quinta-feira, 30 de junho de 2016

Os livros da semana: sugestões

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A Terceira Onda


Alvin Toffler

490 páginas

Na última quinta-feira o mundo perdeu um de seus maiores pensadores. Alvin Toffler morreu aos 87 anos nos Estados Unidos. Foi um consagrado escritor e futurista norte-americano, doutor em Letras, Leis e Ciência, conhecido pelos seus escritos sobre a revolução digital, a revolução das comunicações e a singularidade tecnológica.
Algumas frases:
  • ”Ou você tem uma estratégia ou é parte da estratégia de alguém."
  • ”Os analfabetos do próximo século não são aqueles que não sabem ler ou escrever, mas aqueles que se recusam a aprender, reaprender e voltar a aprender."
  • ”A pergunta certa é geralmente mais importante do que a resposta certa à pergunta errada."
  • ”O futuro é construído pelas nossas decisões diárias, inconstantes e mutáveis, e cada evento influencia todos os outros."
  • ”Mudança é o processo no qual o futuro invade nossas vidas."
"A Terceira Onda" é um dos clássicos de Toffler é de 1970, mas se mantém atual até hoje. A proposta do livro é apontar uma saída para o desespero do dia-a-dia, num balanço otimista das potencialidades do homem. 

"A Terceira Onda" penetra fundo nas transformações violentas em que se debate o mundo de hoje. Ao mesmo tempo em que disseca os problemas que afligem a humanidade, lança um raio de luz sobre as novas formas de casamento e da família, dos negócios e da economia. 

Explica a razão dos novos cultos e estuda as definições atuais de trabalho, lazer amor e sucesso. Aponta os caminhos que a democracia terá de seguir para sobreviver no século XXI.
                                     

Baia de Guanabara: descaso e resistência


Emanuel Alencar

124 páginas

Para discutir a situação da Baía de Guanabara, cartão-postal e local das regatas dos Jogos Olímpicos de 2016, o jornalista Emanuel Alencar buscou referências em mais de 30 publicações, entre textos, reportagens e artigos científicos,e em uma dezena de entrevistas de pesquisadores, ativistas ambientais, pescadores, gestores e servidores públicos. 

O resultado é um livro rico em dados, mapas e informações que demonstram que os Jogos Olímpicos passarão sem deixar aquele que seria seu principal legado, com impacto em diversas áreas (trabalho e renda, saúde, lazer, transporte): o início de fato do processo de despoluição da baía.
                                                             

                                   

                                                            
Neil Young: a autobiografia

408 páginas
Lenda do rock e do folk, criador do Buffalo Springfield, líder da banda Crazy Horse, parceiro de Crosby, Nash e Stills, um dos maiores guitarristas de todos os tempos e um dos músicos mais influentes de sua geração. 

Ao longo do último meio século, o cantor e compositor Neil Young construiu uma carreira de sólido sucesso nos Estados Unidos e no resto do planeta.

"Neil Young – A autobiografia" revela uma personalidade multifacetada – para muito além do que os fãs de sua música poderiam imaginar.

Colecionador de automóveis e especialista em modelismo ferroviário (é dono de uma empresa do ramo), há anos Young investe e trabalha num projeto de carro elétrico. 

Não qualquer carro, mas o chamado Lincvolt, um gigantesco Lincoln Continental movido a energia renovável e limpa (Young sonha em ser sustentável sem prejuízo para a paixão americana por carrões). 

O compositor também desenvolve, às próprias custas, a PureTone, alternativa digital à tecnologia dos MP3, capaz de distribuir música online e de proporcionar para o consumidor final um som com qualidade similar à dos discos de vinil. 

Young escreveu de próprio punho uma narrativa fragmentada, com o vai e vem aleatório das recordações determinando a ordem em que as histórias são apresentadas. É por meio desses flashes do passado, e por constantes divagações do autor acerca do presente e do futuro, que o leitor toma contato com essa impressionante diversidade de interesses do artista. 

Da mesma maneira, episódios marcantes vêm à tona fora de ordem cronológica, exclusivamente ao sabor da inspiração do momento. Os parceiros na música, as grandes amizades, os amores, a paixão pela esposa Pegi e pelos filhos Zeke, Ben e Amber, entre muitos outros temas, vão surgindo conforme avança o fluxo da memória do autor. 

