quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Saudade colossal de Keith Emerson

Quando assisti a homenagem de Rick Wakeman, ontem no You Tube (vídeo amador acima, a partir de 3 minutos e 35 segundos) bateu um enorme saudade de Keith Emerson, que nos deixou em março de 2016 aos 71 anos. Um dia desses conversava com amigos sobre Rick Wakeman, que assisti ao vivo algumas vezes e a vontade de assistir o Emerson, monumental multi tecladista presente, muito presente, em minha vida e de toda uma geração que conheceu a primeira geração do rock progressivo. A melhor, a mais autêntica, a mais visceral, pura, sem tecnicismos, decoreba. Os caras tocavam o que vinham à pele. Keith Emerson era um dos líderes desse pequeno bando de gênios.

Conheci a sua música quando ouvi o álbum de estreia de seu trio, Emerson Lake and Palmer, lançado em 1970, mas só fui abduzido dois anos depois quando ouvi "Pictures at an Exhibition", uma leitura dele e de Greg Lake e Carl Palmer da obra do russo Modest Mussorgsky (1839-1881), de quem eu nunca ouvira falar. Mas o álbum que me pegou definitivamente foi "Trilogy", deste mesmo 1972. Os álbuns nacionais de vinil eram tão vagabundos, bem como os toca discos fabricados aqui, que o meu "Trilogy" gastou. Isso mesmo. De tanto ouvir ele acabou ficando liso, em especial a minha faixa favorita a ultra experimental e maravilhosa "Abaddon´s Bolero", que encerra o disco.




Não parei mais de ouvir o ELP. Auge da adolescência, das crises, de gargalhadas, de nós na garganta inexplicáveis, ataques de fúria, consequências de sucessivas tempestades hormonais, micro (que pareciam giga) crises existenciais, dúvidas, cabelos muito longos, costelas expostas pela magreza e que lembravam os teclados de Keith Emerson.

Se a música do Who parecia escrever o meu diário
de adolscente sentia a música do ELP como algo que estava em algum lugar do futuro. Sentia o mesmo quando sorvia Jimi Hendrix que só bem mais tarde fui saber que iria formar o HELP (Hendrix, Emerson, Lake and Palmer) no lugar do ELP, em 1970. Mas a morte levou Hendrix e a vida atirou o ELP no mundo. Mas as vezes fico imaginando o que teria sido o HELP.

Hoje, a sensação é estranha. Parece que alguém próximo foi embora a pé, no meio de um
denso e frio nevoeiro. Alguém que jamais cumprimentei, assisti pessoalmente. Pensando bem, e daí? Keith Emerson, com a sua selvagem delicadeza nos teclados, era próximo sim. Como Hendrix, como Machado de Assis, como Coppola.