quarta-feira, 8 de junho de 2016

Por que a sugestão "adote um preso" do desembargador evaporou?

                     Desembargador Rogério Medeiros Garcia de Lima                                                                       

Por que a grande sugestão sumiu, evaporou, escafedeu-se?

Por ROGÉRIO MEDEIROS GARCIA DE LIMA, desembargador (Belo Horizonte, MG)”.  

Em 10 de janeiro de 2014

A Folha de SP, hoje, publica carta minha, onde ironizo os “baluartes” dos direitos humanos. Agora, com o morticínio de presos no Maranhão, jornalistas e intelectuais “engajados” escrevem e opinam copiosamente sobre a questão carcerária e os direitos fundamentais. São como urubus, não podem ver uma carniça.

Quando eu era juiz da infância e juventude em Montes Claros, norte de Minas Gerais, em 1993, não existia instituição adequada para acolher menores infratores. 

Havia uma quadrilha de três adolescentes praticando reiterados assaltos. A polícia prendia, eu tinha de soltá-los. Depois da enésima reincidência, valendo-me de um precedente do Superior Tribunal de Justiça, determinei o recolhimento dos “pequenos” assaltantes à cadeia pública, em cela separada dos presos maiores.

Recebi a visita de uma comitiva de defensores dos direitos humanos (por coincidência, três militantes). Exigiam que eu liberasse os menores. Neguei. Ameaçaram denunciar-me à imprensa nacional, à corregedoria de justiça e até à ONU. 

Eu retruquei para não irem tão longe, tinha solução.
Chamei o escrivão e ordenei a lavratura de três termos de guarda: cada qual levaria um dos menores preso para casa, com toda a responsabilidade delegada pelo juiz.

Pernas para que te quero! Mal se despediram e saíram correndo do fórum. Não me denunciaram a entidade alguma, não ficaram com os menores, não me “honraram” mais com suas visitas e … os menores ficaram presos.

É assim que funciona a “esquerda caviar”.

Folha de São Paulo - Painel do Leitor -10/01/14 
Desembargador critica defensores dos direitos humanos

Segunda carta:

Tenho uma sugestão ao professor Paulo Sérgio Pinheiro, ao jornalista Jânio de Freitas, à Ministra Maria do Rosário e a outros tantos admiráveis defensores dos direitos humanos no Brasil. Criemos o programa social “Adote um Preso”. 

Cada cidadão aderente levaria para casa um preso carente de direitos humanos. Os benfeitores ficariam de bem com suas consciências e ajudariam, filantropicamente, a solucionar o problema carcerário do país. Sem desconto no Imposto de Renda”.

A constituição endereça garantia a todos,inclusive o direito a livre manifestação do pensamento.

Minha experiência como juiz em Minas Gerais  foi de total desamparo  na resolução de problemas relativos a presos e menores infratores.

Tinha de me virar sozinho e pedir apoio inusitados a religiosos e a outros poucos abnegados.Por isso sou cético sobre discursos de defensores  do "direitos humanos só para criminosos". 

Não concordo com todas as posições de Janio Freitas, Marina,Eduardo etc., "Poder, 14/01, embora o respeite por sua coragem e integridade.Sobre esse assunto discordaremos sempre.

Rogério Medeiros Garcia de Lima, desembargador (Belo Horizonte, MG).