segunda-feira, 15 de agosto de 2016

400 cavalos caríssimos e inúteis

                  Ford Mustang GT - utopia
                        Vw Up 1.0 - realidade
Sou apaixonado por carros e hoje vi um Ford Mustang GT vermelho, capaz de despejar 447 cavalos de potência, chegando a 279 km/h. Ele estava no para e anda de uma rua, para entrar no para e anda de uma avenida mais a frente. Seu motor V8 5.0 bebe 2,5 km/litro de gasolina nessas condições.

O pior de tudo é que nada adianta um carro ter mais de 400 cavalos de potência desde que os governos descobriram nos radares de velocidade (vulgo pardais) uma boa fonte de grana. Usam como desculpa a preocupação com a segurança dos cidadãos, que todos nós sabemos que é pura balela. Qualquer cidade vagabunda instala seus pardais em trechos de rodovias que passam por seus limites, alguns limitando em 40 km/h, em geral mal sinalizados. De propósito, já que a intenção é faturar.

Para piorar, a maioria das estradas está esburacada, mal sinalizada, pedestres, cavalos, jegues não tem como atravessar e o trânsito parece um rolo compressor passando sobre vidas a todo instante.

A ponte Rio-Niterói foi inaugurada em 1974 com três pistas de cada lado com o limite de velocidade em 120 km/h. Em julho passado, o governo federal instalou pardais na via que limitam a velocidade em 80 km/h, sempre em nome da “segurança do cidadão”. Tem gente padecendo de sono a 80 km/h na via durante a noite. O bom senso sugeria que para carros esse limite poderia ficar em 100 km/h e em 80 para ônibus e caminhões, vilões históricos daquela via. Mas, também lá, prevalece a esperteza estatal.

De que adianta ter um carro de 100 cavalos se nem metade da potência do motor pode ser usada? Exemplo: um Fiat Palio 1.6 tem 117 cv de potência e a 80 por hora está muito longe da velocidade e cruzeiro. Um Renault Sandero 1.6 tem 106 cv enquanto um Toyota Corolla 2.0 tem 154 e um Honda Civic 155. Todos eles bebem muito nos congestionamentos crônicos das cidades brasileiras e a pergunta que fica é “vale a pena investir?”. O Brasil merece? Ou tornou-se, definitivamente, a terra do motor mil, vulgo 1.0?

Um exemplo de que o consumismo tem, literalmente, limites no terceiro mundo.