segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Contemplar bundas agora é crime

A TV mostrou uma reportagem ridícula. Em Nova Iorque, uma mulher prendeu uma micro-câmera nas costas para flagrar o que ela chamou de tarados que assediam mulheres nas ruas. Para ela, homens que contemplam a sua bunda (que por sinal não é lá essas coisas), mesmo sem falar nada, estão assediando. Leva a imagem para a polícia e tenta complicar a vida dos apreciadores. No dia seguinte escrevi no Facebook que se fosse comigo ia pegar prisão perpétua porque olho mesmo. Não falo nada, não mexo um músculo, mas quando uma mulher interessante passa, paro e olho.

Xico Sá, colega jornalista, dissea que usa a técnica do “ponto futuro”. Quando a mulher vem ele calcula onde ela irá passar em poucos segundos e olha para aquele ponto, evitando que ele tenha que parar e virar o pescoço. 

Encontrei o texto abaixo no Google. Foi publicado e depois guardado em alguma gaveta entre o ano 2000 e 2009, num jornal local de Niterói. Vamos lá:

A quarta invenção mais sensual da civilização é a calça jeans feminina. Claro que a curiosidade vai berrar “e a outras três, meu chapa?”. Vamos lá. Terceira, o micro-biquini de lacinho; segunda a micro-calcinha de cotton; primeira o cipozinho com botão de folha de parreira, que você só encontra na Bahia.

Sei que agora chamam de incorreto, mas quando cruzo com uma mulher gostosa na rua, paro, viro o pescoço e olho. Meu inconsciente deve tramar algum macete pois nunca fui flagrado por uma delas. Nunca. Lembrando que mulher gostosa não tem cor, altura, idade, peso, nada. Mulher gostosa é como música boa. Bate e fica. Não tem explicação. Por timidez jamais fiz “fiu fiu”. Ainda assim, para evitar um desatino perante uma cavala bem assombrada, boto a mão na boca.

Ah, Drummond. Ah, grande Carlos Drummond de Andrade que em vez de assobiar “fiu fiu” escreveu o belo poema “A bunda, que engraçada” que lá pelas tantas se desmancha: “(...) A bunda basta-se/ Existe algo mais?/ Talvez os seios/ Ora - murmura a bunda - esses garotos/ ainda lhes falta muito que estudar/ A bunda são duas luas gêmeas em rotundo meneio/ Anda por si na cadência mimosa, no milagre de ser duas em uma, plenamente(...)”

Falo com a certeza de que jamais em tempo algum molestei, cantei, encoxei em ônibus/barca/metrô/avião, enfim, só contemplei o que (não nego) é o maior patrimônio da Natureza, razão de viver, centro do Universo: a mulher. Olhar, sorver, contemplar sem atacar é um direito. Por isso, olho. Dos 18 aos 100 anos, mulher gostosa é mulher gostosa. Buñuel não acreditava em “mulher sem bunda”. Muito menos eu, mestre. Existem belas bundas retas, retinhas. 

Catherine Deneuve, que mesmo arfando, suando, passando mal mesmo, consegui entrevistar nos anos 1990, é proprietária de uma. Belíssima.
Meu único acidente de trânsito foi uma varada na traseira de um caminhão que freou numa rua aqui da cidade. Uma diva negra saía de uma galeria como as lavas do Vesúvio inundando Pompeia. Zonzo, bati. Zonzo, confessei minha culpa. Zonzo, parti sem telefonar para o seguro.

Certa vez escrevi que o brasileiro, elegantemente, cede a frente as damas em entrada de elevador, escada de ônibus, porta de restaurantes não por educação, mas pela oportunidade de contemplar o dorso por três segundos. Já filosofava a extinta Rádio Relógio que o segundo é um milagre que não se repete e esses três segundos podem gerar euforia por horas.