Como um pungente solo de guitarra de Neil Young, sua autobiografia parece nos envolver e nos transportar para um outro lugar, um outro tempo – o tempo do sonho hippie de paz, amor e rock'n'roll.
                                   

TUDO (E MAIS UM POUCO): POESIA REUNIDA (1971-2016)


Chacal

408 páginas

Influenciado por Oswald de Andrade e Allen Ginsberg, Chacal é um dos poetas brasileiros que mais representa o espírito libertário da contracultura nos dias de hoje. 

"Tudo (e mais um pouco)" reúne a obra poética do autor, de seu primeiro livro, "Muito prazer, Ricardo" (1971), até os mais recentes "Murundum" (2012), "Seu Madruga e eu" (2015) e "Alô poeta" (2016), incluindo ainda a versão teatral da autobiografia "Uma história à margem" (2010).

O poeta bebeu a irreverência e a concisão em Oswald de Andrade, mas também no rock’n’roll. De Allen Ginsberg e do grupo carioca Nuvem Cigana dos anos 1970, ele trouxe para a poesia brasileira a experiência da contracultura e, acima de tudo, da palavra falada em inúmeras performances. 

Colaborou também com o grupo teatral Asdrúbal Trouxe o Trombone, fez parcerias musicais com Rogério Duarte, Jards Macalé, as bandas Blitz e Barão Vermelho, além de atuar como agitador cultural no Rio de Janeiro em espaços como o Circo Voador e o CEP 20.000.

Chacal (Ricardo de Carvalho Duarte) nasceu no Rio de Janeiro em 1951. Seu livro de estreia, "Muito prazer, Ricardo" (1971), foi escrito após o impacto da leitura de Oswald de Andrade e é considerado um marco da geração mimeógrafo. 

Após uma temporada em Londres, voltou ao Rio, e entre 1975 e 1979 faz parte do coletivo de poesia Nuvem Cigana, do qual também participam Charles Peixoto e os músicos Ronaldo Bastos e Bernardo Vilhena, entre outros. 

No mesmo período surge a poesia marginal, que revelou nomes como Francisco Alvim, Cacaso e Ana Cristina Cesar. Em paralelo às atividades literárias, Chacal colabora com o grupo teatral Asdrúbal Trouxe o Trombone, a banda Blitz e o Circo Voador, além fazer parcerias musicais com Jards Macalé, Lulu Santos, Fernanda Abreu e vários outros artistas. 

Desde 1990 coordena o Centro de Experimentação Poética, CEP 20.000, no Rio de Janeiro, onde se apresentam poetas e artistas de várias gerações.



                                 
Contos da Chaleira

Raquel Medeiros

110 páginas

O amor, personagem central de "Contos da Chaleira", perpassa as tramas, impregnado por uma suavidade que imprime unidade à obra, e prenuncia um traço autoral.

Suavidade que a escritora sustenta, sem malabarismos que provoquem, no leitor, impactos artificiais. 

Entre os contos, estão “A menina que roubava livros de Lygia Fagundes Telles”, indicando a influência que a autora recebeu de uma de nossas maiores contistas.

O texto de Raquel é fluido e denso ao mesmo tempo, narrando a partir de pontos de vista inusitados. Apresentação de Carmen Moreno.
                   

terça-feira, 28 de junho de 2016

O estagiário e o trainee de jornalismo

Está chovendo erro de concordância, falhas de apuração, matéria sem início (tentam romancear mal e porcamente) e ignorância quase geral. Por isso, antes de apedrejar é bom lembrar que o estagiário e o trainee de jornalismo são aprendizes. Em tese, sim. Desde sempre e não somente quando foi inventado o curso superior de Comunicação Social no Brasil, em 1969.

Hoje, não há mais obrigatoriedade de diploma para que qualquer um vire o jornalista. A coisa voltou aos tempos pré-1969, mas a maioria das empresas exige que candidatos a estágio ou treinamento avançado estejam cursando uma faculdade.

Fato é que nos protocolos, na papelada, na teoria está tudo muito bonitinho mas, na realidade, estagiários e trainees viraram mão de obra barata, burros sem rabo que como paus de enchente zanzam de um lado e para o outro, perdidos nas redações da vida. Começam, então, a cometer jornalismo do jeito que ensinam, ou seja, nas coxas.

