sábado, 31 de dezembro de 2016

Ano Novo: a diferença entre esperança e expectativa

Um abismo profundo separa o significado prático e filosófico de esperança e expectativa. Em 2015, o ano que terminou sim!, o amigo Lobão levantou essa lebre num show. Começou a falar sobre o significado (e as significantes) das duas expressões, mas a falta de educação da ruidosa e irritante plateia não deixou o lobo uivar até o final do raciocínio.

Esperança é o possível, expectativa é o ideal que não existe. Felizmente mantenho um pacto com a esperança desde a hora em que nasci. Com a expectativa, não. Relação zero. A expectativa é prima próxima da ansiedade, da correria, da falta de ar, faz nossos pés molharem em Manaus quando ainda está chovendo em Porto Alegre. Já a esperança é centrada, amena, racional. A esperança faz projetos a expectativa cisma.

Minha esperança em 2016 é grande, mas faço a minha parte. Não corro, não fujo, parto para cima com todas as forças disponíveis e depois, atento, aguardo a hora da colheita deixando o destino trabalhar. Pilhar o tempo todo, insistir, forçar a barra, chutar portas, em geral levam ao desespero sob o manto da expectativa. Em todos os setores da vida.

Há milhares de anos, os asiáticos costumam escrever que o silêncio é uma forma de comunicação. Pode até ser, mas eu não sou asiático, sou latino. Logo, não comunicou nada disse. Quando os sinais não veem (ou vão e não voltam), nada aconteceu. A esperança ensina que se não há declaração de amor ou declaração de guerra, não existe uma coisa nem outra. Cínica, a expectativa insiste que nem sempre os sentimentos emitem sinais. Como mente essa senhora, que eventualmente se faz de tonta.

Escrever as viradas de ano não chega a ser uma novidade já que passei (e vou passar) muitas viradas de plantão nas redações das mídias da vida. Desde o dia em que Lobão tentou falar sobre expectativa e esperança no tal show, mas acabou atrapalhado por galinhas, codornas e barangas da plateia, o tema ficou perambulando por mim. O que acabou me levando ao passado, a uma longa tarde que passei na casa do Lobo quando ele morava no alto da Estrada das Canoas, em São Conrado, Rio. Falamos muito sobre o flagelo da culpa. Culpa, ela mesma, a canalha que não nos deixa olhar no espelho mesmo quando somos totalmente inocentes.

Gerar expectativas leva a culpa. Falar de esperança, não. Por que? Porque a expectativa é volátil, enganadora e induz suas vítimas a impregnar a humanidade de promessas enquanto prepara uma desculpa para se livrar da situação. A esperança resolve, a expectativa tenta se livrar. Esperança leva a reflexão, a expectativa traz a insônia. Esperança não teme o início, o fim, o meio.

A opção é nossa.




sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Atitudes de Ano Novo

1 – Desvie dos chamados manuais de mudanças necessárias nesse início de ano novo. É um conceito velho, falido, arcaico, totalmente inútil. Surfe suas ondas na medida do seu possível e não no que determinam regras, protocolos, regulamentos.

2 – Ação. Sabe o “Luz, Câmera, Ação” do Cinema? Ando meio cheio de tanta luz, tanta câmera. Falta ação. Agir é crucial.

3 – O povo é sábio quando diz que “passarinho quando anda com morcego acaba dormindo de cabeça pra baixo”. Pessoas tóxicas, plantadas 100 passos atrás? Delete. Para que importar micro catástrofes existenciais? Precisamos de gente que nos faça ouvir porque em muitos momentos ficamos roucos de tanto falar para desertos inférteis.

4 – Sabe aquele livro? Leia. Sabe aquela música? Ouça. Sabe aquele filme? Assista. Sabe aquele site? Acesse. Sabe aquela paixonite? Pegue. Rápido, logo. Como diz um amigo “agora enquanto ainda”.

5 - Está cercado de pessoas atrasadas, invejosas, chupa cabras que cultuam o mofo, o velho, o inútil? Detone.

6 – Foi pouco a praia em 2016? Por que? Perdeu a fé de que a água salgada, piscinão de iodo, faz bem ao sistema nervoso? Que tal voltar aos mergulhos, ao papo vadio na beira do mar com amigos, conhecidos?

7 – E o trabalho? Saco cheio? Não dá para dar uma de herói. Tarzã nunca trocou de cipó sem ter outro na outra mão. Mude de trabalho, mas garanta o novo para não se estabacar na floresta.

8 – E o amor? Bom, o amor é sagrado, radicalmente pessoal e intransferível. Só quem sente e vive, sabe de que tipo é. Não existe o padrão Henry Miller/Anais Nin e muito menos Chapeuzinho Vermelho/Lobo Mau/Vovozinha. Cada amor tem uma cor, um aroma, uma luz, uma canção.

9 – Família. Se achar necessário, anistie todo mundo. Vale a pena. Perdão é uma palavra poderosa. Vale dar a décima segunda chance.

10 – Fique atento aos bons sinais. De todos os cantos, todas as áreas. Preste atenção à saúde, arranje um bom clínico que tenha o seu plano de saúde e deixe o barco ir, mar a dentro, vida a fora. Sempre.

Feliz 2017.


quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

A Nova Ordem da Boçalidade Mundial




Como todo mundo, no mundo todo, no dia 11 de setembro de 2001 fui solapado pelas imagens vomitadas pela TV mostrando Boeings explodindo contra o World Trade Center. Desespero, correria, gritaria, pânico. Meus colegas jornalistas tentavam saber o que estava acontecendo, o arsenal de perguntas e imagem ocupou o dia, a tarde, a noite, os dias, as semanas, meses anos. Percebemos que o “11 de Setembro” tornou o mundo mais imundo, boçal, imbecil.

No último 11 de setembro, o maior atentado terrorista dos tempos modernos completa 15 anos. Quem viaja pelo mundo sabe que a partir dessa data tudo ficou mais bege, frio, chato. O glamour de um voo para Tóquio, o charme a bordo de um navio pelo Caribe, tudo passou a ser regido pelo que determinou um personagem chamado Osama Bin Laden que muitos acham que foi invenção. Oficialmente, todo o plano detalhista e perfeito do “11 de Setembro” foi parido nas imundas e distantes cavernas das montanhas do Afeganistão, na época ocupadas pela Al Qaeda e similares. O magnífico livro “Plano de Ataque”, de Ivan Santanna, explica passo a passo como tido foi organizado.

O “11 de setembro” imbecilizou o mundo de tal maneira que só agora, 15 anos depois, dou a mão a palmatória e admito, sim, que os EUA  foram responsáveis pelo surgimento do "bestial" estado islâmico (em minúsculas mesmo) e da ditadura do politicamente correto em todo ocidente. Isso é fato. Uma sociedade que pensa igual, obedece igual, fala igual, age igual, é muito mais fácil de controlar. E assim nascia um dos braços do politicamente correto, a bovinização geral.

Quando Gene Wilder morreu (em 29 de agosto) quis homenageá-lo com um artigo mas pensei melhor. Pensei melhor e não escrevi porque Gene Wilder estava informalmente banido do cinema pelo politicamente correto, cuja foice devastadora de ideias jamais permitiria, hoje, filmes como “Banzé no Oeste”, “Jovem Frankstein “ e muitos outros. Ele praticava o humor quase ingênuo e livre, como outro que já subiu, Leslie Nielsen, figuraça que estrelou a anti saga “Corra que a Polícia vem aí”, absolutamente incorreta. Mel Brooks? Dispensa comentários.

Quis a nova ordem da boçalidade mundial, filha não bastarda do “11 de Setembro” que o mundo ficasse chato pra cacete. Quis essa nova ordem que a civilização esbanjasse tecnologia de Comunicação e zerasse o conteúdo. O mundo anda fraco de conteúdo. Há fartura de gigabytes e pobreza absoluta de um bom papo.

