sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Livraço “Lindo Sonho Delirante: 100 discos psicodélicos do Brasil (1968-1975)”

                                                                                     
Bento Araujo

Sou fã do Bento Araújo porque ele tem coragem, determinação, talento e amor extremo pela boa música. Há anos acompanho a sua saga editando a sensacional revista Poeira Zine e outros projetos revolucionários que o mundo “digitoso” acha que não dão certo. E ponto. Só que não é ponto final e o Bento, de novo, mostra que é preciso estar a atento e forte e encarar o pessimismo de frente, como uma kombi subindo a via Dutra na contramão.

Seu livraço “Lindo Sonho Delirante: 100 discos psicodélicos do Brasil (1968-1975)”, que acabei de ler, virou uma referência para o meu trabalho e hoje mora na minha cabeceira. Nele, Bento Araújo mostra quem fez os sons realmente lisérgicos no Brasil, nesse período de muita loucura, perseguição, tortura, AI-5 e (que contradição), genialidade. O arrocho dos militares era pesado, caçavam cabeludos, pretos e maconheiros pelas ruas e, ainda assim, vivemos um raro momento de criatividade, que o Bento nos mostra nessa obra. Contradição. Os meganhas nas ruas e nas lojas de discos só diamantes, rubis e esmeraldas. Hoje, liberdade total, empoderamentos e os cacetes e as boas lojas de discos são raras. O vemos é o merdalhal desabando sobre nossas cabeças na forma de downloads. Vai entender.

Lindo Sonho Delirante...” vai muito mais além de um guia. Cada disco, com capa original reproduzida em alta definição, é analisado em profundidade pelo autor, que opina, mostra as origens, conta história e os bastidores. Não é um livro estilo google, como vemos por aí, nessa era de oportunistas. É um extraordinário trabalho de pesquisa que recomendo a todas as pessoas que, direta ou indiretamente, tem algum contato com a música. Aqui, uma descrição do livro feita pelo site da loja Locomotiva Discos:

Lindo Sonho Delirante: 100 discos psicodélicos do Brasil (1968-1975) é ricamente ilustrado, com reproduções das capas de todos os cem (100) discos apresentados. Cada álbum e compacto é acompanhado de uma resenha em português e inglês, minuciosa reprodução da arte gráfica original, um cabeçalho contendo o nome do grupo/artista, nome do disco/compacto, seu respectivo selo fonográfico, número de série da prensagem original e data de lançamento.

Considerando o disco-manifesto Tropicalia ou Panis et Circencis como uma espécie de marco zero da psicodelia nacional, a garimpagem das obras contidas no livro começa em 1968. De Tropicalia ou Panis et Circencis partimos rumo a uma jornada de oito anos, que termina no talvez mais raro e mitológico disco psicodélico brasileiro de todos, Paêbirú: Caminho da Montanha do Sol, lançado por Lula Côrtes e Zé Ramalho, em 1975.

De pioneiros como Arnaldo Baptista, Rogério Duprat, Tom Zé, Fábio e Ronnie Von, até astros como Rita Lee, Milton Nascimento, Secos & Molhados e Novos Baianos. De gigantes como Gil, Caetano, Gal, Jorge Ben e Os Mutantes, até heróis e heroínas não tão celebrados, como Damião Experiença, Lula Côrtes, Sidney Miller, Suely e Os Kantikus, Marconi Notaro, Guilherme Lamounier e Loyce e os Gnomos. Do rock marginal da Equipe Mercado, Ave Sangria, A Bolha, Casa das Máquinas, Spectrum e Paulo Bagunça e a Tropa Maldita, até a sofisticação de Marcos Valle, João Donato, Egberto Gismonti, Luiz Carlos Vinhas, Pedro Santos e Arthur Verocai. Todos estão juntos nesse Lindo Sonho Delirante, os superstars e os esquecidos, os raros compactos e os elepês.

Além das cem (100) resenhas, o livro contém uma introdução, onde uma particular visão do período é abordada, analisando a influência da música pop anglo-saxônica misturada à exaltação das raízes brasileiras por parte dos artistas locais, tomando como ponto de partida a Semana de Arte Moderna de 1922 e ícones da cultura nacional, como Chacrinha e Grande Otelo.

A análise da criação e a interpretação do simbolismo desta lisergia tropical cria uma iconografia inédita, um volume que funciona como um presente à memória da música nacional e àqueles artistas brasileiros que expandiram a mente em nome da arte, em plena era de sangrenta repressão militar e de extremo preconceito social.

Especificações do Livro
232 páginas
21 cm de largura X 19,5 cm de altura
Inteiramente colorido
Capa em papel couchê 300 g/m2, miolo em couchê 115 g/m2, lombada hotmelt
Textos em português e inglês
Informações preciosas
00 resenhas de discos + 100 reproduções das capas originais + Introdução

Esgotado em várias livrarias, para comprar é só escrever para contato@poeirazine.com.br