A ignorância é um direito. Estudante ignorante é mais do que aceitável. Como o nome já diz ele ainda está estudando, aprendendo. Em tese, estagiários e trainees estão no mercado para errar. Errar, aprender e ser submetidos a rigorosa supervisão. Depois de serem exaustivamente treinados aí sim podem publicar suas primeiras matérias. No caso do jornalismo, a vivência, o dia a dia, a estrada, a experiência fazem a diferença.

Ninguém ensina um sujeito a: 1 – ser curioso; 2 – ser esperto; 3 – ser bom caráter; 4 – ser vibrante; 5 – ser humilde; 6 – ser solidário; 7 – ser equilibrado; 8 – ser inspirado; 9 – ser criativo; 10 – ser jornalista.

Hoje, muitas redações estão sob o comando de aprendizes comprometendo muitíssimo a qualidade da comunicação. O que lemos, ouvimos e assistimos de erros boçais por aí chega as raias do absurdo.

Um estagiário ou trainee no comando de uma redação (seja ela qual for) é como substituir Ruy Barbosa por um estudante de Direto num tribunal. Não é apenas temerário. É absurdo. Mídia lida com vidas, com gente, com instituições, poderes, governos. Mídia exige calo nas mãos para falar e papas na língua para escrever, assim mesmo nessa ordem. Mídia exige ética. Ética que aprendemos ao longo da vida, muitas vezes através de falhas lamentáveis que testemunhamos nas redações e que nos levam a pensar “por esse caminho não irei”.

Leio/ouço/assisto calamidades de gente que conhece a boa literatura de ouvir falar e usa a internet como Juízo Final. Em vez de mera referência o Google virou fonte, verdade absoluta para muita gente. 

Quando dou entrevistas (principalmente por telefone) fico apavorado porque, em algumas ocasiões, senti que do outro lado da linha o futuro colega não sabia quem sou, o que faço, o que fiz e só conhecia o motivo da entrevista meio que por acaso. Mandaram ele ligar e...e...e...


Dizem que esse quadro reflete a realidade deste novo e lamentável Brasil. Não sei, estou farto de teorias. Estagiários e trainees tem que voltar a condição de aprendizes, antes que as mídias sejam despejadas, definitivamente, na vala comum do desprezo, do esquecimento, da falência.

domingo, 26 de junho de 2016

Relógio Biológico, terrível para quem sofre amargamente com a solidão

Duas e 14 da madrugada. Acordo mansamente, sem sobressaltos, apesar do pesadelo. Gozado, mas só tenho pesadelos, desde a adolescência. Sonho bom? Nunca. Bom, acordo as 2 e 14 como se fosse seis da manhã para um triatleta.

Rondo pela casa, ligo a TV e compro um travesseiro num programa de vendas pelo telefone. Segundo o anúncio, o tal travesseiro é um néctar de penas de ganso capaz de corrigir todos os problemas de coluna. O locutor diz que com esse travesseiro temos um sonho “reparador”. Só não prometeu que acordamos ao som de canários belgas porque a empresa fica em São Paulo. Garantiu que quem não ficasse satisfeito com o travesseiro teria seu dinheiro de volta. Os caras são craques. Duas e 14 de um dia de semana é o momento ideal para veicular um anúncio de travesseiro. Liguei, passei o número do cartão de crédito.

Tem gente que fica muito angustiada quando acorda no chamado “meio da noite”. Como para mim é rotina, não sinto nada. Apenas uma certa impaciência, apesar da calma da madrugada, telefones mudos, e-mail calado. Tanto que já escrevi até aqui se interrupção.

Já li e ouvi muito sobre o chamado relógio biológico. Aparentemente durmo mal, mas uma vez li numa revista de ante sala que o tipo de sono que tenho se chama “flash”. Durmo e acordo várias vezes. De fato não é tão bom quanto o sono sem escalas, aquele que você deita a meia noite e acorda as oito na mesma posição. Mas o fato das comunicações estarem a minha disposição de madrugada me trouxe esse vício. Posso dar um giro pela internet sem ser importunado, sapatear nos satélites, conversar com o Congo. De madrugada tenho a sensação de que posso fazer tudo porque tudo funciona.

