terça-feira, 29 de março de 2016

Eduardo Lamas lança seu novo romance, "O Negro Crepúsculo", em versão digital Amazon Kindle


Já escrevi (e, com prazer, escrevo de novo) que o carioca Eduardo Lamas é um dos mais talentosos escritores de sua geração, com trânsito em diversos estilos e texturas. Acompanho o seu trabalho há vários anos e recomendo, com muita satisfação, o seu novo romance.

Uma história envolvendo amor e paixão, suas semelhanças e diferenças, encontros, desencontros e reencontro. Este é uma das muitas definições que “O negro crepúsculo”, segundo livro de, pode receber. À venda na Amazon Kindle, a obra pode  ser lida em qualquer dispositivo (smartphones, tablets e computadores pessoais) e ser adquirida por apenas R$ 15,01 neste link: http://goo.gl/SdKSqU . É bom lembrar que a plataforma é compatível não só com o sensacional e-reader Kindle mas também com tablet, smartphone, notebook e desktop. Em seu site a Amazon explica tudo.

O enredo começa com uma dolorosa desilusão amorosa de c.j. marques (“assim mesmo com minúsculas, igual ao poeta e.e. cummings”), um taxista formado em publicidade, mas que sonha ser escritor. Ele busca uma relação incendiária, porém, só encontra fogo de palha. E reflete, nas muitas viagens em seu táxi ou de sua mente questionadora e imaginativa, sobre o mundo em que vive, a cidade, a sociedade, os homens no geral e as mulheres, em particular.

O autor, que além de escritor, é jornalista e empresário dos ramos cultural e de Comunicação, acredita que, embora diga que “O negro crepúsculo” seja um romance, o livro tenha outras características marcantes. Uma delas é a presença de poesias na abertura de quase todos os capítulos - as exceções são o “Prelúdio”, o capítulo “I” e o epílogo. “A narrativa é em primeira pessoa, mas creio que muitas vezes o leitor se perguntará quem está relatando e comentando os acontecimentos com o personagem principal, a cidade e a sociedade em que ele vive, o mundo, as mulheres que passam pela vida dele. Espero que o leitor também se veja em alguns momentos como o “eu” narrador”, afirma Eduardo Lamas.

As poesias são constantes nos textos do escritor. Elas são a razão de ser de “Profano coração”, lançado fisicamente em 2009 por uma editora do Rio de Janeiro e já esgotado - atualmente está  à venda também somente em versão digital: http://bit.ly/1L3rcqW. Os poemas estão presentes também nas peças teatrais de Lamas, a grande maioria inédita - somente “Sentença de vida” foi montada e encenada no início dos anos 2000.

Sobre o autor

Eduardo Lamas é escritor, jornalista e sócio-diretor da Mais e Melhores Produções Artísticas Ltda.. Como jornalista atuou como repórter, redator, revisor, subeditor e editor em vários veículos de comunicação. Entre eles, rádios Imprensa FM e Tropical FM, Jornal dos Sports, Agência Sport Press, Agência O Globo, O Globo Online, jornal O Fluminense, Lance Multimídia, Revista e Agência Placar, site Pelé.Net, Oi Internet, Jornal do Brasil e Globoesporte.com.

Foi premiado como Destaque Especial em três categorias (conto, poesia e crônica) do IV Concurso Literário "A Palavra do Séc. XXI", em 2001, e é autor da peça “Sentença de vida”, que ficou em cartaz entre 2002 e 2003 em palcos do Rio, Niterói e São Gonçalo; do livro “Profano coração”, lançado em julho de 2009, e do blog Em Questão (www.eduardolamas.blogspot.com), no ar desde março de 2008.

Na Mais e Melhores Produções Artísticas, além de trabalhos de assessoria de imprensa para projetos, eventos e profissionais da área cultural, desde setembro de 2012, atualmente é revisor e faz parte do corpo editorial da revista digital Acorde! (https://lnkd.in/d5xyphP).

quarta-feira, 23 de março de 2016

Paranoia geral

Nunca vi paranoia como a que impera no país atualmente, consequência de tudo o que está aí. Está circulando um vídeo, feito por um doente que se diz cientista político, que alerta para um golpe internacional contra o Brasil, organizado pelo governo. Afirmo que o cara é doente porque o que ele inventa cheira a "verdade absoluta" dos psicopatas.

Não me sinto bem quando me afasto das notícias. Ao contrário, fico mal. Preciso de notícias, informações e os mais de 40 anos exercendo jornalismo ininterruptamente me vacinaram contra boatos, rumores, loucuras como essa. Mesmo assim, algumas "verdades" nos são passadas com riqueza de detalhes assustadora.

A paranoia é geral, mas os vulcões das verdades permanecem derramando toneladas de verdades, uma roda que não para de girar. O Brasil está dividido.  Brasil A e Brasil B espalham as "suas" verdades por aí. Falam muito em guerra civil. Será? Será que depois de 516 anos o gigante decidiu largar o berço esplêndido? Ninguém sabe.

Fato é´que o Brasil A odeia o Brasil B. E isso é lamentável.

segunda-feira, 21 de março de 2016

Dicas: livros e filmes na Netflix

Guia Politicamente Incorreto dos Presidentes da República - Paulo Schmidt

                                        
Com o habitual sarcasmo, este livro desafia de forma divertida e inteligente mitos e verdades pré-concebidas. Uma narrativa envolvente sobre personagens reais, mesmo que eles às vezes pareçam saídas de histórias de terror. Ideal para o momento político em que milhões de pessoas vão às ruas para pedir o afastamento da presidente da República.

