terça-feira, 17 de maio de 2016

WhatsApp, um arrombador existencial chato pra cacete

Admito que sou reservado demais, na minha demais e blá blá blá demais, entendeu? Não? Vou tentar desfiar o novelo: desde que comecei a falar sou viciado em notícias, informação. Leio, leio , leio, ouço, ouço, ouço, assisto, assisto, assisto, bato papo, bato papo, bato papo. Em compensação a vida alheia não me desperta, sequer, sintomas básicos de frisson.

O aplicativo Whatsapp entrou na minha vida pela janela do trabalho. E para trabalhar é até razoável. E ainda permite falar com amigos que moram na casa do cacete sem pagar DDI, enfim, não sou mula a ponto de afirmar que o aplicativo é apenas um estorvo.

De uns meses para cá decidi dormir com o celular ligado. Nunca dormi bem, minhas noites são como prováveis mini séries de Win Wenders (que não fez mini série alguma). Mais: desde embrião só tenho pesadelos. Vários, todas as noites, alguns recorrentes, outros inéditos. Sonhos lindos, com boa música, belas mulheres, ilhas paradisíacas? Nunca. Mas o assunto não é esse.

Boto o celular no criado mudo (que de mudo nada tem), leio e quando estou para apagar e entrar na primeira parte do meu conturbado sono (interrompido, em média, 10 vezes por noite), desligo o abajur e durmo. Ou melhor, dormia. O whatsapp estava me molestando com seus bips e tremedeiras no meio da noite. Para me livrar do assédio, ao invés de virar papara o lado, dar aquela suspirada e dormir, antes tenho que pegar o celular e desabilitar a conexão em wifi. Parece que resolveu. Parece.

O problema maior desse aplicativo é ser enxerido. Ele diz onde estou, a hora, se li mensagens, se não li, passa a malha fina. Ou seja, o aplicativo faz algo que detesto, detesto, detesto: dar satisfações de minha vida. OK, fui lá em configurações, detonei tudo o que podia detonar mas ainda assim, não sei não.

Da mesma forma que por razões que não cabem, aqui aboli a Apple de minha vida no ano 2000, quando comprei um iMac muito bonitinho que parecia uma bolha colorida mas que ficou somente um mês comigo. Apesar do suporte metido a bom samaritano da Apple, a máquina que comprei volta e meia congelava tinha que ser desligada na tomada. Quis trocar, a Apple disse não. Pior: Apple é muito virginiana pro meu gosto, tudo muito organizadinho demais, muito fashionzinho demais, muito neuroticozinho demais. Dei o computador de presente e voltei para o Windows (atualmente estou maravilhado com o Windows 10). Celular? Viva o Android! Sisteminha esperto, bem humorado, permite esculhambação, desordem, caos, etc. Não vive fantasiado de escoteiro como o Ios (isola!) do iPhone.

Quanto ao whatsapp já pensei em desinstalar várias vezes, mas, pelo visto, os mecanismos de defesa contra a invasão de minha privacidade estão funcionando. Até quando? Não sei.