Meu relógio biológico é oportunista e prático. Em geral durmo cedo sexta e sábado para atravessar o dia seguinte na praia. E praia vou o ano inteiro porque concluí que não existem praias feias com chuva, com tempo nublado ou em plena tempestade. 

As praias são lindas de qualquer jeito. Em Itaipu quando chove e o vento traz aquela bruma branca ela parece com a costa da Escócia, que conheço via cinema. Nos dias frios, de céu azul profundo, lembra a Indonésia. Já sob densa tempestade lembra a capa de “Love Over Gold”, um dos grandes discos do Dire Straits. É por isso que tenho certeza de que Itaipu é a mais gostosa das filhas de Ryan.

Não sei se o fato de trabalhar 13 horas por dia interfere no meu relógio biológico. Há quem diga que isso é estresse. Só que eu nunca estou estressado, eu sou estressado. Já me chamaram de masoquista, que despendo muita energia, etc. Só que anos atrás experimentei ficar sem fazer nada durante três meses. Larguei tudo. Em menos de 20 dias estava de volta ao jornal, de joelhos, pedindo perdão. Nunca me senti tão mal na vida. Dormia o dia inteiro, comia pouco, tinha sonhos melancólicos, porra que depressão! Isso sim é masoquismo. No dia em que levantei para voltar ao jornal, fui fazer a barba e vi, no espelho, que estava com aquele semblante típico dos “à toas”. O suor cheira a naftalina, cobertor das Casas Pernambucanas.

É evidente que não pretendo fazer apologia do sono “flash”, da popular e temida insônia. José Maria Monteiro de Barros (saudade desse meu amigo) me fez observar com calma as aves e mamíferos. Fora as criaturas da noite, todos se recolhem no crepúsculo e se levantam na alvorada. Leio na Wikipédia que os primeiros homens dormiam cedo e acordavam cedo. O que me assustou no texto foi a média de vida deles: 17 anos.

Essa lenda de relógio biológico só deve ser terrível para as pessoas que não gostam de dormir de dia ou sofrem amargamente com a solidão. Quem vira uma noite tem que se habituar com dois sons altamente depressivos: 1) Caminhão de leite; 2) Canto dos pardais e bentevis. Já quem convive mal com o dia e ama a noite é obrigado a engolir outros dois sons, também tristíssimos, de fim de tarde: 1) Canto de cigarra; 2)Sirene de obra informando que o acabou o expediente. É horrível.

Já tentei acertar meu relógio biológico para ficar mais próximo da lânguida rotina da humanidade. De 1974 a 1976 trabalhei no horário das 5 da manhã ao meio dia. Jornalismo tem dessas coisas. Uma ótima oportunidade para acertar o tal relógio. Não deu. 

Chegava em casa, tomava um banho, almoçava e dormia até as seis da tarde. A noite caia na gandaia, ou para a faculdade, que na verdade eram mais ou menos a mesma coisa. Mas pouca coisa foi pior do que uma noite em que acordei as 3 horas da madrugada numa pousada na serra da Bocaina, sem luz, sem livros (ler à luz de velas é terrível) e, ainda por cima, chovendo. Confesso que sofri. Sofri mais ainda com o barulho de um rio que me deixou alucinado, com uma estúpida vontade de desligá-lo. 
Não tem jeito. Sou bicho do mar mesmo.

Relógio biológico não é atômico e muito menos um Rolex automático. O meu é um paraguaio, desses de camelô. E com licença que já são quatro da matina e preciso rever “Apocalypse Now Redux, no DVD.



sexta-feira, 24 de junho de 2016

Os livros da semana

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O Instante Certo

Dorrit Harazim

384 páginas

Há cliques que alteraram o rumo da história e os costumes da sociedade. Neste O instante certo, a premiada jornalista Dorrit Harazim conta as histórias de alguns dos mais célebres fotogramas já tirados.

Assim, registros da Guerra Civil Americana servem de base para analisar os avanços tecnológicos da fotografia; uma foto na cidade de Selma conta a história do movimento pelos direitos civis; e uma mudança na lei trabalhista brasileira tem como fruto um dos mais profícuos retratistas do país.