Sobre o autor: Paulo Schmidt nasceu em São Paulo e estudou Art & Design em Nova York. É escritor, tradutor e ilustrador. Como editor, publicou livros de Victor Hugo, Alexandre Dumas e H. P. Lovecraft. Entre suas obras destaca-se o primeiro estudo em língua portuguesa sobre o famigerado assassino Jack, o Estripador.


596 páginas



A Noite do Meu Bem: a História e as Histórias do Samba-canção - Ruy Castro     

                                       
Em 1946, o presidente Eurico Gaspar Dutra proíbe os jogos de azar no Brasil. A decisão gerou uma legião de desempregados — e um grande contingente de boêmios carentes. Os cassinos fecharam, mas os profissionais da noite logo encontraram um novo ambiente: as boates de Copacabana.

Em vez das apresentações grandiosas, as boates favoreciam a penumbra, a intimidade, o romance. Assim como a ambience, a música baixou de tom. Os músicos voltaram aos palcos, mas em formações menores, tocando quase como um sussurro ao ouvido. Essa nova música, as boates e o contexto que fez tudo isso possível são o tema do novo livro de Ruy Castro.


512 páginas

                    Número Zero - de Umberto Eco    
                          
Um grupo de redatores, reunido ao acaso, prepara um jornal. Não se trata de um jornal informativo; seu objetivo é chantagear, difamar, prestar serviços duvidosos a seu editor. Um redator paranoico, vagando por uma Milão alucinada (ou alucinado numa Milão normal), reconstitui cinquenta anos de história sobre um cenário diabólico, que gira em torno do cadáver putrefato de um pseudo-Mussolini.


Nas sombras, a Gladio, a loja maçônica P2, o assassinato do papa João Paulo I, o golpe de Estado de Junio Valerio Borghese, a CIA, os terroristas vermelhos manobrados pelos serviços secretos, vinte anos de atentados e cortinas de fumaça — um conjunto de fatos inexplicáveis que parecem inventados, até um documentário da BBC mostrar que são verídicos, ou que pelo menos estão sendo confessados por seus autores.

Um perfeito manual do mau jornalismo que o leitor percorre sem saber se foi inventado ou simplesmente gravado ao vivo. Uma história que se passa em 1992, na qual se prefiguram tantos mistérios e tantas loucuras dos vinte anos seguintes. Uma aventura amarga e grotesca que se desenrola na Europa do fim da Segunda Guerra até os dias de hoje.

208 páginas
                                 

                Batman - A Piada Mortal - Volume 1 - de Alan Moore                                        

        Do premiado roteirista Alan Moore (Watchmen, V de Vingança) conta como um dia ruim na vida de um homem pode significar a linha que separa a sanidade da loucura. Principalmente quando se trata do Coringa, o maior e mais conhecido vilão do mundo dos quadrinhos. Os desenhos de Brian Bolland (Camelot 3000), um dos maiores ilustradores dos quadrinhos, elevaram a história praticamente à perfeição retratando com maestria o mundo imaginado por Alan Moore. Mas faltava um detalhe para completar a obra. Bolland não pôde colorir a edição original, e agora, vinte anos depois, isso foi corrigido e as cores foram completamente refeitas pelo artista, seguindo fielmente a sua imaginação. Edição obrigatória para os fãs do Coringa, do Batman e dos quadrinhos.

82 páginas
                                  

Dama da Meia-Noite - Os Artifícios Das Trevas - Vol. 1 - de Cassandra Clare                                         

Em “Dama da Meia-Noite”, Cassandra retoma o universo de fantasia urbana da série Os Instrumentos Mortais, que já ganhou a tela de cinema e agora é série de TV exibida pelo canal Netflix. Cinco anos após os acontecimentos de Cidade do Fogo Celestial, acompanhamos os Caçadores de Sombras do Instituto de Los Angeles enquanto tentam descobrir os responsáveis por uma série de assassinatos que vitimam tanto humanos quanto fadas. Agora Emma Carstairs é uma jovem em busca dos assassinos de seus pais, com a ajuda de seu parabatai, Julian Blackthorn. As crianças cresceram e podem se tornar os melhores Caçadores de sua época.
O primeiro livro da nova série da Cassandra Clare, autora de Os Instrumentos Mortais. 1ª edição de colecionador: holográfica + capítulo extra.

560 páginas
  
                         Filmes na Netflix

O Grupo Baader Meinhof – de Udi Edel
                                        



Alemanha, anos 1970. A ainda frágil democracia alemã é abalada por uma série de atentados a bomba. Um grupo liderado por Andreas Baader (Moritz Bleibtreu), Ulrike Meinhof (Martina Gedeck) e Gudrun Ensslin (Johanna Wokalek) combate o que acredita ser a nova face do fascismo: o imperialismo norte-americano. Eles têm o objetivo de criar uma sociedade mais humana, mas para atingi-lo usam métodos radicais.
         Rush - No Limite da Emoção - de Ron Howard

Anos 1970. O mundo sexy e glamouroso da Fórmula 1 é mobilizado principalmente pela rivalidade existente entre os pilotos Niki Lauda (Daniel Brühl) e James Hunt (Chris Hemsworth). Eles possuíam características bem distintas: enquanto Lauda era metódico e brilhante, Hunt adotava um estilo mais despojado, típico de um playboy. A disputa entre os dois chegou ao seu auge em 1976, quando ambos correram vários riscos dentro do cockpit para que pudessem se sagrar campeão mundial de Fórmula 1.

