quarta-feira, 30 de novembro de 2016

“Eu apenas canto”

1966, confusão sem toque de recolher. 1966, 11 anos de idade, uniforme, pasta, lápis, caneta, livros. 1966, ônibus, bombas, rock and roll, algazarra, caderneta, 10 em português, 3 em matemática. 1966, The Troggs, a banda, a minha banda, do além mar, Londres, Inglaterra, queria conhecer um dia. 1966, meu primo Cornélio tocando The Troggs, Aero Willys, ideias, sonhos, repressão, cuidados, pipa no alto, balão, brigas, lutas, amor, beijo na boca. 1966, 11 anos, o primeiro gozo, a primeira vertigem, a primeira pedra no mamilo esquerdo. 1966, The Troggs no pequeno toca-discos, amigos, bola, jogo de taco, garotas, meninas, beijos relapsos, dança torta, pernas trocando. 1966, amigos, cuba livre, cachaça, campari, coma alcoólica, mães no hospital, esporro, lágrimas, alta de manhã, escola, castigo, pedradas, vidraças rachadas, polícia nas ruas. 1966, meu irmão César, amigos Márcio, Renatinho, os Vergara, Raulzinho, Ronaldo, Beto, a casa da Rose no centro da cidade, o sexo só oferecido aos mais velhos. 1966, nós? Virgens, ávidos, curiosos, temerosos, roqueiros, tentando sem conseguir a alienação do The Troggs que mandava “I Just Sing” quando as coisas apertavam. Compromissos, provas, férias ameaçadas, rock and roll, a primeira banda, festinhas, quermesses, garotas, garotas, garotas, frustração a meia noite e meia, hora limite, “I Just Sing” no quarto...não havia “I Just Sing”, lágrimas, choro contido no travesseiro. Perguntas, muitas, voos espaciais, drogas entre amigos mais velhos, LSD, mescalina, maconha, bolinha, éter, a primeira morte, o primeiro corpo, o primeiro enterro, o primeiro amigo afogado no mar, doidão. Nada de “I Just Sing”, mas viva “I Just Sing”! Sempre, The Troggs.


terça-feira, 29 de novembro de 2016

O meu afeto não se encerra

Passei 18 meses resolvendo assuntos diretamente ligados a meu afeto profundo. Muito profundo, abissal. A cada lugar que fui, lembranças, muitas lembranças e um sentimento bem mais poderoso do que a saudade. É quando sentimos falta, muita falta, de pessoas e momentos que se eternizam no afeto profundo, lá embaixo, no abissal e mistérios inconsciente.

Óbvio, ninguém é igual. O ser humano é diferente até dele mesmo já que a coerência radical, prima bem próxima da teimosia, é eventualmente burra. Por isso, por essa livre e saudável ausência de isonomia afetiva, cada humano tem com o afeto uma relação distinta. Com o afeto profundo, essas diferenças se abrem como grandes abismos e muita gente sente dificuldade de lidar com ausências.

Pessoas que acham que o choro é fraqueza, que o lamento é covardia dispensável, que o “estado blues” que nos acomete tem que ser massacrado, assassinado, deletado, arquivado, atirado no lixo, em nome de uma suposta superioridade existencial. Dizem que os ocidentais, em especial os pequeno-burgueses (também chamados de “coxinhas”), preferem ignorar o afeto profundo e substituir, por exemplo, pela trilogia cerveja-futebol-churrasco. É mais fácil? Não. Essa trilogia é como um cheque pré-datado, daqueles que batem na conta lá na frente, com juros e correção.

O meu dia foi especial porque mergulhei até o afeto profundo. Nó na garganta quando o cheiro do mar misturado ao de óleo combustível dos navios de guerra me bateu na alma. Foi bom. Foi bom homenagear quem eu queria que fosse homenageado, através de lembranças, poemas, vento do litoral, o azul profundo do céu de outono.


O meu afeto não se encerra. Prefere transmutar como as auroras boreais. Nunca as mesmas. Sempre as mesmas. Assim é. Assim será. Sempre.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

O som das nuvens destila a saudade

Havia um banco de cimento bem perto da praia. Pequena praia, sem ondas, estreita faixa de areia, água muito clara, transparente, mais para o verde do que para o azul. A canção parecia brotar das nuvens, duas, brancas, destacando o azul profundo do céu limpo, sem fumaça, sem mordaça.
Deitar no banco de cimento, sorver o som da saudade de si. Por que não? Por que não deixar que a melancolia sopre a nuvem e produza o som dos tempos, da travessia das eras, das lutas, da vida dura levada a ferro e fogo? Por que ele, somente ele, não teria direito a sua melancolia, ao silencio de seus ecos interiores, que ele não teve tempo de conhecer? Saudade e melancolia, velhas vizinhas, por mais novas que sejam as nuvens, por mais eterno que seja o céu.
Melancolia, um direito. Como folia, euforia, delírio. Saudade, dona de sons típicos, raros, que nascem de nuvens brancas e vadias, mapeando o céu como se nada mais existisse. Existe? Deitado no banco de cimento, olhos fechados, ouvindo o som das nuvens, uma lágrima escorre do olho direito dele.
O homem é amigo. Parceiro. Dá tudo de si desde o dia em que bateram em suas costas e disseram “é um menino”. Seria suficiente? Ele não sabe. O mundo não é espelho, o afeto não é reflexo, a saudade é mais que sensação. Livre sensação.
Ele tem tentado tudo. Deitado no banco de cimento, cansado muito cansado, reconhece o empenho, a luta, a solidariedade. Será suficiente? Não sabe, não pode e não quer perguntar. Impossível mensurar intenções.
Cansado, pede paz. Afeto. Cores. Nuvens. Saudade, muita saudade, de um tempo que não viu porque não tinha tempo para assistir ao tempo. As nuvens tem a resposta, mas ele só as contempla. Quieto. Como uma música. Música do acaso. Música do sonho, da vontade, música do afeto. Profundo, azul, marinho afeto.
Afeto que não se encerra.
Jamais.