Pois a calça jeans tem o poder de mapear em detalhes todos os ângulos, sulcos, riachos e deltas de uma mulher. Por isso, jamais sai de moda. E que assim seja. Tenho um amigo que quando se aporrinha corre para um shopping e fica “bebendo” manequins de vitrine ostentando jeans, calcinhas, biquínis, shorts. Amigo do peito,  a figuraça que já foi xingado de incorreto, porco-chauvinista pelos intelectuais. Pobres intelectuais.

O Dire Straits tem uma canção antiga chamada “Skateaway” (assista clicando no link lá em cima) que narra a tempestade de testosterona que uma mulher provoca patinando por dentro do trânsito congestionado no centro de Londres. “Aleluia, yes she comes” canta Mark Knopfler, confessando que também é sócio desse clube que celebra a Mulher e concorda que nada valeria um planeta cheio de baleias, golfinhos e sabiás se, à bordo, não houvesse essa indecifrável estrela que, com elegância e quase doçura, nos coloca na condição de plutões periféricos, girando, girando, girando, até a última palavra, do último texto, do último poeta.

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Livros da Semana 21

Livrarias pesquisadas:

Travessa – www.travessa.com.br
Amazon – www.amazon.com.br
Estante Virtual - www.estantevirtual.com.br
Saraiva - www.saraiva.com.br

Rita Lee - uma Autobiografia

Rita Lee

352 páginas

"Do primeiro disco voador ao último porre, Rita é consistente. Corajosa. Sem culpa nenhuma. Tanto que, ao ler o livro, várias vezes temos a sensação de estar diante de uma bio não autorizada, tamanha a honestidade nas histórias. A infância e os primeiros passos na vida artística; sua prisão em 1976; o encontro de almas com Roberto de Carvalho; o nascimento dos filhos, das músicas e dos discos clássicos; os tropeços e as glórias. Está tudo lá.

E você pode ter certeza: essa é a obra mais pessoal que ela poderia entregar de presente para nós. Rita cuidou de tudo. Escreveu, escolheu as fotos e criou as legendas - e até decidiu a ordem das imagens -, fez a capa, pensou na contracapa, nas orelhas... Entregou o livro assim: prontinho. Sua essência está nessas páginas. E é exatamente desse modo que a Globo Livros coloca a autobiografia da nossa estrela maior no mercado."(Guilherme Samora, jornalista e estudioso do legado cultural de Rita Lee)
Celso Daniel: Política, Corrupção e Morte no Coração do PT

Silvio Navarro

238 páginas

O livro que revela detalhes sobre o assassinato de Celso Daniel.
Mito político-policial. Tabu entre as forças de investigação. Pauta jamais superada na imprensa. Permanente perturbação na cabeça de homens poderosos, de um partido poderoso. Este mistério perfeito e digno da melhor literatura de suspense é, no entanto, uma trama real.

Nenhum crime brasileiro recente mobilizou mais o imaginário popular que o assassinato de Celso Daniel, prefeito petista da cidade de Santo André, em janeiro 2002 - mesmo ano em que Luiz Inácio Lula da Silva seria eleito presidente da República.

Quase quinze anos depois, Silvio Navarro reconstrói, em detalhes, a sofisticada máquina de desvio de recursos públicos e expõe as bases operacionais do que seriam, em escala nacional, mensalão e petróleo. Resultado de uma apuração de fôlego, Celso Daniel é uma reportagem em ritmo de thriller.
Um estandarte a mostrar a força do jornalismo que reúne fatos novos e esclarecedores para que encontremos a leitura, o caminho, a verdade.
Nise da Silveira: caminhos de ima psiquiatra rebelde

Luiz Carlos Mello

368 páginas

Através de uma linguagem clara e concisa, esta biografia ilustrada de Nise da Silveira documenta a extraordinária vida da psiquiatra brasileira realizadora de uma obra que, no gênero, se inscreve entre uma das mais importantes do mundo.