Se o Saber sempre foi o maior patrimônio da Civilização, Bin Laden (?) e os cacetes a quatro venceram. O mundo passa por uma grave anemia de Saber e bebe garrafões de egolatria, não coleguismo, afeto industrial, que Pete Townshend chamou de “Empty Glass” (Copo Vazio) em 1980.

Até quando?


quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Molambeiro, o elo perdido entre o homem e o porco


Andando pelo bairro onde moro um dia desses, 41 graus à sombra, o cheiro de mijo não só incomodava como irritava. Coisa de molambeiro, bípede que não mora onde mija, não tem qualquer relação afetiva com a cidade onde está e, por isso, cospe no chão, atira lata de cerveja junto ao meio fio, enfim, essa figura conhecida como molambeiro deveria ser estudado em profundidade porque, diz a minha tosca e eventualmente mal humorada intuição, que ele pode ser o elo perdido entre o homem e o porco.

O molambeiro não tem sexo, cor, classe social, nível de instrução. É uma bola de sebo tatuada rolando pelas cidades, saltitando merda para todos os lados e atualmente tem como veículo preferido a motocicleta (no máximo de 150 cilindradas), em geral equipada com um tal de baú onde alguns carregam cachaça, cheirinho da loló, crack e outros aditivos muito comuns a espécie. Se um dia a polícia fizer seis meses de asfixia (blitz permanente) nas motocicletas, a segurança pública vai melhorar 80% porque além de baderneiros, escroques sociais, paladinos da imundície, muitos são bandidolas.

Molambeiros gostam de andar em bandos e contrariando normas internacionais de segurança, andam de motocicleta sem camisa, calçando chinelos vagabundos, capacetes idem, cano de descarga cortado (barulho infernal) e em zigue zague entre os carros.

Em Niterói, o point da molambada é a praia de Itacoatiara, onde os molambeiros encontram molambeiras com quem copulam e perpetuam a espécie. Itacoatiara virou moda entre eles e entrou na rota da barbárie desses animais que, geralmente sem documentos, invadem o bairro fazendo enorme barulho (como suas motos são vagabundas, não correm muito), fazem xixi em qualquer árvore e enchem de cocô e latas de energético genérico a restinga da praia.

Na praia, fumando maconha paraguaia, jogam futebol na beira d’água (velhos e crianças que se danem), dão saltos mortais as gargalhadas no mar onde aproveitam para fazer xixi e cocô de novo, aos gritos de “hahahaha....tá dominado, rapá....hahahahaha”. Na areia, funk, pagode e sertanejo aos berros naqueles equipamentos de som chineses, com porta USB por onde a caganeira musical transita.

Os moradores locais? Se borram de medo. Itacoatiara é bairro de classe média alta e um dia já foi o must do verão em Niterói, e como toda a classe média, tem pavor dessa molambada com cabelo à Neymar, moto na mão e muita bosta na cabeça. Os locais dizem que “os estrangeiros são perigosos e acham que a praia é deles”. Claro que a praia é deles. A praia, o bairro, a cidade, o país.

Fato é que cada vez mais zonzo com o cheiro de mijo, andando numa cidade que estupra com o IPTU, conta de luz, água, telefone, vem esses molambos e, em menos de duas horas, cagam tudo. 

Com certeza a porradaria ia comer se eu pegasse um molambo desses, elo perdido radical, defecando em frente a uma creche (para eles tanto faz). Aliás, é por isso que não tenho ido a praia sábado e domingo, onde a civilidade é minoria absoluta. 

Prefiro permanecer réu primário.



domingo, 25 de dezembro de 2016

O poder do reconhecimento

Sabe aquele quadro pequeno pendurado na parede com os dizeres “Funcionário do Mês” mais uma foto e um nome? Cada vez mais raro, vi um desses quando fui tomar um mate, semana passada, nas imediações da rua do Ouvidor. Coincidentemente o tal funcionário do mês foi o que me atendeu. Dei parabéns, o cara ficou meio sem jeito e tal, agradeceu e seguiu trabalhando, sorriso estampado na cara.

A espécie humana não sobrevive sem reconhecimento. No início dos anos 70, um colega entrevistou o assaltante Lúcio Flávio Vilar Lirio na penitenciária e perguntou o que ele sentia ao ser considerado pela polícia o inimigo público número um. Lúcio Flávio respondeu que se sentia muito bem porque era mais uma demonstração do cagaço que a polícia tinha dele, o que “para mim é um grande reconhecimento”. E, segundo o colega, esboçou um leve sorriso.

Vamos supor que o ser humano tenha 60% de defeitos e 40% de qualidades. Na melhor das hipóteses. Se pouca gente aceita a chamada “crítica construtiva” a coisa fica caótica quando se vê valorizados apenas os 60% podres.

A mulher se submete a uma dieta de meses, veste uma bela e sensualíssima roupa, corta o cabelo, estreia um par de sapatos, usa um batom de cor ousada para encontrar o sujeito. Ele chega e comenta que detesta o perfume que ela usa. Só isso. Não diz mais nada, absolutamente nada e leva um pé na bunda tempos depois.

Cachorros adestrados quando fazem direito uma evolução ganham reconhecimento e biscoitos. Golfinhos e focas ganham reconhecimento e sardinhas. Por que com a raça humana seria diferente?

Medalhas, troféus, diplomas de “Honra ao Mérito” e dezenas de outros símbolos mostram que o ser humano quando reconhecido abertamente rende muito mais. Autoestima turbinada. Parece óbvio mas para muita gente não é. Você aí, leitor, há quanto tempo não recebe o reconhecimento de uma pessoa significativa em sua vida? 

Pior: você nota que ao longo do tempo essa mesma pessoa só o critica, só vê os 60% citados lá em cima, só enxerga ônus e ignora os bônus? Dá vontade de deletar? 

Pois então, delete.


Eu não sou homem que recuse elogios. Amo-os; eles fazem bem à alma e até ao corpo. As melhores digestões da minha vida são as dos jantares em que sou brindado. Machado de Assis.

Contra os ataques é possível nos defendermos: contra o elogio não se pode fazer nada.Sigmund Freud.

O reconhecimento envelhece depressa. Aristóteles.


sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Livros a Semana - edição 29


Confira o especial com sugestões especiais para o Natal. É só clicar aqui: http://colunadolam.blogspot.com.br/2016/12/edicao-especial-de-natal-livros-da.html 

Meu podcast UIVO, especial de Natal. Ouça agora, baixe agora, clique aqui: https://www.podomatic.com/podcasts/luizantoniomello/episodes/2016-12-18T17_57_17-08_00

Livrarias pesquisadas:

Travessa – www.travessa.com.br
Estante Virtual - www.estantevirtual.com.br
Amazon – www.amazon.com.br

Ao Seu Encontro

Abbi Glines
224 páginas

Há apenas alguns meses, um encontro inesperado numa casa em Rosemary Beach se transformou num romance de conto de fadas. Agora Reese está prestes a ir morar com Mase na fazenda dele, no Texas. Com o apoio e o amor da família do namorado e a recente descoberta de que ela mesma tem uma família com a qual contar, Reese pode enfim superar os horrores do passado e se concentrar no futuro promissor que a aguarda. No entanto, no que depender de Aida, isso não vai acontecer.

A beldade loura e Mase foram criados como primos, mas logo fica claro para Reese que o amor da jovem por ele está muito longe do que se deveria ter por um parente. Ao mesmo tempo que Reese tenta entender a relação dos dois e não se sentir ameaçada, entra em cena Capitão, um estranho que parece estar, convenientemente, em todos os lugares que ela frequenta. Bonito, sensual, misterioso e dono de uma franqueza desconcertante, ele não tem medo de dizer o que pensa de Mase – nem como se sente a respeito de Reese.