Em seu primeiro livro, Harazim nos guia não apenas através das imagens, mas de um universo de histórias interligadas, acasos e aqueles breves momentos de genialidade que só a fotografia pode captar.
                                                        

Todos os contos

Organizador – Benjamim Moser

656 páginas

Autora de romances e contos que figuram entre os mais emblemáticos da literatura brasileira, Clarice Lispector é considerada uma das mais importantes escritoras do século XX. Sua popularidade alcançou níveis surpreendentes nas últimas décadas, especialmente após o fenômeno da internet, mas sua figura e sua obra seguem exercendo sobre leitores o mesmo e fascinante estranhamento que causaram desde sua estreia literária, em 1943.

Nesta coletânea, que reúne pela primeira vez todos os contos da autora num único volume, organizado pelo biógrafo Benjamin Moser, é possível conhecer Clarice por inteiro, desde os primeiros escritos, ainda na adolescência, até as últimas linhas.

Essencial para estudantes e pesquisadores, para fãs de Clarice Lispector e iniciantes na obra da escritora, “Todos os contos” foi lançado nos Estados Unidos em 2015, figurando na lista de livros mais importantes do ano do jornal The New York Times e ganhou importantes prêmios, como o Pen Translation Prize, de melhor tradução.

Agora é a vez dos leitores brasileiros (re)descobrirem por completo esta contista prolífica e singular.                                                                                

Histórias da gente brasileira Volume 1: Colônia

Mary Del Priore

432 páginas

A história do país é comumente contada por meio de grandes fatos, feitos e nomes, vitórias e fracassos que marcaram a nação ou a sua economia. O povo, seus hábitos e sua vida cotidiana sempre foram relegados e esquecidos, sem receber a visibilidade que merecem. 

Suas histórias foram deixadas atrás das cortinas, mas chegou a hora de conhecê-las. Mary del Priore nos presenteia, neste livro, com as verdadeiras histórias do país, aquelas que retratam intimamente a vida da gente brasileira. 

Nele, você vai descobrir como as pessoas se vestiam, onde moravam, o que comiam, o que faziam para se divertir e tantos outros fatos “menores”, que muito dizem sobre elas – e sobre nós. Os personagens aqui vão além daqueles conhecidos, como Tiradentes ou d. Pedro I; somos todos nós. Afinal, é conhecendo nossas raízes, as histórias de nosso povo e os objetos que usavam que seremos capazes de compreender melhor o país em que vivemos e de construir um futuro mais promissor. Portanto, que tal olhar pelo buraco da fechadura e descobrir o que há por trás das cortinas do Brasil?

Este é o primeiro volume da coleção “Histórias da gente brasileira” – focado na época do Brasil Colônia –, que contará ainda com outros três livros: um sobre o Império e dois sobre a República.
                                                               
                   

One Train Later: Andy Summers

256 páginas

Em "One Train Later", Andy Summers é mais do que simplesmente o personagem de uma vida regada a sexo, drogas e rock n' roll - o clichê-mor da vida de um músico, mas que se aplica perfeitamente à sua trajetória. Summers se coloca como o narrador da própria história, revendo sua vida desde a infância no interior da Inglaterra até o último show com o The Police. No meio estão seus primeiros passos como guitarrista, a mudança para Londres, seu envolvimento com alguns dos personagens principais da história do rock (como Eric Clapton e Jimi Hendrix), e suas passagens por bandas como Zoot Money's Big Roll Band, Soft Machine e The Animals, até o encontro com Stewart Copeland, na saída do tal "trem" do título, que mudaria sua vida para sempre.

Em meio às muitas páginas que relatam estes encontros minuciosamente, também estão as impressões de Summers sobre as drogas, os lugares que conheceu, seus relacionamentos amorosos, os filhos e, claro, a música, sempre descrita por ele com uma paixão de dar inveja. A força-motriz da vida de Summers é, no final das contas, o personagem principal de "One Train Later" e inspiração para novos guitarristas que surgem a todo momento no mundo.