Neste volume o leitor tem uma ampla visão da trajetória de sua vida, desde a infância em Alagoas até a morte no Rio de Janeiro em 1999, aos 94 anos de idade. Após ter sido presa por dois anos durante a ditadura Vargas, ela contestou e colaborou para a transformação dos paradigmas da psiquiatria, criando instituições inovadoras como a Casa das Palmeiras, primeiro espaço terapêutico em regime de externato, que tornou-se referência para os atuais Centros de Atenção Psicossocial do Brasil e o Museu de Imagens do Inconsciente, um espaço de estudos e pesquisas que extrapolou a área das ciências, destacando-se também no mundo das artes visuais.

O autor, que conviveu com ela em seus últimos 26 anos, cria um roteiro cujo fio condutor é a fala da própria Nise, através de textos retirados de anotações pessoais, entrevistas e depoimentos em diversas formas de mídia, conferindo à narração um tom coloquial. Soma-se a isso fotografias, documentos, correspondências, manuscritos, sonhos e pensamentos que lançam luz nos principais acontecimentos que construíram sua história. As pesquisas por elas desenvolvidas e os conhecimentos gerados são acompanhados por uma seleção de obras do acervo do Museu de Imagens do Inconsciente que foram decisivas na realização de sua obra, reunindo significação simbólica e beleza estética. A foto biografia baseou-se amplamente em documentos do arquivo Pessoal Nise da Silveira, que acaba de ser contemplado pelo Programa Memória do Mundo da UNESCO e incluído no Registro Nacional do Programa, que procura identificar conjuntos documentais que tenham valor de patrimônio documental da humanidade.
Tempos vividos, sonhados e perdidos

Tostão

198 páginas

Um dos maiores jogadores de todos os tempos, Tostão foi sempre um ponto fora da curva no esporte brasileiro. Leitor voraz, médico e professor, é um dos poucos atletas que se dedicou a refletir sobre o futebol. Seja como comentarista ou cronista, suas observações sempre foram muito além do desempenho deste ou daquele jogador.

Neste livro, Tostão revê as últimas seis décadas do futebol brasileiro à luz de uma vida dedicada a pensar o esporte. Mais do que uma autobiografia, o livro é um passeio pelos temas e ideias que Tostão cultivou, e dá ao leitor um acesso único não apenas ao jogador, mas também ao espectador, ao torcedor e ao fã.
A Origem do Estado Islâmico
O Fracasso da "guerra Ao Terror" e a Ascensão Jihadista

208 páginas

O veterano jornalista Patrick Cockburn descreve o dramático conflito por detrás dos acontecimentos desencadeados pela política externa dos Estado Unidos. Cockburn demonstra como o Ocidente criou as condições ideais para o explosivo sucesso do ISIS, ao fracassar na "Guerra ao Terror" no Iraque e fomentar a guerra civil na Síria.

O Ocidente - EUA e OTAN em particular - subestimou o potencial das milícias até as últimas evidências e falhou em impedir que os principais patrocinadores do 11 de Setembro continuassem amparando grupos jihads através da Arabia Saudita, Turquia e Paquistão. A volta da ameaça dos jihadistas está apenas recomeçando.





quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Você conhece o Camarão?

Não conheço nenhum Camarão, apesar de um conhecido meu, que encontrei no catamarã, ter insistido em me mandar um “abraço do Camarão”. Sabe aquele sono eventual que bate depois do almoço, você entra num catamarã social vazio rumo ao Rio e fica ao sabor da brisa virtual? Virtual porque os catamarãs sociais (para 2 mil pessoas) em geral não tem ar condicionado (só alguns novos) e as janelas ficam no alto, deixando os passageiros na pele de codornas em estufas. Corta!

Encontrei o conhecido na chamada “fila do gado” (foto), aquela que o povão forma para entrar na embarcação. Como ele não lê essa Coluna, posso afirmar do fundo do coração: o cara é chato pra cacete. Mas, fazer o que? Ele se aproximou, colou em mim e sentou ao meu lado.

