sábado, 14 de janeiro de 2017

Honestos e canalhas

Um novo secretário do presidente, nomeado ontem, está respondendo a um processo de enriquecimento ilícito (corrupção). Indicado por José Sarney, era superintendente de uma estatal no Nordeste e teria desviado quase três milhões de reais.

Não dá para entender. Por que antes de convidar alguém, o presidente não procura saber se esse alguém é honesto ou canalha? Não é difícil. Não faltam órgãos do governo que podem, em questão de poucas horas, atestar a lisura de alguém. Ontem mesmo, dia da nomeação do tal secretário todo cagado, começaram a boiar os coliformes fecais que ilustram a biografia de um outro safado, amigo do presidente, recentemente degolado do primeiro escalão pela opinião pública.

Vejo muita gente (eu, inclusive), enaltecendo o fato dos dois governos de Barack Obama não terem registrado um mísero caso de suspeita de corrupção. Não foi por acaso. Antes de cada funcionário de confiança ser nomeado passou por uma “constrangedora” (vários dizem isso) devassa na vida pessoal que envolve FBI, Receita Federal, policiais estaduais, escolas onde estudou, etc. Além disso, um questionário que é um tapa na cara e que fez muitos recusarem o convite que pergunta (estou exagerando, é claro) “quando você nasceu, teve vontade de roubar a chupeta do bebê que estava a seu lado no berçário?”.

Esse questionário não busca só a confissão quando indaga “você já roubou?”, mas sobretudo o desejo, o impulso, a intenção, a vocação para canalha do candidato. “Você já sentiu vontade de subornar um policial?”, “você já pensou em sair de uma lanchonete sem pagar a conta?” e por aí vai. Claro que quem não quiser responder não responde, mas aí adeus ao cargo.

Que mal há envolver a polícia, Ministério Público, Receita Federal, Serasa, etc, na filtragem de indicados para cargos públicos federais no Brasil? Por que esse procedimento simples, vulgo “bons antecedentes”, não é aplicado? Mais: por que nenhum parlamentar, da Câmara ou do Senado, sequer apresentou um projeto nesse sentido?


Finalizando, por que o presidente abre alas para a escória?