segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

“Siga o luar interior; não esconda a loucura” (Allen Ginsberg)

Por falar em Uivo, puça/baixe/comente/divulgue. Clique aqui: https://www.podomatic.com/podcasts/luizantoniomello/episodes/2016-12-18T17_57_17-08_00

Quando ouvi, reouvi, ouvi, reouvi, ouvi, reouvi, ouvi, reouvi “Uivo”, com aquele semblante de tapa na cara que ele tem, novos encontros, desencontros e vadias emoções se sublevaram dos subsolos do inconsciente. E desabou a pergunta: como esse murro nas vísceras, lançado em 1956 na América do Norte, é capaz de reverberar entre quase índios, negros, brancos latinos aqui na América de baixo, vulgo do sul?

Como “Apocalipse Now”, obra maior de Francis Ford Coppola, sinto “Uivo” como uma incursão interior em busca de verdades que muitas vezes inexistem, ou que conseguiram fugir de nossa cotidiana “ofensiva do Tet”, ou que não seriam verdade. Como o “Apocalipse” de Coppola, a obra desleixada, livre, boçal, genial e bêbada de Ginsberg nada em veias abertas que foram suturadas a força em nosso rico “universo interior”. Hahahahahahahahah.

Na adolescência fui abduzido pelo existencialismo via Albert Camus e depois me atirei no movimento beat após constatar que o existencialismo é uma bela, equivocada e cascateira teoria, não aplicável. Pulei fora. No caso da cultura beat, a suposta liberdade. Tudo lá era possível, nada era provável e o tempo era o agora. Os beats não temiam a morte e iam mais além, muito mais além: não temiam a vida. Bebiam todas, fumavam tudo, comiam o mundo, morreram todos relativamente jovens mas, segundo Neil Cassidy, já fora da data de validade. Pulei fora porque vi no álcool/drogas deles, copos de coragem de laboratório, tomados as litros, padrão quanto riso, quanta alegria, mais de mil palhaços no salão. 

Neil Cassidy era uma figuraça, amigo de Jack Keroac que o presenteou com o personagem Dean Moriarty no clássico “On The Road”. As melhores imagens de Cassidy estão em “The Other One”, sensacional documentário sobre Bob Weir, guitarrista do Grateful Dead, que está na Netflix. Valeu a dica, amigo Caíque Fellows!

Ouvir “Uivo” é uma bela experiência. Faz bem e faz mal. Faz bem porque o poema nos oferece a possibilidade de rebater, com chutes, coices, pancadas secas com taco de beisebol. Faz mal porque é impossível não se sentir relativamente medíocre depois de ouvir aquilo tudo.