E tome a falar do tal Camarão que, segundo ele, é meu amigo de infância. Mentira porque passei minha infância em Angra dos Reis e, de lá, todos os meus amigos se espalharam pelo mundo. Mas eu não estava a fim de discutir, apesar de ser rigoroso com esse papo de “fulano é seu amigo”. Não é assim. Muitas vezes já me perguntaram “você conhece Fulano?”, e respondi com elegância, “não, só de vista”. Dizer que conhecemos alguém nos transforma em avalistas do “conhecido”. Assinamos um cheque em branco.

Não é o caso do sujeito que, de fato, sei quem é, mas saber quem é e conhecer são situações completamente diferentes. E quando o barco atracou que me deixei levar pela multidão e, propositalmente, dei um perdido no conhecido que me congestionou com uma overdose de palavras e frases soltas. Não aguentei ouvir tanta inutilidade pública e estava vendo a hora que ia pegar no sono no meio do monólogo dele.

Fui a reunião e, na saída, em frente ao Museu de Belas Artes, avenida Rio Branco, encontrei um leitor. Ele estava acompanhado da mulher, e me apresentou. Achei engraçado porque não o conheço e nem ele a mim, apesar de minhas crônicas e contos, eventualmente, abrirem o buraco da fechadura. O leitor estava satisfeito, cheio de “Fulaninha, esse aqui é o Luiz Antonio...” e a esposa, também constrangida, disse “muito prazer” e tudo ia bem até ele me perguntar para onde eu ia. Temendo que ele fosse para Niterói, sapequei um “vou até o Rio Comprido resolver uns assuntos”, quando ele rebateu “pois nós estamos indo para o Leme”.

Encerrado o encontro, quando inclusive me chamou de “amigão”, fui embora pensando. Pensando nessa profissão maluca que fabrica conhecidos pelo mundo e até amigos próximos sem que saibamos o que está acontecendo. Querem saber? No fundo, acho isso tudo engraçado pra cacete.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Surfboard

Lembro bem. Eu devia ter uns 11 anos quando envolvido pelas ondas no mar de Itapuca, Niterói (FOTO) , onde pegava surf de peito, decidi virar surfista profissional. Enquanto esperava boas ondas, de preferência bem altas e quebrando devagar, fazia meus planos. Faria um curso intensivo de surf com o amigo Giló (um dos melhores do Brasil), terminaria o ensino médio e cairia dentro nos campeonatos.

Certo de que surfaria bem (não fazia feio encarando ondas de peito) no futuro deixaria Niterói, o Estado do Rio e, se desse, o Brasil em busca de ondas gigantes e de uma situação financeira que pudesse me manter com um certo conforto. Eu não tinha ideia naquela manhã que um dia o surfboard se tornaria uma indústria milionária, cheia de patrocínios e grandes oportunidades.

O plano ficou me martelando aquele ano. De fato eu queria ser um surfista e a única pessoa que sabia disso era meu saudoso tio Evaldo, irmão de minha mãe, com quem eu compartilhava minhas dúvidas, angústias, ansiedades de adolescente. Sentei com ele num bar em São Francisco e expus minhas ideias. 
Liberal, cabeça boa, democrata, tio Evaldo me deu a maior força mas garantiu que, lamentavelmente, meu plano não daria certo. Por que? Porque surfar era caro, muito caro, e eu não teria condições de arranjar bons patrocinadores porque, quisesse ou não, era um principiante.

Concordei com ele, banhado de frustração. Tanto que cancelei o curso com o Giló. Melhor não saber surfar do que aprender e não poder me dedicar 24 horas por dia. Agradeci a meu tio por mais aquela demonstração de paciência e fui embora para casa. A pé. Morava em Icaraí, meu tio quis me dar uma carona de carro mas eu precisava caminhar. E foi o que fiz.

Voltei a estudar. A princípio faria medicina e fui parar no Curso Miguel Couto, Centro do Rio, onde conheci grandes figuras de quem me tornei amigo. Fiz vestibular e, como era de se esperar (não me entendi com a química inorgânica e nem ela comigo) levei bomba. Fiz outro para Comunicação e passei em oitavo lugar. O futuro médico foi estudar jornalismo, profissão onde já militava desde os 16 anos.

