quinta-feira, 16 de junho de 2016

Fogueira, balões, lembranças e o cover de Danny Devito arrumando a mala pelo celular a bordo do catamarã

                                Foto feita pelo amigo/irmão Alvaro Luiz Fernandes no Centro Histórico
                          de São Luís, Maranhão
Dia 24 de junho é comemorado o dia de São João, padroeiro de minha cidade, Niterói. Feriado municipal e pouquíssimos arraiais acontecendo. Não sei por que. No entanto, dizem que há muitas festas fora da cidade, o que me lembrou um episódio curioso.

Tempos atrás almocei com o amigo Eduardo Lamas no sempre agradabilíssimo bistrô “Arlequim”, no Paço Imperial, centro do Rio. Muitos papos, ótimos planos, conversa regada a muitos CDs e DVDs raros que frequentam o magistral acervo da loja.

Aviso: quando for ao Arlequim dê um jeito de se livrar do cartão de crédito pois e impossível resistir ao arsenal de CDs e DVDs importados à disposição. Impressionante a qualidade e diversidade.

Bom, na volta, a caminho do catamarã para Niterói, vi na Praça 15 (não uso algarismos romanos) um cartaz anunciando uma festa junina. Típica e tradicional. O desenho trazia uma fogueira, gente fantasiada e até os perigosos (e hoje inviáveis) balões. Embarquei e a meu lado sentou um sujeito que era a cara do Danny Devito: baixo, gordo, careca, que não largava o celular.


Fez várias ligações porque a linha caia. Ele orientava uma mulher do outro lado da linha que arrumava a mala dele. Foi gozado. Ele dizia “não, gravata não precisa, vou descansar...bota as duas escovas de dentes, muitas meias e cuecas de algodão porque lá faz frio...não, o casaco de courvin vou levar na mão caso esfrie no caminho. Ah, leva meu radinho” e assim o cara veio até Niterói falando, gesticulando, arfando.

Curioso, quando a embarcação atracou continuei ouvindo a conversa engraçadíssima sobre o tal fim de semana na serra que o cover do Devito ia ter. Devito que, lá pelas tantas, disparou: “não esqueça da minha roupa para o casamento na roça. Os arraiais de lá são imperdíveis”. Onde seriam esses arraiais? Num lugar frio, onde o nosso personagem cai na gandaia? Cara de pau, perguntei. Sorridente, ele respondeu “em Santa Maria Madalena, é claro. Onde mais?” Pois é, onde mais?, pensei, apesar de nunca ter ido a Santa Maria Madalena.

Voltando ao cartaz da festa junina, me bateu uma profunda saudade. Saudade das grandes festas que frequentei ao longo do tempo, onde mergulhei em arraiais com fogueiras gigantescas, bandeirinhas, pau-de-sebo, comidas típicas, quadrilhas, namoradas. Muitas.

Saudade da minha infância, apesar de ter 
frequentado os arraiais até 1999, eu acho. Saudade daquele cheiro de lenha queimada, do som primitivo dos conjuntos tocando e, logicamente, dos balões, meu fascínio desde que nasci. Saudade de um arraial gigantesco que fui certa vez em Teresópolis, outro em Friburgo, mais um outro em Araruama, vários no Rio e em Niterói e em Porto Alegre também. Foi no arraial da minha querida POA que soube que São João também é padroeiro de lá, como é de Niterói.
Este ano vou correr atrás de pelo menos uma festa junina. Meu lado lúdico cobra, quase implora. Merece. Com bombas, crianças a caráter e tudo mais.

Quem procura, acha.