sábado, 9 de setembro de 2017

Molambeiro, o elo perdido entre o homem e o porco

                                                                             
Andando pelo bairro onde moro,num dia de verão, 41 graus à sombra, o cheiro de mijo não só incomodava como irritava. Coisa de molambeiro, bípede que não mora onde mija, não tem qualquer relação afetiva com a cidade onde está e, por isso, cospe no chão, atira lata de cerveja junto ao meio fio, enfim, essa figura conhecida como molambeiro deveria ser estudado em profundidade porque, diz a minha tosca e eventualmente mal humorada intuição, que ele pode ser o elo perdido entre o homem e o porco.

O molambeiro não tem sexo, cor, classe social, nível de instrução. É uma bola de sebo tatuada rolando pelas cidades, saltitando merda para todos os lados e atualmente tem como veículo preferido a motocicleta, em geral equipada com um tal de baú onde alguns carregam cachaça, cheirinho da loló, crack e outros aditivos muito comuns a espécie. Se a polícia fizer seis meses de asfixia (blitz permanente) nas motocicletas, a segurança pública vai melhorar 80% porque além de baderneiros, escroques sociais, paladinos da imundície, muitos são bandidolas.

Molambeiros gostam de andar em bandos e contrariando normas internacionais de segurança, andam de motocicleta sem camisa, calçando chinelos vagabundos, capacetes idem, cano de descarga cortado (barulho infernal) e em zigue zague entre os carros.

Em Niterói, o point da molambada é a praia de Itacoatiara, onde os molambeiros encontram molambeiras com quem copulam e perpetuam a espécie. Itacoatiara virou moda entre eles e entrou na rota da barbárie desses animais que, geralmente sem documentos, invadem o bairro fazendo enorme barulho (como suas motos são vagabundas, não correm muito), fazem xixi em qualquer árvore e enchem de cocô e latas de energético genérico a restinga da praia. Itaipu e Piratininga viram fim do mundo.

Na praia, fumando maconha paraguaia, jogam futebol na beira d’água (velhos e crianças que se danem), dão saltos mortais as gargalhadas no mar onde aproveitam para fazer xixi e cocô de novo, aos gritos de “hahahaha....tá dominado, rapá....hahahahaha”. Na areia, funk, pagode e sertanejo aos berros naqueles equipamentos de som chineses, com porta USB por onde a caganeira musical transita.

Os moradores locais? Se borram de medo. Itacoatiara é bairro de classe média alta e um dia já foi o must do verão em Niterói, e como toda a classe média, tem pavor dessa molambada com cabelo à Neymar, moto na mão e muita bosta na cabeça. Os locais dizem que “os estrangeiros são perigosos e acham que a praia é deles”. Claro que a praia é deles. A praia, o bairro, a cidade, o país.

Não bata o cheiro de mijo. Andando numa cidade que estupra com o IPTU, conta de luz, água, telefone, ainda vem esses molambos e, em menos de duas horas, cagam tudo.

Com certeza a porradaria ia comer se eu pegasse um molambeiro desses, elo perdido radical, defecando em frente a uma creche (para eles tanto faz). Aliás, é por isso que não tenho ido a praia sábado e domingo, onde a civilidade é minoria absoluta. 

Prefiro permanecer réu primário.