Mas toda a vez que o mar ficava grosso eu ia ver os caras surfarem. Não perdia uma ressaca. Rio, Niterói, Itaúna (Saquarema) eu vivia entre os surfistas sem saber surfar por razões que já expliquei. Na faculdade decidi que seria dono de uma revista de surf, de preferência na Califórnia e cheguei a conversar com um colega que me convidou para fazer uma revista de ciência. Até fizemos e ficou boa. Esse cara me disse que eu só conseguiria fazer uma revista de surf se dominasse completamente o inglês e a área comercial (vender anúncios). Como eu não me garantia nessas áreas, decidi virar plateia eterna do surfboard e partir para uma vida profissional viável, concreta, como, graças  Deus, consegui e consigo.

Um filme, é o que pretendo fazer, uma ficção "surfística" cheia de músicas maravilhosas. É a tal lei das compensações.

sábado, 22 de outubro de 2016

"Viva Adão e Darlene! Morte aos fascistas!"

Brejeiro é médico. Obstetra. Finalmente fora absolvido num processo complicado. Ao fazer um parto natural em um elegantíssimo hospital, como de praxe ergueu o bebê e anunciou “é um menino”.

No centro cirúrgico, além da equipe, o pai da criança que, como toda a família, estava gravemente infectado pelo vírus do Politicamente Correto, uma das pestes mais nefastas da história contemporânea. Rubro de ódio, o pai falou alto no centro cirúrgico.

- Doutor Brejeiro, o senhor não pode condenar meu filho ao sexo masculino. Ele vai escolher o seu gênero ao longo da vida. Ao erguê-lo como troféu e decretar “é um menino” o senhor ignora os mais básicos princípios básicos que norteiam o Politicamente Correto, a nossa sina, a nossa vida.

Brejeiro não se desculpou. Delicadamente entregou o bebê a enfermeira e se retirou. Enquanto se preparava para ir para casa, o médico lembrou que fatos estranhos já haviam acontecido dias antes, quando recebeu o casal numa consulta para tratar do parto.

Ao preencher uma ficha comum, o médico escreveu Ivo como o nome do futuro pai e Darlene como da futura mãe. O casal protestou veementemente e exigiu que Brejeiro corrigisse. Ivo era o nome da mãe e Darlene, do pai.

Duas semanas após o parto estava em seu apartamento em Vaz Lobo, Rio de Janeiro, quando chegou a intimação judicial. Preocupado, ligou para um amigo advogado que averiguou, no dia seguinte, que tratava-se de uma ação por danos morais contra ele, Brejeiro, e contra a enfermeira. Ele por ter “ofendido” o bebê de menino assim que nasceu e ela por tê-lo vestido com um pijaminha azul.

Dias depois, na audiência perante o juiz, Ivo, a mãe e Darlene, o pai, disseram que o caso configurava danos morais porque “ao afirmar se tratar o recém–nascido de menino, o médico o condenava ao gênero sexual que ele, médico, achava que deveria ser o correto e não o da futura escolha do bebê.” Quanto a enfermeira o argumento era semelhante, acrescentando que “ao vestir o bebê de azul, e não de rosa e azul, a profissional determinava o sexo das criança”.

Na audiência Brejeiro chegou a dizer ao juiz que caso fosse condenado não só abandonaria a medicina, como também o Brasil e iria viver como aborígene na Austrália. O juiz achou que era deboche, mandou Brejeiro calar a boca mas depois, constrangido, entendeu que o assunto era sério. O advogado do médico mostrou a passagem Rio-Sydney de ida sem volta e o visto de permanência na Austrália concedido pelo consulado.

Ivo, a mãe, estava mais exaltada. Dizia que “na condição de dirigente sindical, de cidadão que luta pelas demandas agudas de uma sociedade atirada aos dogmas, paradigmas e a dialética que dividem o ser do existir, fui até acusada de ladra, de assaltar o cofre de uma instituição pública por preconceito, racismo, fascismo daqueles que decretam comportamentos, posturas e até gêneros sexuais”. Ivo só não explicou se foi absolvido do processo de corrupção.