                  Thelma & Louise – de Ridley Scott
                                              

Louise Sawyer (Susan Sarandon) é uma garçonete quarentona e Thelma (Geena Davis) é uma jovem dona-de-casa. Cansadas da vida monótona que levam, as amigas resolvem deixar tudo para trás e pegar a estrada. Durante a viagem, elas se envolvem em um crime e decidem fugir para o México, mas acabam sendo perseguidas pela polícia americana.
        O Jogo da Imitação – de Morten Tyldum                 

Durante a Segunda Guerra Mundial, o governo britânico monta uma equipe que tem por objetivo quebrar o Enigma, o famoso código que os alemães usam para enviar mensagens aos submarinos. Um de seus integrantes é Alan Turing (Benedict Cumberbatch), um matemático de 27 anos estritamente lógico e focado no trabalho, que tem problemas de relacionamento com praticamente todos à sua volta. Não demora muito para que Turing, apesar de sua intransigência, lidere a equipe. 
Seu grande projeto é construir uma máquina que permita analisar todas as possibilidades de codificação do Enigma em apenas 18 horas, de forma que os ingleses conheçam as ordens enviadas antes que elas sejam executadas. Entretanto, para que o projeto dê certo, Turing terá que aprender a trabalhar em equipe e tem Joan Clarke (Keira Knightley) sua grande incentivadora.

                  Marley e Eu – de David Frankel
                                           

John (Owen Wilson) e Jennifer Grogan (Jennifer Aniston) casaram-se recentemente e decidiram começar nova vida em West Palm Beach, na Flórida. Lá, eles trabalham em jornais concorrentes, compram um imóvel e enfrentam os desafios de uma vida de casal. Indeciso sobre sua capacidade em ser pai, John busca o conselho de seu colega Sebastian (Eric Dane), que sugere que compre um cachorro para a esposa. John aceita a sugestão e adota Marley, um labrador de 5 kg que logo se transforma em um grande cachorro de 45 kg, o que torna a casa deles um caos.
                                          

domingo, 13 de março de 2016

O chato nosso de cada dia

A voz das ruas sussurra que 90% dos chatos não sabem que são chatos. Já os 10% tem certeza absoluta de que são pessoas sensacionais, raras, indispensáveis e, claro, pouco modestas.
Tempos atrás encontrei com um chato que não sabe que é chato e conversei sobre um outro chato que se julga o belo, o tesouro, o garanhão, mas que não passa de um larápio mal sucedido (se fosse um bom larápio ninguém saberia), metido a tradição, família e propriedade mas que pouca gente atura.
Já ouvi dizer que ele é uma espécie Amaury Junior dos submergentes sociais. Não é raro vê-lo “chorando” em ocasiões de seu interesse. Não é raro ouvirmos que ele é usuário de “cristal japonês”, substância usada por atores e que faz os olhos lacrimejarem abundantemente em cenas de choradeira. É derivado do mentol e no Google há boas definições para o produto.
O chato que não sabe que é chato que encontrei é uma pessoa extremamente bem intencionada. Só que quando chega perto, sempre falando muito e alto, eu rosno, xingo em pensamento, mas, sinceramente, me sinto contra a parede. O cara é gente boa, se dedica as pessoas, torce por um mundo melhor, mas, coitado, é chato pra cacete.
Ao contrário do molambão do Amaury Junior paraguaio (também conhecido como G.B.O. – Grande, Bobo e Otário), o chato do bem não tira onda, não se acha, nem se coloca acima do bem e do mal. Já me disseram que ele divide tudo o que tem com todo mundo, não tolera a pobreza de espírito e nem a material, é um democrata, mas, coitado, é chato pra caramba.
O que fazer? Afinal todos nós temos pelo menos um chato em nosso pé e, diz o povo, ele não sabe disso. E quem teria a coragem de chegar para o sujeito, pegar carinhosamente pelo braço, levar para um canto e, em voz baixa, dizer “desculpe a minha franqueza, meu caro. Mas você está se excedendo...com o passar do tempo tornou-se quase inconveniente, provavelmente um pouco chato”.
Eu não teria coragem de fazer isso. Para mim, deixem o chato chatear, finjam que não ouviram e toquem a vida porque em algum momento de sua existência ele saberá que é chato. Através de terceiros ou, o que é raro, graças a um insight, um mergulho interior, sonhos, sei lá.
Chato. Definição que nasceu (des) graças aquele primo do piolho que habita os pelos pubianos de quem é fraco no quesito higiene. O chato, inseto, é chato, porque coça, coça, coça, coça e a aflição é tamanha que há relatos de pessoas que chegaram a jogar álcool para arder bem. Por isso, o chato é chato.
Matá-los é constrangedor já que a substância mais eficiente é o Neocid em pó. Aquele que vem numa latinha que faz “plém, plém, plém” quando o usuário aperta para o pó sair. Logo, quando se houve “plém, plém plém” nas imediações de algum banheiro o grito anônimo do tipo “eita, chatoooo!” é comum.
Mas e o chato humano? O que fazer? Não há Neocid em pó para ele. Fugir, fingir que não viu, abrir o verbo? Pois é, está aí uma questão que parece não ter solução.