domingo, 27 de novembro de 2016

Memórias de uma motocicleta assassina


Ela nunca se fez de santa
Como o amigo Hilário Alencar sou um apaixonado por motocicletas. Quer dizer, Hilário é muitíssimo mais apaixonado do que eu, assim como outro grande amigo, Márcio Paulo Maia Tavares, motociclista há mais de 30 e tantos anos. Claro, tem o André Valle e o João Chaves, PhDs no assunto.

Meu primeiro contato com esse obscuro objeto do desejo foi na adolescência, 13, 14 anos, quando começou a ser vendido no Brasil um ciclomotor chamado Velosolex. 

Que delícia aquilo. Eu andava na de amigos, escondido de meus pais que como 99% de todos os pais proibiam que andássemos de moto. A "velô" do Guilherme era envenenada e sem escapamento. Anos depois, o Guilherme vacilou na sua Yamaha 125, bateu e morreu na Praia de Icaraí.

O saudoso amigo Alex Mariano e eu estudávamos na mesma faculdade, a Estácio, no Rio Comprido. Ele tinha uma Yamaha 200 azul e, dia sim, dia não cruzávamos a ponte, eu na garupa. Volta e meia o motor da moto apagava mas o Alex, que tinha alma de cientista genial como o Lampadinha, personagem de Walt Disney, sem perder a calma pedia que eu descesse e levantasse e abaixasse com força a frente da moto. “Isso é magneto com mau contato”, ele dizia. Depois de 10 a 20 balançadas a moto pegava e íamos em frente. 

Uma vez, no verão, ameaça de chuva, ventava pra cacete e a Yamaha 200 deu esse problema justamente no vão central. Balancei 30, 40 vezes e nada. Quase fomos pegos por um ônibus da Itapemirim que vinha voando baixo pelo acostamento e vupt passou muito, muito perto. Tanto que eu, Alex e a moto quase caímos. Meu amigo fez uma de suas feitiçarias e moto pegou. Moto, por sinal, com 130 mil quilômetros rodados pois até a Bahia Alex já tinha ido.

Anos depois, passando algumas semanas do verão na serra, fui apresentado a “assassina”, a Yamaha 350 RD, top de linha na novela “Assim da Terra como no Céu”. Era uma verde musgo que nunca teve pinta de ingênua. Tão assassina que a Yamaha foi proibida de produzir no mundo todo. Nos anos 1980/90 voltou com uma RD nova mas foi um fracasso. Bom, um amigo de verão chamado Mosquito tinha uma, anos 1975, e me emprestou.

Saí tentando ir devagar, mas o motor de dois tempos (aquele que fazia toc toc toc toc soltando fumaça azul, mistura de gasolina com óleo) da moto meio que "mandava" acelerar. Alguns sinais de trânsito adiante, parei. Uns 10 carros parados e segui o protocolo, ficando na primeira fila a esquerda. O sinal abriu, acelerei e nada. A moto fez um som de arroto, como se fosse golfar. Só deu tempo de olhar para baixo, para o motor. Em suma, ela não queimou a gasolina logo. Ficou acumulada no carburador. 

Queimou tudo de uma fez e, logicamente, a bicha arrancou forte, empinou e eu caí para trás. A moto caiu em cima de minha perna, sofri alguns arranhões, mas ainda assim insisti. 15 anos...

Fui até a Rio-Bahia onde acelerei tudo. Não tive coragem de olhar o velocímetro e quando um filme de minha vida começou a passar na cabeça aliviei o acelerador. Motor dois tempos não tem reduzida na compressão, não freia, ele só faz "toc toc, toc” e você que se vire. 
A “assassina” tinha outras “virtudes” como, por exemplo, os freios de merda. Sorte que não precisei, senão adeus.

Devolvi a moto ao Mosquito com a promessa de comprar um espelho retrovisor quebrado no tombo e também umas borrachas das pedaleiras. Agradeci pensando “nessa não ando nunca mais”. Duas semanas depois Mosquito morreu. A “assassina” o jogou embaixo de um caminhão. Foi horrível.

Por que escrevo sobre a RD 350? 1 – porque vi uma hoje de manhã, parada em frente a um bar. Tive vontade de fotografar mas o trânsito não deixou; 2 – tenho pensado em voltar a ter moto (desde 2003 não tenho, as duas últimas foram duas maravilhosas Suzuki DR 800), mas rola um receio, vulgo cagaço; 3 – ainda assim, inexplicavelmente bateu saudade da “assassina”.

Vai entender a alma humana.


sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Livros da Semana - edição 25

Livrarias pesquisadas:

Travessa – www.travessa.com.br
Blooks Niterói - www.blooks.com.br
Estante Virtual - www.estantevirtual.com.br
Amazon – www.amazon.com.br
Saraiva - www.saraiva.com.br
Enquanto houver champanhe, há esperança

Uma Biografia de Zózimo Barrozo Do Amaral

Joaquim Ferreira dos Santos

672 páginas

Por quase trinta anos, entre 1969 e 1997, a sociedade brasileira foi desnudada pela escrita espirituosa do jornalista Zózimo Barrozo do Amaral em sua coluna diária no Jornal do Brasil e depois em O Globo.