Foram ao todo sete audiências. Tensas. Na pequena plateia, sempre 13 pessoas ligadas a sindicatos, partidos trabalhistas, ONGs, organizações sociais, lideranças e ativistas de causa sexuais alternativas.

Brejeiro temia pelo pior. O juíz conseguiria resistir a pressão? Conseguiria permanecer frio e racional mesmo ouvindo o som dos atabaques que vinham da rua onde dezenas de pessoas gritavam palavras de ordem, empunhando cartazes com os dizeres do tipo “Viva Darlene e Ivo! Morte aos fascistas!”?

O juiz sentou-se. A seu lado 16 policiais militares, lado a lado, em posição de sentido. Oito de cada lado. O Juiz leu o veredicto, curto, muito curto.

- Considero o réu, Doutor Brejeiro Homem das Oliveiras, inocente.

Ponto final.

Alarido, gritaria, princípio de quebra-quebra, gás de pimenta e cassetetes. Brejeiro e o advogado aproveitaram a confusão para sair por uma porta no canto. Lá embaixo, estavam os manifestantes que recebiam uma diária-protesto de R$ 50,00, mais quatro sanduíches/dia de uma organização sindical.

No táxi, Brejeiro agradeceu ao advogado e disse que tinha pedido transferência temporária para um hospital geral para atender casos de Zika e microencefalia.

- Ziko, você quer dizer, não é Brejeiro?, comentou o advogado.

- Sim, Ziko. Aprendi que o Politicamente Correto é mais importante do que cura e vacina.




quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Hoje, 9 da noite em ponto, no Canal Brasil, começa a série A Trilha do Rock no Brasil


                                          
O trailer
Darcy Burger
                                   Rodrigo Sampaio, Paulo Miklos, Fernanda Flores e Isabela Saboia
                                                                                     
                                                                Danielle Immendorff 
                                                                   Ana Luiza Rodrigues



                                         Robertinho do Recife, Ney Matogrosso, Renato Barros (Renato & Seus Blue Caps) e Zeca Balero
                                                                             Cauby Peixoto
                                                                                  Lobão
                                                                      Paulo Ricardo
                                                                     Ronnie Von
                                                                 Wanderlea
Quando nasceu o rock brasileiro? Como? Quem? Onde? Por que? "A Trilha do Rock no Brasil", série de 13 episódios, mergulhou fundo na história e pré-história do gênero musical que virou em estilo de vida. Um documentário que levou quase três anos entre a concepção e pós-produção. que escancara a história, de 1955 até hoje. Leia esse texto do Canal Brasil:


"Existe apenas um som tipicamente brasileiro? Quando, em 1967, artistas foram às ruas para conter a invasão das guitarras elétricas, não imaginavam a grandiosidade que o rock assumiria no país. As histórias por trás desse gênero musical embalam o programa documental idealizado por Luiz Antônio Mello e dirigido por Darcy Burger.

Dono de uma das vozes mais consagradas do Brasil, Cauby Peixoto foi o responsável pela primeira gravação de um rock cantado em português. A partir do fato curioso, a série investiga todo o trajeto percorrido pelo ritmo em solo tupiniquim, indo desde o iê-iê-iê, representado pela Jovem Guarda, até a miscigenação sonora contemporânea que cruza todas as regiões. Jorge Mautner, um dos entrevistados da atração, afirma que esse gênero no Brasil é resultado de um amálgama cultural, como defendido pelo poeta naturalista José Bonifácio de Andrada e Silva.

Além de Mautner, vários nomes da música marcam presença, como Roberto Frejat, Ronnie Von, Robertinho do Recife, João Barone, Evandro Mesquita, Paulo Miklos, Dado Villa-Lobos, Eduardo Dussek e Ney Matogrosso, entre outros, além de depoimentos de jornalistas renomados, como Arthur Dapieve e Guilherme Bryan.