sexta-feira, 11 de março de 2016

A selvagem delicadeza de Keith Emerson







A morte de Keith Emerson, aos 71 anos, me revolveu. Um dia desses conversava com amigos sobre Rick Wakeman, que assisti ao vivo algumas vezes e a vontade de assistir o Emerson, monumental multi tecladista presente, muito presente, em minha adolescência e de toda uma geração que conheceu a primeira geração do rock progressivo. A melhor, a mais autêntica, a mais visceral, pura, sem tecnicismos, decoreba. Os caras tocavam o que vinham à pele. Keith Emerson era um dos líderes desse pequeno bando de gênios.

Conheci a sua música quando ouvi o álbum de estreia de seu trio, Emerson Lake and Palmer, lançado em 1970, mas só fui abduzido dois anos depois quando ouvi "Pictures at an Exhibition", uma leitura dele e de Greg Lake e Carl Palmer da obra do russo Modest Mussorgsky (1839-1881), de quem eu nunca ouvira falar. Mas o álbum que me pegou definitivamente foi "Trilogy", deste mesmo 1972. Os álbuns nacionais de vinil eram tão vagabundos, bem como os toca discos fabricados aqui, que o meu "Trilogy" gastou. Isso mesmo. De tanto ouvir ele acabou ficando liso, em especial a minha faixa favorita a ultra experimental e maravilhosa "Abaddon´s Bolero", que encerra o disco.

Não parei mais de ouvir o ELP. Auge da adolescência, das crises, de nós na garganta inexplicáveis, ataques de fúria, consequências de sucessivas tempestades hormonais, micro (que pareciam giga) crises existenciais, dúvidas, cabelos muito longos, costelas expostas pela magreza e que lembravam os teclados de Keith Emerson.

Se a música do Who parecia escrever o meu diário, principalmente quando abordava assuntos como a rejeição, por alguma razão eu sentia a música do ELP como algo que estava em algum lugar do futuro. Sentia o mesmo quando sorvia a música de Jimi Hendrix que só bem mais tarde fui saber que iria formar o HELP (Hendrix, Emerson, Lake and Palmer) no lugar do ELP, em 1970. Mas a morte levou Hendrix e a vida atirou o ELP no mundo. Mas as vezes fico imaginando o que teria sido o HELP.

Hoje, a sensação é estranha. Parece que alguém próximo foi embora a pé, no meio de um nevoeiro frio. Alguém que jamais cumprimentei, assisti pessoalmente. Pensando bem, e daí? Keith Emerson, com a sua selvagem delicadeza nos teclados, era próximo sim. Como Hendrix, como Machado de Assis, como Coppola.

É isso aí.

quarta-feira, 9 de março de 2016

AC/DC já tem um substituto para Brian Johnson, proibido de cantar pelos médicos

                                   O mundo achou que a parede de amplificadores tinha detonado o vocalista
                              Não foi nada disso
A banda australiana AC/DC já tem um vocalista “convidado” que irá substituir Brian Johnson, mas o nome ainda é mantido em absoluto sigilo. O que se sabe é que o próprio Johnson participou da escolha. 

O vocalista de 68 anos, recebeu uma ordem médica determinando que pare de cantar imediatamente. Caso insistisse ia ficar completamente surdo.

Há algumas verdades quase ocultas nesse episódio. Para começar, essa ordem médica já tem algum tempo. A banda só suspendeu a turnê mundial porque a saúde de Johnson se complicou muito.

Ele entrou na banda em 1980 no lugar de Bon Scott, que morreu em 19 de fevereiro do mesmo ano, após consumir doses cavalares de uísque e vodca na noite anterior, num bar de Londres. Trôpego, pediu a chave do carro do amigo Alistair Kinnear para dormir. Morreu deitado no banco de trás.

O AC/DC ia acabar com a morte de Scott, mas Brian Johnson, que deixou o quase anônimo grupo Geordie e assumiu o vocal principal da banda australiana.

Formado em 1973 pelos irmãos Angus e Malcolm Young, o AC/DC tem no alto volume uma de suas marcas registradas. Nos anos 1980 medições confirmaram que o som da banda equivalia ao da decolagem de um Boeing 707. Ainda assim os australianos perdiam de longe para o inglês The Who, recordista em decibéis desde os anos 1960 (com direito a várias citações no Guiness, livro de recordes), o equivalente ao barulho da decolagem de quatro caças supersônicos juntos.

Tanto que o líder do grupo, guitarrista, compositor e cantor Pete Townshend usa quatro aparelhos de audição e frequentemente é obrigado a se internar. O falecido baixista John Entwistle também usava quatro aparelhos e chegou a desmaiar no palco num show da banda em 1978, em San Francisco. O baterista Keith Moon, também falecido, não usava aparelho algum mas, em compensação, não ouvia absolutamente nada. O único que escapou, com direito a um único aparelho de audição, é o cantor Roger Daltrey.

Brian Johnson está mal com tudo isso e já deixou claro que seus problemas auditivos não tem nada a ver com o AC/DC mas pelo fato de pilotar carros antigos customizados, com motores com até 600 cavalos de potência.

