segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Bordel da Zona Sul

Sabe aquelas belas música que caem como um raio inexplicado e ficam perambulando na cabeça? Aconteceu ao longo de toda semana passada. Não sei porque, a versão acústica de “Bordel da Zona Sul”, do giga cantor e compositor Dalto me pegou. É de 1984, saiu no álbum “Dalto” e no disco aparece como Bordel da Zona Sul II, mas o próprio cantor, meu amigo, acabou de me dizer que a versão acústica era para ser a I e a roqueira II. Ela entrou direto na programação da Rádio Fluminense FM neste ano.
Também por isso resolvi abrir o episódio 20 de meu podcast Uivo com ela. 

Entrou no ar hoje e para ouvir basta clicar aqui:
 
“Bordel da Zona Sul II” é um clássico do folk rock brasileiro e mostra a impressionante potência da voz de Dalto. Nos violões (se não me engano!!!) está o saudoso Pisca, um craque.

Uma avalanche de lembranças me assola enquanto ouço “Bordel”. Dalto e eu somos amigos desde meados dos anos 1970. Com grupos de amigos, viramos inúmeras noites, ele cantando e tocando ao violão umas 300 músicas que já havia composto, a maioria em parceria com o letrista Claudio Rabello. Noites que pareciam não terminar, mas quando o sol dava sinais íamos embora.

Em 1982 Dalto gravou o álbum “Muito Estranho”. A faixa título (“Cuida bem e Mim”) estourou no mundo inteiro, o álbum vendeu mais de um milhão de cópias, puxou outras canções para o top 10 e ele se consagrou como artista de primeira grandeza. Até hoje tocando e cantando muito, Dalto tem vários hits nas vozes de outros artistas e segue fazendo shows em todo o país e no exterior.

Voltando a 1982, ele realizou um sonho antigo. Comprou uma Mercedes conversível V-8 verde musgo, interior creme. Que carro! Numa tarde de sábado me ligou, tinha acabado de chegar da Europa e me convidou para assistir ao violinista Jean-Luc Ponty no Teatro Municipal do Rio.

Entrei na Mercedes e Dalto rumou para a ponte, vazia naquele dia e hora (umas 5 da tarde). Ele deu um leve acelerada (o rosnado de um motor V-8 e uma tatuagem) e o carro foi a 150 km/h em poucos segundos. Praticamente nada, já que o velocímetro marcava máxima de 290 km/h. Apesar de conversível, não entrava nem um sopro de vento, silêncio absoluta e a travessia durou uns 5 minutos.

Chegamos ao Municipal e Dalto me mostrou uma novidade que havia trazido da viagem. Um micro gravador Sony, estéreo. Gravou o show do Jean Luc Ponty e o som parecia ser de CD, ainda não inventado na época.

Na volta, no Mercedão verde, pedi para colocar uma fitinha K7 minha, que abria com “Bordel da Zona Sul II”. Demais. O som, o mar visto da ponte, algumas lembranças, a presença do Dalto, meu grande chapa, no volante, o sol se ponto sobre Niterói.