Estreia: sexta, dia 21/10, às 21h.
1º Horário: sexta, às 21h.
Alternativos: sábado, às 15h30 e segunda, às 12h30."

Mais detalhes em http://canalbrasil.globo.com/programas/trilha-do-rock-no-brasil/materias/a-trilha-do-rock-no-brasil-estreia-dia-2110.html

São 13 episódios com direção de Darcy Bürger. Quase 100 entrevistados* no Rio, São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte e é impressionante a empolgação das pessoas envolvidas, direta e indiretamente com o projeto.

Os entrevistados (músicos, cantores, jornalistas, produtores, pesquisadores, escritores etc) se emocionavam ao falar da situação da música, da cultura no Brasil, das crises e, logicamente, do nosso rock o que, obviamente, enriqueceu muito a série.

Uma história que começou em 1955 quando a cantora de samba canção Nora Ney gravou “Rock Around The Clock” e, um ano e pouco depois, Cauby Peixoto gravou o primeiro rock em português, composto por Miguel Gustavo, e que se chamou “Rock and Roll em Copacabana”.

Muita história, muita emoção e a certeza de que a série está sendo feita com muito profissionalismo, determinação e, é logico, rock and roll.

Equipe B2 Filmes:

Direção: Darcy Bürger (em memória)

Argumento/Roteiro/Pesquisa: Luiz Antonio Mello

Assistente de Direção: Isabela Saboia

Produção: Danielle Immendorff

Produção: Fernanda Flores

Produção: Ana Luiza Rodrigues

Direção de Fotografia: Rodrigo Sampaio

Operador de Câmera: Rudá Capriles 

Assistente de câmera: Ricardo Canário

Som Direto: Guilherme Lage



Still: Juliana Torres

Entrevistados:

Roberto Frejat, João Barone, Ney Matogrosso, Jorge Mautner, Ricardo Cravo Albin,

Cauby Peixoto, Arthur Dapieve,  André Midani , Renato Barros (Renato e seus 

Blue Caps), Wanderlea, Fernanda Takai (cantor e compositora), Maria Juçá, 

Flávio Venturini, Marcelo Yuka, Luiz Carlos Sá (Sá, Rodrix e Guarabyra), 

Márcio Borges (escritor BH, Clube da Esquina), Samuel Rosa (Skank), Antonio 

Carlos Miguel (jornalista), Mazola (produtor), Ronnie Von, Paulo Miklos, Paulo 

Ricardo, Pena Smicht (produtor), Liminha (músico e produtor), Roberto 

Menescal, Lobão, Marcos Kilzer (produtor), Jorge Davidson (produtor), 

Antonio Pedro Fortuna (Mutantes e Blitz), Gabriel Thomaz (Autoramas), 

Marcelo Fróes (escritor/pesquisador), Nélio Rodrigues 

(escritor/pesquisador), Jamari França (jornalista), José Emilio Rondeau 

(jornalista e escritor), Albert Pavão (musico da Jovem Guarda), Mário Neto 

(grupo Bacamarte, músico), Robertinho do Recife, Zeca Baleiro, André 

Forastieri (jornalista/crítico - SP), Arthur de Faria (pesquisador Porto 

Alegre), Beto Bruno (pesquisador), Digão (Os Raimundos, músico), Katia 

Suman (radialista e produtora,Porto Alegre),  Leo Felipe (jornalista), Lucas 

Breda (jornalista SP), Luiz Calanca (produtor, dono da Baratins Afins -SP), 

Rogerio Ratner (pesquisador- Porto Alegre), Zeca Azevedo 

(jornalista/pesquisador - Porto Alegre), Marcelo Janot (jornalista, crítico de 

cinema), Sergio Hinds (grupo O Terço, músico), Vinicius Cunha (jornalista), 

Humberto Gessinger (Engenheiro do Hawaii, músico), Jotabê Medeiros 

(jornalista - SP), Juarez Fonseca (jornalista e pesquisador - POA), Guilherme 

Bryan (escritor, pesquisador), Emilio Pacheco, jornalista - POA).