segunda-feira, 3 de abril de 2017

Armas

Melhor depôr as armas.

Telefonei e expliquei que o boleto não havia chegado. Mal humorada (segunda-feira é um péssimo dia para que não gosta do que faz), ela cortou. “Nós enviamos o boleto”. Corte. “Estou informando que não recebi e não que a senhora não enviou.”. Entendeu. “Enviaremos uma segunda via”.

O PM mandou encostar. “Documentos”. Na sequência.“Mostre o IPVA pago”. Saio do carro. O PM afirma que “o senhor estava em alta velocidade”. Não havia nenhum radar, mas optei por não questionar. “Sim, estava rápido sim”, disse. O PM explicou que “pode dar multa e tirar pontos da carteira”. Concordei. Perguntou “o senhor está com alguma urgência?”. Respondi, “Não senhor”. “Por que essa velocidade?”, ele quis saber. “Não sei”, respondi. “Pode ir embora, mas na próxima vez vou mandar rebocar”.

Chamei o garçom. O ar condicionado do restaurante está fraco. “Vou olhar”, ele disse. Voltou dizendo que estava normal. Agradeci, levantei e saí. Almocei em outro lugar.

O flanelinha me mandou dar a volta por trás do carro que ele estava achacando. O carro dava ré e poderia me atingir. Ignorei. O flanelinha gritou “ei!, porra!” O cara do carro o esculacha: “ele está certo. A preferência é do pedestre”. Saí, voltei e havia confusão. Polícia inclusive. O flanelinha teria chutado o cachorrinho de uma menina de 12 anos. Na pequena multidão ouvi alguém dizer “dá vontade de passar fogo nessa bandidagem”. Por desacato, o flanelinha levou cacetadas na bunda e foi levado para a delegacia.

O mico atravessava a praça no alto de uma árvore. Um homem me diz “tem que matar, isso transmite febre amarela”. Não respondi. Uma senhora ao lado rebateu: “não, meu senhor, os macacos não transmitem eles só contraem a doença”. Grosseiro, o homem disparou: “a senhora é médica?”. Não, eu leio jornal.

Na fila do posto de saúde o homem tenta falar com o médico: “doutor, doutor!”. Espere a sua vez, respondeu, azedo, o médico. O homem esperou alguns minutos e voltou a chamar. “Fique no lugar e não me atrapalhe”, respondeu, mal humorado, o médico. Chegou a vez do homem da fila. O médico pergunta, “o que o senhor queria falar?”. O homem pergunta “o senhor chegou naquele Honda prata mais cedo?”. O médico, “sim, e daí”? . É que estavam roubando o carro e eu tentei te avisar, mas agora é tarde. 

Melhor depôr as armas. As coisas se resolvem de qualquer maneira.