Mas é claro que os fãs querem mesmo é saber de sua banda principal, o The Police. Summers nos conta em detalhes como tudo aconteceu, desde os primeiros encontros com Sting e Stewart Copeland até os últimos shows da banda, que saiu de cena em 1984 no auge da popularidade, com o álbum "Synchronicity" tendo atingido o primeiro lugar das paradas em todo o mundo. Os motivos que levaram à dissolução de uma das mais populares bandas de rock da história estão em "One Train Later" e deixam sua leitura ainda mais instigante.
"One Train Later", a autobiografia de Andy Summers, é um lançamento da Ultra Music e teve o prefácio escrito por ninguém menos que o guitarrista do U2, The Edge.
                                      

Antologia Ilustrada da Poesia Brasileira

Organizada por Adriana Calcanhoto


144 páginas

A ideia é bem simples: abrir janelas para os poetas de diferentes tempos, estilos e vozes no Brasil, preenchendo assim a possível ausência de uma compilação dedicada aos leitores de poesia, menores ou iniciantes, ilustrada pela própria organizadora.” – Adriana Calcanhotto.

Foi a partir dessa “ideia simples” que Adriana Calcanhotto se debruçou por mais de um ano na organização desta antologia. Nela, conseguiu reunir poetas do século XIX ao XXI, canônicos e nem tão conhecidos.

De Gonçalves Dias a Gregório Duvivier, passando por Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, Manuel Bandeira, Cecilia Meireles, Vinicius de Moraes, Adélia Prado e Paulo Leminski. Todos aqui reunidos.

Nessa convivência, vê-se formar com sutileza, em uma sucessão de ecos e influências, a poesia tão brasileira, tão nossa. Uma poesia que convida todos os leitores. Ou aspirantes a leitores. Enfim, “crianças de qualquer idade”, sejam aquelas que estão descobrindo as primeiras palavras ou as que estão sempre (re)descobrindo o sabor da poesia.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Pelo imoralismo amplo, geral e irrestrito

O saudoso humorista Leon Eliachar escreveu que "o tarado é um homem normal pego em flagrante". Quem lê meus posts no Facebook (cada vez mais magros, com grave tendência a sumir) sabe que já fui severamente patrulhado por um covil de "politicamente corretos", frequentadores aqui da Coluna, o que aliás não entendo. Achava preocupante perceber que essa laia tem frequentado a Coluna.

Como segunda-feira ingressei numa nova era de reinvenção existencial moderada, ou cavalo de pau, ou “volta que deu merda”, “destrepa tudo”, etc. não acho mais nada, absolutamente nada, preocupante. 
O que dirá as afetações e pequenas canalhices de supostos leitores de redes sociais.

Tempos atrás, no inbox do Facebook, essas pessoas disseram que a crônica que escrevi sobre minha puberdade/pré-adolescência no Campo de São Bento, em Niterói, é um poço de perversões, atentados a moral e aos bons costumes, papo de tarado fundamentalista e tudo mais.

Pensei se tratar de galhofa de amigos ou conhecidos, mas depois percebi era mesmo reação de leitores anônimos (e anacrônicos), cujo I.P. (Internet Protocol, o endereço na internet), que aparece para quem usa o Blogger, eu nunca conferi porque tenho mais o que fazer.

A reinvenção existencial moderada me faz assassinar algumas penumbras emocionais que precisam ser assassinadas e por isso reli a crônica umas três vezes. Constatei que o suposto mar de devassidão não passa de pueris vivências e desventuras de um garoto vivendo a liberdade possível em seus 12, 13 anos de idade.

Um adorador de mulheres surfando a liberdade possível e clandestina porque a sociedade moralista, nos moldes Nelsonrodriguianos, sempre foi moralista mas jamais conseguiu esconder os seus orgasmos diante de situações nefastas como assassinatos de crianças, linchamentos de mendigos, torpes tragédias em geral.

É essa sociedade moralista que dá altíssimos índices de audiência aos programas de TV e rádio do estilo mundo cão, e também jornais e outros tipos de mídia especializados em sangue, suor e lágrimas. Bom lembrar que as casas de sadomasoquismo e swing tem os “moralistas” como clientes preferenciais.

Detonei qualquer possibilidade de mudar os rumos do que escrevo aqui na Coluna, um espaço assinado, com endereço conhecido, frequentado por pessoas de todas as idades e escrito, modéstia à parte, por um jornalista com mais de 40 anos de profissão que sabe, exatamente, endereço, telefone e e-mail da Dona Ética e seus parentes próximos.