Tempos atrás ele disse numa entrevista que “eu passava dias e mais dias dentro desses carros e um dia esqueci de colocar os protetores de ouvido. Senti algo em meu ouvido esquerdo e parei no box. O capacete estava todo ensanguentado. Eu tinha estourado o tímpano. A partir daí nunca mais minha audição foi a mesma.”

Pelo menos dessa vez, o rock é inocente.

Datas da turnê norte-americana do AC/DC a serem remarcadas

11 de Março – Ft. Lauderdale, FL BB&T Center
14 de Março – Greensboro, NC Greensboro Coliseum
17 de Março – Washington, DC Verizon Center
20 de Março – Detroit, MI The Palace
23 de Março – Columbus, OH Nationwide Arena
26 de Março – Cleveland, OH Quicken Loans Arena
29 de Março – Buffalo, NY First Niagara Center
01 de Abril – Philadelphia, PA Wells Fargo Center
04 de Abril – New York, NY Madison Square Garden



terça-feira, 8 de março de 2016

Querida Diária, o meu problema não é ir em cana mas é ter que devolver o bagarote

Quando aquela melianta me chamou de porca voadora, não voltei para dar-lhe uma coça porque parei para pensar. E você sabe que para pensar, eu paro. Paro e penso. Pensei que o meu problema não é ir em cana mas é ter que devolver o bagarote.

Ir em cana é fácil. É só ter uma TV lá para eu assistir o Esquenta e tudo bem. E você sabe, sua ignoranta, que o Esquenta é a minha cara.Todo mundo fala. Eu também falo que o Esquenta é a minha cara.

Supondo que eu voltasse para encarar aquela melianta e ela começasse a berrar “devolve o bagarote, porca voadora! Devolve porque o bagarote é nosso!”, não ia prestar. O que fiz? Entubei, como aquele supositório de jaca que enfio todo o dia de manhã.
Diária, sua piranhuda, Estou sentindo vara no lorto, orifício pequeno, médio ou grande, preguiado ou não, dotado de grande elasticidade localizado abaixo do último lombo da coluna cervical.

Tudo bem que sou boçala de quando em vez, mas burra, não. E a ausência de burrice em minha cérebra me faz supor que tem glande de dardo apontada pro meu anel de couro.

Lá na casa do cacete do passado, quando eu era garçoneta daquele bando de maconheiros, eles me chamavam de burra só porque eu nunca acertava a quantidade de pólvora que eles compravam.

Um dia perdi a porra da cabeça, reuni os maconheiros e expliquei: “veja bem, se você tem um fusível que dá 30 tiros por minuto você precisa de pólvora para 15 balas por minuto, porque na faculdade por correspondência que fiz me ensinaram que o tempo é relativo e logo pode consumir 15 balas por minuto e não 30 balas por minuto, entenderam?”. Sabe o que me responderam, Diária rameira? 

Responderam “ora, sua vaca, a Constituição que se f....!”, com chapeuzinho no O para não confundirem com o verbo que não pronuncio na horizontal (ou será vertical?) há mais de 50 anos.

Diária, sua putéfia, poucos me amam, mas em compensação milhões me odeiam e isso causa muita inveja nessa gentalha. Já te disse que meu negócio é entrar para a história, f....-se se for pela porta da cozinha. O negócio é ganhar e não competir.

E trate de ir juntando seus paquetinhos porque nem sei se vai dar tempo de chegar na rodoviária. Vai ser um bunda com bunda geral, 

Diária, sua piranha, e você vai ver que esse papo de que cavalo não sobe escada é boato.

Boato filho da p.....





segunda-feira, 7 de março de 2016

O lixo musical que assola o Brasil, merdalhal amplo, geral e irrestrito

Nunca antes na história deste país a música popular foi tão pífia, escroque e vagabunda. Reflete o cenário nacional de uma maneira geral e o cultural em particular. Com o fim do mercado de disco formal também desapareceram os críticos musicais que, direta ou indiretamente, eram um ponto de referência.

Os críticos musicais (eu me incluo na categoria) foram banidos junto com a radical dieta calórica/encefálica imposta pelos empresários da mídia aos suplementos culturais, hoje reduzidos a pequenos bidês frequentados por neófitos (saem bem mais baratos) que dão descarga em seu asneirol vago.

Há pouco tempo tínhamos uma indústria polêmica mas que fazia a seleção dos artistas que iam gravar. Produziam seus discos que chegavam aos críticos, rádios, TVs. Os críticos diziam o que prestava e o que não prestava. As rádios sérias tocavam o que achavam que tinham a ver com o seu perfil, enquanto que muitas tratavam do assunto via jabá, cobravam grana viva-ou viagens-ou carros- ou etc para tocar as músicas de interesse das gravadoras.

É lógico que muita gente ignorava os críticos e suas opinião mas pelo menos os tinha disponíveis. As rádios, nas coxas ou não, apresentavam a seus ouvintes as novidades. Enfim, a cadeia industrial da música beneficiava, sim, o consumidor final. Você que lê esta coluna e pegou essa época, quantos artistas conheceu pela crítica e pelo rádio?

Hoje não há mais referência alguma. A crítica foi substituída por placebos que não conhecem música, nem jornalismo e, ainda por cima, escrevem mal. As rádios em FM estão no fim e, em vez de investir no novo preferem atacar de flashbacks por uma razão muito simples: a função de produtor e programador, um exímio conhecedor de música que selecionava o que as rádios iam tocar, também sumiu.

