quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Netflix

O Estado do Rio elegeu (empoderou, como dizem os “muderninhos” politicamente corretos) uma constelação de medíocres (e safados) e isso aqui virou guerra civil. Agora não sabemos, sequer, se vamos conseguir sair de casa, o que dirá voltar. Os governantes assaltaram os cofres públicos até o talo e decretaram um oportunista “estado de calamidade pública”.

Sicário, o governador do RJ pediu tapa na cara quando alugou jatos de uma empresa de táxi aéreo por R$ 2,5 milhões por mês. Isso mesmo! Com gente morrendo de fome sem receber salário. Saiu nos jornais de hoje.

Recentemente um americano foi assaltado em Ipanema. O bandido levou tudo e, não satisfeito, deu quatro tiros de pistola nove milímetros na vítima. Não acertou nenhum e ainda levou uma surra do americano. Na delegacia a vítima voltou a ver o bandido, teve um ataque de fúria e, pasme, foi preso. Sim, no Rio o turista leva quatro tiros e acaba em cana. Só rindo. O americano volta amanhã para Nova Iorque jurando nunca mais pisar aqui. Culpa dele? Não sabia que a “cidade maravilhosa” caminha para ser um novo Afeganistão, com todo o respeito que tenho pelo Afeganistão?

No rastro do emporcalhamento político administrativo do Rio, muitas empresas alegam “é a crise...” (sempre ela) e investem no que há de pior (e mais barato) em mão de obra desqualificada, o que garante uma boa alavancada nos lucros.

É quando a vítima, já farto do estelionato político, resolve espairecer, quem sabe pegar um cineminha. Tudo bem. Entra no carro (tem que ser um modelo popular para não atrair o verdadeiro governante, o bandido), paga quase 15 reais de estacionamento no cinema (se deixar na rua perde o carro, ou metem uma arma na cabeça dele) e compra o ingresso (R$ 31,00), apesar da sala de espera estar quente porque parece que o ar condicionado não está funcionando direito (mentira, é economia de luz).

Próxima etapa: comprar um saco médio de pipoca e uma garrafinha de água mineral pequena: R$ 15,00. Entra na fila, espera, espera, espera, chega a sua vez. Pega a pipoca, a água e caminha para a entrada do cinema onde um funcionário diz que o sistema de projeção pifou.

Podiam ter avisado antes? Sim. Mas sabem como é a incompetência. Antes de ir para a roubada a vítima tentava falar com o cinema por telefone, mas ninguém atendia. Podiam ter avisado na bilheteria? Podiam. Ou, quem sabe, lá fora no estacionamento para a vítima não morrer em R$ 12,00. Afinal, vivemos um tempo de fartura tecnológica. O sujeito peida aqui e sentem o fedor em Bangladesh.

O pessoal do estacionamento explica (?) que devido aos assaltos agora os clientes tem que pagar antes de entrar e não na saída. Consolo: um rabisco no ingresso autorizando a entrada em outro dia, quando o sistema provavelmente voltará funcionar. Ou, então, pegar o dinheiro de volta, como determina o Código de Defesa do Consumidor.

A vítima chega em casa, entra na página do cinema no Facebook e reclama. Horas depois uma pessoa sem nome que se identifica apenas com o modernoso e pomposo título de “equipe de comunicação de mídias sociais” diz que “vamos apurar o ocorrido para lhe responder adequadamente”. Ninguém assina. E ninguém diz nada um dia depois. Meses depois. Nunca mais.

Dia seguinte. Apesar de ter percebido que entrou em festa de vara fantasiada de bunda a insistente vítima retorna ao cinema com o ingresso rabiscado. Fila na entrada da sala. Quando chega a sua vez, o porteiro (na verdade peão do gado bípede), mal humorado diz “tem que pegar a autorização na bilheteria” e desconsidera o rabisco. A vítima caminha até a bilheteria, consegue validar o ingresso e finalmente entra no cinema...onde está sente um pouco de calor, provavelmente porque o ar condicionado está com problemas (mentira, é economia de luz – 2 -.) Parece até prefeitura.

Por isso é melhor ficar em casa e assistir Netflix, ou ir na casa de amigos. Para começar, não há estresse. Depois, a economia. Nessa odisseia descrita acima a vítima desembolsou, no total: consumo de saúde – imensurável; R$ 31,00 do ingresso, mais R$ 12,00 do estacionamento, mais R$ 15,00 da pipoca, mais R$7,00 da gasolina. Total? R$ 65,00.

Um mês de Netflix (isso mesmo, um mês!) custa em torno de R$ 28,00 com um invejável cardápio de filmes e séries, sem estacionamento, aporrinhação, gente mal humorada, ar condicionado “pifado”, etc. Fora o Netflix, o sistema de aluguel de filmes do You Tube é bom e está disponível para TVs com aceso a internet. Lá você assiste, por exemplo “O Regresso” pagando R$ 10,00, por 24 horas, “Elvis & Nixon”, R$ 14,00, enfim, um gigantesco catálogo de filmes.

Não é só ir ao cinema que virou rali. Em qualquer grande casa de shows no Rio paga-se em torno de R$ 100,00 para assistir pelo telão, já que lá de trás não se enxerga (e ouve) nada. Mas quem quiser desembolsar R$ 250,00 ou R$ 300,00 assiste lá na frente, onde muita gente fica batendo papo de costas para o artista no palco e teclando no whatsapp. Fora estacionamento, gasolina, provável congestionamento.

É por isso tudo que tirar as pessoas de casa em tempos de “molambalização” dos caríssimos serviços está cada vez mais difícil. E, diz a lenda, a tendência e piorar.