Vou continuar exercendo a liberdade de escrever sobre temas mais ousados já que estamos assistindo ao verdadeiro escárnio contra a moral representado pela corja que assaltou o Estado. Felizmente indo em cana, um por um. Isso sim é perversão, é escarrar na cara tudo o que existe de mais limpo, honesto, íntegro.

Não será a micro saga de um garoto conhecendo o sexo que deve ser defenestrada pelos politicamente corretos, em geral ladrões, safados, pervertidos e pedófilos. Agraço aos leitores que me incentivam, estimulam, levam o que escrevo aqui para o terreno do humor, da boa vida, para o jeito positivo de encarar a existência e não para as sombras dos "corretos" com aspas, que vivem no limo sob o signo das taras mal resolvidas e da malignidade suprema.


quarta-feira, 22 de junho de 2016

Overdose de informação

Estou estafado, estourado, exausto, mas não estou sozinho. Tempos atrás assisti uma entrevista de Zuenir Ventura e Luiz Fernando Veríssimo no programa do Roberto D’Ávila, na Globonews. Os três concordaram que estamos vivendo uma overdose de informação que, segundo Zuenir, pode estar causando a sensação de déficit de atenção. Os três concordaram que por causa do imenso volume de informações acabam sem entender boa parte delas por causa da exaustão.

Sim, estou tendo déficit de atenção e, pelo que ouço, vejo e leio não estou sozinho. Percebo que somente na semana que passou pelo menos oito novos aplicativos foram atualizados ou lançados e, para não me desatualizar, estudei cada um deles depois que instalei. Resultado: cansaço, bagaço, estafa. Ah, sim, minha câmera digital informa que tenho que atualizar o software de exportação de fotos.

Não tenho saco para pescaria, mas na Via Litorânea, que liga o Gragoatá à Boa Viagem, as pessoas pescam dia e noite. Pesca de caniço, isca, anzol. Eles param seus carros de frente (em geral esses carros tem adesivo com os dizeres do tipo “Estressou? Vá pescar”) e ficam horas e mais horas pescando. Eu adoraria ter saco para comprar um caniço, os anzóis, isca, pegar aquela tralha e ficar me cortando todo com faca mal amolada tentando pescar. Ia acabar tendo um ataque de ansiedade porque, definitivamente, os trabalhos manuais estão longe de meu menu de funcionamento.

Um amigo garante que a maioria dos pescadores de caniço usa a atividade como desculpa para sair de casa e ficar algumas horas descansando, contemplando o mar. Botam a isca no anzol, arremessam e ficam olhando para o horizonte, repousando, descansando sem ter que dar satisfações a ninguém porque, afinal de contas, não são loucos olhando para o nada e sim pescadores.

E vocês? Também estão sentindo essa overdose de informações? Em tudo, até em chave de hotel que agora é biométrica. O hóspede bota o polegar e a porta destrava, depois de ler as suas impressões digitais em menos de um segundo. Aí você começa a se habituar e inventam outro sistema. Música. Uso o programa Soul Seek para baixar, mas na hora de ouvir não tolero aquelas mini-carrapetas que as pessoas enterram nos ouvidos. Estou para comprar um headphone confortável e ridículo igual aos de jogadores de futebol metrossexuais mas...estou cansado. Quando sobra tempo eu tento me distrair.

Prometo a mim mesmo que não vou mais tentar aprender muita coisa, só o fundamental. Descansar a cabeça, como a garoupa suada do grande Erasmo.

Vamos ver se vai dar certo.


terça-feira, 21 de junho de 2016

Atentados terroristas nas Olimpíadas


                                                                                A Abin (Agência Brasileira de Inteligência) está informada de que há grave risco de atentados nas Olimpíadas do Rio. Uma reportagem na Veja desta semana mostra, inclusive, alguns nomes (e fotos) de brasileiros que trabalham para o estado Islâmico e que já teriam sido escalados para as “missões”.