Enquanto a competição pelo coração de Mase e de Reese esquenta cada vez mais, algumas perguntas em relação ao passado dela começam a ser enfim respondidas, revelando verdades chocantes que vão mudar para sempre a vida do casal. Em Ao seu encontro, Abbi Glines conclui a história que começou em À sua espera. Com a escrita romântica e voluptuosa que a consagrou, ela constrói mais uma narrativa envolvente, com personagens que vão mexer com as nossas emoções até o final.

Alexandre VI - Bórgia, o Papa Sinistro

Volker Reinhardt
498 páginas

Nascido Rodrigo Borja e que mais tarde italianizou seu nome para Bórgia quando foi estudar direito em Bolonha. Nos 11 anos do seu pontificado, o Vaticano foi quartel-general de guerras, palco de envenenamentos, assassinatos, subornos, chantagens, desvios de dinheiro da igreja e nepotismo no mais alto grau. Inclusive, com a participação dele em orgias envolvendo até 50 mulheres.
Volker Reinhardt traz à luz fatos sobre a trajetória do papa considerado como mais polêmico da história.



Renato Russo - O Trovador Solitário

Arthur Dapieve

216 páginas

Esse livro está totalmente esgotado. Por isso você só encontra na Estante Virtual, www.estantevirtual.com.br .

Mesmo com a sua morte, em outubro de 1996, a legião de fãs de Renato Russo só aumentou. Letras como "Geração Coca-Cola", "Faroeste caboclo", "Índios", entre outras, até hoje estão na ponta da língua de milhares de pessoas.

Momentos importantes, como o tumultuado show em Brasília, em 1988, são contados pelo experiente jornalista Arthur Dapieve (quem conviveu com o Renato), que mostra a trajetória do cantor: um jovem talentoso, tímido e polêmico.

Ninfeias Negras

Michel Bussi
352 páginas

Giverny é uma cidadezinha mundialmente conhecida, que atrai multidões de turistas todos os anos. Afinal, Claude Monet, um dos maiores nomes do Impressionismo, a imortalizou em seus quadros, com seus jardins, a ponte japonesa e as ninfeias no laguinho.

É nesse cenário que um respeitado médico é encontrado morto, e os investigadores encarregados do crime se veem enredados numa trama em que nada é o que parece à primeira vista. Como numa tela impressionista, as pinceladas da narrativa se confundem para, enfim, darem forma a uma história envolvente de morte e mistério em que cada personagem é um enigma à parte – principalmente as protagonistas.

Três mulheres intensas, ligadas pelo mistério. Uma menina prodígio de 11 anos que sonha ser uma grande pintora. A professora da única escola local, que deseja uma paixão verdadeira e vida nova, mas está presa num casamento sem amor. E, no centro de tudo, uma senhora idosa que observa o mundo do alto de sua janela.

Xica Da Silva: A Cinderela Negra

Ana Miranda

520 páginas

A biografia da escrava que se tornou a senhora mais poderosa das minas de diamante O canto dos escravos dá o tom nesta obra e nos transporta para o Brasil do século 18: uma realidade de fidalgos e pés-rapados, de cantos africanos e rezas católicas, um quadro vivo e riquíssimo de detalhes do violento ciclo do diamante, por meio do qual Ana Miranda reconstrói a biografia de uma personagem que nos fascina há gerações.

Com narrativa colorida e vibrante, a autora revela as facetas e interpretações por trás da figura de Xica da Silva: da sedutora, capaz de dominar os homens com astúcia e sensualidade, à concubina amorosa, fiel ao marido e dedicada aos filhos, passando pelo papel de mecenas do Tijuco, de dona de cem escravos e administradora da maior riqueza de seu tempo. Uma mulher vitoriosa, revolucionária mesmo para os dias de hoje, irreverente e mandona, que superou com majestade a sua condição de escravizada, criando a lenda de uma Cinderela Negra.







quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Como um beduíno alucinado de calor

Como um beduíno debaixo de um sol que parecia um fogareiro Jacaré (vintage) aceso nos ombros, semanas atrás passei parte de uma tarde perambulando por repartições públicas num safari, caçando documentos. "Não é aqui, o senhor por favor vá até..." foi a informação que mais ouvi, perdido naquela macarronada de papel, com os bolsos da calça cheioS de protocolos.
Em uma das filas, uma moça pacientemente esperava. Fila média. Nem longa, nem curta. Calor, muito calor. Para não perder mais tempo, perguntei "a senhora poderia me informar se é aqui que...". Ela sequer se moveu. Parecia o monolito do filme “2001, uma Odisseia no Espaço”, de Stanley Kubrick.
Será que ela achou que era uma azaração barata? Insisti. Cutuquei o ombro, ela levou um susto. Foi quando percebi que estava com aquelas duas minicarrapetas brancas enterradas nos ouvidos e ouvia música em seu smartphone. Ela se desculpou e tal, disse que eu estava na repartição errada e já na calçada lembrei que a música tem a capacidade de nos arrancar dos mais tediosos ambientes.
Lembrei também que já tentei usar um aparelhinho desses, mas não me entendi com aqueles fones minúsculos. Um par deles caiu no mar quando desci do catamarã. Ia insistir, mas graças a anos de rock, blues e arredores, meu ouvido esquerdo está meio detonado. Minha médica disse para eu não usar essas carrapetas e evitar shows. Ok doutora, as carrapetas eu sepulto, mas shows de jeito nenhum. Como viver sem ouvir um milhão de decibéis de boa música eventualmente?
Nada resolvi em meu rali pelas repartições, mas não perdi a paciência. Peguei um táxi. O motorista estava sintonizado no rádio de comunicação com a sede da cooperativa. Ao mesmo tempo mantinha o rádio do carro sintonizado em uma FM, falava no celular e mexia no GPS instalado sobre o painel. No cinto de segurança notei que estava pousado um pendrive. Quase escrevi para Cora Rónai narrando o que vi.
Imaginei Machado de Assis no mundo de hoje. Você anda pelas ruas e o que mais vê são os fones nos ouvidos da multidão, ou smartphones com gente com os olhos espetados neles, passando por cima de bueiro aberto. Não sei o que seria de Bentinho e Capitu nesses tempos pós-modernos.
Ainda no táxi lembrei de uma pesquisa feita há alguns anos por uma rede de TV norte-americana que queria saber qual é o país mais curioso em se tratando de novas tecnologias. O Brasil ficou em segundo lugar, perdendo apenas para a Austrália. É essa curiosidade que faz do Brasil um país criativo e movido a esperança, mesmo com a tela da TV marrom de lava jato e similares. Somos íntimos das novidades e não resistimos, sequer, quando alguém aparece num sinal de trânsito vendendo uma espécie de raquete de tênis que na verdade é uma cadeira elétrica de mosquitos ou coisa parecida.
Quando um sociólogo (cujo nome saiu para comprar uma chaleira digital) disse que somos um povo "novidadeiro", inventou a palavra certa. Há quanto tempo o gás natural surgiu no mercado? Um ano depois 100% dos táxis rodam com GNV. É impressionante a velocidade com que as "coisas modernas" são absorvidas por nós graças a nossa curiosidade e enorme fome de informações.
Já repararam como as bancas de jornal se transformaram em shoppings? Compra-se pouco jornais (a internet mamou o público que era do papel) mas muitos DVDs, CDs, incenso, flores e, naturalmente, as boas novidades disponíveis como carro em miniatura, lanterna alimentada a dínamo, figurinhas. É por essas e por outras que o Brasil fascina o planeta.
Com relação aos tais documentos que originaram o meu safari e esse texto, saíram sim. Depois de 10 dias úteis, mais três filas, 37 flanelinhas e muito, mas muito calor.

domingo, 18 de dezembro de 2016

Blow-Up









Quando soube que “Blow-up”, de Michelangelo Antonioni (1912-2007), baseado num conto do argentino Julio Cortázar (1914-1984), seria homenageado por seus 50 anos de vida, gelei. Tive a péssima intuição de que alguém poderia fazer um famigerado “remake caça-níqueis” de Blow-Up, substituindo o denso suspense por cenas de monstrinho cansado inventado por esgotados computadores, com direito a Justin Bieber enchendo o saco no lugar do Yardbirds.