Muito além dos registros sociais, ele oferecia um noticiário que flertava com a economia, a política e o esporte (sua paixão), em um estilo elegante e sem qualquer cerimônia. Fez muitos amigos, ganhou uns poucos desafetos e chegou a ser preso duas vezes durante o regime militar.

Joaquim Ferreira dos Santos reconstitui toda a trajetória do colunista, desde sua infância, no bairro carioca do Jardim Botânico, passando por seu começo de carreira quase acidental no jornalismo, até conquistar uma coluna assinada no Jornal do Brasil, aos vinte e sete anos. Ao seguir a trilha aberta por pioneiros como Álvaro Americano, Jacinto de Thormes e Ibrahim Sued, ele fez escola.

Enquanto se tornava a mais respeitada grife do colunismo no país, Zózimo registrava nas páginas dos jornais as imensas mudanças ocorridas na elite carioca. As festas saíram dos salões dos grã-finos e instalaram-se em casas noturnas como o Regine’s e o Hippopotamus. A animação movida pelo champã ganhou aditivos como a cocaína. Ao mesmo tempo que retratava o agito social, Zózimo enfrentava os próprios demônios.

Viveu amores, momentos de turbulência familiar e sérias questões de saúde. Mas até o final foi um homem apaixonado pela vida, como ele gostava de dizer: “Enquanto houver champanhe, há esperança.”
A arte da Harley-Davidson

Dain Gingerelli

192 páginas

Este livro esgotou no Brasil rapidamente, mas o leitor pode encontrar usados em excelente estado na Estante Virtual, www.estantevirtual.com.br.

Para o fotógrafo David Blattel, cada sessão de fotos é uma obra de arte. Quando seus temas são as motocicletas da Harley-Davidson, verdadeiras peças de arte, o resultado é ótimo.

Dain Gingerelli, especialista em Harley-Davidson, contextualiza a história de cada motocicleta, além de descrever o perfil completo de cada uma. O resultado é uma obra única, informativa e ricamente ilustrada, que retrata com muito estilo mais de 100 anos de Harley Davidson e leva o leitor a uma viagem única à essência da marca e sua personalidade.
O homem mais inteligente da História

Augusto Cury

272 páginas

O homem mais inteligente da história é fruto de 15 anos de estudos e pesquisas. Considerado por Augusto Cury a obra mais importante de sua carreira, este é o primeiro volume de uma coleção que vai abalar nossas convicções e transformar nossa visão do personagem que julgávamos conhecer tão bem.

Psicólogo e pesquisador, Dr. Marco Polo desenvolveu uma teoria inédita sobre o funcionamento da mente e a gestão da emoção. Após sofrer uma terrível perda pessoal, ele vai a Jerusalém participar de um ciclo de conferências na ONU e é confrontado com uma pergunta surpreendente: Jesus sabia gerenciar a própria mente? Ateu convicto, Marco Polo responde que ciência e religião não se misturam. No entanto, instigado pelo tema, decide analisar a inteligência de Cristo à luz das ciências humanas. Ele esperava encontrar um homem simplório, com poucos recursos emocionais.

Mas ao mergulhar na inquietante biografia de Jesus presente no Livro de Lucas, suas crenças vão sendo pouco a pouco colocadas em xeque. Para empreender essa incrível jornada, Marco Polo vai contar com uma mesa-redonda composta por dois brilhantes teólogos, um renomado neurocirurgião e sua assistente, a psiquiatra Sofia. Juntos, eles irão decifrar os sentidos ocultos em um dos textos mais famosos do Novo Testamento.

Os debates são transmitidos via internet e cativam espectadores em todo o mundo – mas nem todos estão preparados para ver Jesus sob uma ótica tão revolucionária. Agora os intelectuais terão que lidar com seus próprios fantasmas emocionais e encarar perigos que jamais imaginaram enfrentar.

Augusto Cury é psiquiatra, cientista, pesquisador e escritor. Publicado em mais de 60 países, já vendeu, só no Brasil, 28 milhões de exemplares de seus livros, sendo considerado o autor brasileiro mais lido na atualidade. Entre seus sucessos estão Armadilhas da mente, O futuro da humanidade, A ditadura da beleza e a revolução das mulheres, Pais brilhantes, professores fascinantes, O código da inteligência, Nunca desista de seus sonhos, O vendedor de sonhos (Editora Planeta) e Ansiedade (Saraiva).
É autor da Teoria da Inteligência Multifocal, que trata do complexo processo de construção de pensamentos, dos papeis da memória e da formação do Eu.
A História da Guerra em 100 Batalhas

Um panorama impactante dos grandes conflitos armados da humanidade

Richard Overy

384 páginas
O historiador Richard Overy apresenta cem batalhas emblemáticas, extraídas de um período de quase 6 mil anos, e as descreve com riqueza de detalhes e ilustradas por mais de 150 imagens. Para isso, o autor delimitou aspectos que podem fazer a diferença em uma guerra: liderança, reviravoltas que alteram a expectativa preliminar, inovação, astúcia, coragem e até mesmo sorte.

Assim, em vez de ordenar cronologicamente os conflitos selecionados, organiza-os sob essas categorias temáticas, revelando conexões entre combates de diferentes séculos, liderados por grandes estrategistas e transcorridos em várias culturas.

