segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

É urgente o controle da natalidade

     O Globo ontem, 25 de dezembro de 2016
Morro do Beltrão, Niterói. Crescimento visível
Cafubá, região oceânica de Niterói. A esquerda em 2005, à direita em 2015
Rio de Janeiro, vista parcial.
Quem sobrevoa o Estado do Rio percebe que a chamada Região Metropolitana do Rio se tornou um mar de construções irregulares, desumanas, perigosas, antigamente tratadas como favelas mas que o cinismo burguês, aliado ao politicamente correto, mudou para “comunidades”. Choca menos.

Casas penduradas em abismos, prédios de cinco, seis andares construídos de qualquer jeito, devastação das matas, poluição dos rios, para orgasmo dos corruptos que sugam a política.

A miséria sempre foi um ótimo negócio para os moleques do poder e quanto maior a fome, quanto maior a criminalidade, mais “vozes justiceiras” surgem nas anônimas multidões faturando com isso; numa ponta ganhando mandato como prefeito ou parlamentar, na outra faturando bilhões de reais em corrupção com obras superfaturadas.

É lucrativo para a corrupção tratar o controle da natalidade como tabu, crime, medida desumana. Famílias bem planejadas (em todas as classes sociais) significam uma melhor ordenação do Estado, é lógico. Mas os corruptos tem horror a ordem, ao planejamento, ao bom senso porque eles ganham (e muito) na desordem, no inchaço, na desumanidade.

A desgraça para muitos mandatários e maus religiosos precisa ser ampla, geral e irrestrita porque é baseados nela, na desgraça alheia,  é que eles faturam muito. Quanto mais miseráveis nascerem, quanto mais miseráveis morrerem, melhor para esses espertalhões que prometem o céu e em troca dão o inferno do roubo, da falácia, do estelionato social.

Obra, obra, obra, BRT, BRT, BRT, metrô, metrô, metrô, UPP, UPP, UPP, UPP, barca, barca, barca, nada resolve os dramas urbanos do Rio. Por que? Porque o Rio lotou, esgotou, não cabe mais ninguém. Quando falo Rio estou me referindo a capital e também região metropolitana e periferia, onde se encontram cidades como Caxias, Belford Roxo, Magé, São Gonçalo e Niterói.

Alguns fenômenos da não-natureza só servem para destruir e a especulação imobiliária gananciosa e desenfreada é um desses fenômenos. Fora do Rio ela anuncia um paraíso, uma Shangrilá com a população dando beijo na boca esperando do VLT  do Porto Maravilha, enfim, uma cidade inventada, cidade cenográfica.

O Rio virou um gigantesco Projac.

Aí, vendem apartamentos de 30 metros quadrados para incautos do interior, ao longo de anos (com o irrestrito apoio das autoridades), e a cidade veio inflando, inflando, inflando até explodir. Caos no Rio (Capital), caos em Caxias, Nova Iguaçu, São Gonçalo, Niterói. Enfim, onde existe a especulação imobiliária reina o inchaço, a criminalidade, a deformação. Soma-se a isso a falta de planejamento familiar e pou!

Solução? Havia se pudéssemos dar uma esvaziada no Rio o que, evidentemente, é impossível, mas caso os governantes tivessem um grave surto de honestidade, matariam a especulação imobiliária. Aí, sim, poderíamos começar a conversar.