Objetivo, dono de um texto jornalístico baseado em farta pesquisa realizada em diversos países, ele escreveu, também, “1822”, sobre o nascimento do Brasil independente. Outro livraço. Subtítulo: “Como um homem sábio, uma princesa triste e um escocês louco por dinheiro ajudaram D. Pedro a criar o Brasil – um país que tinha tudo para dar errado”.
Laurentino, o homem que entrou de sunga na igrejinha dos insolentes e presunçosos, escreveu também “1889”. Subtexto na capa: “Como um imperador cansado, um marechal vaidoso e um professor injustiçado contribuíram para o fim da Monarquia e a Proclamação da República no Brasil”.
O livro está foi anunciado em horário nobre nas redes de TV, o que, sinceramente, nunca vi acontecer. Até a chegada dos libertadores como Laurentino, livros de História eram produzidos sob o manto do terror reverencial. A nova geração de historiadores abriu o baú, tacou naftalina dentro e libertou a nossa História que agora está aberta a visitação pública. Sem rococós, adornos, leques, o que é ótimo para todo mundo. Menos para eles, os altivos que ainda se deslocam pelas sombras ardendo de leve desespero.
O autor não tem receio de falar das intimidades de D. João VI e muito menos de D. Pedro I, ou da personalidade golpista e arrivista de Carlota Joaquina, porque pesquisou fundo antes de sentar no computador para escrever.

Sim, temos um escritor que virou pop star! E isso é muito bom para todos os brasileiros. Todos!