A internet virou a grade mídia. E não adianta cacarejar sem sentir dor porque a internet será a ordem do dia por pelo menos mais um milênio. A quem discorda, sugiro um pijama listrado e um canário na gaiola. A WWW surgiu com a proposta de liberdade absoluta, total. A internet inventou a música por streaming e degolou a indústria do disco. A internet substitui rádios por tocadores de música que não apresentam conteúdo falado. Você ouve mas não sabe o que está ouvindo porque, na maioria dos casos, não há quem explique.

O cotidiano me põe em contato direto com as novas gerações e seus iPads, smartphones e outros players.  Elas partem do princípio que Wesley Safadão (é só um exemplo) e o início, o fim e o meio. Em festas que frequentam, só dá funk, sertanejo e pagodagem. Nas ruas idem. Na TV idem. Ora, para as novas gerações, essa é a única nova música porque não lhes é apresentada outras.

Por isso o cenário nacional é esse merdalhal. Até quando?

Não sei.

domingo, 6 de março de 2016

No rastro de "O Uivo" nem sempre causas geram efeitos ou meios geram mensagens

Cena do filme Quadrophenia
A mídia (meio) sempre surpreende quanto injeta suas doses de componente ilógico. Ontem escrevi sobre carros aqui na Coluna e, para a minha surpresa, o texto bateu recorde de visitação. E tudo começou ao som da música do acaso. Por várias razões, ora óbvias, ora ocultas, a semana passada foi dura. Mas, como todo passado a semana passada passou.

Quando era pequeno e viajava por aí com meu pai (viajamos muito, mas muito mesmo), especialmente para Teresópolis, ele contava que nos anos 1960, a bordo de carros importados com motores refrigerados a água, era forçado a parar duas ou três vezes nos acostamentos, depois batizados oficialmente de "refúgios". Era para baixar a temperatura da água do radiador. Subir a longa serra naqueles tempos, naqueles carros, exigia paciência e, sobretudo, tenacidade.

Como acho que quando o presente nos espreme com suas garras não virtuais é natural que busquemos os acostamentos e refúgios do passado; esperar por lá até os coquetéis molotov sossegarem.

Foi numa virtual escapada dessas que lembrei de meu avô paterno, que ao contrário das descrições românticas e lúdicas que em geral são feitas, era um cara marrento, sisudo, anti-social. Mas eu adorava ele porque ele adorava os netos. A maneira dele. 

Passei a infância em Angra dos Reis e era para lá que meu avô ia descansar de vez em quando. Cada vez que chegava trazia um carro novo. Era apaixonado pelos automóveis.

Eu tinha uns sete ou oito anos quando ele apareceu com um (pasmem!) Studbaker 1955 cinza-chumbo, carro de design não ousado e atrevido para a época que não colou. Eu me apaixonei por aquele carro e ficava horas olhando, olhando, olhando até ouvir a frase mágica do meu avô: "vamos até o centro para comprar umas coisas". E passeávamos no Studbaker sob o olhar assombrado das pessoas.

Numa dessas incursões, fumando seus indefectíveis charutos ao volante, meu avô virou para mim e disse "você vai ser um apaixonado por automóveis." Na mosca.

Para terem ideia, durante muito tempo estou para comprar um Ford Taurus (de 1997 até o início dos anos 2000) porque na minha cabeça ele revivia a saga do Studbaker. Design atrevido, ultra moderno, que também teria assustado os consumidores nos Estados Unidos.

O Taurus foi uma das estrelas do genial filme "O Show de Truman" (1998) de Peter Wir, estrelado por Jim Carrey que mereceu, sim, o Oscar. Mereceu, não levou e ficou indignado.

Essa conexão semana brava-meu avô-carros-o show de Truman-coluna sobre carros faz sentido. Mas em seu magistral coice chamado "O Uivo", de Allen Ginsberg, poema que atirou a América macartista contra o paredão de sua própria alienação, caretice e ignorância, em 1956, parece querer dizer em sua aflição, asfixia e angústia que as causas nem sempre geram efeitos. Causas podem não causar nada. Ou não?

Em uma das primeiras leituras de "O Uivo", em San Francisco, Califórnia, Ginsberg foi preso por "atentado violento ao pudor". Solto após pagamento de fiança, disse a imprensa: "Uivo é uma unidade de respiração única. A minha respiração é longa — isto é a medida, uma inspiração física e mental do pensamento contido no estiramento de uma respiração."

Ninguém entendeu porque poucos tinham a coragem de ler (e, principalmente) ouvir "O Uivo" de ponta a ponta porque a constatação de que outra América, menos boçal, precisava ser descoberta urgentemente incomodava.

Aliás, Beats como Ginsberg, Jack Kerouac e William Burroughs eram incômodos sociais, estorvos políticos e levou tempo para as suas propostas entre aspas para um mundo não velho fossem reconhecidas.

Todo mundo tem o seu Uivo. O meu é abafado, mas é uivo. Ou, contrariando um outro herói de cabeceira, Marshall McLuhan, eventualmente não acho que o meio seja a mensagem. Simplificando, discordo que a mídia gere notícias. Até segunda desordem, a mídia é eco e não som, mas como Allen Ginsberg chegou a dizer que o seu Uivo podia ser chamado de tudo "até de mídia pífia e vagabunda", no caso o meio era a mensagem, sim.

