segunda-feira, 4 de julho de 2016

Blogueiro é o cacete!, ou, vale tudo para praticar a evasão de privacidade (sacada de Tutty Vasquez)

                                                                             
Blogueiro e jornalista: diferenças brutais
Enfurecido, andei recebendo e-mails onde era chamado de “Caro blogueiro” ou coisa parecida. Um colega que encontrei, também indignado com a ofensa, resumiu: “Estou na trincheira das letras tórridas há mais de 30 anos, ralei nas ostras estudando Comunicação quatro anos e vem esses vagabundos me chamarem de blogueiro. Blogueiro é o cacete! (ele não disse cacete, mas não gosto de escrever palavrões). Sou jornalista, ainda com muito orgulho.”
Estou nas redações da vida desde o início dos anos 1970 (comecei com 15 anos), fiz curso superior, iniciei quatro pós-graduações que tive que abandonar por falta de tempo (trabalhava ou estudava) e, essa não, chegar agora e ouvir que sou um skatista das letras, um arrivista das entrelinhas, também conhecido como blogueiro? Meu chapa, de jeito nenhum. Não tenho nada contra os blogueiros, mas que boa parte deles é picareta, aventureiro, metido a escritor fashion, jornalista up to date e tudo mais, isso é.
Tanto que essa cabana não se chama Blog do LAM e sim Coluna do LAM, e caminha para os 265 mil acessos desde que entrou no ar, no final de 2012. Tudo bem que a extensão blogspot.com pode confundir alguns, mas aí o problema não é meu. 
Pessoalmente nunca me xingaram de blogueiro. Talvez porque já me conheçam de outros woodstocks, sabem que ralo como um lobo na savana e não tolero esses modismos de amadores, gente que adora praticar a “evasão de privacidade” como bem sentenciou, anos atrás, o grande Tutty Vasquez. 
Especialmente quem escreve de graça para fazer lobby com a sociedade e se lamber diante do espelho. São os skatistas da imbecilidade, estafetas do estrume jornalístico que, algumas vezes, são endeusados pelo recorde de cliques. Não tolero amadores (e arrivistas, molambeiros, barangas) em nenhum setor dessa louca e sempre bela vida.
Concordo com 130% de meus colegas que afirmam que a qualidade do jornalismo despencou nos últimos anos. É verdade. Escrever mal virou regra. A concordância verbal, em muitos casos, parece ter virado artigo de luxo ou ficção não científica. Mas o mais grave, aliás, gravíssimo, são as falhas na apuração das notícias, lei maior da mídia. 
O que leio de erros primários de apuração, notícias com fontes trocadas, informações truncadas e até incoerentes, é de fazer chorar. Meus colegas dizem que as empresas de comunicação optaram por mão de obra muitíssimo barata, logo de baixa qualidade, e que esses erros vão se avolumando alucinadamente. 
Um dia desses li a seguinte chamada: “Trânsito segue parado em Laranjeiras”. Como assim? Como é que o trânsito segue se está parado? Daí para falhas lamentáveis em cultura, política, economia, ciência é só um salto. E o leitor? O leitor que se dane, ao que parece. O leitor que vá ler blogs e não encha o saco.
Isso na chamada mídia convencional. Imagine nesses blogs que muitos picaretosos salta-pocinhas escrevem, publicam e saem charlando por aí como se o Pluto fosse filho da Pluta e que se dane o avião. Por isso, meu colega tem razão: blogueiro é o cacete! 
Sou jornalista, adestrado para apurar exaustivamente as informações, escrever respeitando normas muito rígidas e publicar com o máximo de firmeza possível. Por que? Porque os bons leitores exigem, merecem e, pelo que aprendi, os bons leitores são nossa razão de existir. O resto? Problema da Comlurb.