Alívio. Muito assediados pelos parasitas, os donos dos direitos do filme disseram um sonoro não e a comemoração do cinquentão foi maravilhosa: uma bela versão restaurada, bela, bem cuidada, que ainda está em cartaz em poucos e selecionados cinemas.

Para quem não assistiu, o filme gira em torno de um fotógrafo de moda londrino chamado Thomas (David Hemmings), que após passar a noite fazendo fotografias para um livro de arte numa casa, volta para o estúdio atrasado para uma sessão de fotos com supermodelo Veruschka.

Ele passa por um parque da cidade e fotografa um casal. A mulher das fotos, Jane (Vanessa Redgrave), furiosa por ter sido clicada (sugere que era casada e estava com um amante), o segue até seu estúdio e exige os negativos de Thomas, que lhe devolve um filme virgem. Curioso com a atitude, ao fazer seguidas ampliações (blowups) de suas fotos no local, descobre o que acredita ser uma mão apontando uma arma entre os arbustos do parque.

A noite, ele volta ao parque e descobre um corpo no meio da mata (será do amante de Jane?), mas sem a câmera, não pode fotografá-lo e assustado com o barulho de um galho sendo pisado, deixa o local e encontra seu estúdio revirado e suas fotos roubadas. Ao retornar no dia seguinte ao parque, depois de mergulhar a noite londrina (1966 foi o auge da efervescência cultural e revolução de costumes da cidade) ele vê que o corpo desapareceu e acaba por não ter certeza do que realmente viu.

Caminhando absorto pelo parque, assiste numa quadra duas pessoas jogando tênis por mímica, sem bolas nem raquetes. Participando da cena, quando devolve a bola imaginária que lhe é lançada por um dos jogadores, ele ouve o som da bola tocando o chão.

Assisti a versão restaurada de Blow-Up sozinho no cinema. Não havia mais ninguém na sala, uma experiência inédita e muito interessante. A tela, os atores, as cenas, o grande mistério, eu e mais ninguém. Quantos de nós já sentimos algo que parece existir como bolas e raquetes de tênis invisíveis, imagens em preto e branco de tiros prováveis com direto a corpos largados? 

Blow-Up parece dizer que temos direito ao delírio, a nos tornar apaixonados e até obcecados por fantasias, como eu (e todos os adolescentes do mundo) por Vanessa Redgrave na primeira vez que assisti, lá em 1968, com 12 anos. E, ainda, vastamente excitado com as duas modeletes que brincaram com Thomas e acabaram nuas no estúdio de fotos, emboladas num não explícito ménage à trois. Foi o primeiro nu frontal (de raspão, rápido) que vi na telona. Claro, não entendi o filme. Com essa idade poucos conseguem entender os jogos do absurdo.

Voltando ao presente,  quando deixei o cinema deserto (última sessão), estava chovendo. Caminhei lentamente, ruas vazias, árvores aliviadas, as cenas de Blow-Up, o vazio existencial momentâneo e a certeza de que há sim metáforas verdadeiras e verdades metafóricas.
Mas esse é outro papo.

P.S. - Alguns artistas já conhecidos em 1966 aparecem no filme, outros se tornariam celebridades depois dele. The Yardbirds, a primeira banda conhecida de Jimmy Page Jeff Beck, faz uma apresentação num clube londrino e Antonioni pediu a Beck que refizesse a cena de Pete Townshend, do The Who, destruindo suas guitarras e amplificadores no palco, ato pelo qual o cineasta era fascinado.

Veruschka, modelo já famosa na Europa, que interpreta a si mesma, depois do filme se tornaria uma celebridade em todo mundo. Michael Palin, comediante britânico que aparece numa das festas, alguns anos depois ficaria internacionalmente famoso como um dos criadores do grupo Monty Phyton.


sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Edição Especial de Natal - Livros da Semana 28

Livro é um excelente presente de Natal. Por isso, esta edição especial com mais de 20 sugestões.

Livrarias pesquisadas:

Travessa – www.travessa.com.br
Estante Virtual - www.estantevirtual.com.br
Amazon – www.amazon.com.br
Plano de Ataque
A História dos Vôos de 11 de Setembro

Ivan Sant’Anna

280 páginas

Como foi concebido o histórico atentado terrorista de 11 de setembro de 2001? Como os pilotos suicidas foram recrutados, e que treinamento receberam, nas montanhas do Afeganistão? Como viveram secretamente nos Estados Unidos, nos meses anteriores ao ataque? E o que aconteceu durante os voos daquela manhã que o mundo não vai esquecer?

Piloto amador e fascinado por aviões, o escritor Ivan Sant'anna, autor do bestseller "Caixa-Preta", resolveu dedicar três anos de sua vida para pesquisar minuciosamente tudo o que aconteceu nos voos de 11 de setembro.
As histórias por trás dessa história -- eis o que o livro "Plano de Ataque" revela. 

O autor relata a trajetória dos homens que planejaram o atentado e daqueles que sequestraram os quatro aviões -- reconstituindo episódios ainda pouco conhecidos do drama humano dos terroristas e também das suas vítimas.

"Operação Aviões". Esse foi o nome dado pelos líderes da Al Qaeda para o ato terrorista que abalou o planeta. A derrubada das torres gêmeas, na manhã ensolarada de Nova York, foi um espetáculo de horror que surpreendeu até os mais poderosos chefões da rede terrorista -- que contavam com a coragem e o fanatismo dos sequestradores, mas não esperavam que os dois prédios gigantescos desabassem, envolvendo o mundo numa nuvem de pânico.

O livro recupera detalhes da tragédia humana deflagrada a partir de uma ideia nascida de forma quase despretensiosa entre os seguidores da Al Qaeda. Osama bin Laden e seus auxiliares diretos resolveram apostar numa operação que tinha tudo para dar errado.

Os homens recrutados não tinham experiência como pilotos, eram jovens que teriam de deixar mulher e família, no Egito, na Arábia Saudita ou na Jordânia, para executar secretamente um projeto complexo e sigiloso, até morrerem, nos Estados Unidos, como kamikazes de um novo tipo de guerra, no início do século 21.

Anos depois, podemos finalmente desvendar os bastidores dessa operação, conhecendo melhor a história dos seus protagonistas.
Elis Regina
Nada Será Como Antes

Julio Maria

424 páginas

O livro 'Elis Regina - Nada Será Como Antes' narra a vida de Elis desde seus primeiros dias em Porto Alegre, quando cantava 'Fascinação' ao lado das amigas nas escadarias de um colégio, até sua despedida trágica, aos 36 anos, quando estava prestes a, de novo, mudar tudo em sua vida. Ao todo foram quatro anos de entrevistas e pesquisas em arquivos.

A ideia de escrever a biografia surgiu por meio de um convite da editora ao ao autor. No começo, o perfil do livro era uma homenagem, mas conforme o autor foi descobrindo mais histórias e avançando nas entrevistas, viu que havia muito mais o que contar. Pessoas importantes que até então nunca haviam se pronunciado - como dezenas de músicos que tocaram com ela.

