domingo, 5 de junho de 2016

Ummagumma será uma das provas de vida inteligente neste planeta

                                                                             

Se daqui a milhares de anos as prováveis mais evoluídas gerações decidirem se interessar pelos parcos, pobres e decadentes tempos atuais, vão correr atrás de alguns rastros. Rastros de inteligência. 

As futuras gerações vão se chocar com fatos como a explosão
 de lama em Mariana, o fim anunciado da Amazônia, a formatação humana via politicamente correto e todas as imperfeições reinantes. Mas, haverá muitos sinais positivos. Muitos. Um deles, com certeza é o álbum duplo Ummagumma que o Pink Floyd gravou e lançou em 1969.

Os segmentos acústicos do álbum,recheados de efeitos especiais livres, são de tamanha profundidade que até hoje, 47 anos depois, ainda encontramos rastros inconscientes de cabeças consistentes que decidirem jogar todas as fichas no inusitado. Ummagumma é, sobretudo, um louvor a liberdade.

Quando Roger Waters, David Gilmour, Richard Wright e Nick Mason começaram a gravar o álbum, no Estúdio 2 do Abbey Road Studios (Londres) tinham, sim, ideia do que iam fazer. Mais: tinham certeza de que pretendiam rachar o concreto da lógica do mercado, no apogeu da era hippie. Decidiram que os momentos gravados ao vivo em fusão com as experiências em estúdio não seriam digeridos imediadamente por ninguém. Aqui, acrescento: até hoje. 

Quando Ummagumma saiu no Brasil, lembro de alguém chamar de "coisa de doidões". Não é. É muito mais do que isso. Muito mais. A começar pelo nome, na verdade uma invenção de um roadie do Pink Floyd, Iain "Emo" Moore, que costumava dizer "eu vou até em casa ver se acho um pouco de ummagumma". Ele diz que significava "paz de espírito, relaxamento, não fazer nada", mas não desmente que Ummagumma pode significar sexo.

Escrevo ouvindo o álbum. Que maravilha. A mais pura, densa e tensa peça de arte contemporânea. Tão desafiadora que em 2015 cientistas britânicos batizaram de Ummagumma uma nova espécie de libélula que descobriram.

Não sei que horas vou parar de ouvir. Mas não pretendo tão cedo.