Da Queda de Troia (em 1200 a.C., na região da atual Turquia) à Operação Tempestade no Deserto (em 1991, no Iraque), o conjunto leva à reflexão do quanto a natureza do combate armado mudou ao longo do tempo e nos mostra que alguns princípios não se modificaram, independentemente das inovações em tecnologia e organização ou das ideias que separam as épocas. Além de trazer um olhar analítico sobre o passado, o título possibilita ao leitor compreender as divergências que persistem entre diversas nações.
100 Anos de Música (Ebook)

Ana Flavia Miziara

"100 Anos de Música" é um livro indispensável para os amantes do melhor da música. O livro conta a história da música americana, desde o Ragtime, passando pelo Gospel, Spiritual, Church Music, Blues, Jazz, Country & Folk, Soul, chegando aos anos 50 até os anos 2000.

Através de uma narrativa leve e instigante, a autora vai pontuando a influência desses gêneros musicais na cena mundial, com minibiografias dos principais artistas e bandas de cada estilo.

Ana Flávia Miziara, reservou um capítulo em destaque para a cronologia de Elvis Presley, completa. Lançado em 1996 em formato cd-rom (software) interativo e mixed-mode, chega agora em livro digital, eBook, o best seller "100 Anos de Música", de Ana Flávia Miziara, com mais de 200 minibiografias do ragtime ao pop. a.

A Era do Ragtime: a Arte do Improviso b. O Ragtime Hoje i. Scott Joplin ii. Eubie Blake 2. A Era do Gospel a. Gospel, Spiritual e Church Music i. Mahalia Jackson a. A Era do Blues b. A Era do City Blues e Blueglass i. Alberta Hunter ii. B.B. King iii. Bessie Smith iv. King Oliver v. Leadbelly vi. Louis Armstrong vii. Muddy Waters viii. W.C. Handy a. A Era do Jazz b. Dixieland Jazz c. New York Jazz d. A Era do Boogie-Woogie e. A Era do Jazz Swing f. A Era do Bebop g. A Era do Cool Jazz h. Third Stream i. O Jazz dos Anos 60 j. O Jazz dos Anos 70 k. O Jazz nos Anos 80 e 90 i. Al Jolson ii. Art Blakey iii. Artie Shaw iv. Art Tatum v. Benny Goodman vi. Betty Carter vii. Bill Evans viii. Billie Holiday ix. Bix Beiderbecke x. Buddy Rich xi. Buddy Tate xii. Cab Calloway xiii. Cal Tjader xiv. Cecil Taylor xv. Charles Mingus xvi. Charlie Christian xvii. Charlie Parker xviii. Chet Baker xix. Chick Corea xx. Coleman Hawkins xxi. Cole Porter xxii. Count Basie xxiii. Dinah Shore xxiv. Dinah Washington xxv. Dizzy Gillespie xxvi. Duke Ellington xxvii. Earl Hines xxviii. Ella Fitzgerald xxix. Brubeck Family xxx. Marsalis Family xxxi. Fletcher Henderson xxxii. Frank Sinatra xxxiii. Gene Krupa xxxiv. George Benson xxxv. Ira & George Gershwin xxxvi. Gil Evans xxxvii. Glenn Miller xxxviii. Herbie Hancock xxxix. Jelly Roll Morton xl. Jimmy e Tommy Dorsey xli. John Coltrane xlii. John Hammond xliii. John McLaughlin xliv. Larry Coryell xlv. Lena Horne xlvi. Lester Young xlvii. Lionel Hampton xlviii. Marylou Williams xlix. Max Roach l. Mel Lewis li. Miles Davis lii. Modern Jazz Quartet liii. Nat King Cole liv. Nina Simone lv. Ornette Coleman lvi. Oscar Peterson lvii. Pat Metheny lviii. Paul Whiteman lix. Red Norvo lx. Sarah Vaughan lxi. Sidney Bechet lxii. Stan Getz lxiii. Thelonious Monk lxiv. Toshiko Akiyoshi lxv. Wayne Shorter lxvi. Woody Herman lxvii. Zoot Sims a. A Era da Country Music e do Folk i. Barbara Mandrell ii. Bob Dylan iii. Carpenters iv. Dolly Parton v. John Denver vi. Johnny Cash vii. Joni Mitchell viii. Kitty Wells ix. LeAnn Rimes x. Neil Young xi. Patsy Cline xii. Roy Orbinson xiii. Simon & Garfunkel xiv. Willie Nelson a. A Era da Soul Music i. Aretha Franklin ii. James Brown iii. Marvin Gaye iv. Otis Redding v. Ray Charles vi. Sam Cooke vii. Smokey Robinson & The Miracles viii. Stevie Wonder ix. The Four Tops x. The Supremes xi. The Temptations a. Anos 50: A Era do Rythm and Blues e do Rock'n Roll b. R&B e Elvis Presley c. A influência do R&B d. O Início e. Rock Around The Clock f. A Febre do Rock i. Alan Freed ii. Bill Halley iii. Buddy Holly iv. Chuck Berry v. Cronologia Elvis Presley vi. Fats Domino vii. Jarry Lee Lewis viii. Little Richard ix. Neil Sedaka x. Paul Anka xi. Ritchie Valens xii. The Platters a. Os Anos 60 b. A Fusão dos Estilos nos Anos 60 c. A Importância da Gravadora Motown d. A Renovação nos Anos 60 i. Alice Cooper ii. Barbra Streisand iii. Black Sabbath iv. Bob Marley v. Cher vi. Chicago vii. David Bowie viii. Eric Clapton ix. Fleetwood Mac x. Frank Zappa xi. Janis Joplin xii. Jethro Tull xiii. Jimi Hendrix xiv. Jimmy Cliff xv. Joan Baez xvi. Led Zeppelin xvii. Michael Jackson xviii. Neil Diamond i. Pink Floyd ii. Rod Stewart iii. The Beach Boys iv. The Beatles v. The Bee Gees vi. The Cream vii. The Doors viii. The Greatful Dead ix. The Rolling Stones x. The Who xi. The Yardbirds xii. Tina Turner xiii. Tom Jones xiv. Van Morrison 9. Os Anos 70 a. A Era Disco i. AC/DC ii. Aerosmith iii. Blondie iv. Bruce Springsteen v. Eagles vi. Elton John vii. Elvis Costello viii. Iron Maiden ix. Kiss x. Peter Frampton xi. Prince xii. Queen xiii. Ramones xiv. Talking Heads xv. The Clash xvi. Van Halen a. Os Anos 80 i. Bon Jovi ii. Chris Isaak iii. Guns n' Roses iv. Jesus & Mary Chain v. Joe Satriani vi. Madonna vii. Metallica viii. Ozzy Osbourne ix. R.E.M. x. Replacements xi. Slayer xii. Sonic Youth xiii. Steve Vai xiv. The Police e Sting xv. The Smiths xvi. U2 xvii. Whitney Houston xviii. Yngwie Malmsteen a. Os Anos 90 i. Alanis Morissette ii. Britney Spears iii. Christina Aguilera iv. Diana Krall v. Jennifer Lopez vi. Marilyn Manson vii.











quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Será que o ser humano despreza as boas notícias?

Nos anos 1980, animado, eufórico, um colega decidiu lançar um jornal semanal só com boas notícias. Não vou esquecer o seu semblante, sua vibração, algo como se tivesse inventado a roda, a pólvora, a lâmpada. A mesa, com quase dez colegas jornalistas, estava cética. Houve muita discussão. Uns diziam que um jornal assim seria alienante, tiraria o público da realidade e que a realidade, queiramos ou não, é brutal. Nosso animado colega rebatia dizendo que, exatamente por isso (realidade brutal) o público deveria estar buscando um antídoto. Outros acharam a ideia engraçada, mas o fato é que ninguém levou fé no projeto do R. A. (iniciais do meu colega).

R.A. é perseverante. Não desiste, mesmo levando um nove a zero numa mesa de bar. Não chegou a dez a zero porque dei força ao projeto, e continuo acreditando (hoje mais do que nunca) que um jornal só com boas notícias seria um sucesso sensacional. R.A. procurou um desenhista, fez o esboço do jornal (o termo técnico é "boneca do jornal") e saiu por aí à cata do fundamental para qualquer mídia: anunciantes.

Antes, deu um giro pelo Rio conversando com jornaleiros, observando o comportamento dos leitores, principalmente aqueles que antes de comprarem um jornal dão uma conferida nas manchetes, nos exemplares que ficam expostos do lado de fora das bancas. Mesmo percebendo que as notícias ruins tinham muito peso na decisão do consumidor de comprar um jornal. Foi mais fundo. Conversou com alguns desses leitores e, segundo me contou mais tarde, a maioria quase absoluta optou por primeiras páginas equilibradas. Algo como sangue, suor e cerveja, digamos assim. Nem muito lá, nem muito cá.

Mas o persistente R.A. estava longe de jogar a toalha. Um dia me ligou para me mostrar o projeto do jornal. Gostei. Descobertas científicas maravilhosas, entrevistas com gente otimista, muita cultura, palavras cruzadas só com questões positivas, enfim, o jornal parecia uma espécie de "Shangri-lá News". 

E durante um ano ele tentou arranjar anunciantes. Conseguiu alguns, mas não foi suficiente para cobrir os custos do jornal. Em vez de desistir, vejam vocês, R.A. decidiu ir para o exterior onde hoje comanda um pequeno império de jornais e revistas especializadas em lazer e turismo. Infelizmente não consegui localizá-lo para publicar seu nome.

O curioso é que o ser humano tem uma fixação pela tragédia. Uma espécie que pagava ingresso para ver leão comendo cristão no Coliseu romano e até hoje paga para ver lutas de vale-tudo, assiste mundo-cão na TV e tudo mais. 

Será que um jornal só de boas notícias, nos moldes do que R.A. bolou, daria certo neste século 21? Totalmente apolítico, bem-humorado, com notícias de coisas que estão dando certo, doenças que estão sendo curadas, tecnologias que melhoram a nossa qualidade de vida, mas tudo sem histeria. Linguagem tranquila, como se fosse a mídia do lado bom do mundo, ou da humanidade se preferirem. Não sei se é o caso de se fazer um jornal desses mas, com certeza, é hora de se pensar em algo assim. 

Ou não?

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Lançamento do livro de Mauricio Valladares reúne centenas de pessoas na Livraria Argumento

Meus grandes amigos Siri e Mauricio Valladares na hora H do autógrafo

O Rio viveu na noite desta segunda-feira um momento extremamente emocionante. Centenas de pessoas foram a Livraria Argumento, no Leblon, onde Mauricio Valladares autografou ao longo de mais de quatro horas seu livro de fotografias “Preto e Branco”, lançado pela Editora Automática.