Fato é que retirei a corda do pescoço, Entrei no meu virtual Morris Oxford 1952, engatei a primeira e sigo subindo a serra do hiper-realismo cotidiano após ter prometido ao espelho que deixarei de ser otário.

Antes da partida, rumo ao presente, dei um beijo no eu avô.

E no meu pai.






Brasil adere aos pequenos notáveis

             Nissan March
        Fiat 500
VW Up!
       Smart
              Mini Cooper
Pena que o Brasil quebrou em 2015, justo na hora em que a mentalidade do consumidor médio começa a chegar a feliz conclusão de que as cidades estão inviáveis para carros médios e grandes. Muitos brasileiros começaram a pensar como os europeus e partiram para carros pequenos, práticos, ágeis e extremamente econômicos.
Mesmo com a crise que praticamente parou a indústria automobilística tenho observado a crescente presença dos pequenos nas ruas, avenidas e estradas do Estado do Rio. Em tempos de crise, quem é paciente e conhece automóvel pode fazer um bom negócio comprando um seminovo. Sugiro uma consulta ao site www.webmotors.com.br.
O March 1.6 (existe também a versão 1.0) é esperto, econômico, ultra resistente e espaçoso. É tão rápido que é preciso ficar de olho no velocímetro para não ser pego pelos radares de velocidade. Tem muita estabilidade, bom espaço interno, motor nervoso (mas ultra silencioso) e numa estrada de terra esburacada parece estar numa highway. Estacionar em vaga pequena para ele é brincadeira e o ponteiro de gasolina não desce.
Outro fenômeno é o novo Fiat 500, lançado em 2007 em Turim, Itália. Foi quando o presidente mundial da Fiat, Sergio Marchionne, declarou que o 500 seria o "iPod" da indústria automotiva, em alusão ao sucesso do tocador de MP3 da Apple.     
A versão que o Brasil importa do México, equipado com motor 1.4, é um bólido. Deixa a sensação de “pra que mais? ” e a certeza de que o charmoso novo 500 nasceu para a cidade. Ressureição do lendário 500 produzido pela Fiat entre 1957 e 1975, o novo “Cinquecento” está virando febre por aqui.
Outro pequeno grande achado é o VW Up Tsi. O motor 1.0 de três cilindros gera 105 cavalos de potência. O carrinho vai de 0 a 100 km/h em 9,1 segundos atingindo 184 km/h de velocidade final. Impressionante. Estável, firme, espaçoso, o Up Tsi é muito bem resolvido.
Mas no terreno dos sonhos moram dois ícones do planeta mini. O maravilhoso Smart, carro para duas pessoas desenvolvido pelo consórcio Mercedes Benz/Swatch (a marca dos relógios) que são febre na Europa. No Brasil seu preço parte dos R$ 55 mil. Mesmo assim, tenho visto bastante nas ruas.
E é lógico que neste cenário de carros urbanos, outra estrela se destaca: o britânico mini Cooper, que vem evoluindo sem parar desde o nascimento, em 1959. Preço? Em torno de 100 mil reais.
Vai encarar?


sábado, 5 de março de 2016

Porque quase todo mundo odeia jornalistas

Como de praxe, jornalistas foram agredidos por lulopetistas nas manifestações de rua ontem em São Paulo. Eles acham que nós, TRALHADORES, somos os donos da mídia que, agora, eles condenam. No passado, quando o PT ainda estava no berçário, babavam nossos ovos à cata de divulgação e poder.

Todo e qualquer tido ou forma de poder detesta jornalistas porque somos o elo de ligação entre os podres deles e a sociedade. Um caminho muito tortuoso. Estou nas ruas há décadas, levando e dando porradas em nome de um trabalho limpo e ético (não sou modesto neste quesito) e constato que autoridades nos detestam, como também bandidos de todos os naipes, corruptos, traficantes, assaltantes, ditadores, policiais. 

Perdi colegas que foram "pra vala" por denunciar tráfico de drogas em morros do Rio. Na Colômbia de Pablo Escobar dezenas de colegas desapareceram nos "microondas" do narco-poder. Para quem não sabe, "microondas" foi uma invenção do próprio Escobar que mandava amarrar jornalistas dentro de pilhas de pneus velhos e depois mandava tacar gasolina e fogo. Não sobrava nada. O microondas chegou ao Brasil graças ao "acordo bilateral" feito por Fernandinho Beira Mar e o cartel de Medellín.

Juízes, promotores, advogados, desembargadores do mal nos detestam, sindicalistas larápios idem, assim como artistas medíocres que vivem das tetas de "incentivos" do governo, escritores pífios, bem como motoristas assassinos, jogadores de futebol molequss, capos da CBF, Fifa e similares flagrados com a mão nos cofres. Claro, também somos odiados por outros jornalistas que, pagos ou não, fazem o jogo dos podererosos de todos os setores (lícitos ou não) através de blogs, colunas em jornais, sites, TVs, rádios. Esses pelegos talvez sejam piores do que o mais cruel dos carrascos.

Há tempos fiz uma palestra numa universidade e, em determinado momento, recomendei aos alunos do último período do curso de Comunicação: "se você lida mal com a rejeição, com o desprezo, com o tapa na cara, com o ódio gratuito escolha outra profissão. O jornalista é a Geni do universo meliante".

