domingo, 3 de julho de 2016

Antonio Carlos Jobim e o "Mentes Caóticas Futebol Clube"

                Batizaria essa foto de "Samba do Avião"
Reler livros, um hábito antigo. Os bons livros se renovam como nuvens a cada releitura, cada revisita. Acontece quando releio "Antonio Carlos Jobim - um homem iluminado", escrito por sua saudosa irmã Helena Jobim, que me autografou um exemplar em 17 de maio de 1997, mês de lançamento da obra. Helena era um doce de pessoa.

Esse livro me mostrou que o Tom foi (e é) muito mais extraordinário do que eu imaginava. Mesmo a longa entrevista que tive o privilégio de fazer com ele em 1992, na churrascaria Plataforma, sequer chega perto do relato de Helena.

É um livro muito comovente porque mergulha numa pessoa que foi açoitada por angústias, ansiedade, questionamentos que se transformaram em músicas, discos e grandes, monumentais projetos. Graças ao livro da Helena conheci um Tom Jobim eternamente garoto. E como garoto, contemplando os bichos pelas florestas por onde andou (especialmente na região de Passo Fundo, Estado do Rio, onde tinha o sítio/conforto/lar) me senti muito próximo. Helena descreve Tom piando para aves como eu e meu irmão fazíamos com um amigo, um mateiro chamado Benedito, que nos acompanhava em aventuras indescritíveis pelas matas de Angra dos Reis em nossa infância.

Tom Jobim era aquariano. Também sou. Um amigo, também deste signo, costuma chamá-lo de "mentes caóticas futebol clube" e é a pura verdade. O transtorno, o perfeccionismo, o leve desespero que acompanhou Jobim a vida toda, sempre bate à minha porta. E a do meu amigo também.

Um pássaro vermelho e preto, tiê-sangue, simboliza a minha infância. Estou falando de 1960, 1961, quando tinha 5 anos de idade. O tiê já era raro e hoje, dizem, está extinto. Ficávamos dias e mais dias esperando que ele pousasse no gramado só para vê-lo. O vermelhão contrastando com o verde da grama e o azul do céu. Taí, vou eleger esse quadro a nova imagem de minha infância. 


Grato, sempre, a Helena e Antonio Carlos Jobim.