Foi demais. Adriana, Siri e eu chegamos por volta das 7 e meia da noite e a fila para os autógrafos estava monstruosa. Muita gente querida. Meu irmão Fernando César, minha super cunhada Milena Beranger, lendários e queridos amigos como Álvaro Luiz Fernandes e Liliane Yusim, mais Milton Montenegro, Tony Platão, João Barone, Bi Ribeiro, Luiz Oscar Niemeyer, José Emilio Rondeau, Ricardo Leite, colegas, conhecidos, desconhecidos, muitos ouvintes do programa Ronca Ronca do Maurício (hoje, terça, as 22 horas em www.roncaronca.com.br), enfim, foi uma noite mágica, banhada por uma trilha sonora fantástica que o próprio anfitrião preparou.

Com o maior prazer fiquei quase três horas na fila, falando com um, com outro, um clima de camaradagem que podemos chamar de genuinamente carioca”, raridade nos dias de hoje. O livro é um painel em preto e branco de um Brasil que reside em algumas ilhas do inconsciente coletivo. Uma obra de mestre, nascida nos olhos de um brasileiro apaixonado, sensível as nuances, aromas, tecidos, tramas, suores de um povo que não desiste. Soma-se a isso flagrantes de gente da música (não só brasileiros), em momentos que só o olho de um Mauricio Valladares, fixo na objetiva sincera e analógica, em preto e branco, de uma câmera consegue arrancar.

Boa notícia! O livro já está disponível não só na Argumento como no site da Livraria da Travessa (R$ 56,40 - é só clicar aqui: http://www.travessa.com.br/preto-e-branco/artigo/ce3bb4ef-1215-4e57-a18c-9890f39a2522) e Cultura (R$ 60,00 - clique aqui: http://www.livrariacultura.com.br/p/mauricio-valladares-preto-e-branco-46400845http://www.livrariacultura.com.br/p/mauricio-valladares-preto-e-branco-46400845 ).
O livro chega em qualquer lugar do planeta.


São 208 páginas, 142 fotografias, formato 29 X 24, capa dura. Preço: R$ 60,00. O coordenador da obra, Raul Mourão, explica:

Preto e Branco é um mergulho no acervo de imagens do fotógrafo, radialista, DJ e jornalista Mauricio Valladares (carioca, safra 1953). Um mergulho na parte funda. Lá ficamos por semanas em torno de uma mesa sem ar. Ao lado de discos, copos e garrafas, reviramos caixas de negativos e positivos. De volta à superfície para respirar com o sorriso de Rita Lee e o olho esquerdo de Gilberto Gil.

Bob Marley e a camisa de Pelé. Mais um mergulho e encontramos o Arco do Triunfo interrompido por um poste. Um arco sem seu vazio, vão. As mãos de Caetano Veloso e do Tremendão. Pessoas encarapitadas na marquise e na banca de jornal. A morte de John Lennon no papel. A morte capa de jornal do jornaleiro sem cabeça. Um elefante encara seu treinador olho no olho. Um antigo e saudoso píer rasga o mar da Praia de Ipanema. A alma anárquica e coletiva do carnaval de rua do Cacique de Ramos. Os colegas fotógrafos no ambiente da casa ou do trabalho.

Torcedores do futebol de um antigo estádio chamado Maracanã. Um pau, os peitos, a bunda. Um almanaque de imagens sonoras de Led Zeppelin misturado com Gismonti, The Who com Hermeto, Skank com Peter Tosh, Jesus and Mary Chain com Daminhão Experiença, Paralamas com Nick Cave. Familiares, amigos e anônimos. Tudo está aqui.

Ao longo das últimas cinco décadas, Mauricio Valladares apontou sua lente para todos os lados de dia e de noite. Preto e Branco reúne 142 fotos analógicas realizadas entre 1972 e 2003, textos de Luiz Camillo Osório e Frederico Coelho e projeto gráfico de Christiano Calvet.

Um grupo de imagens sobre gente com uma paisagem aqui e uma arquitetura acolá. Registro de ilustres nomes da música brasileira e internacional e flagrantes do homem comum nas ruas do Rio, de Paris, Roma e Londres. Um mundo perdido que renasce para nós pelos olhos de Mauricio.

Raul Mourão


Preto e Branco” reúne talento, arte, Brasil, mundo, gente, vida. Um livro mais do que fundamental.


sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Livros da Semana 24

Livrarias pesquisadas:

Travessa – www.travessa.com.br
Blooks Niterói - www.blooks.com.br
Estante Virtual - www.estantevirtual.com.br
Amazon – www.amazon.com.br
Saraiva - www.saraiva.com.br

O super esperado livro de fotos de Maurício Valladares, "Preto e Branco", vai aterrissar na Argumento nesta-segunda-feira. Noite de autógrafos a partir das 19 horas. São 208 páginas, 142 fotografias, formato 29 X 24, capa dura. Preço: R$ 60,00. Editora Automática - http://www.automatica.art.br/editora/
Todos os detalhes sobre o livro nesta matéria do Silvio Essinger, no Globo de domingo: http://oglobo.globo.com/cultura/livros/mauricio-valladares-lanca-livro-com-fotos-de-tres-decadas-de-carreira-20460833

Aqui, o texto de apresentação do organizador Raul Mourão:



David Bowie

História, Discografia, Fotos e Documentos

Mike Evans
64 páginas

Na caixa David Bowie, composta por livro e 20 itens de memorabilia, fãs e colecionadores vão encontrar farto material para recordar a vida e a carreira de um dos maiores nomes da arte e cultura dos séculos 20 e 21.

No livro, são narradas as quatro décadas de carreira de Bowie, suas mutações paradigmas, símbolos e arquétipos. Todos os álbuns, de David Bowie 1967) a Blackstar (2016), são comentados pelo respeitado jornalista, escritor é biógrafo norte americano Mike Evans, que mostra a importância crucial da obra de Bowie em todos os cenários. Mais: ficha técnica, com data de gravação e de lançamento, produtores, gravadora, faixas, músicos que participaram e posições nas paradas de sucesso norte-americana e britânica.