Depois de dois anos em campo - durante esse tempo foram inúmeros arquivos consultados e 126 entrevistas, a maioria delas feitas pessoalmente -, o autor começou a colocar a história no papel. 'Mesmo quando parei para escrever, as histórias continuavam a aparecer, e o livro ganhava novas partes de tempos em tempos. Ele ficou vivo o tempo todo. E confesso que, se pudesse, estaria neste momento colocando mais histórias', conta. 'Não vivi a era de Elis.

Quando ela faleceu, em janeiro 19 de janeiro de 1982, eu tinha nove anos de idade, e diante dessa personagem gigante, fui o que sou há 16 anos - repórter. Me joguei com o respeito que a história merecia, mas sem nenhuma tese a defender. Creio que o olhar descontaminado de paixões ou ódios ajude a traçar um perfil mais humano e menos divino', diz o autor.
A Odisseia Do Cinema Brasileiro

Da Atlântida A Cidade De Deus

Laurent Desbois

544 páginas

A odisseia do cinema brasileiro é um mergulho na história do cinema. Começando com os anos da Atlântida e passando pelo o turbilhão criativo do Cinema Novo, este livro segue também pelo Tropicalismo, vai ao Cinema Marginal, aos anos da Embrafilme e dali até as indagações da “retomada”, no início dos anos 1990.

O ponto de partida não é apenas a história dos filmes, mas o esforço construído ao longo de mais de cem anos para consolidar uma rede que envolve artistas, indústria e público em torno de um projeto comum. Se tal projeto funcionou, foi graças a uma verdadeira odisseia, retratada com maestria neste livro.
Ouça A Canção Do Vento e Pinball 1973

Haruki Murakami

262 páginas

Em 1978, um jovem Haruki Murakami se instala na mesa da cozinha para começar a escrever. Como resultado temos duas novelas brilhantes que marcam o início da carreira de um dos mais cultuados autores contemporâneos. Duas histórias poderosas, e levemente surreais, que tratam de amadurecimento, solidão e erotismo, no melhor estilo Murakami.

Alguns dos personagens que conhecemos nessa obra irão reaparecer em Caçando carneiros e Dance, dance, dance, formando uma espécie de trilogia inicial do autor — e esse conjunto, em vez de mostrar um escritor procurando sua voz, já mostra um autor maduro e seguro de seus temas. Traduzidas no Brasil pela primeira vez, Ouça a canção do vento & Pinball, 1973 são uma janela para o mundo fascinante de Murakami.
Cosa Nostra No Brasil

A História Do Mafioso Que Derrubou Um Império

Leandro Demori

244 páginas

Se nos dias de hoje a máfia italiana não parece contar com o mesmo tipo de poder que a tornou lendária em filmes e livros, durante praticamente todo o século XX essa entidade misteriosa comandou um império do crime.

Um dos principais nomes da ascensão da máfia moderna foi também um dos homens que a derrubou. Tommaso Buscetta foi o delator mais infame da Cosa Nostra, condenando centenas de mafiosos à prisão. Preso duas vezes no Brasil e torturado pela ditadura militar, Buscetta foi também um dos responsáveis por incluir o Brasil na rota internacional do crime. 

Nesta reportagem explosiva de Leandro Demori, narrada em ritmo de thriller, documentos até agora inéditos revelam um dos capítulos mais tenebrosos da máfia e da história recente do Brasil.

Como a Música ficou Grátis

Stephen Witt

272 páginas

Uma trama impressionante envolvendo música, crime, dinheiro e obsessão, cujos protagonistas são magnatas, pesquisadores respeitados, criminosos e adolescentes nerds fissurados em tecnologia.

Em "Como a música ficou grátis", o jornalista Stephen Witt investiga a fundo a história secreta da pirataria de músicas na internet, partindo dos engenheiros alemães criadores do mp3, passando por uma fábrica de CDs na Carolina do Norte da qual um funcionário chamado Dell Glover vazou cerca de dois mil álbuns ao longo de uma década e também pelo centro de Manhattan, onde o executivo Doug Morris dominou o mercado mundial do rap, e depois se aprofundando pelos redutos mais obscuros da web até um site ilegal quatro vezes maior que a loja do iTunes.

Por meio desses personagens, o autor constrói uma narrativa empolgante, remontando ao momento em que a vida comum se imbricou irreparavelmente com o mundo virtual, quando de repente todas as músicas já gravadas foram disponibilizadas de graça na internet.

Seguindo a tradição de escritores como Michael Lewis, Witt nos apresenta figuras inesquecíveis - inventores, executivos da indústria fonográfica, operários e ladrões - que transformaram toda uma forma de arte e revela o submundo dos piratas de mídias que revolucionaram o universo digital. Uma história nunca antes contada de ganância, astúcia, genialidade e fraude.

Como a música ficou grátis não é apenas um livro sobre a indústria fonográfica - é uma leitura obrigatória sobre a construção da própria internet.

Almanaque da Rádio Nacional

Ronaldo Conde Aguiar

192 páginas

Ao abrir as páginas do 'Almanaque da Rádio Nacional' e ouvir o CD inédito, com 33 faixas (aberturas, trechos e vinhetas dos programas mais memoráveis), o leitor-ouvinte vai se transportar àquela época fascinante e se maravilhar com a força criativa da Era do Rádio.

Em uma época em que era mais doce ser brasileiro, os acordes do prefixo da PRE-8 convocavam senhoras e meninos, funcionários e cozinheiras. Em torno dos pesados aparelhos à válvula, famílias, vizinhos e amigos sofriam com as paixões de O direito de nascer, gargalhavam com os inquilinos do Balança mas não cai, atentavam para o plantão do Repórter Esso.

Os potentes quilowatts emitidos pela Rádio Nacional foram os primeiros a abraçar os brasileiros em um único canal de comunicação. Se para o governo a Rádio cobriria todo o território brasileiro e seria o instrumento perfeito de coesão nacional, ela foi para a sociedade o palco privilegiado da formação da cultura popular brasileira.

A Rádio Nacional consagrou grandes ídolos, como Luís Gonzaga, Angela Maria, Francisco Alves, Orlando Silva. E que dizer dos grandes comunicadores, speakers, radioatores e crooners? Paulo Gracindo, Almirante, a PRK-30, Candinha, Emilinha, Marlene, Dalva, Jorge Goulart, Jararaca e Ratinho. Toda uma constelação chegava aos lares pelo milagre das ondas curtas.

Capitão América – a morte do sonho

Steve Epting

274 páginas

Ao longo de quase sete décadas, Steve Rogers lutou para defender os mais elevados ideais de seu país, nem que para isso tivesse de ir contra o próprio governo.

Imbuído desse sentimento, ele se lançou numa guerra inglória contra outros heróis - e perdeu. Uma derrota que lhe custou a vida, pondo um fim à incessante batalha do homem que era a personificação do chamado 'sonho americano'.

Neste terceiro volume de 'Marvel Deluxe- Capitão América', o roteirista e os ilustradores pretendem revelar a trama que privou o mundo de um de seus considerados maiores defensores.

Luz e Sombra - Conversas Com Jimmy Page

Brad Tolinski

288 páginas

Jimmy Page foi líder, mentor, guitarrista e produtor da banda Led Zeppelin, que chegou ao fim em 1980, após a morte do baterista John Bonham. O autor gravou mais de 50 horas de entrevistas com o músico ao longo de 15 anos.  'Luz e sombra' busca compreender toda a carreira do guitarrista - o início como músico de estúdio, quando trabalhou com artistas que vão de Tom Jones, Shirley Bassey e Burt Bacharach a Kinks, The Who e Eric Clapton; suas relações com os outros três integrantes do Led Zeppelin - Robert Plant, John Bonham e John Paul Jones; o período em que sua atuação como guitarrista, compositor e produtor dominou o cenário musical dos anos 1970, e como sua genialidade continuou a ressoar em projetos posteriores.