Há dois anos um diplomata israelense chamou o Brasil de “anão diplomático”. Com razão. Nos últimos anos, nossa diplomacia foi transformada em marionete bolivariana, atirada na lixeira das prioridades dos governos. Um crime já que, em nossa história, a diplomacia brasileira sempre se destacou pela competência, equilíbrio, eficiência, talento. Talvez por isso tenha sido punida.

O argumento do “anão diplomático” pode dar a sensação de que o Brasil foi chutado dos radares internacionais. Afinal, está mergulhado numa brutal recessão afastando cada vez mais empresas estrangeiras.

Por exemplo: este ano, o Brasil só terá o lançamento de um único modelo novo de automóvel, o Nissan Kicks. Mesmo porque a montadora japonesa já estava comprometida com a Olimpíada e prometeu, anos atrás, lançar um carro revolucionário nos jogos. Fiat, Ford, Toyota, Honda, enfim, todas as outras adiaram lançamentos, investimentos, enfim, chutaram para o futuro tudo o que previam de investimentos para o Brasil. Em outros segmentos da economia, a mesma coisa.

Pela lógica nem os terroristas do Estado Islâmico, Al Qaeda, Taliban e similares estariam interessados num anão diplomático. Os defensores dessa tese esquecem, no entanto, que centenas de atletas de países como Israel, Estados Unidos, Inglaterra, França, vão estar aqui no Rio. E decididamente, atentados envolvendo esses ou qualquer outro país em solo brasileiro podem estar mobilizando as forças do mal.

A entrada de imigrantes no Brasil tem sido intensa nos últimos anos. Gente do Haiti, Sudão, Líbia. Há quem afirme que no meio desses grupos tenham se infiltrado terroristas. Faz sentido? Faz. Mas não há uma informação objetiva, consolidada, a respeito.

Por enquanto.





domingo, 19 de junho de 2016

Comércio em crise: a culpa não é da internet

Só o decano dos imbecis é capaz de dizer que o comércio vai mal por outros motivos e não a crise econômica. Afinal, o Brasil foi estraçalhado, moído, assaltado e não sobrou nada para ninguém. Só que é bom deixar claro que ainda há quem diga que a internet ajuda a afogar os negócios das chamadas lojas físicas.

Não é verdade. Assim como Uber não vai acabar com os táxis convencionais, em geral movido a grosserias, baixarias e caríssimos (Uber é muito melhor e quase 50% mais barato na versão Uber X), a internet não pode ser acusada de assassina do comércio físico.

Ontem, sábado, precisei comprar uma mesinha para computador. Simples, banal, light, leve, barata, em torno de 150 pratas. Desde o ano 2000, 90% do que compro é via internet por comodidade, facilidade, rapidez. No caso da mesinha eu precisava ver pessoalmente, conferir medidas, cores, etc.

Fui a um mega shopping caçar a mesinha e logo na primeira loja de uma grande rede, entrei e havia duas senhoras vendedoras conversando. Perguntei “boa tarde, procuro uma mesinha para computador...” e uma delas, que estava sentada, me cortou abruptamente: “Não tem”. Calmamente, solicitei: “a senhora não retribuiu meu boa tarde e ainda por cima não sabe se a pergunta era se tem ou não tem”. Sentava estava, sentada ficou olhando para a minha cara como se eu fosse um meliante.

Saí e entrei em outra loja de outra grande rede. Um rapaz com o cabelo a la Neymar (mau sinal) estava encostado numa vitrine. Dei boa tarde e ele “armário é lá atrás”. Começando a esquentar, mas falando baixo, rebati “porra, não é armário é mesa”. E ele, “também é lá atrás”. Fui “lá atrás” e um outro, também sem responder o meu boa tarde, filosofou: “quando um produto entra no site da loja é que já não está mais a venda aqui”. Não entendi, mas saí.

Coice, coice, coice. Foi o que levei em outras lojas por uma legião de pessoas mal educadas, mal informadas, inúteis, parasitas, que certamente ocupam a vaga de gente mais preparada que está disposta a vencer a crise. O ápice de minha turnê foi quando um sujeito me disse “é melhor o senhor comprar no site”. Joguei a toalha.

Depois de três horas de peregrinação, voltei para casa. Em menos de 10 minutos comprei uma super mesinha, escolhi cor, forma de pagamento, tipo de frete, acessei o manual, e...o site me deu boa tarde.

É dose.