Entre os itens encartados, estão pôsteres, fac-símiles de ingressos de shows e contratos, fotos avulsas e folhetos de divulgação. O leitor vai mergulhar pela trajetória do cantor, com sua discografia, filmografia, a parceria criativa bem-sucedida com artistas como Iggy Pop e Nile Rodgers, as turnês arrebatadoras e o impactante fim com o lançamento de Blackstar, dias antes de sua morte.

A Guerra Do Paraguai

Como O " Rei Dos Macacos", O Marechal Que Queria Ser Napoleão, Um Jornalista Soldado E Um Presidente Degolador Deflagaram O Maior Conflito Da América Do Sul

Luiz Octavio de Lima
448 páginas
Maior confronto armado da história da América do Sul, a Guerra do Paraguai é uma página desbotada na memória do povo brasileiro. Passados quase 150 anos das últimas batalhas deste conflito sangrento que envolveu Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, o tema se apequenou nos livros didáticos e se restringiu às discussões acadêmicas.
Neste livro, fruto de pesquisas históricas rigorosas, mas escrito com o ritmo de uma grande reportagem, o leitor poderá se transportar para o palco dos acontecimentos e acompanhar de perto a grande e trágica aventura que deixou marcas profundas no continente sul-americano.
Na narrativa repleta de lances surpreendentes, desfilam não apenas os governantes e líderes militares dos países diretamente envolvidos no conflito, que em momentos alternados viveram papéis de heróis e vilões, como ganham luzes as ações e os dramas de figuras menos conhecidas, mas igualmente fascinantes: a ardilosa amante do líder paraguaio Solano López; religiosos implacáveis; combatentes submetidos a dores e privações; mulheres e crianças testadas no limite da bravura; e escravos que viram na guerra o caminho para a liberdade.
O livro também se ocupa de discutir (e algumas vezes desfazer) os mitos criados ao sabor dos ventos ideológicos que sopraram sobre o continente em diferentes períodos desde então.

O Último Dia De Hitler

Minuto A Minuto

Jonathan Mayo, Emma Craigie
272 páginas

30 de abril de 1945, a Alemanha está imersa em caos. As tropas russas marcham por Berlim. Em todo o país, as pessoas estão em polvorosa – sobreviventes de campos de concentração, prisioneiros das tropas aliadas, nazistas fugitivos –, e a população civil está ficando sem comida numa rapidez desoladora.

O pústula que orquestrou esse pesadelo está em seu bunker no subsolo da capital alemã, ocupando-se de suas despedidas. Esta é a história fascinante das horas finais de Hitler, contadas pelo prisma daqueles que estavam com ele na fortificação, dos que lutaram nas ruas da Alemanha e daqueles que transitavam pelos corredores do poder em Washington, Londres e Moscou. 30 de abril de 1945 foi um dia com o qual milhões de pessoas sonharam, e pelo qual milhões de pessoas morreram.

Os 7 Minutos

Irving Wallace

854 páginas

Com uma trama que mistura o jogo de argumentos nos tribunais, ambição política, censura e uma boa dose de erotismo, este clássico da literatura norte-americana se tornou um grande sucesso de vendas no Brasil, na década de 1970.

A obra conta a história de um homem que é preso depois de publicar em livro - que posteriormente é banido pela justiça da Califórnia - as aventuras sexuais de uma mulher. O ato de censura ganha as manchetes de todos os jornais e o julgamento acaba envolvendo membros do Vaticano, produtores de filmes eróticos, entre outros personagens.

O autor escreveu seus primeiros textos em jornais e revistas quando ainda tinha 15 anos e, na década de 1950, trabalhou também com a produção de roteiros para o cinema. Seus maiores feitos, no entanto, foram os seus livros, carregados de realidade e referências sexuais.

"Os 7 Minutos", além de vender milhares de exemplares em todo o mundo, foi adaptado para o cinema em 1971, com o ator Tom Selleck no papel de Phil Sanford.









quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Water of Love

Mont Serrat, ilha-berçário de "Water of Love", que era regida por George Martin, mas um furacão ia passando e levou. Não restou nada, especialmente o Air Studios de Martin. 

Restaram pergaminhos dos anos 80, escritos pelo Police, Dire Straits e até The Clash.

Ouço "Water of Love" sem parar, tarando. 

Eu taro
Tu taras
Ela tara

Desço os Jardins, São Paulo capital, domingo de sol. Crianças, bola de futebol, "Water of Love" numa loja de discos.

Ibirapuera, parque popular, ponho a pipa no alto, tiro a camisa, cheiro de churrasco. Chafarizes despejam "Water of Love" para cima. Vejo rostos. Na pipa. Ho Chi Mihn, Mao Tsé Tung, Demi Moore. Flutuam. Lúdicas, crianças olhando, bocas arreganhadas.

Chamam pipa de papagaio e meu suor de suor. Frustro, mas canto o refrão "yes, I need a little water of love".

Subo a Rua Augusta a três quilômetros por hora.
Itaim Bibi escrito no trolley bus, que se arrasta ao som do rádio. Ouço "Water of Love", camisa encharcada, carrapicho nas botas.

São Paulo, meu repouso. São Paulo, meu sossego. Hélices não param de bater. Máquinas de sucos, helicópteros que toureiam antenas parabólicas.
Um Boeing passa rasante. Arrasta meus sonhos para Niterói, Estado do Rio. Sonhos dos anos 80 que vivi intensamente.
Sonhos dos anos 70 que senti como agradável tormento.