Ao comentar as mais conhecidas músicas da banda, Page reflete sobre os momentos marcantes de sua vida e carreira, entre eles seu fascínio pelo ocultismo, o encontro com Elvis Presley e a realização de 'Led Zeppelin IV', sobre a qual oferece informações completas de bastidores. O livro também registra conversas entre Page e outros guitarristas, como o amigo de infância Jeff Beck e Jack White.

No documentário A todo volume, Jimmy fala brevemente o que a expressão 'luz e sombra' significa para ele: 'A dinâmica... do sussurro ao trovão; o som que atrai, que intoxica. O que mais me fascina na guitarra é que ninguém toca do mesmo jeito. Cada um tem o seu modo, e a personalidade sempre transparece'. 
Considere este livro uma expansão dessas ideias básicas e uma rara oportunidade de ouvir um mestre dos artistas explicar sua música.

Antologia da Poesia Erótica Brasileira

Eliane Robert Moraes

504 páginas

Esta "Antologia da Poesia Erótica Brasileira" vem apresentar ao leitor as principais figuras de pensamento e formas de criação que compõem nossa lírica erótica desde o século XVII até os dias de hoje.

Figuram nela poetas de épocas, estéticas e contextos bastante diversos - de Gregório de Matos a Hilda Hilst, de Gonçalves Dias a Carlos Drummond de Andrade, de Álvares de Azevedo a Ana Cristina César, de Olavo Bilac a Ferreira Gullar, entre muitos outros - cujos versos se alternam entre a sensualidade meramente alusiva e a obscenidade mais provocante.

Lado a lado, eles se reúnem aqui para dar voz a um excesso que é, antes de tudo, o da imaginação.

A Literatura Como Turismo

João Cabral de Melo Neto

152 páginas

Ao longo de seus quase cinquenta anos de carreira diplomática, João Cabral de Melo Neto morou em países como Espanha, Inglaterra, Senegal, Equador e Honduras. A cultura e a paisagem desses lugares marcaram sua poesia de forma expressiva.

Sevilha talvez tenha sido a cidade mais cantada pelo poeta, mas não foi, de modo algum, a única. No Equador, por exemplo, o fascínio pela natureza e os índios dos Andes produziu joias como “O corredor de vulcões” e “O índio da Cordilheira”. Entrelaçados a esses poemas, os relatos memorialistas de Inez Cabral revelam ao leitor aspectos cotidianos da vida de João: seus hábitos, opiniões e gostos.

Felicidade Ou Morte

Clóvis de Barros Filho

92 páginas

De filmes e livros a propagandas de televisão, a todo momento somos instados a ser felizes. Pois, como diria o poeta, 'é melhor ser alegre que ser triste'. O desejo pela felicidade parece ser mesmo uma constante de nosso tempo.
Clóvis de Barros Filho e Leandro Karnal passeiam pela história e pela filosofia para pontuar como cada época e sociedade estabelecem sua própria definição das circunstâncias para o que seja uma vida feliz. E questionam se, sendo livres para escolher entre tantas possibilidades, estamos de fato mais próximos desse ideal.

O livro é certamente um encontro feliz entre os dois autores, que não deixam de tocar em aspectos mais desafortunados do tema, presentes quase como uma sombra indissociável de nossa condição humana. Afinal, poderia a felicidade denunciar certo contentamento com o infortúnio alheio? Ou estaria ela no amor pelo outro? Sem a felicidade, o que nos resta?

A Maldição da Rainha do Rock

Mathilda Kovak

116 páginas

Como muitos adolescentes de sua idade, Tata é apaixonada por rock’n’roll. E também por livros, filmes, toy art, cartoons japoneses, mangá, HQ, pintura, escultura, ciência... Mas seu ídolo-mor é mesmo Samantha Fortune, a rainha do rock. Uma estrela excêntrica e misteriosa, que fascina Tata com seu olhar vítreo, seu jeito de ciborgue e seus riffs de guitarra. Uma pop star cuja idade é um mistério: como a diva pode estar há tanto tempo na cena rock e ainda manter a aparência tão juvenil?

Apesar de ter apenas 13 anos, Tata consegue driblar a vigilância da mãe e ir a um show de Samantha Fortune. O que ela não poderia sequer imaginar é que, a partir daquela noite, sua vida nunca mais seria a mesma.

Pendurada no alto de uma torre de luz, em busca de um lugar privilegiado para ver a diva roqueira, Tata é atingida por um raio. Para a perplexidade dos médicos, a garota sai quase ilesa do acidente – não fossem por alguns sintomas estranhos, como uma sede infinita e o inexplicável tom fluorescente que sua pele adquire. Mas estranho mesmo é o que acontece quando, meses depois, Tata recebe de presente uma guitarra, e passa a compor músicas num piscar de olhos. Basta tocar no instrumento para que canções inteiras brotem em sua imaginação. E mais estranho ainda é o fato de, um dia, Tata ouvir uma de suas canções sendo tocada no rádio, entoada por ninguém menos que Samantha Fortune.

Como a rainha do rock pôde roubar as músicas de Tata? Quem é, afinal, Samantha Fortune? Como Tata adquiriu tamanha capacidade para compor hits irresistíveis? Para desvendar esses mistérios, a adolescente conta apenas com a ajuda de amigos roqueiros – e nerds – iguais a ela, que acabam vivendo uma aventura que passa por temas tão diversos quanto telepatia, neurociência, tecnologia, genética, cosplay, redes sociais. E, claro, muito rock’n roll.

A maldição da rainha do rock é um suspense criado no universo de referências da Geração Y, mas com todos os ingredientes de uma cativante história à moda antiga: personagens que aliam valentia à imaginação, pitadas de humor, sequências de dar frio na espinha e até o começo de uma história de amor. Charmoso, esperto e imprevisível como é a juventude contemporânea.


Nos Bastidores do Pink Floyd

Mark Blake

456 páginas

O Pink Floyd tem uma história secreta, conturbada e fascinante, que começa em Cambridge, na Inglaterra, nos tempos da Segunda Guerra Mundial, quando seus integrantes ainda eram crianças, e se estende até recentemente.

A vida e a música Roger Waters, David Gilmour, Nick Mason, Richard Wright e Syd Barrett, assim como seus conflitos, neuroses, medos, paixões e vitórias, são esmiuçados, em um relato que impressiona pela riqueza de detalhes.

Contendo entrevistas com dezenas de pessoas próximas aos músicos – amigos, namoradas, parceiros de trabalho, testemunhas, críticos musicais –, bem como depoimentos dos próprios membros da banda, Nos bastidores do Pink Floyd acompanha passo a passo a gênese do Pink Floyd e toda a sua carreira.


Ansiedade 2: Autocontrole
Como Controlar o Estresse e Manter o Equilíbrio

Augusto Cury

192 páginas

Em Ansiedade 2 - Autocontrole, o psiquiatra e psicoterapeuta Augusto Cury revela os segredos para gerenciar o estresse e desenvolver o autocontrole, essencial para uma vida emocional saudável e plena. Além disso, apresenta a diferença entre ansiedade e estresse e ressalta que os dois são essenciais para a sobrevivência humana, mas que, como tudo na vida, precisam ser dosados.

Alguns dos conceitos utilizados pelo autor foram apresentados no mega best-seller Ansiedade - Como enfrentar o mal do século, como, por exemplo, a Síndrome do Pensamento Acelerado (SPA), que vem pouco a pouco nos transformando em prisioneiros em nossa própria mente, suas consequências alarmantes e técnicas para enfrentá-la.

Neste novo livro, Cury usa partes de sua própria história - de adolescente desinteressado a pesquisador com livros publicados em muitos países - para mostrar como a ansiedade e a SPA podem sabotar a maturidade e impedir o ser humano de ser líder de si mesmo. Cury conta como ele mesmo utilizou essas técnicas para vencer o medo de fracassar e alcançar o êxito profissional e pessoal.


