quarta-feira, 29 de junho de 2016

O mundo descacetou de novo, Luís Buñuel

 
                             Cena de "O Fantasma da Liberdade", 1974
Buñuel,

É o segundo bilhete que lhe escrevo no espaço de poucas semanas. Ou dias, horas, minutos. Não sei. Buñuel, o mundo descacetou de novo e na falta de um interlocutor com doutorado em absurdo, cometo essas desalinhadas linhas na tentativa de procurar entender. Sim, sou eu mesmo, o cara chato que viu todos os seus filmes, no Rio, São Paulo, Brasília, Niterói e por mais ilógicos e (desculpe) geniais (você detesta isso) não chegam perto da crise psicótica mundial. Tudo começou (ou será "descomeçou"?) no 11 de setembro, World Trade Center, Bin Laden, Boeings kamikazes, 3 mil mortos. Os EUA começaram a arrochar interna e externamente. Fez muita asneira, invadiu o Iraque, cutucou o Afeganistão e como os EUA são ruins de guerra (perderam quase todas) acabaram espalhando ódio e armas em metade do planeta, indiretamente criando os filhotes da Al Qada e do Taliban transformados no Estado Islâmico, uma organização de psicopatas dispostos a explodir o planeta para mostrar que manda no planeta, mesmo que o planeta deixe de existir. Tudo em nome de um Alá paraguaio que promete chuvas e mais chuvas de virgens nuas para que os pervertidos homens bomba explodam de prazer. Aí começa a dicotomia, o ilógico, a boçalidade, Buñuel. Ao lado desse caos os norte-americanos inventaram uma ceita tão ou mais fundamentalista do que o E.I. chamada Politicamente Correto, uma espécie de tratado de Tordesilhas social misturado com regulamento de prédios de quitinetes em Oklahoma e alguma dose de balas Juquinha. Se você estivesse vivo já teria sido preso e deportado para...para...para a Coréia do Norte, uma espécie de piscinão comunista governado por imbecis vestidos de garoto, comandados por um garoto vestido de imbecil. Luís, eu não aguento mais. Se uma mulher olha para um cara na rua, se interessa por ele, nada poderá fazer porque pode ser processada por assédio. O sujeito que senta num avião ao lado de uma mulher com lindas pernas, não pode olhar. Falar com ela? Perguntar que horas são? Cadeira elétrica, Buñuel! O mundo está todo assim. Mundo que restou porque o E.I. está explodindo uma parte, o Reino Unido decidiu afundar a outra e o Brasil quebrou, faliu. Você dirá, "ora, meu caro, falir Brasil não é novidade". Sim, não é. Na Segunda Guerra o Brasil também quebrou, mas a pancada foi bem mais leve, conforme ensina a História. No Estado do Rio a coisa está tão doida que delegados de polícia vão para o aeroporto internacional ameaçar turistas e o desgovernador interino, depois de dizer que o RJ faliu, janta com amigos no Cipriani, no Copacabana Palace, um dos mais caros da América Latina. Não temos para onde correr, Buñuel. Nem pra dentro do cinema assistir a um filme seu, ou de Truffaut, Godard porque vocês foram condenados ao limbo pelo P.C., Politicamente Correto. Buñuel eu ia dizer a clássica "pare o mundo que eu quero descer", mas prefiro que ande mais rápido, fast fast fast, porque o lamaçal já está na altura do queixo do Anjo Exterminador.