Mas estou de caso cheio. Saco cheio. Saco cheio. Beija minha boca, São Paulo. Ouça meus gritos, São Paulo. Não desabe sobre mim, São Paulo. Me deixe desabar em você, São Paulo.

Hoje eu não quero só sonhar.
Quero me perder nesta canção, "Water of Love".

Como Caetano se perdeu em "Terra", na vertigem do cinema.
Posso me deixar Levar por São Paulo porque hoje é domingo de sol.
O trolley bus me larga num lugar que nunca vi.
Urbano relativo, algo entre Filadélfia e Arembepe, Camaçari Bahia.
Arempebe hippie, de Zé Celso, Glauber, Gil e Caetano está num banco de praça.

Bancos de praça são bancos de memória.
Quem não lembra dos bancos da Urca seduzida há milênios pelo Pão de Açúcar?

O banco da praça me conta que o bom de partir é o desejo de voltar.
Arnaldo Dias Baptista, Rita Lee, Titãs, Ricardo Giesta, Antonio Quintella.
"Water of Love" e seu poder de mixar o tempo.

Nunca mais haverá anos 60 porque jamais ousaremos tanto, de novo. Não há nada de novo no novo.

As vitrines da avenida estão cheias de Ferraris, Porsches e até Buicks.
Buicks como os que Nabokov usava para caçar borboletas, que viraram Lolita.
Bugattis como o de Rubens Gerchman, que explode na parede de algum lugar em Ipanema.

São Paulo seduz aos domingos. Seduz e induz a "Water of Love", a minha canção.

Canção que não fiz. Arranquei do coração de Mark Knopfler e implantei no meu. Zerbini.

Num inverno qualquer, anos 80, Saquarema, surfboard, pôr-do-sol laranja e azul.

Será que alguém já perambulou numa metrópole vazia ouvindo "Water of Love"?
Já. O dono da voz, Mark Knopfler, rodou pelo West Side pensando em "Water of Love" para filmar "Going Home". New York City.

Queria me perder mais. Tatuapé, Bexiga, Avenida Paulista.
Mas os táxis não deixam ninguém se perder numa grande metrópole.
Pergunto: o que é isso que escrevo?

"Um texto de outono", responde alguém lá de dentro.
"Yes, I need a little water of love."

E se ninguém entender?

Mas o outono não foi feito para se entender.

Nasceu para ser vivido, celebrado, comido.

Comido como manga-rosa, voraz e salobra como as conas.
So, I´m content.

O CD player de bolso tocava "Water of Love" quando o atirei no mar de Margarita.

Margartina, Paralamas, sinto saudade de Herbert Vianna quando vejo uma estrela do mar.

Herbert, Bi e Barone me arrancaram lágrimas secas num documentário de TV.
HBO, você viu? Tem tempo.

O mar de Margarita ouve "Water of Love", Dire Straits.

E eu me sinto descendo aquelas águas mornas, des-harmônicas.
Como o violão e a percussão existencial da canção que não quer calar.
"Yes, I need a little water of love."

Queria ser poeta, não consigo. Poesia é um perigo.
Poesia não dá abrigo a aventureiros e indolentes.
Como eu, industrial de textos enlatados.
Como os que Herbert e Knopfler não escrevem.
Pode vaiar, leitor, pode vaiar porque eu ligo e sofro.

Sofro como espectador da última cena de "Jules & Jim". Truffaut.
Truffaut que nada nos acordes de "Water of Love", longe da noite americana.
América Latina que seduziu Herbert e Sting, o tal do casamento secreto.
"Nada como o sol", gritou Sting em Margarita, 1986.

E o CD player no fundo dos olhos verdes de Margarita insiste em tocar.
"Water of Love" para as sereias de Netuno, para as filhas de Iemanjá.
Tudo ao mesmo tempo agora, Titãs, elétrico, cáustico. Morte ao acústico!

Ouço o mar sugando os poros da areia, no gozo eterno do entardecer.
São assim os textos de outono, descalços, incoerentes, "Water of Love", livres.

Livres como os anjos, centenas, sentados à nossa volta, fogueira acesa, aurora boreal.

Merecemos a paz antiga e remota das auroras boreais que "Water of Love" evoca.

Evoco anjos indígenas, evoco anjos ocidentais, evoco as Três Marias e o Cruzeiro. Inevitável o banho de orvalho, olhos marejados, tudo aquilo que "Water of Love" seduz.

Ouço todos os mares, como se editados em estúdio digital.
E eles estão aqui, atraídos pelo poder intuitivo de "Water of Love".
Vejo o medo sentado, só, numa pedra distante.
Vejo o medo do medo caído na arrebentação, pedindo punição.
Vejo o medo do medo do medo...ora, "Water of Love" anistia todos os medos.

A coragem é filha do amor sublime e supremo. A coragem é filha da música.

Um satélite corta o orvalho da noite, beira-mar.

Peço que ele arraste "Water of Love" e jogue no ar para o mundo ouvir.
Oiapoque ao Chuí, via Quênia, Angra, Saquarema, Niterói.
O anjo de alumínio nos diz que "Water of Love" já banha o mundo. Internet.
 "Ser feliz, o melhor lugar é ser feliz", Caetano.
Caetano zeloso em espalhar "Water of Love" como água benta.
Bonfim, Senhor do Bonfim, como é bom beijar suas mãos.

Ao som de "Water of Love", a canção que reelegi como minha, anos depois.

Agora.