As letras dos Beatles

Hunter Davies

384 páginas

A primeira coletânea de manuscritos de letras dos Beatles já publicada. Pela primeira vez, as versões originais das letras de músicas essenciais dos Beatles são agrupadas em livro após exaustiva pesquisa. Além disso, “As letras dos Beatles” traz várias delas que nunca haviam sido publicadas. Esses documentos hoje pertencem a colecionadores e a amigos dos Beatles, muitos deles sob a custódia de museus e universidades mundo afora.

Hunter Davies conviveu com os Beatles no apogeu da banda e escreveu sua primeira e única biografia autorizada. Desde então, pesquisou e encontrou mais de cem letras de suas músicas, escritas à mão, que são reproduzidas aqui. Os Beatles compunham a qualquer hora, em qualquer lugar; as músicas podiam começar no verso de um envelope, num guardanapo ou num papel de carta de hotel. Esses escritos, entre eles vários rascunhos e versões revisadas, propiciam uma visão única e íntima do marcante processo criativo dos maiores compositores de música popular de todos os tempos: o que eles pensavam, como mudavam de ideia e de que maneira realizavam letras de músicas hoje conhecidas em todo o mundo.

Cada música é considerada aqui em seu contexto: o que os Beatles estavam fazendo naquele momento, como compuseram e gravaram a faixa, como a primeira versão difere da finalmente gravada. Quase todas as canções dos Beatles têm uma grande história por trás delas, de “Yesterday” e “Eleanor Rigby” a “Yellow Submarine”.


Se eu fechar os olhos agora

Edney Silvestre

304 páginas

Numa pequena cidade da antiga zona do café fluminense, em abril de 1961, no dia em que Yuri Gagarin saiu da órbita terrestre, descortinando um universo de possibilidades para a humanidade, dois meninos de 12 anos — de classe média baixa, um filho de ferroviário, outro de açougueiro —, encontram o corpo de uma linda mulher, que foi morta e mutilada, às margens de um lago onde vão fazer gazeta.

Eles não aceitam a explicação oficial do crime, segundo a qual o culpado seria o marido, o dentista da cidadezinha, motivado por ciúme. Ele era frágil demais para o ato necessário a tanta devastação. Começam uma investigação ajudados por um velho que mora no asilo da cidade, um ex-preso político da ditadura Vargas.

Acabam descobrindo não só a verdade sobre o crime mas também toda a hipocrisia de uma cidade de coronéis que, mesmo numa época em que o Brasil caminha para a industrialização, tentam a qualquer custo manter o poder absoluto. Para os meninos, um terrível caminho de amadurecimento e chegada à vida adulta.

Guia Politicamente Incorreto do Sexo

Luiz Felipe Pondé

228 páginas

A praga do politicamente correto destrói, no campo do sexo e do afeto, inúmeras relações construídas entre homens e mulheres ao longo de milhares de anos. Relações que se formaram a fim de dar conta dessa insustentável paixão que um tem pelo outro, tanto nas suas formas legítimas, como o casamento e a família, quanto nas suas formas ilegítimas, como o adultério e os segredos de alcova.

O autor dedica o livro a todas as mulheres e homens que sobreviverão à estupidez do politicamente correto. “No caso específico das mulheres, principalmente, às mais belas, que sofrem mais com essa desgraça. Faço, aqui, uma homenagem a quem não teme o pântano que é a nossa alma.”

O Erotismo

Francesco Alberoni

236 páginas

Escrito por um dos maiores sociólogos italianos da atualidade, o livro parte da premissa de que os homens diferem das mulheres também no que diz respeito à sensibilidade, fantasias, desejos e reações.

A obra de Alberoni estuda as diferenças entre o erotismo masculino e o feminino; o sonho da mulher, sua sensibilidade tátil, corpórea e o desejo que a percorre de deixar uma marca indelével por onde quer que passe; o sonho do homem - o que a palavra seduzir significa para ele, o seu medo de se envolver com o amor e a maneira que adota para melhor lidar com a sexualidade; a promiscuidade dos gays e dos solteiros, e as características mais marcantes das comunidades eróticas, bem como seus limites; as forças estáveis do amor - como as pessoas se ligam umas às outras, o progressivo crescimento da atração erótica e o ciúme em todas as suas formas; as contradições impostas pela sociedade; a convergência - o encontro entre o erotismo masculino e o feminino, à luz da psicologia e da poesia.

Jim Morrison e The Doors

Henry Diltz

128 páginas

A primeira vez que Henry Diltz esteve com Jim Morrison foi como músico, em meados dos anos 1960, quando era integrante do Modern Folk Quartet. No começo dos The Doors, ele o viu tocando no Whisky à Go Go, e achava aquela música intrigante, mesmo estando mais envolvido no mundo das harmonias vocais e dos grupos de guitarristas, como The Byrds e The Buffalo Springfield.

Três anos mais tarde, quando Diltz já havia se tornado fotógrafo profissional e os Doors já tinham quatro álbuns de sucesso, seus caminhos profissionais se cruzaram em um projeto em comum – a realização da capa do álbum Morrison Hotel, provavelmente a mais famosa dentre as centenas que fotografou.

Cada capa de álbum que ele fez foi uma aventura do momento, não se importando com o lugar que ela ocuparia na história. Essa trajetória de Henry Diltz com os The Doors está registrada nas páginas deste livro, com belas fotos e o relato de cada uma delas.

Guia Politicamente Incorreto dos Presidentes da República

Paulo Schmidt

496 páginas

Você sabe quem foram os presidentes que influenciaram de forma decisiva o destino da nação e fizeram esse Brasil em que a gente vive hoje?
O autor define este livro como uma viagem sem volta em direção às paixões e a história dos nossos presidentes que, salvo raras exceções, foram um desastre como administradores, homens públicos e até como seres humanos.

O livro desafia de bem humorada mitos e verdades pré concebidas. Uma narrativa envolvente sobre personagens reais, mesmo que eles às vezes pareçam saídos de histórias de terror. Ideal para o momento político atual.

A Lei: por que a esquerda não funciona?
As bases do pensamento liberal

Frédéric Bastiat

144 páginas

Este livro traz uma reflexão prática sobre ideias de filósofos e outros pensadores sobre política e vida em sociedade, entre eles John Locke e Adam Smith, e trata de temas como liberdade, direitos à propriedade, espoliação, igualdade, livre iniciativa, impostos, democracia, sufrágio universal, autoritarismo e tantos outros que, passados quase dois séculos, ainda provocam debates acalorados.

Nesta edição estão incluídos comentários e análises que relacionam o tema à legislação e à história política do Brasil contemporâneo.

Pare de acreditar no Governo

Bruno Garschagen

322 páginas

Por qual razão nós brasileiros, apesar de não confiarmos nos políticos, a quem dedicamos insultos dos mais criativos e variados, pedimos que o governo intervenha sempre que surgem problemas? Por que vamos para as ruas protestar contra os políticos e ao mesmo tempo pedir mais Estado - como se este não fosse gerido pelos... políticos? Por que odiamos os políticos e amamos o Estado? Por que chegamos à condição de depender do Estado para quase tudo?

Bruno Garschagen busca entender como se formou historicamente no Brasil a ideia de que cabe ao governo resolver todos ou a maioria dos problemas sociais, políticos e econômicos. De Dom João VI a Dilma Rousseff, um compromisso inabalável uniu todos os governantes, inclusive aqueles chamados (erradamente, segundo o autor) de liberais ou neoliberais: a preservação do 
Estado monumental e mesmo o seu crescimento. Por quê?
Para responder a esse conjunto de questões, o autor vasculha a história política do Brasil desde que os portugueses aqui chegaram até os dias de hoje.