Hoje, quando jogam pedras em colegas a bordo de carros de jornais e TV (em geral gente que mama nas tetas do governo, capazes de matar para não perder a boca), ou então batem em colegas mulheres que estão trabalhando vejo que minha recomendação está mais do que atual. Uma parcela (muito bem paga) da sociedade nos chama de "mídia golpista" enquanto a outra, que pretende assumir o poder, tenta nos bajular. Mas se um dia eles assumirem Brasília, serão os primeiros a nos execrar porque todo o poder tem bandas podres, que cabe a nós revelar.

Acima de tudo, jornalismo é a anti-arte de levar e dar porradas. Infinitamente.

sexta-feira, 4 de março de 2016

Que venha a guerra civil, que venha a convulsão institucional

A sexta-feira amanheceu com nuvens escuras. Sei porque cruzei a madrugada em mais uma insônia, daquelas chatas. Em determinado momento resolvi ir até a rua, a padaria, tomar um cafezinho fresco que há anos não sei o que é porque só uso (pouco) solúvel.

Como de hábito, cheguei na calçada e olhei para o céu, digo, o pedaço do céu que a especulação imobiliária e seus prédios de dezenas de andares nos permitem contemplar. Achei que as nuvens escuras eram um sinal de luto pela morte de um amigo, Kika Deccache, uma das figuras mais positivas, festeiras, otimistas, solidárias que conheci. Em seu funeral, amigos filhos, todos se emocionavam ao falar do Kika que agora merece estar nas mãos de Deus.

Tomei o café e umas 6h40m voltei para casa e liguei o computador. Meia hora depois a manchete sobre a convocação de Lula para depor na Polícia Federal. Acessei uma rádio de notícias e havia uma notícia, não confirmada, de que Lula foi levado para a delegacia da Polícia Federal no aeroporto de Congonhas porque de lá iria direto para Curitiba. Era boato.

Pensei nas nuvens escuras. Anúncio de convulsão institucional? Previsão de guerra civil? O que estariam anunciando as nuvens escuras, além da tristeza pelo desaparecimento do Kika?

Além da chuva em algum lugar distante, nada. Nada vezes nada. Infelizmente.

Qualquer movimento que liberte o Brasil do jugo desses ladrões arrogantes, soberbos, invulneráveis, será bem vindo. Que venha a guerra civil, que venha a convulsão institucional. Se for pela liberdade, tudo vale. Até o desejo de Clarice Lispector.

Sem exceções.

terça-feira, 1 de março de 2016

Ouvindo Neil Young nas primeiras horas de março, o mês que recebe o outono

As trovoadas ainda existem e me causam alívio enquanto leio os jornais que derramam baldes e mais baldes de desesperança. Com razão porque o momento é mesmo de desesperança já que aquela senhora estúpida, grosseira, arrogante, incompetente e banhada de soberba afundou o Brasil.

Em vez de alimentar o assunto hoje preferi pegar uns CDs de Neil Young e por no computador. Para mim, CD é a melhor mídia já inventada. Prático, não tem a famigerada agulha do vinil e seu irritante plec plec plec, não trava, não exige que eu levante para mudar de lado, dispensa lavagens, etc. No CD o som sai puro e me satisfaz plenamente.

Tanto que em mil novecentos e noventa e tal doei meus vinis (não eram poucos) para uma instituição de caridade que fez uma boa grana. Amigos, colegas e conhecidos que cultuam o vinil ficam horrorizados quando conto essa história, mas fazer o que se o que resta nesse país (pelo menos por enquanto) é a liberdade de escolha?

Assisti Neil Young no Rock in Rio em 2001, show bombástico, ele empunhava sua lendária guitarra Gibson Les Paul preta, chamada “Old Black” safra de 1953, que ele não larga por nada. Show pesado, alto volume, distorcido, catártico, como eu estava naquele dia. Viajei horas até chegar ao Rock in Rio e consegui um lugar bem próximo ao palco porque esse negócio de ficar assistindo telão, na boa, é para otário.

Lembro da expressão da plateia que não conhecia Young, muita gente mais nova, atônica, aplaudia boquiaberta a performance sempre comocional do músico, que lá pelas tantas, inesperadamente, começou a esfregar a guitarra contra o cabeçote de um dos amplificadores gerando sons difusos, alguma microfonia, caóticos.

A segunda trovoada acaba de rugir lá fora e uma chuva pesada banha o meu entorno. Neil Young toca no computador enquanto lembro de uma manhã de 1981 ou 1982. O então presidente da Warner, André Midani, ligou convidando para uma sessão exclusiva do filme “Rust Never Sleeps”, um show completo de Neil Young extremamente bem feito. Foi numa cabine na Cinelândia, Rio.

O filme, apesar de sensacional, não foi exibido no Brasil por uma razão óbvia: na época, ninguém sabia quem era Neil Young. E a pergunta que me cai agora, bem mais forte do que a chuva é “será que hoje sabem de quem se trata?”. Pelo menos hoje existe Google, Yahoo, Bing.

Termino a audição e vejo o jornal em cima do sofá, exibindo mais lambanças da grotesca madame do cerrado. Melhor jogar fora e sair para ver a chuva na praia porque afinal de contas circula um boato que garante que a chuva ainda não foi roubada.