O texto leve, bem-humorado e informativo, recorre também às explicações de pensadores brasileiros e portugueses, e tece uma conversa entre os intelectuais que refletiram sobre a cultura política do Brasil para narrar a história de um país cuja formação cultural se confunde com a onipresença da burocracia nacional.

Ponerologia - Psicopatas no Poder

Andrew N. Lobaczewski

298 páginas

Não é preciso nenhum estudo especial para saber que, invariavelmente, o discurso comunista, pró-comunista ou esquerdista é cem por cento baseado na exploração da compaixão e da culpa. Isso é da experiência comum. Mas o que o dr. Lobaczewski e seus colaboradores descobriram foi muito além desse ponto.

Eles descobriram, em primeiro lugar, que só uma classe de psicopatas tem a agressividade mental suficiente para se impor a toda uma sociedade por esse meio. Segundo - descobriram que, quando os psicopatas dominam, a insensitividade moral se espalha por toda a sociedade, roendo o tecido das relações humanas e fazendo da vida um inferno. Terceiro - descobriram que isso acontece não porque a psicopatia seja contagiosa, mas porque aquelas mentes menos ativas que, meio às tontas, vão se adaptando às novas regras e valores, se tornam presas de uma sintomalogia claramente histéria, ou histeriforme.

O histérico não diz o que sente, mas passa a sentir aquilo que disse - e, na medida em que aquilo que disse é a cópia de fórmulas prontas espalhadas na atmosfera como gases onipresentes, qualquer empenho de chamá-lo de volta às suas percepções reais abala de tal modo a sua segurança psicológica
emprestada, que acaba sendo recebido como uma ameaça, uma agressão, um insulto'. - Olavo de Carvalho

Eric Clapton: a autobiografia

Eric Clapton

400 páginas

Eric Clapton revela como foi ao inferno e voltou nesta arrebatadora autobiografia. Apontado como um dos maiores guitarristas de rock e blues de sua era, Clapton faz um retrospectiva surpreendentemente honesta de uma trajetória repleta de altos e baixos.

O guitarrista conta como o álcool e as drogas quase o mataram e revela como superou o vício. Abre o jogo sobre os relacionamentos problemáticos com as mulheres e sua paixão obsessiva por Pattie, mulher de seu melhor amigo, o beatle George Harrison. Clapton aborda inclusive episódios pessoais como seu difícil relacionamento com a mãe, o fato de crescer sem conhecer o pai e a morte acidental de seu filho de quatro anos.

O músico fala também sobre sua trajetória musical, o amor pelo blues, suas guitarras preferidas, as bandas em que tocou, como Yardbirds e Cream, a carreira solo, o relacionamento com Jimi Hendrix, os Beatles e os detalhes de como compôs suas canções mais importantes.

Macunaíma - O Herói Sem Nenhum Caráter

Mário de Andrade

240 páginas

Mário de Andrade publicou Macunaíma em 1928. O livro foi um acontecimento. Debochado e intensamente brasileiro — ainda que muito pouco ou nada nacionalista —, este romance é ainda hoje um dos textos fundamentais do nosso Modernismo.

E continua a influenciar as mais diversas manifestações artísticas. Nascido nas profundezas da Amazônia, o herói de Mário de Andrade é cheio de contradições — assim como o país que lhe serve de berço.

É adoravelmente mentiroso, safado, preguiçoso e boca-suja. Suas peripécias vêm embaladas numa linguagem rapsódica e inventiva, um marco das pesquisas de seu autor em torno de uma identidade linguística brasileira.

Petrobrás: uma História de Orgulho e Vergonha

Roberta Paduan

392 páginas

Como a empresa que por tanto tempo foi espelho do que o Brasil tem de melhor se tornou sinônimo de roubo em grande escala? É o que a jornalista Roberta Paduan explica no impactante "Petrobras - Uma história de orgulho e vergonha".

Fruto de um trabalho extenso de pesquisa e apuração, o livro narra como a estatal foi cenário de vários casos de mau uso político e desvio de verbas ao longo de sua existência, nos governos posteriores à ditadura militar, até se tornar totalmente refém de um esquema de corrupção bilionário.

Repórter e editora da revista "Exame", onde cobriu o Petrolão de perto, Roberta revê a cronologia do escândalo combinando histórias chocantes de bastidores com informações apresentadas de maneira acessível, ajudando o leitor a compreender a magnitude dos danos feitos à petroleira e seus desdobramentos. 

A Operação Lava-Jato surge como fio condutor nos principais momentos, muitos dos quais ganham ares de thriller dado o ritmo do texto e o caráter cinematográfico dos personagens e suas ações. Um retrato revelador do debacle de um dos maiores símbolos do Brasil.

Dado Villa-Lobos: Memórias de um Legionário

Dado Villa-lobos, Felipe Demier, Romulo Mattos

256 páginas

Trinta anos após o lançamento do seu primeiro disco, a lendária banda Legião Urbana tem a sua história e seus bastidores pela primeira vez contados por um de seus integrantes, o guitarrista Dado Villa-Lobos, também compositor e produtor. Dado Villa-Lobos - memórias de um legionário é tudo aquilo que um fã ou mesmo um apreciador de biografias sonharia em encontrar em um livro.

Relembrando a sua própria trajetória como o guitarrista da banda que, mesmo após 15 anos do seu final, ainda era a terceira que mais vendia discos da gravadora EMI no mundo, Dado, juntamente com os historiadores Felipe Demier e Romulo Mattos, dá detalhes instigantes.

Ele, que ingressou na Legião Urbana em 1983, convidado por Renato Russo e Marcelo Bonfá, recorda, por exemplo, shows em que o público se rebelava e criava um caos, jogando pequenas bombas no palco. Para garantir a identidade e sinergia com os fãs e com a história da banda, a capa do livro foi criada pela mesma designer que produzia as capas dos discos da Legião Urbana, Maria Fernanda Villa-Lobos.

Vale a pena ler e esmiuçar, através de seu guitarrista, a história dessa banda de trajetória intensa e genial, que, apesar de ter encerrado suas atividades em 1996, continua cultuada e venerada por fãs de diferentes gerações e é considerada a melhor banda brasileira de todos os tempos.

Sou Fã! E Agora?

Frini Geoargakopoulos

Fã que é fã adora conversar, discutir, interagir. Mas nem sempre temos por perto um amigo tão fanático quanto a gente para desabafar. Foi pensando nisso que Frini Georgakopoulos, uma fã de carteirinha, escreveu este livro: um manual de sobrevivência voltado para quem é apaixonado por livros, filmes, séries de TV… 

Com uma linguagem rápida e divertida, Sou fã! E agora? é uma mistura de artigos breves e atividades interativas que convidam a refletir sobre os motivos para curtirmos tanto as histórias, além de ajudar a descobrir o que fazer com todo esse amor: criar seu próprio cosplay, escrever uma fanfic, organizar um evento, começar um blog ou canal e muito mais.

Poemas Escolhidos

Mia Couto

190 páginas

O escritor moçambicano Mia Couto tem grande incursão na prosa, com livros de contos, crônicas e romances premiados, mas a poesia sempre fez parte de seu universo criativo e segue como uma de suas formas de expressão favoritas. 

Para esta antologia poética, o autor selecionou poemas de seus livros Idades cidades divindades, Raiz de orvalho e outros poemas e Tradutor de chuvas. Nas palavras de José Castello, autor da apresentação, “Os poemas de Mia Couto são, antes de tudo, reflexivos e filosóficos. [...] Abordam o ser e a incompreensível dor de existir. Inspecionam as dificuldades de viver. Trata-se de uma poesia que, sem se pretender didática, entra em sincronia com as perguntas que nos fazemos desde o nascimento.